Ex
alunos celebram hoje
O CENTENÁRIO DO SEMINÁRIO DE SOBRAL!
EDIÇÃO EXTRA DE NOVEMBRO
A grande obra de Dom José Tupinambá da Frota tinha por objetivo formar os futuros padres para sua Diocese recém instalada. E quase cem padres foram, por ele, ordenados.
O primeiro padre ordenado por Dom José Tupinambá da Frota foi Eurico de Melo Magalhães, de Guaraciaba do Norte que, por muitos anos viveu no Rio Grande do Sul.
Hoje, Mons. Eurico é nome de uma das principais ruas de Guaraciaba do Norte. Ali ficava a rua em que morava a sua família.
Alguns ex alunos se tornaram Bispos, como Dom Manoel Edmilson da Cruz que, aos 101, de idade, estará presente em Sobral.
Dentre outros Bispos está Dom Expedito Lopes, que foi assassinado pelo padre Hozana Cerqueira, na cidade de Garanhuns, em Pernambuco. Já há pedido de sua beatificação.
O evento deste final de semana foi no prédio do antigo Seminário, onde atualmente, funciona a sede da Universidade Estadual Vale do Acaraú – UVA.
Começou com uma visita de reencontro com o prédio onde o Betanistas estudaram e se encerrará no domingo com a celebração de uma Missa Solene, celebrado por Dom Edmilson da Cruz.
Na noite de sábado, após o jantar, houve um momento dedicado às muitas lembranças dos que viveram naquele casarão. foram poesias, histórias, músicas que estão na memória do grupo.
Na abertura, um texto lido por todos, de uma forma compartilhada, de autoria do Mons. Assis Rocha que está logo abaixo, nesta publicação.
O mais importante é que todos os ex-alunos do Seminário da Betânia guardam as melhores lembranças do tempo em que ali estudaram. Nenhuma mágoa.
Movidos por sentimentos de saudade é que todos vieram a Sobral. Outros, embora com muita vontade, por razões supervenientes, não puderam comparecer a este encontro.
Para surpresa de todos, a equipe organizadora do evento, em Sobral, havia convidado a Pianista e Professora IVANA SÁ para receber os Betanistas, para o jantar de sábado, ao som de belas músicas.
A convite do radialista Artemísio da Costa, vários ex alunos estariam falando sobre o Seminário de Sobral em seu programa na Rádio Educadora do Nordeste, de domingo.
O programa foi cancelado em virtude do falecimento do Caríssimo Padre JOÃO BATISTA FROTA, cujo sepultamento aconteceu no domingo pela manhã, coincidindo com o horário do Programa.
Missa de Domingo, dia 9 de novembro, foi celebrada por Dom Edmilson da Cruz, ex aluno, Professor e Diretor Espiritual do Seminário de Sobral.
Na celebração Dom Edmilson contou com a participação dos Betanistas: Aguiar Moura, João Ribeiro Paiva, Davi Helder Vasconcelos e Francisco José Carneiro Linhares.
Após a homilia de Dom Edmilson, ouvimos discursos dos Betanistas João Edison Andrade e Juarez Leitão que falaram sobre a importância de Dom José na história do Seminário.
O texto lido por João Edison é de sua autoria e está publicado no livro OS CAMINHOS DE DOM JOSÉ, da Edições UVA, 2ª Edição, de 2004.
O texto lido por Juarez Leitão também é de sua autoria com o título DOM JOSÉ, UM OLHAR CONTEMPORÂNEO SOBRE O BISPO DE SOBRAL:
Há 143 anos nascia JOSÉ TUPINAMBÁ DA FROTA, filho de Manuel Artur e Raimunda Artemísia.
Sobral vivia o declinar do século 19 e já se afirmava como a cidade mais importante da zona norte do Ceará.
Mesmo sem ter um porto, como ocorria com Camocim, a Estação Ferroviária, inaugurada naquele ano de 1882, ano do nascimento do futuro bispo, haveria de impulsionar o progresso e ensejar o desenvolvimento ao ponto de se ver celebrada como a “Princesa do Norte” e capital da região. Para os sobralenses de ufanismo mais exaltado, Sobral se tornara tão importante que bem poderia substituir Fortaleza como Capital do estado.
Dos estudos iniciais na terra natal, o jovem Tupy, como era carinhosamente chamado nesse tempo, iria concluir o Curso Secundário no Seminário de Salvador, dali partindo para Roma, onde na Pontifícia Universidade Gregoriana, se fez Doutor em Filosofia e Teologia, com distinção, aplauso e louvor.
Ordenado aos 23 anos, em Roma, aos 26 era nomeado Vigário Geral de Sobral e, aos 34, era sagrado bispo da Santa Madre Igreja.
Primeiro bispo da nova diocese de Sobral, criada em 1916, aqui haveria de pontificar como referência definitiva do Poder Religioso, com influente abrangência em todos os segmentos da vida social, política e econômica desta diocese.
Para não reinar sozinho, encontrou resistência no topete altivo do outro notável da cidade, o juiz José Saboya de Albuquerque, adversário de peso, que, na metáfora sobre a hegemonia local, segundo o bispo, jamais o pináculo do Forum chegaria à altura da torre de sua catedral.
O projeto político da Igreja Católica, no Brasil, nos primórdios do século 20, visava restaurar os abalos que a implantação da República causara no monopólio do controle da sociedade, separando a Igreja do Estado e estabelecendo o Casamento Civil.
O objetivo dos chefes maiores do catolicismo no Brasil era entrar de cabeça nas atividades públicas, inclusive na politica, para enfrentar o crescimento do laicismo. E nesse novo quadro comportamental, incentivar os bispos à participação mais veemente na sociedade, transformando suas dioceses em plataformas de realizações e decisões administrativas que cativassem a admiração e o reconhecimento popular.
Esse perfil, desenhado pelo Primaz do Brasil e outros corifeus do clero brasileiro, parecia o retrato perfeito de Dom José, um homem decidido, que tinha gosto de governar e era um realizador afoito e eficiente.
Pondo mãos à obra, o operoso bispo de Sobral, ergueu de onde antes só havia chão ou velhos sobrados decadentes um elenco monumental de edifícios para abrigar instituições, todas elas necessárias para o desenvolvimento e a formação da sociedade, dentro dos padrões educacionais, morais e humanos que defendia.
E assim, nasceram, dentre outros:
O Abrigo Sagrado Coração de Jesus, a Santa Casa de Misericórdia, o Colégio Santana, o Colégio Sobralense, o Museu Diocesano e, para a ventura, equilíbrio de nossa formação e a nossa gratidão eterna, o SEMINÁRIO DA BETÂNIA, do qual hoje estamos celebrando o CENTENÁRIO.
Dom José sonhou para sua cidade as melhores fantasias e procurou produzir, da matéria sublime de seus sonhos, a realidade almejada, mas tantas vezes superada por sua ousadia, indo além das fronteiras que a esperança estipula.
Como pastor e guia, conheceu a face áspera da amargura nordestina, testemunhando com pesar a ferocidade das secas de 1915, 1919, 1932 e 1958, ajudando como podia a amenizar a dor, a fome e o desespero, retirando tantas vezes de cima dos humildes as rudes pedras da necessidade.
Nunca foi um homem de superfície. Era profundo no saber, na fé, no amor e na mágoa, esta que, passado o primeiro impacto, conseguia depois apaziguar.
Amenizava as decepções, porque tinha consciência das fragilidades humanas e das incertezas épicas da vida. Então, ao soluço arrependido dos culpados, respondia com as melodias do perdão.
De seu posto e principado, de onde se fez imenso, entendeu que não bastava copiar a vida: era preciso novamente instituí-la.
Seu orçamento onírico era infinito.
Em sua alma, âmbula dourada de esperança e sonho, engendrou construir uma cidade de pedra e argamassa e outra no território metafísico lastreada na ética, nos mandamentos bíblicos e nos preceitos morais em que acreditava.
Senhor de seu tempo, de sua terra e do amor de seu povo, tinha a posse da verdade e de todos os enredos e ninguém na História de Sobral o igualou na natureza, tamanho e concretude dessa condição.
A todos recebia como um pai bonachão, mas exigente do respeito à dignidade que representava, com direito ao beija-mão e à meia genuflexão reverencial.
Dom José era como aqueles solares coloniais, com santuário, camarinha e um vasto alpendre, onde os tangerinos de emoções, os comboieiros líricos e os passageiros da aflição armavam suas redes e se refaziam na graça opulenta de sua hospedagem.
O pastor aliava sua voz conselheira e orientadora ao que encontrava no caráter dos que lhe chegavam com os rudimentos básicos anteriormente recebidos, aprimorando-os no influxo benéfico de sua eficiente pedagogia e no estímulo revigorante, que afina o sentimento, a crença e a razão.
Cercado de pessoas humildes ou ilustres, de seus padres, de seus seminaristas, enfim, de seus diocesanos cheios de admiração e gratidão por ele, chegou o momento em que, como todo filho de Deus, se cansou de aceitar a opressão do silêncio e se tornou impaciente com a solidão.
Adotou um pupilo, um menino de Crateús também chamado José, trêfego e lampeiro, mas talentoso e ladino para mais das medidas.
Sonhou fazer desse menino um bispo, seu sucessor hereditário, mas não conseguiu.
Entretanto o fez padre, prefeito de Sobral e a segunda pessoa mais importante e poderosa do bispado. Padre José Palhano de Saboia, o Zé da Palha, como afetuosamente o chamava, foi o Vice-Rei de Sobral, enquanto o bispo viveu.
Todos nesta heráldica cidade de Sobral, antes, agora e pelos séculos amém, têm a plena consciência de que Dom José não era apenas um indivíduo.
Ele era a terra, o sentimento coletivo, a palma, a luz, o sol das exíguas, a convergência épica dos valores altaneiros, o extremo sideral.
E hoje, nós, seus discípulos, estamos aqui, ainda sentido o calor de sua presença eterna após 66 anos de sua transcendência, novamente laureando-o com o Título Palatino de Conde Romano e com a alma genuflexa, lhe escutando a voz que nos aponta o melhor caminho para o porto do bem e o aprisco da verdade.
DOM JOSÉ TUPINAMBÁ DA FROTA ESTÁ VIVO. VIVA DOM JOSÉ!
SEREMOS SEMPRE BETANISTAS
Tendo em vista celebrar os
cem anos de existência do Seminário São José de Sobral, aos 15 de fevereiro de
2025, dedicamos todos os sábados do Mês de Fevereiro, deste ano - dias 1º, 08,
15 e 22 - a um Comentário Semanal, neste
blog do Leunam, referindo-nos à
data jubilar e prometendo para uma oportunidade, a ser ainda marcada, convocar
todos os Betanistas, para uma comemoração como gostamos de fazer.
Sobretudo neste 2º semestre, o Aguiar Moura combinou com
boa parte dos Betanistas e o Leunam tem divulgado em sua Coluna - 1º Plano, o que acertamos: nosso Encontro dos
Betanistas será neste final de semana: 08 e 09 de novembro, no saudoso Casarão
da Betânia, em Sobral, para alimentar a saudade de todos. Como sempre dizemos:
“Saudade não se mata. Aumenta-se”.
Nunca
nos classificamos como “ex-betanistas”. Ex-seminaristas, sim. Até os Padres,
somos ex-seminaristas. Ser “Betanista” faz parte do nosso caráter, da nossa
marca registrada. É isso que nos fez viajar a Fortaleza, Natal, Olinda, Serra
da Meruoca e, muitas vezes, a Sobral. Lembram-se do que escreveu o Leunam, em
uma de suas reminiscências? Vale à pena, relembrar agora. Esse seu artigo “Velhos Meninos” remexe muito com
nossas saudades. Ei-lo:
“Um encontro de ex-alunos, Betanistas do Seminário de
Sobral é sempre algo muito agradável. Eles vão chegando com aquele ar de gente
muito séria. Senhores de cabelos brancos. Sisudos, uns. Outros, nem tanto. De
longe, alguns logo são reconhecidos. São aqueles que mais frequentam os
encontros. Os de 1ª vez, nunca são reconhecidos pelos outros. Mas também são 50
anos de distancia. Hoje são respeitados senhores: Professores, Empresários,
Escritores, Poetas, Jornalistas, Políticos, Padres casados, Padres em pleno
exercício do sacerdócio, Juristas, Médicos, Engenheiros, Cientistas... Exercem
as mais variadas profissões. Nenhum se perdeu na caminhada. Todos,
invariavelmente, saindo-se bem nas atividades que desenvolvem.
Os primeiros momentos dos
reencontros são de dúvidas. Quem é este? Não se lembra? Uma dica aqui, outra
ali. E então vem aquele abraço. Grandes abraços. Às vezes, algumas lágrimas.
Após a descoberta é como se fosse
retirado um véu. Ou como se desembaciasse um espelho. E logo ressurgem os
‘meninos’. Passam a ver-se vestindo a velha batina preta, circulando pelo
Seminário da Betânia, rezando em latim, caminhando de braços cruzados nas
extensas filas para a capela ou para o refeitório. Relembram-se os apelidos.
Tudo acompanhado de muitos sorrisos e gargalhadas. Histórias encobertas por 50
anos vêm à tona. Parecem ‘meninos velhos’, insultando-se. Somente coisas boas
são relembradas. Muitas saudades. Nenhuma mágoa. O Seminário de Sobral só fez
bem a todos que por lá passaram. Todos os professores, grandes professores são
lembrados. Como era possível que homens tão jovens fossem capazes de tanta
sabedoria? Cada um tem uma história a contar de seus bons professores.
Todos nos alegramos com o êxito
alcançado pelos companheiros. É como se o sucesso de um pertencesse a todos.
Afinal de contas eram 09 meses de convivência por ano. Muito mais tempo do que
com as próprias famílias. E muitos laços se criaram. Uma irmandade. Nossos
reencontros são cheios de alegria. E aqueles que se parecem ‘meninos velhos’
não passam de ‘velhos meninos’ que se amam”.
Mas,
por que tanta euforia com essa ‘Betânia’? O que ela tem de tão especial? Por
que tanta ufania por ser ‘Betanista’? Que xodó é esse?
Segundo
outro ‘Betanista’ Aguiar Moura, “o
Seminário era a menina dos olhos de D. José Tupinambá, o 1º Bispo de Sobral”. Como
entender um Bispo ou um Padre que não tenha interesse em zelar por uma vocação
sacerdotal?
O Seminário de Sobral tornou-se uma referencia. Por que será que todos os seus ex-alunos do passado, somos tão apaixonados e gratos a este “Seminário da Betânia”? Por que a gente se reúne tanto e tantas vezes para “aumentar as saudades”? Por que nós, padres ou não, até aceitamos ser chamados de ex-seminaristas, mas não aceitamos ser chamados de ex-betanistas? Enfim, por que a palavra ‘Betânia’ mexe tanto conosco? Você sabe seu verdadeiro significado?
Betânia
era um lugarejo - nas cercanias de Jerusalém – onde Jesus passava, de vez em
quando, para visitar seus amigos: Lázaro, Maria e Marta, descansar um pouco da
fadiga e até se alimentar. Foi por este sentido bíblico, de acolhida, que Dom
José deu ao bairro do seu Seminário, o nome de Betânia, para que todos os
padres, ex-alunos que por lá passassem, tivessem um lugar de acolhida, repouso
e se encontrassem com os seus seminaristas e com outros que nem visitas
recebiam, para se alimentarem e se encontrarem num ambiente fraternal. Há,
portanto, uma fundamentação bíblica para se ser tão “Betanista” quanto Jesus.
Uma
dessas aparições ou presenças de Jesus foi pra ressuscitar Lázaro que havia
morrido e Jesus disse: “o nosso amigo
Lázaro está dormindo, mas eu vou lá acordá-lo”. Todos sabemos o resto:
Jesus o ressuscitou e ensinou-nos: ‘quem
vive e crê, nunca morrerá’. Precisa-se de + motivos pra tanto amor?
Os
Seminários do início (do velho
testamento) como os atuais (do
novo testamento) sempre tiveram da Igreja uma mesma motivação. Variaram
os métodos, houve algumas adaptações às realidades, permanecendo o mandato de
Jesus: ‘ide por todo este mundo; pregai o
evangelho a toda criatura; quem crer e for batizado, será salvo’(Mc 16,15).
Estará
difícil pôr em prática estas normas? Será que nós, do “antigo testamento” não
nos estamos sentindo como o “resto de
Israel”: aquele grupo remanescente do povo judeu que permaneceu fiel a Deus”? Não somos mais os cem sacerdotes que formávamos o grupo “AD VITAM’ como nos
apresentávamos. Os nossos irmãos do grupo “AD LABOREM” não são mais aqueles
inúmeros profissionais liberais, com quem tanto contávamos, em nossa grande
irmandade. Foi assim que aprendemos, convivemos e existíamos na busca de nossos
reencontros, sempre muito saudáveis.
Será
que os jovens padres e seminaristas atuais se sentem construtores e
continuadores dessa história tão cheia de símbolos, de aprendizagem e de
compromissos pastorais com a Igreja renovada pelo Concílio e presente no mundo
para transformá-lo? Sebastião Vale diz assim em Velho Seminário:
Vetusto casarão! Ó Seminário,
Sempre vivida em mim, tua presença
Guarda os ossos da minha fé e crença
que sepultei aí no teu sacrário
Passos dúbios da minha adolescência,
Palmilham do teu chão o santuário:
Inda pedem Latim e Dicionário
Para construir seu mundo de sapiência
Oh! Devolve à minha alma o teu conforto,
Porque o passado em mim, já quase morto,
Só vive de chorar tua saudade
Deixa o meu pó voltar à Natureza
E recolhido à urna da Tristeza
Viver contigo pela Eternidade.
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