O Papa Leão XIV denuncia:
“a
ditadura de uma economia que mata”
No dia 09 deste Mês Missionário, o Papa Leão XIV
lançou a Primeira Exortação Apostólica do seu Pontificado, intitulada Dilexi
te, (Eu te amei) para ‘lembrar
que o amor cristão é libertador, porque não aceita a miséria, não se conforma
com a exclusão e não se cala diante da opressão’.
Tenho
acompanhado, muito de perto, cada pronunciamento de Sua San-tidade e tenho
comentado neste blog do meu colega e amigo, Prof. Leunam, a fim de que, possa
dividir com mais pessoas, a compreensão que tenho tido, a respeito do que pensa
e propaga o Chefe Maior de nossa Igreja, na divulgação e na prática do
Evangelho de Jesus Cristo.
Tive sempre em mente, pôr em prática aquilo que armazenei em meu tempo de estudante - sobretudo nos Seminários de Sobral, de Olinda e no Pontifício Colégio Pio Brasileiro - nas atividades pastorais por onde andasse.
Fico
extasiado e até bastante incomodado quando ouço ou leio tão contraditórios
comentários provenientes de maus católicos, sobretudo daqueles que vão na onda
de maus políticos, de negacionistas e de mentes polarizadas.
Confirmei
em Dilexi te, tudo o que já
havia entendido nos Evangelhos, a partir dos pobres, com suas desigualdades
sociais de rosto, cor e território, de modo que, aquilo que me está chegando
agora não é novidade, mas é a confirmação e estímulo da caminhada histórica da
Doutrina Social da Igreja, do Concílio Ecumênico Vaticano II, da Conferencia
Nacional de Bispos do Brasil (CNBB), das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), do Movimento de Educação de Base
(MEB), da Ação Católica nas vogais do alfabeto: Juventude Agrária, Estudantil, Independente,
Operária e Universitária, enfim, a presença de uma Igreja Viva na prática da Teologia
da Libertação, tão criticada e mal-entendida por muitos maus cristãos.
O
novo documento, ou essa Exortação
Apostólica Leonina, está desmascarando todo o discurso que considera a
existência dos pobres, uma fatalidade, isto é, para a pobreza, não tem saída.
Não tem como mudar. No entanto, o Papa Leão está afirmando:
“os
pobres não existem por acaso ou por um cego e amargo destino. Muito menos a
pobreza é uma escolha para a maioria deles. No entanto, ainda há quem ouse
afirmá-lo e, assim, demonstra cegueira e crueldade. Entre os pobres há também,
obviamente, aqueles que não querem trabalhar, talvez porque os seus
antepassados, que trabalharam toda a vida, morreram pobres. Mas há muitos
homens e mulheres que trabalham da manhã à noite, recolhendo papelão, por
exemplo, ou realizando outras atividades semelhantes, embora saibam que este
esforço servirá apenas para sobreviver e nunca para melhorar, verdadeiramente,
suas vidas. Não podemos dizer que a maioria dos pobres está nessa situação
porque não obteve ‘méritos’, de acordo com a falsa visão de meritocracia,
segundo a qual parece que só tem mérito aqueles que tiveram sucesso na vida”.
O
Papa Leão XIV está afirmando isto, com tanta veemência, por ter vivido, na
pele, entre os Peruanos, por mais de 20 anos, aquilo que se vive, em geral, na
América Latina, onde estamos nós, os brasileiros e nordestinos, sem o amor
concreto, sem justiça social e sem a transformação das estruturas que geram
miséria e exclusão. Lamentavelmente, estamos presenciando tão triste realidade
brasileira, onde as contradições do capitalismo periférico, o racismo
estrutural, o patriarcado e a devastação ambiental ferem, diariamente, parcela
significativa de nosso povo e de nossa “Casa
Comum” como dizia Francisco; o
nexo entre os dois Papas é notório, sobretudo
no enfoque dado à “pobreza”.
Ela
não é abstrata. Manifesta-se na fome que ainda castiga milhões de pessoas, na
informalidade que consome as forças de quem trabalha sem direitos, no abandono
da juventude nas periferias, no desmatamento que expulsa povos originários e
ribeirinhos.
Quando
a Exortação Leonina afirma que “Deus
guarda em Seu coração aqueles que são, particularmente, discriminados e
oprimidos” fala ao coração de uma Igreja que já ouviu esse mesmo apelo, no
Rio de Janeiro, antes do Concílio (1955) na fundação da CELAM (Conferência
Episcopal Latino-Americana). Depois do Concílio, para atualizá-lo,
periodicamente, em Medellín (1968), Puebla (1978), São Domingos (1992) e
Aparecida (2007).
Em
vez de seguir-se outra CELAM, o Papa Francisco convocou um Ano Santo da
Misericórdia, que atingiu todo o mundo. Além das 04 Portas Santas das Basílicas
Romanas, o privilégio de haver “Portas Santas” se estendeu a todas as Catedrais
das Dioceses do Mundo e a algumas Matrizes Paroquiais.
Para
preparar-nos para este Ano Santo que estamos vivenciando agora, o mesmo Papa
Francisco convocou um Sínodo, que teve a grande participação de representantes
eclesiásticos de todo o Mundo para que tudo se desse como está acontecendo. Nem
a morte do Papa Francisco atrapalhou o grande evento que ele havia programado.
O novo Papa deu continuidade a tudo
Nesta
1ª Exortação do Papa Leão XIV ele denuncia “a ditadura de uma economia que mata”,
isto é, “que concentra renda, privatiza
bens comuns e precariza vidas”. Parece que S.S. estava falando para o
Brasil. Diz-se ser o país mais católico do mundo, mas é aqui que 1% da
população concentra quase 30% da riqueza nacional, enquanto multidões
sobrevivem sem acesso à moradia, ao saneamento e à segurança alimentar.
Como
se não bastassem as fundamentações bíblicas e do magistério da Igreja, alegadas
pelo Santo Padre, ele ainda usa um argumento de Santo Agostinho, o grande
fundador da ordem religiosa a que ele pertence, que insistia na exigência ética
de partilhar os bens: “não é de tua
propriedade aquilo que dás ao pobre: é dele. Porque tu te apropriaste daquilo
que te foi dado para uso comum?
Não entendo porque havia tanta crítica
ao Papa Francisco, já está havendo ao Papa Leão, por comunicadores de Rádio e
Televisão, até ditos cristãos, que defendem ideologias estúpidas contra o
cristianismo, falam mal das medidas tomadas pela Igreja, discutem temas
referentes a Deus ou à Igreja, sem saberem o que estão dizendo, afirmam por
“achismos” sobre aquilo que deveriam afirmar pela fé e têm uma vida tão
desregrada, vivem relações afetivas duvidosas, sem a prática de alguns
sacramentos e dizendo-se cristãos, apontam o “dedo sujo” para pessoas do bem,
divulgam um moralismo de que não são detentores, assumem cargos públicos ou
pretendem funções políticas para se beneficiarem, pessoalmente, sem nenhum
compromisso comunitário e que, diante de um Documento como esse que estamos
analisando, se metem a criticá-lo, cheios de preconceito, como se entendessem
do assunto e, como não têm argumento para dialogar, nem lêem nada de proveitoso
para se informarem, chamam ao sacerdote, ou ao professor de “comunista”, porque
não têm argumento algum para sustentar uma conversa civilizada. É dose!...
Por isso e muito mais, tenho externado a minha indignação: contra a escravidão, o racismo estrutural, a desigualdade de gênero, o latifúndio e a lógica que moldou e continua moldando a nossa formação econômica, que a Exortação Leonina está denunciando, através de sua Teologia Libertadora.

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