CRISTÃOS RENOVADOS, SIM!
Meu Comentário da Semana passada, não poderia ter sido outro,
senão, o da Exortação Apostólica do Papa Leão, intitulada Dilexi te.
Releiam-no... Na mesma semana, dia 21, participei da 2ª noite de um Tríduo, em
honra de São João Paulo II, que se celebra, liturgicamente, no
dia 22/10. Ali eu externei minha gratidão a ele, pelo título de Monsenhor, que
me concedeu, em minhas Bodas de Prata sacerdotais, em 1993. Acrescentei mais
algum outro conhecimento sobre Sua Santidade e divido também agora com meus
leitores.
A Creche promotora do
Tríduo e sua Equipe Coordenadora Colo de Mãe fazem parte da Renovação
Carismática Católica, espalhada por todo o mundo e enraizada no Brasil, na
Diocese de Sobral e na composição de vários grupos espalhados em nossa
Paróquia, com atividades catequéticas, organizacionais e sociais de grande
relevância para toda a nossa Comunidade cristã.
A Renovação Carismática
nasceu nos EEUU na segunda metade da década de 1960, entre estudantes
universitários protestantes, tendo em vista espalhar uma nova maneira de
agrupar jovens acadêmicos para viverem a sua fé cristã. Era uma “renovação”
substantiva ou substancial que pudesse transformar a sociedade, por dentro,
sobre todos os aspectos. Era, como que, a casca: a parte visível. Mas tinha que
atingir, por dentro, no âmago. Naquilo que era peculiar a cada um: no caráter.
Naquilo que lhe era pessoal: na alma.
No Carisma que é
próprio de cada um. Que lhe é adjetivo. Em resumo: a Renovação Carismática
tinha que ser substantiva e adjetiva. Entenderam? Na década seguinte, 1970/80
estávamos em Roma, estudando em suas Universidades Pontifícias. Os Padres e
Seminaristas Americanos, matriculados na Universidade Gregoriana, convidaram os
demais colegas das demais Universidades Pontifícias, para participarmos de uma
“roda de conversa” sobre a grande novidade que estava acontecendo com o nome de
“Renovação Carismática”, a partir do Concílio Vaticano II. Achamos interessante
e fomos. É claro, sem compromisso. Era mais por curiosidade. Já é de todos nós,
conhecida, a prática do Cerco de Jericó, que é uma instituição da Igreja
Católica que tem tudo a ver, com São João Paulo II, causa de nossos festejos
nestes dias: foi por seu intermédio que entrou na Igreja, em todo o mundo, a
prática do Cerco de Jericó, tão viçoso em nossa comunidade.
Todos conhecemos a
promoção: durante uma semana, 24 horas por dia, com uma justificativa bíblica,
tirada do Livro de Josué, no Antigo Testamento, e outra motivação mais
histórica e atual, acontecida há 47 anos, na Polônia, a terra de São João Paulo
II.
Para fundamentar o fato bíblico, recordamos que depois da morte de Moisés, Deus escolheu Josué para conduzir o Povo Hebreu. Mandou-o atravessar o rio Jordão com todo o povo – cerca de 600.000 homens, sem contar mulheres e crianças - para tomar posse da Terra Prometida. Ora, a Cidade de Jericó era uma fortaleza intransponível. Ao chegar junto às suas muralhas, Josué ergueu os olhos e viu um Anjo, com uma espada na mão, que lhe deu ordens concretas e detalhadas, às quais, Josué e todo o Israel seguiram fielmente: durante 06 dias, os valentes guerreiros de Israel deram uma volta em torno da cidade. No 7º dia deram 07 voltas. Durante a 7ª volta, ao som da trombeta, todo o povo levantou um grande clamor e, pelo poder de Deus, as muralhas de Jericó caíram. (Cap. VI do Livro de Josué).
Para justificar a
fundamentação histórica e atual, o Santo Padre João Paulo II, com menos de 02
meses de sua eleição para chefiar a Igreja Católica, foi convidado a participar
em sua terra, na Polônia, do 91º aniversário do martírio de Santo Estanislau,
Bispo de Cracóvia, em fins de novembro de 1978.
Todo o povo ficou muito
feliz com a ideia do convite, mas o governo polonês, que já havia negado o
visto para o Papa Paulo VI, em 1966, não seria ao Papa conterrâneo que iria
abrir mão e deixá-lo entrar, sem mais nem menos. A Mãe de Deus sabia disso: a
autorização não seria dada, sobretudo porque estava muito próxima a
festividade. Ela inspirou então a uma alma privilegiada da Polônia – Anatol
Kazczuck - para que sugerisse a realização de um movimento semelhante ao
antigo Cerco de Jericó, realizando um Congresso do Santo Rosário durante 07
dias e 07 noites, preparando a primeira peregrinação do Papa à sua Pátria, a
ser realizada na primeira semana de maio de 1979, diante do Santíssimo
Sacramento exposto.
A ideia foi aceita e abraçada como proveniente da Mãe e Rainha do Céu, assumida pelo Senhor Bispo Stefano Barata, da Comissão Mariana do Episcopado Polonês e, apesar da opinião desfavorável do Governo Polonês, o povo acreditou: fez o “assalto de oração”, fez o “cerco da fé” na 1ª semana de maio de 1979, até que, à semelhança do “cerco de Jericó”, as muralhas caíram: um comunicado oficial anunciava que o Santo Padre visitaria a Polônia de 02 a 10 de Junho daquele mesmo ano. E o povo polonês viveu esses 09 dias com o seu Papa, o seu Santo Padre numa alegria indescritível. Com um exemplo concreto como esse, começaram a surgir por toda parte, “os Cercos de Jericó” e Nossa Senhora, sempre à frente, ordenando que se organizassem “cercos” semelhantes todas as vezes que o Papa João Paulo II saísse em viagens apostólicas.
O vidente inicial - Anatol Kazczuck –sempre recebendo outras mensagens da Rainha Vitoriosa do SS Rosário: “Ide ao Canadá, aos EEUU, à Inglaterra, à Alemanha para salvar o que pode ainda ser salvo”. “O Rosário tem um poder de exorcismo. Ele torna o demônio impotente”, dizem nossos irmãos poloneses. Nossa Senhora não pede; ela ordena que se organizem os Rosários permanentes e os Cercos de Jericó, sempre diante do SS exposto, se quisermos ter a certeza da Vitória.
Há mais 03 momentos, importantíssimos para nós brasileiros, quando o Papa João Paulo II nos visitou, sobretudo o 1º momento, em 1980. Ficou duas semanas conosco. Depois, em 02 momentos, mais rapidamente: 1991 e 1997.
Sua primeira visita foi mais pastoral. Deu para ver mais nossa realidade. Tomou contato com nossas diferentes regiões, inclusive, com nossa realidade política. Em Recife, por exemplo, saudou paternalmente e de modo muito fraterno e solidário a Dom Helder Câmara, abraçando-o em celebração pública, diante de mais de 500 mil pessoas, chamando-o irmão dos pobres, meu irmão! Estávamos em plena Ditadura. Era uma maneira de apoiar, diante de um governo antidemocrático, como se deve tratar a todos, por igual.
Eu dizia, ali acima, que “Renovação” é um substantivo e “Carismática” é um adjetivo. Toda vida foi assim. Diz-se que alguém é “carismático” quando ele ou ela tem uma ‘qualidade’ própria, uma ‘virtude’ particular. É um ‘carisma’ de alguém. É a sua ‘marca’. Tem a Renovação que lhe trouxe o Concílio e tem a “característica” ou a impressão de “caráter” que lhe traz o ‘carisma’. Talvez tenha sido este o aprendizado que tive desde o início. E, por não encontrar pessoas que façam esta distinção e até, a confundam, que eu fiquei com a Renovação que o Concílio me trouxe e permaneci com o “carisma” que a vida me deu. Aprendi a distinguir um conceito do outro e me tenho dado muito bem.
Enfim! O que acrescenta o adjetivo ‘Carismático’ ao nome ‘Renovação’? Nada. ‘Carismático’ permanece, um adjetivo e ‘Renovação’ um substantivo, i.é., deve-se evitar o uso do termo “os carismáticos” quando se referir a pessoas que fizeram a experiência de “Renovação”. São “cristãos renovados”; isto sim!


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