sábado, 18 de janeiro de 2025

O COMENTÁRIO DA SEMANA

 

Precisamos redescobrir a profundidade e a riqueza do cristianismo”

Depois de 12 anos, escrevendo, semanalmente, no Centenário Jornal Correio da Semana, da Diocese de Sobral, o mais antigo do Ceará, nestes últimos 04 anos tenho-me mantido no Blog do meu colega dos Seminários de Sobral e de Olinda – Leunam Gomes – com os mesmos entusiasmo e prazer que tínhamos, quando adolescentes e jovens, à época de nossos estudos.

Nunca nos faltou assunto e os “comentários” continuam fluindo, um pouco mais devagar, mas, sem dúvida, com mais experiência e sabedoria. Estamos acima dos 80 anos e não nos envergonhamos do que ainda somos capazes de fazer.

 A maturidade, em vez de nos acovardar e achar que já passou o tempo, ainda nos dá entusiasmo para continuar a fazer melhor e cobrar de nós, mais responsabilidade e mais compromisso com a verdade, pois, segundo nosso Mestre Jesus, “ela nos libertará”.

Na busca dos mais variados temas, tenho-me deparado com alguns mais surpreendentes: a aparição de um amigo, o aniversário de outro, uma festa em família e a todos eu vou dando um enfoque especial, contanto que dê oportunidade a uma reflexão e até a uma lição de vida pra mim ou pra alguém.

 Há mais de um ano, encontrei-me, pela Internet, com um missionário leigo – Francisco de Assis - que trabalhou comigo em Mamanguape, na Paraíba e que estudara Filosofia e Teologia em Portugal, teve uma experiência missionária na África, mais precisamente, em Moçambique e estava de volta ao Brasil em outro trabalho missionário. Prometia vir aqui, assim que pudesse. Estou esperando-o depois de 30 anos de mudanças e de ausência.

 Mais recentemente, por ocasião do Natal, também pela Internet, deparei-me com um Bispo, já aposentado, que eu o conheci em Roma, seminarista ainda, estudante de Sagrada Escritura. Voltara ao Brasil, no início da década de 1970, tornara-se Padre, Bispo de duas Dioceses em Minas – Guanhães e

Caratinga - já está aposentado, é professor de Bíblia e de Grego, no Seminário de Caratinga e, como eu, está escrevendo para Jornais e Boletins, comentando a Liturgia Semanal. Nosso reencontro, até agora, virtual, tem sido ótimo e feliz. Até, já trocamos, mutuamente, textos escritos em nossos blogs e nos estamos ajudando, um ao outro, em nossas divulgações.

 Neste final-início de semana, a Imprensa Internacional e até a Nacional está dando muito destaque à posse do Governo Americano, pela 2ª vez, ocupando a Casa Branca: o Senhor Donald Trump, esta 2ª feira, dia 20/01.

Diante da ‘magnitude’ do Evento, divulgado e propalado pela ‘Mídia Tupiniquim Brasileira’ como a que acontece ‘na maior democracia do mundo’, aproveito-me de um comentário internacional, feito por um coetâneo de Dom Emanuel Messias, também nascido em 1948 – não em Minas, mas em Praga, na Tchecoslováquia – Padre Tomás Halik – professor de Sociologia, em sua terra natal, para enriquecer o comentário que nós estamos propondo a fazer.

                                                                                                                                                    O Padre Tomás Halik, que não era cristão ainda, quando estudava, se interessou por aprofundar filosofia e psicologia social, aproveitando a liberalização política que Praga, sua capital, parecia estar abrindo com novos horizontes e novas maneiras de pensar. Foi para a Inglaterra. Deixou de lado, a fôrma soviética e aproximou-se mais da abertura Britânica, mais voltada pra filosofia e para a religião anglicana que o deixou mais livre para tomar decisões. Quando aconteceu a ocupação soviética, ele já estava no País de Gales. Mesmo sem a imposição comunista foi mais fácil aderir ao cristianismo.

Entrou pela porta anglicana, tornou-se cristão e mais tarde, Sacerdote: 1989. Estudioso como era, procurava a verdade em qualquer ideologia que abraçasse. Não dissemos há pouco que, “segundo o Mestre Jesus, a verdade vos libertará”? É um princípio válido para todo mundo.

 À época de sua conversão, impressionou ao Padre Tomás Halik, aquilo que refletimos ultimamente, por ocasião da Festa da Páscoa:” Nossa tarefa não é chorar no túmulo e procurar por Jesus no mundo do passado. A tarefa é encontrar a ‘Galiléia de hoje’ e lá encontrar o Jesus vivo”.

 Foi o que lhe aconteceu. Passou a ver a Igreja como uma comunidade de peregrinos que contribui para a transformação do mundo e de toda a família humana em uma comunidade, ajudando-a a aprofundar a dinâmica da partilha.

Essa visão foi-lhe encaminhando também para a sua “missão”: política, profética, terapêutica e transformadora do mundo. E descobriu que a Igreja é um sacramento, um símbolo e um instrumento da unidade, à qual toda a humanidade é chamada em Cristo. Esta unidade é uma meta escatológica que só pode ser, plenamente, realizada, em Cristo, o final de nossa história.

 Será que há uma busca de verdade, mais bem delineada que esta? Ele mesmo responde: é que muitas formas de Igreja-Hoje só se assemelham ao túmulo vazio. Daí, a falta de compromisso de homens públicos, o desrespeito ao povo, as invencionices que nada têm de populares, só se fala de lucro, de

bem estar econômico, de elogiar as poupanças dos mais ricos, quem são os milionários do mundo e de como juntaram tão grande patrimônio, que exemplo de honestidade deram para angariarem tantos bens? Por aí vão as “expertises” tão elogiadas. E aí, surge uma pergunta de esperto jornalista que quer colocá-lo em apuros: “Onde você põe aí: o Papa Francisco e Donald Trump”?

Ao que Pe. Tomás Halik com um sorriso nos lábios e um olhar meio irônico responde:

 

“O Papa Francisco é um grande Profeta do nosso tempo, um dos maiores Papas da História da Igreja. Ninguém está fazendo mais para construir pontes entre culturas do que o Papa Francisco. Sua encíclica Fratelli Tutti poderia desempenhar um papel no século XXI semelhante ao desempenhado pela Declaração Universal dos Direitos Humanos no século XX”.

 

A vitória do populista amoral, Donald Trump, uma personalidade caótica e imatura é uma tragédia não só para a América, mas para o mundo inteiro. Aqueles que não conseguem aceitar a derrota e são incapazes de autoreflexão crítica, que não respeitam as regras democráticas e a cultura da lei, não merecem vencer e governar. Quando o povo da Europa assiste às cenas narcisistas de Donald Trump - cujos gestos e expressões faciais lembram muito Benito Mussolini – suas vulgaridades, suas mentiras notórias e suas frases vazias, eles riem alto. Não sei se os eleitores de Trump percebem que o mundo não levará a América a sério com tal presidente. A cegueira espiritual que faz dessa figura – que é pura personificação de valores em completa oposição ao Evangelho - o objeto de um culto religioso precisa ser seriamente estudado. As tentativas de transformar a fé cristã em uma arma ideológica para guerras culturais desacreditam, perigosamente, o cristianismo. O nacionalismo e o egoísmo nacional são contrários à catolicidade. Muitas formas da Igreja hoje se assemelham ao túmulo vazio. Precisamos redescobrir a profundidade e a riqueza do cristianismo, a polifonia das escrituras e da tradição e a fé como fonte de beleza, liberdade e alegria”.

 Quando eu era estudante de filosofia em Olinda, sem entender muito das ideologias filosóficas, ouvia os mais sabidos dizerem: “a diferença entre Capitalismo e Comunismo é que no Capitalismo um homem explora outro e no Comunismo é o contrário”. Entendeu? Pe. Halik explica”.  








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