sábado, 25 de janeiro de 2025

O COMENTÁRIO DA SEMANA

 

Mudam as figuras, os nomes, mas as atitudes e os modos de agir são os mesmos!

Nesta 2ª feira, 27/01, completa-se uma semana, da posse de Donald Trump, pela 2ª vez, como Presidente dos EEUU. Faz, exatamente uma semana, comentávamos aqui no Blog do Leunam, as perspectivas das Américas e do Mundo, sobretudo através da Imprensa, que se colocava à disposição para divulgar “a magnitude do evento” a ser celebrado “na maior democracia do mundo”, só experimentada pelos EEUU.

Deixando de lado (exageros e empolgação da direita ultraconservadora) vali-me de um comentário internacional feito por um Padre de origem Tcheca, seguidor da ideologia soviética, convertido ao cristianismo: Pe. Tomás Halik.

 A ele foram feitas duas perguntas: uma sobre a atuação do Papa Francisco e outra sobre o Presidente eleito para governar os EEUU. A esta 2ª pergunta, o Padre Tomás Halik respondeu sem pestanejar: “a vitória do populista amoral, Donald Trump, uma personalidade caótica e imatura é uma tragédia não só para a América, mas para o mundo inteiro. Aqueles que não conseguem aceitar a derrota e são incapazes de autorreflexão crítica, que não respeitam as regras democráticas e a cultura da lei, não merecem vencer e governar”. 

E assim fomos dando prosseguimento ao nosso comentário anterior à sua posse e que não me pareceu, até agora, nada democrático. No entanto, a Democracia continua, teoricamente, a ser apresentada, em todos os esquemas políticos e em todas as ideologias, como a maneira mais favorável e mais inteligível de governar. Lembro-me tanto de Dom Helder Câmara, quando na época de chumbo da ditadura militar, dizia ser, totalmente contra “ditaduras”, de esquerda ou de direita, “como nos hediondos tempos de Stalin e de Hitler” , colocando as duas modalidades no mesmo pé de igualdade.

Pode-se, perfeitamente bem, perguntar: há democracia na “eleição de Maduro” na Venezuela? Houve democracia na eleição e no governo de Bolsonaro, no Brasil? E a mais recente, dos EEUU, não foi entre a direita (representada por Kamala Heris) e a extrema direita de Trump? E tudo o que aconteceu não foi sob o manto da democracia? Será que as mais de cem canetadas de Trump, no 1º momento da posse, foram democráticas? Será que aquela “bispa” que presidiu o culto de ação de graças, não estava certa nas

reflexões feitas, diante do novo presidente? E qual foi a reação dele? Exigiu que sua Igreja se retratasse, publicamente, pedindo desculpas. Desculpar-se de que? Por ter-se condoído dos descriminados e sofredores sociais?

A maquiagem que os “homens do poder” vão fazendo em seus partidos políticos para encobrirem suas camuflagens, para parecerem democratas e respeitadores do povo, não estará na hora de acabar?

No dizer do Profeta Dom Helder, eram “hediondos os tempos de Stalin e Hitler”, que se aplicam aos de Mussolini e Franco, de Oliveira Salazar e Kadafi, dos Generais da Ditadura Militar e dos civis antidemocratas. Mudam as figuras, os nomes, mas as atitudes e os modos de agir são os mesmos. Entendam bem: no tempo da redemocratização no Brasil, na bipolarização partidária, o PT representava a esquerda e o PSDB, a direita, embora este partido trouxesse em sua sigla a marca da “socialdemocracia”.

Dissolvida a União Soviética e derrubado o Muro de Berlim, a direita saiu do armário, isto é, a polarização ideológica não é entre esquerda e direita; é entre direita e extrema direita, como eu já disse: entre Kamala Heris e Trump.

Zema e Bolsonaro. Pablo Marçal e Caiado, ou seja, a direita contra ela mesma. Não é uma briga ideológica. Eles advogam uma sociedade pós-capitalista.

A eleição de Donald Trump foi a “cereja do bolo”. Completou a ascensão da direita no mundo. A direita do Brasil, sem saber ‘nadar nessa maionese’, até que se mexeu para marcar presença na Festa Americana. Mas se deu muito mal, por desconhecer os caminhos, os métodos para alcançar os objetivos da ‘expertise’. Perderam a oportunidade e fizeram muita bobagem.

Quem sabe, os nossos partidos de esquerda, com o andar da carruagem e com as eleições que se aproximam, possam ainda reverter os próximos passos e amealhar um número expressivo de votos nas próximas eleições. Tem que haver um bom resultado em 2026 para que o próximo Congresso não seja tão conservador como o atual. Quem garante isso?

Mudam-se os nomes: “orçamento secreto”. “Emendas parlamentares”. Nenhuma dessas expressões são sugeridas pelos “caciques” municipais, estaduais ou federais sem segundas intenções, sobretudo a de não “perder a boquinha” na próxima legislatura. Serão essas as motivações para se fazer política? Quem vai querer abrir mão dessas minas de ouro, a cada ano, de bilhões de reais a serem embolsados por 81 senadores, 513 deputados federais e outros servidores púbicos dos poderes executivo e judicial, tanto na

área nacional, quanto nas estaduais? Eles acrescentam aos próprios contracheques, tantas ‘benesses’ ou vantagens que, em muito, lhe aumentam os polpudos vencimentos. Será que vamos sair dessa? Quais as alternativas para a esquerda e para os partidos alternativos? Quem sabe: o uso da política, profissionalmente, com as redes digitais... Nós nos sentimos preparados para isso, sem apelar para as “fake News”, tão em voga, atualmente?

E, quando não se tem gente especializada, nas esquerdas e se tem de apelar para marqueteiros da direita, não se está dando ouro ao bandido? É o caso de se afirmar com a sabedoria popular: se correr o bicho pega; se ficar o bicho come. Que encruzilhada difícil!

Numa reflexão mais aprofundada e baseada numa constatação, não é o caso de se perguntar? – O que levou Lula, 3x, à Presidência da República? Eu mesmo recorri a Frei Beto para me iluminar em dar uma resposta: nem foi a perícia dos marqueteiros, nem as alianças partidárias. Foi sim, o trabalho de base, de educação política, que acumulou em torno dele, vultoso capital eleitoral. Trabalho desenvolvido em todo o Brasil, a partir da década de 1970, através das Comunidades Eclesiais de Base – CEBs – das Igrejas cristãs, de movimentos populares, do sindicalismo combativo, da militância remanescente da luta contra a ditadura... Tudo coordenado e conduzido pela pedagogia de Paulo Freire... Por isso mesmo foi chamado de energúmeno pelo mais reacionário dos políticos brasileiros há mais de 50 anos atrapalhando a nossa caminhada democrática.

Por esta reflexão de hoje, poderíamos perguntar: Por que agora as classes populares votaram em Trump? Por que há ‘pobres de direita’? Por que, no Brasil, só a direita consegue promover manifestações de rua com significativo número de pessoas? Certamente os que éramos conscientizados, os que lutávamos pela “anistia”, que cantávamos nossas músicas de protesto, estimulados e incentivados pelos nossos compositores e cantores que ainda hoje são nossas referencias, ainda vamos unir nossas forças para continuar contando nossa história. Os atuais momentos políticos nacionais e internacionais, não nos estão atraindo e tornando-nos “atores” da história. Temos que reverter este quadro.








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