sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

O COMENTÁRIO DA SEMANA

 

A EXTRAODINÁRIA HISTÓRIA DE SÃO SEBASTIÃO

 
Na realização desses 10 últimos dias em que a Igreja Católica celebrou em todo o Mundo Cristão, uma Festa, dedicada a São Sebastião, e por estar na noite de hoje, celebrando os 80 anos de meu amigo Vicente Tomé Mariano num povoado chamado São Sebastião, no Município de Bela Cruz, aproveitei a ocasião para lembrar o Santo Mártir dos 1ºs séculos do Cristianismo. Já o fiz em anos anteriores, mas sei que “a repetição leva à aprendizagem”.

            Nascera em Narbone, no sul da França, no ano 256 da era cristã e, muito jovem ainda, mudou com toda a família, para Milão, terra de sua mãe, no norte da Itália. Alistou-se no exército romano e se tornou um dos soldados prediletos do Imperador Diocleciano. Chegou a ser “comandante da guarda pretoriana”, isto é, “fazia parte do corpo militar de elite, formado para proteger os Imperadores Romanos e suas famílias”.

            O que “suas altezas” não sabiam era que Sebastião se tinha convertido ao cristianismo e divulgava a doutrina entre os soldados que, pouco a pouco, se iam também tornando cristãos. Além disso, valia-se do “alto posto militar que ocupava” e fazia visitas frequentes aos presos que estavam confinados em jaulas no Coliseu, onde seriam devorados pelos leões ou mortos em lutas com gladiadores. Em tais visitas transmitia-lhes palavras de ânimo e consolo e os fazia acreditar que seriam salvos da vida após a morte, como ensinara Jesus Cristo, o salvador dos cristãos e de todos: homens e mulheres de boa vontade.

            Sua fama, de benfeitor dos que se convertessem, foi-se espalhando e Sebastião foi denunciado perante o Imperador que tentou fazê-lo renegar a sua fé. Sebastião não o fez e foi condenado à morte: teve seu corpo amarrado a uma árvore e alvejado por flechas, atiradas por seus antigos companheiros, que o deixaram, aparentemente, morto. Irene, uma pagã, convertida por ele, cuidou dele e o fez restabelecer-se.

            Voltou mais forte após a recuperação. Retornou ao trabalho missionário, com mais coragem, indiferente aos pedidos dos cristãos para não se expor.

 Ele compareceu diante do Imperador e insistiu para que ele acabasse com as perseguições e mortes aos cristãos. Diocleciano ignorou seus pedidos e ordenou que o açoitassem até a morte e depois jogassem seu corpo no esgoto público de Roma, para que não fosse venerado como mártir pelos cristãos. Era o ano 287 da era cristã. Sebastião tinha 31 anos.

            Dessa vez, outra mulher convertida: Luciana. Teve um sonho em que o Santo lhe pedia para sepultá-lo próximo às catacumbas dos apóstolos. Ela recolheu seu corpo e assim o fez. Só no século IV, o Imperador Constantino, convertido ao cristianismo, mandou construir em sua homenagem, a Basílica de São Sebastião, perto do local do sepultamento, junto à Via Appia, para abrigar o seu corpo. Desde então se deu início ao seu culto.

            Também faz parte dessa bela história, que àquela época, Roma estava tomada por uma peste terrível. No translado das relíquias de São Sebastião para a sua Basílica, na Via Appia, a epidemia desapareceu. Desde então, São Sebastião passou a ser venerado como “santo padroeiro contra a peste, a fome e a guerra”. Tal Basílica ou grande Igreja se tornou até hoje “um centro de devotos e peregrinos de todas as partes do mundo”

Eu me posso qualificar como um grande felizardo: nos meus 05 anos somados, de tempo em tempo, que passei ou estudei em Roma, conheci toda esta história e muitas outras, vendo e constatando, ‘in loco’ tudo o que reconto.

Por sinal, no Ofício das Leituras dessa 3ª feira, 20/01, na Liturgia das Horas, S. Ambrósio, comentando o Salmo 118, apresenta São Sebastião como fiel testemunha de Cristo, partindo do texto dos Atos 14, 22: “é preciso que passemos por muitos sofrimentos para entrar no reino de Deus”.

A muitas perseguições correspondem muitas provações; onde há muitas coroas de vitória, deve ter havido muitas lutas. Portanto é bom para ti que haja muitos perseguidores, pois entre muitas perseguições, mais facilmente encontrarás o modo de seres coroado. Tomemos o exemplo de São Sebastião.

Quando ele saiu de Narbone, na França e foi para Milão, na Itália, já ia guiado por Deus, em busca da fé. A perseguição que encontrou por parte do Império Romano, já era um direcionamento ao martírio que viria. Assim, no lugar que chegara como hóspede encontrou a morada da eterna imortalidade. Se só houvesse um perseguidor, talvez este mártir não tivesse sido coroado. Mas o pior é que os perseguidores não são apenas os que se vêem; há também os invisíveis, e estes são muito mais numerosos.

Estas palavras de Santo Ambrósio se referem ao trabalho corajoso e hercúleo de São Sebastião. E ele continua: assim como um único rei persegui-dor envia muitas ordens de perseguição, e desse modo em cada cidade ou província há diversos perseguidores, também o diabo envia muitos servos seus para moverem perseguições, não apenas exteriormente, mas interiormente, na alma de cada um. E Santo Ambrósio vai encerrando, citando 2ª Timóteo 3,12: “todos os que querem levar uma vida fervorosa em Cristo Jesus serão perseguidos”. Disse todos, sem exceção. Pois, quem de fato poderia ser excetuado, se até o próprio Senhor suportou o tormento das perseguições?

E para encerrar toda a reflexão de Santo Ambrósio ele cita São Paulo em 2ª Cor.1,12: “a nossa glória é esta; o testemunho da nossa consciência”.

Toda a história de nossa Igreja está cheia de testemunhos, os mais variados, entre homens e mulheres de coragem, que enfrentaram todas as dificuldades, incompreensões, governantes ditatoriais, injustos, que não tiveram a menor condescendência com os mais fracos, os sem teto, moradores de rua, abandonados e mais ainda para com aqueles que os ajudam a entender os seus problemas e buscam com eles, as soluções.

Faz 15 dias – 10/01 – ao dizer que no dia seguinte, 11/01 era a Festa do Batismo de Jesus e se encerrava o Tempo do Natal, eu citava o Evangelho de Mateus com a última recomendação de Jesus: “Deus me deu todo o poder no céu e na terra. Portanto, vão a todos os povos do mundo e façam com que sejam meus seguidores, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo e ensinando-os a obedecer a tudo o que ordenei a vocês. Eu estou com vocês todos os dias, até o fim dos tempos”.

A Igreja começou a sua missão no mundo. Tinha que seguir a ordem do fundador. Tinha de enfrentar o Império Romano e seu paganismo. Há vários convertidos da época. O soldado Sebastião era um deles. Dois apóstolos já haviam chegado a Roma: o 1º Papa, PEDRO e o judeu, SAULO, que se tornou PAULO, depois de cristão e Cidadão Romano. Duas pilastras da Igreja iniciante. Enfrentaram toda espécie de dificuldades. Estavam previstas no mandato do Mestre: “não tenhais medo. Recebei o Espírito Santo. A verdade vos libertará”. Com esta certeza tinham que ir em frente. Não esmorecer. Sem dúvida, o testemunho de São Sebastião e de tantos outros convertidos ao cristianismo e dos que, contemporaneamente, continuam dando provas de sua fé – como os Papas Francisco e Leão, D. Helder e Pe. Júlio Lancelotti – servirão de modelo e exemplo pra que a Igreja dê seu testemunho. Assim eu creio.



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