sábado, 25 de outubro de 2025

O COMENTÁRIO DA SEMANA

 

O Papa Leão XIV denuncia:

“a ditadura de uma economia que mata”

No dia 09 deste Mês Missionário, o Papa Leão XIV lançou a Primeira Exortação Apostólica do seu Pontificado, intitulada Dilexi te, (Eu te amei) para ‘lembrar que o amor cristão é libertador, porque não aceita a miséria, não se conforma com a exclusão e não se cala diante da opressão’.

         Tenho acompanhado, muito de perto, cada pronunciamento de Sua San-tidade e tenho comentado neste blog do meu colega e amigo, Prof. Leunam, a fim de que, possa dividir com mais pessoas, a compreensão que tenho tido, a respeito do que pensa e propaga o Chefe Maior de nossa Igreja, na divulgação e na prática do Evangelho de Jesus Cristo.

             Tive sempre em mente, pôr em prática aquilo que armazenei em meu tempo de estudante - sobretudo nos Seminários de Sobral, de Olinda e no Pontifício Colégio Pio Brasileiro - nas atividades pastorais por onde andasse.

            Fico extasiado e até bastante incomodado quando ouço ou leio tão contraditórios comentários provenientes de maus católicos, sobretudo daqueles que vão na onda de maus políticos, de negacionistas e de mentes polarizadas.

            Confirmei em Dilexi te, tudo o que já havia entendido nos Evangelhos, a partir dos pobres, com suas desigualdades sociais de rosto, cor e território, de modo que, aquilo que me está chegando agora não é novidade, mas é a confirmação e estímulo da caminhada histórica da Doutrina Social da Igreja, do Concílio Ecumênico Vaticano II, da Conferencia Nacional de Bispos do Brasil (CNBB), das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), do Movimento de Educação de Base (MEB), da Ação Católica nas vogais do alfabeto: Juventude Agrária, Estudantil, Independente, Operária e Universitária, enfim, a presença de uma Igreja Viva na prática da Teologia da Libertação, tão criticada e mal-entendida por muitos maus cristãos.

            O novo documento, ou essa Exortação Apostólica Leonina, está desmascarando todo o discurso que considera a existência dos pobres, uma fatalidade, isto é, para a pobreza, não tem saída. Não tem como mudar. No entanto, o Papa Leão está afirmando:

 

 “os pobres não existem por acaso ou por um cego e amargo destino. Muito menos a pobreza é uma escolha para a maioria deles. No entanto, ainda há quem ouse afirmá-lo e, assim, demonstra cegueira e crueldade. Entre os pobres há também, obviamente, aqueles que não querem trabalhar, talvez porque os seus antepassados, que trabalharam toda a vida, morreram pobres. Mas há muitos homens e mulheres que trabalham da manhã à noite, recolhendo papelão, por exemplo, ou realizando outras atividades semelhantes, embora saibam que este esforço servirá apenas para sobreviver e nunca para melhorar, verdadeiramente, suas vidas. Não podemos dizer que a maioria dos pobres está nessa situação porque não obteve ‘méritos’, de acordo com a falsa visão de meritocracia, segundo a qual parece que só tem mérito aqueles que tiveram sucesso na vida”.

 

            O Papa Leão XIV está afirmando isto, com tanta veemência, por ter vivido, na pele, entre os Peruanos, por mais de 20 anos, aquilo que se vive, em geral, na América Latina, onde estamos nós, os brasileiros e nordestinos, sem o amor concreto, sem justiça social e sem a transformação das estruturas que geram miséria e exclusão. Lamentavelmente, estamos presenciando tão triste realidade brasileira, onde as contradições do capitalismo periférico, o racismo estrutural, o patriarcado e a devastação ambiental ferem, diariamente, parcela significativa de nosso povo e de nossa “Casa Comum” como dizia Francisco; o

nexo entre os dois Papas é notório, sobretudo no enfoque dado à “pobreza”.

            Ela não é abstrata. Manifesta-se na fome que ainda castiga milhões de pessoas, na informalidade que consome as forças de quem trabalha sem direitos, no abandono da juventude nas periferias, no desmatamento que expulsa povos originários e ribeirinhos.

            Quando a Exortação Leonina afirma que “Deus guarda em Seu coração aqueles que são, particularmente, discriminados e oprimidos” fala ao coração de uma Igreja que já ouviu esse mesmo apelo, no Rio de Janeiro, antes do Concílio (1955) na fundação da CELAM (Conferência Episcopal Latino-Americana). Depois do Concílio, para atualizá-lo, periodicamente, em Medellín (1968), Puebla (1978), São Domingos (1992) e Aparecida (2007).

            Em vez de seguir-se outra CELAM, o Papa Francisco convocou um Ano Santo da Misericórdia, que atingiu todo o mundo. Além das 04 Portas Santas das Basílicas Romanas, o privilégio de haver “Portas Santas” se estendeu a todas as Catedrais das Dioceses do Mundo e a algumas Matrizes Paroquiais.

            Para preparar-nos para este Ano Santo que estamos vivenciando agora, o mesmo Papa Francisco convocou um Sínodo, que teve a grande participação de representantes eclesiásticos de todo o Mundo para que tudo se desse como está acontecendo. Nem a morte do Papa Francisco atrapalhou o grande evento que ele havia programado. O novo Papa deu continuidade a tudo

            Nesta 1ª Exortação do Papa Leão XIV ele denuncia “a ditadura de uma economia que mata”, isto é, “que concentra renda, privatiza bens comuns e precariza vidas”. Parece que S.S. estava falando para o Brasil. Diz-se ser o país mais católico do mundo, mas é aqui que 1% da população concentra quase 30% da riqueza nacional, enquanto multidões sobrevivem sem acesso à moradia, ao saneamento e à segurança alimentar.

            Como se não bastassem as fundamentações bíblicas e do magistério da Igreja, alegadas pelo Santo Padre, ele ainda usa um argumento de Santo Agostinho, o grande fundador da ordem religiosa a que ele pertence, que insistia na exigência ética de partilhar os bens: “não é de tua propriedade aquilo que dás ao pobre: é dele. Porque tu te apropriaste daquilo que te foi dado para uso comum?

            Não entendo porque havia tanta crítica ao Papa Francisco, já está havendo ao Papa Leão, por comunicadores de Rádio e Televisão, até ditos cristãos, que defendem ideologias estúpidas contra o cristianismo, falam mal das medidas tomadas pela Igreja, discutem temas referentes a Deus ou à Igreja, sem saberem o que estão dizendo, afirmam por “achismos” sobre aquilo que deveriam afirmar pela fé e têm uma vida tão desregrada, vivem relações afetivas duvidosas, sem a prática de alguns sacramentos e dizendo-se cristãos, apontam o “dedo sujo” para pessoas do bem, divulgam um moralismo de que não são detentores, assumem cargos públicos ou pretendem funções políticas para se beneficiarem, pessoalmente, sem nenhum compromisso comunitário e que, diante de um Documento como esse que estamos analisando, se metem a criticá-lo, cheios de preconceito, como se entendessem do assunto e, como não têm argumento para dialogar, nem lêem nada de proveitoso para se informarem, chamam ao sacerdote, ou ao professor de “comunista”, porque não têm argumento algum para sustentar uma conversa civilizada. É dose!...

            Por isso e muito mais, tenho externado a minha indignação: contra a escravidão, o racismo estrutural, a desigualdade de gênero, o latifúndio e a lógica que moldou e continua moldando a nossa formação econômica, que a Exortação Leonina está denunciando, através de sua Teologia Libertadora.

BORDADOS PEDAGÓGICOS DA PROFESSORA NAZARÉ ANTERO




             


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