SEMINÁRIO DE SOBRAL, Betânia, CEM ANOS (IV)
No sábado, 1º de fevereiro,
prometi fazer em todos os sábados deste mês, um Comentário sobre as Celebrações
Centenárias alusivas ao Seminário da Betânia. Somos chamados de Betanistas,
desde o 1º momento, e de ex-seminaristas, tendo sido padres ou não. Nunca,
ex-betanistas. É esta a honra e o sentimento que nos mantêm unidos para a VIDA
e para nosso TRABALHO.
Não ousaria dizer que foi assim que dei um rumo aos meus Comentários durante este mês. Tais “comentários” foram e ainda serão “uma somatória” de tudo o que aprendemos, convivemos e, de vez em quando, recordamos, tanto em nossos encontros casuais, como naqueles inúmeros programados para nos reencontramos, com mais tempo, para alimentar nossa saudade e aumentá-la cada vez mais. Como disse antes, não fiz essa “memória” sozinho. Não expus a minha visão particular ou pessoal. Tive o cuidado de recorrer aos “meus irmãos Betanistas”, contemporâneos ou não, padres ou não, contanto que tenham armazenado orientação e conduta para a Vida e para o Trabalho. É o que pretendo ainda fazer hoje, nesta última reflexão deste Mês do Centenário.
Já pedi ‘socorro!’ a Betanista – Bispo, Padre, Leigo, Poeta, Jornalista,
Escritor, Professor e outros – todos dentro daquele esquema: formados para
a Vida e para o Trabalho, como nos orientava o Seminário São José de Sobral.
Como o tempo que eu tive para tão
grande aprofundamento, já se foi, eu gostaria de convidar para me ajudar neste
meu último comentário, um Betanista nota
dez: o Professor Francisco Leunam Gomes, organizador deste Blog, que, há
anos me cede, gentilmente, esta página para meus Comentários Semanais, pelo
que, sempre agradeço.
Quando
lançou seu Livro Didático-Pedagógico: PROFESSOR COM PRAZER- vivência e Convivência na sala de Aula, ao comentá-lo, eu dizia: “Quando um professor dá aula porque
é o jeito”; “porque precisa do salário”, “ou não se atualiza”, “pensa que já
sabe tudo” ... é claro que o prazer passa longe. Não é o caso do Professor
Leunam. Ele quer dividir com a gente, a sua experiência e quer ver a todos os
profissionais da Educação, exercendo não uma obrigação, mas um sacerdócio, um
Ministério como o é, a Missão Sacerdotal. Deve ser por essa visão que tivemos
desde a nossa formação, que prestamos nossos serviços, por prazer. Este, sim, é
o verdadeiro significado de Sacerdócio, que Leunam, sem ser Padre, o exerce,
plenamente, e com prazer.
Como em meus “comentários
anteriores”, citando colegas Betanistas, apresento versos de Leunam, com música
do não menos Betanista, Pe. Bastos Silveira, na composição do Hino à Betânia,
nos 90 anos do Seminário S. José, para que todos aumentemos e alimentemos mais
nossa saudade:
Vem do alto a sublime inspiração:
Edificar
o berço do saber
Reunindo
as mais puras das sementes
Num jardim de amor, paz e
prazer. (Refrão)
Que Ele reine é preciso em todo o
mundo!
Operários mais aptos pra missão
Que todos sejam sábios, competentes,
Pregando a boa nova, fé e perdão.
Era assim nossa querida Betânia.
É assim nosso velho casarão!
Ele guarda o mais vero da história,
É um pedaço do nosso coração!
Seguindo vai com tão grande tarefa:
Bem formar cidadão para a vida.
Diz o seu lema: o agir segue o Ser.
Segue em frente esta casa tão
querida!
Mas os Professores Leunam e Padre
Bastos não nos deixaram somente estes versos musicados. O Professor Leunam
foi mais além. Deixou-nos uma página em prosa, ou uma descrição real de nossas
vidas, que só um Artigo, intitulado de “Velhos Meninos” nos poderia
remexer tanto as saudades. Ei-lo.
“Um encontro de ex-alunos do Seminário de
Sobral é sempre algo muito agradável. Eles vão chegando com aquele ar de gente
muito séria. Senhores de cabelos brancos. Sisudos uns. Outros, nem tanto. De
longe, alguns logo são reconhecidos. São aqueles que mais frequentam os
encontros. Os de 1ª vez, nunca são reconhecidos pelos outros. Mas também são 50
anos de distancia. Hoje, são respeitados senhores: Professores, Empresários,
Escritores, Poetas, Jornalistas, Políticos, Padres casados, Padres em pleno
exercício do sacerdócio, Juristas, Médicos, Engenheiros, Cientistas. Exercem as
mais variadas profissões. Nenhum se perdeu na caminhada. Todos,
invariavelmente, saindo-se bem nas atividades que desenvolvem.
Os primeiros momentos dos reencontros são de dúvidas. Quem é este? Não se lembra? Uma dica aqui, outra ali. E então vem aquele abraço. Grandes abraços. Às vezes, algumas lágrimas.
Após a descoberta é como se fosse retirado
um véu. Ou como se desembaciasse um espelho. E logo ressurgem os meninos.
Passam a ver-se vestindo a velha batina preta, circulando pelo Seminário da
Betânia, rezando em latim, caminhando de braços cruzados nas extensas filas
para a capela ou para o refeitório. Relembram-se os apelidos. Tudo acompanhado
de muitos sorrisos e gargalhadas. Histórias encobertas por 50 anos vêm à tona.
Parecem ‘meninos velhos’ insultando-se. Somente coisas boas são relembradas.
Muitas saudades. Nenhuma mágoa. O Seminário de Sobral só fez bem a todos que
por lá passaram. Todos os professores, grandes professores são lembrados. Como
era possível que homens tão jovens fossem capazes de tanta sabedoria? Cada um
tem uma história a contar de seus bons professores”
(Desculpem-me. Parei um pouco para chorar, limpar as lágrimas, refazer-me pra retornar. Quero ir até o fim. Esse texto mexe comigo. O suficiente para pedir aos meus leitores que o releiam na íntegra, pág.336/337 do nosso livro, AD VITAM e eu concluo com o Leunam):
“Todos nos
alegramos com o êxito alcançado pelos companheiros. É como se o sucesso de um
pertencesse a todos. Afinal de contas eram 09 meses de convivência por ano.
Muito mais tempo do que com as próprias famílias. E muitos laços se criaram.
Uma irmandade. Nossos reencontros são cheios de alegria.
E aqueles que se parecem meninos velhos,
não passam de velhos meninos que se amam”.
De março em diante, voltaremos aos habituais ‘Comentários Semanais’
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