Mudam as figuras, os nomes, mas as atitudes e os modos de agir
são os mesmos!
Nesta 2ª feira,
27/01, completa-se uma semana, da posse de Donald Trump, pela 2ª vez, como
Presidente dos EEUU. Faz, exatamente uma semana, comentávamos aqui no Blog do
Leunam, as perspectivas das Américas e do Mundo, sobretudo através da Imprensa,
que se colocava à disposição para divulgar “a magnitude do evento” a ser
celebrado “na maior democracia do mundo”, só experimentada pelos EEUU.
Deixando de lado
(exageros e empolgação da direita ultraconservadora) vali-me de um comentário
internacional feito por um Padre de origem Tcheca, seguidor da ideologia
soviética, convertido ao cristianismo: Pe. Tomás Halik.
A ele foram feitas duas perguntas: uma sobre a atuação do Papa Francisco e outra sobre o Presidente eleito para governar os EEUU. A esta 2ª pergunta, o Padre Tomás Halik respondeu sem pestanejar: “a vitória do populista amoral, Donald Trump, uma personalidade caótica e imatura é uma tragédia não só para a América, mas para o mundo inteiro. Aqueles que não conseguem aceitar a derrota e são incapazes de autorreflexão crítica, que não respeitam as regras democráticas e a cultura da lei, não merecem vencer e governar”.
E assim fomos dando
prosseguimento ao nosso comentário anterior à sua posse e que não me pareceu,
até agora, nada democrático. No entanto, a Democracia continua, teoricamente, a
ser apresentada, em todos os esquemas políticos e em todas as ideologias, como
a maneira mais favorável e mais inteligível de governar. Lembro-me tanto de Dom
Helder Câmara, quando na época de chumbo da ditadura militar, dizia ser,
totalmente contra “ditaduras”, de esquerda ou de direita, “como nos hediondos
tempos de Stalin e de Hitler” , colocando as duas modalidades no mesmo pé de
igualdade.
Pode-se,
perfeitamente bem, perguntar: há democracia na “eleição de Maduro” na
Venezuela? Houve democracia na eleição e no governo de Bolsonaro, no Brasil? E
a mais recente, dos EEUU, não foi entre a direita (representada por Kamala
Heris) e a extrema direita de Trump? E tudo o que aconteceu não foi sob o manto
da democracia? Será que as mais de cem canetadas de Trump, no 1º momento da
posse, foram democráticas? Será que aquela “bispa” que presidiu o culto de ação
de graças, não estava certa nas
reflexões feitas,
diante do novo presidente? E qual foi a reação dele? Exigiu que sua Igreja se
retratasse, publicamente, pedindo desculpas. Desculpar-se de que? Por ter-se
condoído dos descriminados e sofredores sociais?
A maquiagem que os “homens
do poder” vão fazendo em seus partidos políticos para encobrirem suas
camuflagens, para parecerem democratas e respeitadores do povo, não estará na
hora de acabar?
No dizer do Profeta
Dom Helder, eram “hediondos os tempos de Stalin e Hitler”, que se
aplicam aos de Mussolini e Franco, de Oliveira Salazar e Kadafi, dos Generais
da Ditadura Militar e dos civis antidemocratas. Mudam
as figuras, os nomes, mas as atitudes e os modos de agir são os mesmos.
Entendam bem: no tempo da redemocratização no Brasil, na bipolarização
partidária, o PT representava a esquerda e o PSDB, a direita, embora este
partido trouxesse em sua sigla a marca da “socialdemocracia”.
Dissolvida a União
Soviética e derrubado o Muro de Berlim, a direita saiu do armário, isto é, a
polarização ideológica não é entre esquerda e direita; é entre direita e
extrema direita, como eu já disse: entre Kamala Heris e Trump.
Zema e Bolsonaro. Pablo Marçal e Caiado, ou seja, a direita contra ela mesma. Não é uma briga ideológica. Eles advogam uma sociedade pós-capitalista.
A eleição de Donald Trump foi a “cereja do bolo”. Completou a
ascensão da direita no mundo. A direita do Brasil, sem saber ‘nadar nessa
maionese’, até que se mexeu para marcar presença na Festa Americana. Mas se deu
muito mal, por desconhecer os caminhos, os métodos para alcançar os objetivos
da ‘expertise’. Perderam a oportunidade e fizeram muita bobagem.
Quem sabe, os nossos partidos de esquerda, com o andar da
carruagem e com as eleições que se aproximam, possam ainda reverter os próximos
passos e amealhar um número expressivo de votos nas próximas eleições. Tem que
haver um bom resultado em 2026 para que o próximo Congresso não seja tão
conservador como o atual. Quem garante isso?
Mudam-se os nomes: “orçamento secreto”. “Emendas parlamentares”.
Nenhuma dessas expressões são sugeridas pelos “caciques” municipais, estaduais
ou federais sem segundas intenções, sobretudo a de não “perder a boquinha” na
próxima legislatura. Serão essas as motivações para se fazer política? Quem vai
querer abrir mão dessas minas de ouro, a cada ano, de bilhões de reais a serem
embolsados por 81 senadores, 513 deputados federais e outros servidores púbicos
dos poderes executivo e judicial, tanto na
área nacional, quanto nas estaduais? Eles acrescentam aos
próprios contracheques, tantas ‘benesses’ ou vantagens que, em muito, lhe
aumentam os polpudos vencimentos. Será que vamos sair dessa? Quais as
alternativas para a esquerda e para os partidos alternativos? Quem sabe: o uso
da política, profissionalmente, com as redes digitais... Nós nos sentimos
preparados para isso, sem apelar para as “fake News”, tão em voga, atualmente?
E, quando não se tem gente especializada, nas esquerdas e se tem
de apelar para marqueteiros da direita, não se está dando ouro ao bandido? É o
caso de se afirmar com a sabedoria popular: se correr o bicho pega; se ficar o
bicho come. Que encruzilhada difícil!
Numa reflexão mais aprofundada e baseada numa constatação, não é
o caso de se perguntar? – O que levou Lula, 3x, à Presidência da República? Eu
mesmo recorri a Frei Beto para me iluminar em dar uma resposta: nem foi a
perícia dos marqueteiros, nem as alianças partidárias. Foi sim, o trabalho de
base, de educação política, que acumulou em torno dele, vultoso capital
eleitoral. Trabalho desenvolvido em todo o Brasil, a partir da década de 1970,
através das Comunidades Eclesiais de Base – CEBs – das Igrejas cristãs, de
movimentos populares, do sindicalismo combativo, da militância remanescente da
luta contra a ditadura... Tudo coordenado e conduzido pela pedagogia de Paulo
Freire... Por isso mesmo foi chamado de energúmeno pelo mais reacionário dos
políticos brasileiros há mais de 50 anos atrapalhando a nossa caminhada
democrática.
Por esta reflexão de hoje, poderíamos perguntar: Por que agora
as classes populares votaram em Trump? Por que há ‘pobres de direita’? Por que,
no Brasil, só a direita consegue promover manifestações de rua com
significativo número de pessoas? Certamente os que éramos conscientizados, os
que lutávamos pela “anistia”, que cantávamos nossas músicas de protesto,
estimulados e incentivados pelos nossos compositores e cantores que ainda hoje
são nossas referencias, ainda vamos unir nossas forças para continuar contando
nossa história. Os atuais momentos políticos nacionais e internacionais, não nos
estão atraindo e tornando-nos “atores” da história. Temos que reverter este
quadro.
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