SEMINÁRIO DE SOBRAL:
CEM ANOS (III)
Hoje, a
Instituição do Seminário São José de Sobral está completando 100 anos de
instalação entre nós, graças à coragem, ao espírito arrojado e à fé de Dom José
Tupinambá, 1º Bispo desta Diocese.
Desde o meu 1º
Comentário deste mês (este já é o terceiro) reporto-me a Dom José como “o maior
benfeitor, construtor e administrador de Sobral”. E o estou mostrando através
de um exemplo concreto da ‘instituição do Seminário’.
Ele tinha
pressa. Chegara de Roma, em 1906, Padre Novo, ordenado e logo se tornou Pároco
de Nossa Senhora da Conceição. Em 1915 foi criada a Diocese de Sobral e ele foi
nomeado seu 1º Bispo. Se já estava ocupando a principal Igreja Matriz da
Cidade, aumentou-lhe a responsabilidade e o trabalho a ser executado, ao se
tornar Bispo Diocesano. Como disse: ‘ele tinha pressa’.
Paralelamente à
Missão Catequética ia montando a estrutura material para dar suporte ao
trabalho. Começou logo, usando o seu patrimônio pessoal, herdado da família,
construindo Escolas e Colégios: Sant’Ana, Sobralense e Imaculada Conceição,
bem como o Seminário São José para a Formação do seu clero diocesano,
cujo centenário estamos celebrando hoje. Voltou-se para a Saúde, construindo a Santa
Casa de Misericórdia, o Abrigo e Orfanato Sagrado Coração de Jesus. Para a
Cultura, deixando o Museu D. José e o Cine Teatro Glória. Para a
Comunicação, criando o já centenário Jornal Correio da Semana e a quase
septuagenária Rádio Educadora.
Para Administrar
Recursos ou Doações e até rendas e taxas da Diocese para construir tantas
obras, erguendo o Banco de Crédito Popular, mais tarde, BANCESA, que movimentou
por um bom tempo, a economia regional.
Segundo o nosso
Comentário da Semana passada, citando o Betanista, Aguiar Moura, “o seminário
era a menina dos olhos de D. José Tupinambá”. Como entender um Bispo ou
um Padre que não demonstre interesse em zelar por uma vocação sacerdotal?
Certamente, tal bispo ou sacerdote não está satisfeito com a sua própria
vocação. Nem divulga para animar a outros?
Eu sou do tempo
de Dom José. Fui leitor assíduo para ele ouvir, acompanhar, corrigir,
mandar ler mais alto, tanto suas orações pessoais, em latim, Português ou
francês assim ele estivesse com um texto em mãos. Lia-se.
Seu Seminário da
Betânia era uma referência. Por que será que todos os ex-alunos, padres ou
não, somos tão apaixonados e gratos ao Seminário? Por que a gente se reúne
tanto e tantas vezes para aumentar as saudades?
Por que nós,
padres ou não, até aceitamos ser chamados de ex-Seminaristas, mas não aceitamos
ser chamados de Ex betanistas? Dá pra entender? Por que a palavra Betânia mexe
tanto conosco? Você sabe seu verdadeiro significado? Betânia era um lugarejo –
nas cercanias de Jerusalém - onde Jesus passava, de vez em quando, para visitar
seus amigos: Lázaro, Maria, Marta e descansar um pouco da fadiga e até
se alimentar. Foi por este sentido bíblico, de acolhida, que Dom José deu ao
bairro do seu Seminário, o nome de Betânia, para que todos os Padres, ex-alunos
que por lá passassem, tivessem um lugar de acolhida, repouso e se encontrassem
com os seus seminaristas e com outros que nem visitas recebiam, para se
alimentarem e se encontrarem num ambiente fraternal. Há, portanto, uma
fundamentação bíblica, para se ser tão Betanista quanto Jesus. Uma dessas
“aparições” ou dessas presenças de Jesus foi para ressuscitar Lázaro que havia
morrido e Jesus disse: ‘o nosso amigo Lázaro está dormindo, mas eu vou lá
acordá-lo’. Todos sabemos o resto:
Jesus o
ressuscitou e ainda nos ensinou: ‘quem vive e crê, nunca morrerá’.
Os Seminários
atuais e os iniciais sempre tiveram da Igreja uma mesma motivação. Variaram os
métodos, houve algumas adaptações às realidades, permanecendo o mandato de
Jesus: “ide por todo este mundo; pregai o Evangelho a toda criatura; quem crer
e for batizado será salvo” (Mc.16,15-18). Nestes meus comentários atuais, por
causa do Centenário que estamos celebrando, tenho citado alguns versos ou
falado sobre alguns Betanistas mais fiéis ao fato de termos sido habitantes e
estudantes na Betânia, recoloquei ou relembrei o que alguns colegas disseram e
corroboraram com suas opiniões, até mesmo minhas, em escritos anteriores.
Na segunda
seleção de artigos – Ad Laborem – eu disse que “sou um dos poucos que
levou à frente, o objetivo primeiro, proposto pelo Seminário. Talvez por falta
de criatividade, ou medo de me arriscar pelo mundo e mudar de rumo. Tomei minha
cruz, teimei contra os afagos e carícias tão convidativos e até correspondidos,
mas fui até o fim. Não me arrependi. Estou saindo fora”.
Encontrei também
um Betanista que esteve no Seminário de Sobral, de 1953 a 1956, à mesma época
em que eu estava no Seminário. Trata-se de Sebastião César Aguiar Vale.
O outro soneto, escrito recentemente, é de autoria do Betanista José
Henrique Leal Cardoso. Ambos de Crateús.
Sebastião
Aguiar Vale é
um dos que aprendeu a viver sem ser Padre, mas trabalha entre as escolhas
profissionais dos que não se ordenaram. É um Betanista da gema: Jornalista,
formado pela UFC, sertanejo dos Inhamuns e cuida, de corpo e alma, do Jornal
Gazeta do Centro-Oeste. Ele chega a afirmar que nós, Betanistas, não
acreditamos que ele faça, sozinho, esse Jornal. “Que é isso, companheiro”!?
Nós, Betanistas, aprendemos a confiar, sempre, um no outro: Padres ou Não.
Parabéns! José Henrique Leal Cardoso – de
Crateús, Médico, Professor PHD da Universidade Federal
do Ceará e da UECE, Pesquisador do CNPQ, Membro das Academias Cearenses de Medicina e Ciências e da
Sociedade Brasileira de Médicos
Escritores. Betanista.
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