sexta-feira, 14 de fevereiro de 2025

O COMENTÁRIO DA SEMANA

 

SEMINÁRIO DE SOBRAL:     CEM ANOS (III)

Hoje, a Instituição do Seminário São José de Sobral está completando 100 anos de instalação entre nós, graças à coragem, ao espírito arrojado e à fé de Dom José Tupinambá, 1º Bispo desta Diocese.

Desde o meu 1º Comentário deste mês (este já é o terceiro) reporto-me a Dom José como “o maior benfeitor, construtor e administrador de Sobral”. E o estou mostrando através de um exemplo concreto da ‘instituição do Seminário’.

Ele tinha pressa. Chegara de Roma, em 1906, Padre Novo, ordenado e logo se tornou Pároco de Nossa Senhora da Conceição. Em 1915 foi criada a Diocese de Sobral e ele foi nomeado seu 1º Bispo. Se já estava ocupando a principal Igreja Matriz da Cidade, aumentou-lhe a responsabilidade e o trabalho a ser executado, ao se tornar Bispo Diocesano. Como disse: ‘ele tinha pressa’.

Paralelamente à Missão Catequética ia montando a estrutura material para dar suporte ao trabalho. Começou logo, usando o seu patrimônio pessoal, herdado da família, construindo Escolas e Colégios: Sant’Ana, Sobralense e Imaculada Conceição, bem como o Seminário São José para a Formação do seu clero diocesano, cujo centenário estamos celebrando hoje. Voltou-se para a Saúde, construindo a Santa Casa de Misericórdia, o Abrigo e Orfanato Sagrado Coração de Jesus. Para a Cultura, deixando o Museu D. José e o Cine Teatro Glória. Para a Comunicação, criando o já centenário Jornal Correio da Semana e a quase septuagenária Rádio Educadora.

Para Administrar Recursos ou Doações e até rendas e taxas da Diocese para construir tantas obras, erguendo o Banco de Crédito Popular, mais tarde, BANCESA, que movimentou por um bom tempo, a economia regional.

Segundo o nosso Comentário da Semana passada, citando o Betanista, Aguiar Moura, “o seminário era a menina dos olhos de D. José Tupinambá”. Como entender um Bispo ou um Padre que não demonstre interesse em zelar por uma vocação sacerdotal? Certamente, tal bispo ou sacerdote não está satisfeito com a sua própria vocação. Nem divulga para animar a outros?

Eu sou do tempo de Dom José. Fui leitor assíduo para ele ouvir, acompanhar, corrigir, mandar ler mais alto, tanto suas orações pessoais, em latim, Português ou francês assim ele estivesse com um texto em mãos. Lia-se.

Seu Seminário da Betânia era uma referência. Por que será que todos os ex-alunos, padres ou não, somos tão apaixonados e gratos ao Seminário? Por que a gente se reúne tanto e tantas vezes para aumentar as saudades?

Por que nós, padres ou não, até aceitamos ser chamados de ex-Seminaristas, mas não aceitamos ser chamados de Ex betanistas? Dá pra entender? Por que a palavra Betânia mexe tanto conosco? Você sabe seu verdadeiro significado? Betânia era um lugarejo – nas cercanias de Jerusalém - onde Jesus passava, de vez em quando, para visitar seus amigos: Lázaro, Maria, Marta e descansar um pouco da fadiga e até se alimentar. Foi por este sentido bíblico, de acolhida, que Dom José deu ao bairro do seu Seminário, o nome de Betânia, para que todos os Padres, ex-alunos que por lá passassem, tivessem um lugar de acolhida, repouso e se encontrassem com os seus seminaristas e com outros que nem visitas recebiam, para se alimentarem e se encontrarem num ambiente fraternal. Há, portanto, uma fundamentação bíblica, para se ser tão Betanista quanto Jesus. Uma dessas “aparições” ou dessas presenças de Jesus foi para ressuscitar Lázaro que havia morrido e Jesus disse: ‘o nosso amigo Lázaro está dormindo, mas eu vou lá acordá-lo’. Todos sabemos o resto:

Jesus o ressuscitou e ainda nos ensinou: ‘quem vive e crê, nunca morrerá’.

Os Seminários atuais e os iniciais sempre tiveram da Igreja uma mesma motivação. Variaram os métodos, houve algumas adaptações às realidades, permanecendo o mandato de Jesus: “ide por todo este mundo; pregai o Evangelho a toda criatura; quem crer e for batizado será salvo” (Mc.16,15-18). Nestes meus comentários atuais, por causa do Centenário que estamos celebrando, tenho citado alguns versos ou falado sobre alguns Betanistas mais fiéis ao fato de termos sido habitantes e estudantes na Betânia, recoloquei ou relembrei o que alguns colegas disseram e corroboraram com suas opiniões, até mesmo minhas, em escritos anteriores.

Na segunda seleção de artigos – Ad Laborem – eu disse que “sou um dos poucos que levou à frente, o objetivo primeiro, proposto pelo Seminário. Talvez por falta de criatividade, ou medo de me arriscar pelo mundo e mudar de rumo. Tomei minha cruz, teimei contra os afagos e carícias tão convidativos e até correspondidos, mas fui até o fim. Não me arrependi. Estou saindo fora”.

Encontrei também um Betanista que esteve no Seminário de Sobral, de 1953 a 1956, à mesma época em que eu estava no Seminário. Trata-se de Sebastião César Aguiar Vale. O outro soneto, escrito recentemente, é de autoria do Betanista José Henrique Leal Cardoso. Ambos de Crateús. 

          Sebastião Aguiar Vale é um dos que aprendeu a viver sem ser Padre, mas trabalha entre as escolhas profissionais dos que não se ordenaram. É um Betanista da gema: Jornalista, formado pela UFC, sertanejo dos Inhamuns e cuida, de corpo e alma, do Jornal Gazeta do Centro-Oeste. Ele chega a afirmar que nós, Betanistas, não acreditamos que ele faça, sozinho, esse Jornal. “Que é isso, companheiro”!? Nós, Betanistas, aprendemos a confiar, sempre, um no outro: Padres ou Não. Parabéns!

      José Henrique Leal Cardoso – de Crateús, Médico, Professor PHD da Universidade                                        Federal do Ceará e da UECE, Pesquisador do CNPQ, Membro das Academias                                                           Cearenses de Medicina e Ciências e da Sociedade Brasileira de                                                                           Médicos Escritores. Betanista.






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