MUDAMOS A NOSSA RELAÇÃO COM A TERRA OU SOFREREMOS AS GRAVES CONSEQUÊNCIAS
De fevereiro pra março de 2019 teve início na China e se espalhou, rapidamente pelo mundo, a Pandemia da Covid 19, de maneira avassaladora.
Como era algo desconhecido e não se previa ou
se falava numa epidemia localizada que se espalharia tão rapidamente ao ponto
de se tornar uma Pandemia, dizia-se e se ouvia outras pessoas dizerem, que ela
iria passar e, logo/logo, voltaríamos ao ‘normal’. Esquecíamos ou nunca
ouvíramos falar que algumas Pandemias já haviam acontecido no passado, até que
nos fomos conscientizando da sua triste realidade e, com o passar do tempo,
começamos a entender que já estávamos entrando num “novo normal”, já que não
nos podíamos aglomerar ou participar de qualquer reunião coletiva, como na
escola, na Igreja, no clube recreativo, nas competições esportivas, no
aniversário de alguém ou em família, e que tínhamos de aceitar a existência de
um “novo normal” em nossas vidas. Nada presencial. Tínhamos que partir para o
“virtual”: usar a internet, fazer “lives”, ficar em casa, não sair nem pra
rezar na comunidade religiosa a que pertencíamos. Tínhamos que nos contentar
com o uso das “redes sociais”, “não sair de casa” e a nos adaptar a um novo
sistema de vida que, nem de longe, nos faria retornar ao que era.
Cerca de 2 anos após conviver com tal realidade (10/04/21), escrevi um Comentário Semanal para o Programa Rádio Vivo, apresentado por Anchieta Santos, na Rádio Pajeú, abordando essa difícil situação que estou recordando, prevendo aumentá-la com a “pandemia política” que invadiria o Mundo + tarde.
À época, alegrava-me com a convivência com um sobrinho-bisneto meu, João Murilo, 13 anos. Desde pequenino fazia-me companhia, chamava-me Vovô, era excelente aluno na Escola, tinha 44 medalhas de Karatê e, por causa da Pandemia, desde o ano anterior tinha suas aulas virtuais. Preparamos-lhe uma suíte confortável, com ar condicionado, computador, fones de ouvido, câmera e microfone para a conexão com a sala de aula na escola e ele vivia no seu “laboratório” de estudos. Eu dizia ser este o seu “normal agora”. Não tinha como voltar ao presencial. Isto era no meu tempo. A Pandemia era um divisor de águas. Foi um mal que trouxe um grande bem. João estava felicíssimo e aproveitando todo o tempo disponível. Dizia-me até que estava aprendendo mais do que quando as aulas eram presenciais e o resultado aparecia nos boletins mensais. Com esta experiência que tive dentro de casa e com o que ouvia, via e me falavam haver com outros, sentia-me à vontade pra dizer como Boff: “querer voltar à antiga normalidade é autocondenar-se”, sobretudo nesta época das comunicações virtuais: internet, telefonia celular e outros recursos.
Tenho
dito para o meu neto que os
tempos mudaram. Enquanto à minha época “queimávamos
as pestanas” para ler nos livros e ter na
ponta da língua, as respostas, hoje temos todas as respostas na ponta dos dedos ao usar o teclado de
um computador. Que ele aproveite bem tudo isso. Terá total apoio.
Porque eu dizia que o “normal” agora era desse jeito? - Por que o número de infectados e de mortos estava crescendo, vertiginosamente. Não podíamos desprezar as centenas de milhares que já morreram, sufocados pelo vírus e até por suas vertentes, sem sermos solidários com o luto dos parentes e amigos. Voltar à conformação anterior do mundo ou à sua ‘normalidade’ era prolongar uma situação que poderia significar a nossa própria destruição. Afinal de contas tínhamos que deixar de lado a era da “competição”, para ingressar num tempo de “cooperação”. Não dá mais para continuar a politicagem polarizada, do salve-se quem puder, do ‘ganha quem tem dinheiro’, de quem compra a consciência; dos negacionistas, dos que não têm respeito pela vida, dos que acham ser a morte pela pandemia, uma coisa muito natural; e daí? “Eu não sou coveiro” e enchiam as redes sociais de ‘fake-news’. Já estamos cansados desse tipo de comportamento e sentimos a necessidade de buscar uma mudança. Por certo, não sairemos da pandemia do Corona vírus, como entramos, embora não achemos que as transformações se darão de um dia para o outro, sobretudo porque o comércio, as indústrias e suas cadeias produtivas vão querer retomar a lógica anterior. Isto não será mais aceitável. ‘Temos que buscar energias alternativas se quisermos cuidar melhor de nossa Casa Comum: a Terra’, dizia o Papa Francisco. ‘Com o Corona vírus, ela nos voltou a atacar’. Porque digo, voltou?
Porque a Terra já nos castigou, anteriormente, com a Peste Negra, ou Peste Bubônica, na Eurásia, vitimando entre os dois continentes, de 75 a 200 milhões de pessoas. Só na Europa, entre 1346 e 1353, a Peste desfalcou de 475 para 350 milhões. Para se recompor desse desfalque foram necessários mais de 200 anos. Foi a mais devastadora já conhecida na história.
Depois,
veio a Gripe Espanhola, oriunda, possivelmente dos EEUU, entre 1918 e 1920,
infectando 500 milhões de pessoas e levando 50 milhões à morte. O Presidente
Rodrigues Alves, do Brasil, foi uma dessas vítimas.
Agora,
pela 1ª vez, uma epidemia se apresenta generalizada. Está em cerca de 200
países. Por isso mesmo é uma Pandemia. É o atual Covid 19, impossível de deter
sua propagação. E o pior: está se reproduzindo em cepas ou vertentes variadas,
atrapalhando as vacinas já testadas e aplicadas, ao ponto de deixar a
Organização Mundial da Saúde e a Medicina em polvorosa porque os Hospitais
estão saturados, sem vaga para os infectados, faltando lugares em UTIs e a
contaminação se generalizando por toda parte.
A Terra
já perdeu o seu equilíbrio e está buscando um novo. Esse novo poderá significar
a devastação da espécie humana. Dizem os cientistas que estamos dando um salto
no escuro. Tudo é imprevisível. Entre as novas vertentes, fala-se na temível
NBO (the Next Big One) que, segundo notáveis biólogos,
seria o próximo e devastador vírus capaz de levar à morte, cerca de 02 bilhões
de pessoas. Textualmente, diziam os estudiosos técnicos:
“os diferentes centros
científicos que, sistematicamente, acompanham o estado da Terra, atestam que,
de ano para ano, os principais itens que perpetuam a vida (água, solos, ar
puro, sementes, fertilidade e climas) estão se deteriorando dia a dia. Quando isso
vai parar?”
Há muitas especulações, embora os peritos e estudiosos adiantem que “desde o dia 29 de julho de 2019 tenhamos atingido a sobrecarga da Terra”, isto é, até aquela data tinham sido consumidos todos os recursos naturais disponíveis e renováveis. E agora, como frear essa exaustão? Se teimarmos em manter o consumo atual, sobretudo de supérfluos, temos que aplicar mais violência contra a Terra, forçando-a a nos dar o que já não tem ou não pode mais repor. Todos somos testemunhas das ventanias extremas, dos ataques dos mais variados vírus (zika, chicungunya, ebola, sars-cov, mers-cov e o atual Covid 19). Para quem se assustou com a sigla estrangeira (NBO), as 2 também citadas: Sars-cov(2002) e Mers-cov (2012) foram epidemias precursoras da Cov (2019) que nos mata agora, acrescentando-nos a violência social, já que Terra e Humanidade andam em estreita relação de dependência.
A
resposta para tudo isso está em nossas mãos: ou mudamos nossa relação para com
a Terra e para com a Natureza, ou poderemos contar com novos e mais potentes
vírus que poderão dizimar milhões de vidas humanas.
Está difícil? É claro que está. Pela nossa
teimosia, à procura de aglomeração, não mantendo o distanciamento regulamentar
entre nós, não higienizando as mãos como é recomendado, não usando a máscara
salvadora, desobedecendo a qualquer norma porque não vai sujeitar-se a ninguém,
‘tá na cara’ que não tem jeito: é infectar-se e empestar os outros. A pandemia
não nos deixará sem que tenha dizimado milhões de vidas humanas. Nunca o nosso
amor à vida, a sabedoria humana dos povos e a necessidade de cuidados foram tão
urgentes.
Eu dizia
ali acima - em todo o 3º parágrafo - que escrevi aos 10/04/21 para o programa
Rádio Vivo, apresentado por Anchieta Santos na Rádio Pajeú, ‘comparando o aumento da situação da Covid –
19, com a pandemia política que invadiria o mundo + tarde’. Isto, de
fato, está acontecendo. As guerras, os governos ditatoriais, o desrespeito à
democracia, a falta de diálogo, de paz e de entendimento, o uso das estruturas
oficiais a serviços particulares e outros interesses pessoais se sobre impõem
ao bem comum.
Mesmo no
auge da “Pandemia da Covid 19”, eu dizia que tinha mais esperança que ela
findasse, do que no fim da ‘pandemia política’. A O.M.S. há muito, declarou,
oficialmente, o fim da pandemia da covid, mas a ‘pandemia política’ não só tem
aumentado, como tem crescido bastante pelo Mundo. Será que não dá para perceber
o aumento das guerras por toda parte? Destruição material, estrutural, de
órgãos públicos, de crianças inocentes, mães e pais de família, mortos, cidades
e lavouras arrasadas e governantes irresponsáveis, antidemocratas, matando seu
povo, auferindo altos lucros, negociando com armas, as mais pesadas e
sofisticadas, em detrimento da vida, dom de Deus?
Será que
os apelos da Igreja Católica - sobretudo pelos seus últimos Pontífices que,
mesmo sendo chefes de Estado não têm interesse em lucrar com armas ou com
guerra, mas, tão somente, buscam a Paz e apelam para a consciência dos
propagadores da destruição – não merecem certa reflexão?
As
“pandemias históricas”, a que nos referimos, passaram. Inclusive, a última,
mais perto de nós: rapidamente, passou. Por que a “pandemia política” só tem
aumentado e se espalhado tanto e as pessoas a acatam e aceitam?
Por que
não se acata, aceita e entende a democracia como a fórmula tradicional, nascida
na Grécia antiga, com o melhor modo político de governar?
Infelizmente,
muitos não querem ouvir, nem pensar assim, quando, em público, se referem à
Palavra de Deus em discursos não muito verdadeiros para justificarem-se: conhecereis a verdade e a verdade vos
libertará (Jo.8,32).
A bem
dessa mesma ‘verdade’ quero atualizar
a informação dada acima: o meu neto
João Murilo está com 17 anos; depois da pandemia voltou à prática do
Karatê, já é faixa preta–1º Dan e já amealhou cem Medalhas de ouro, prata e
bronze, voltou às aulas presenciais sem perder o aprendizado “digital”, pelo
contrário, usando-o, sistematicamente, como matéria instrumental de trabalho.
É só
alegria para sua madrinha Goretti e pra seu “vovô Padre”.


Nenhum comentário:
Postar um comentário