HÁ
PESSOAS MORANDO MAL, NA SUA COMUNIDADE?
No sábado
passado (14/02), famoso ‘sábado gordo’
que antecedeu o Tempo da Quaresma, iniciado na Quarta feira de Cinzas (18/02),
comentei sobre a histórica e tradicional Quaresma - Tempo de Penitencia e
conversão – preparatório para a Páscoa, e pelos últimos 64 anos de evangelização,
através da Campanha da Fraternidade, originada no Concílio Ecumênico Vaticano
II.
Dizia-lhes que
o enfoque dado pela Campanha da Fraternidade em apenas 40 dias, mexeu muito
mais com a cabeça e a mente das pessoas, do que todas as Quaresmas do passado,
pois estas exigiam sacrifícios no corpo (deixar de comer carne, privar-se de
doce, de tomar cerveja, por ex.) enquanto a proposta da nova maneira de
evangelizar conscientizava-nos dos nossos deveres sociais e exigia uma tomada
de atitude de fé e de política que levasse a uma mudança radical. A isto é que
se dá o nome de “conversão”.
Passada a Quaresma, voltar-se-ia a fazer tudo como era antes. Era conversão? Daí a falta de compromisso com o significado de Quaresma e com a mudança proposta pela nova maneira de se converter. É claro que os mais ricos e poderosos, os maus políticos, os sem consciência social ir-se-iam opor.
Os que entendemos a boa
fé do Concílio, que acompanhamos os passos e os esquemas da C.F. e demos o
suporte necessário, teórico e prático para que tudo acontecesse como o Concílio
esperava, não pusemos em dúvida que a Igreja estava no caminho certo. Daí ter
eu colocado em meu Comentário da Semana passada aquela afirmação de Dom
Francisco, que era a mesma de outros bispos, sacerdotes e leigos: “medo não existe em meu Dicionário”.
Certamente aqueles
homens corajosos, tipo D. Francisco e tantos colegas dele que participaram do
Concílio, já estão na eternidade. Muitos que não aprenderam com eles, nem com
alguém que sabe, ou não se deram ao trabalho de ler alguns Documentos
Conciliares, é claro, estão apoiando negacionistas, reacionários, ou como
comentei sábado passado: são “gente,
terrivelmente evangélica, ou católicos, terrivelmente conservadores”. Muitos
desses estão denegrindo as Campanhas da Fraternidade, não as divulgam, não cantam
seus hinos, não rezam suas Orações da Fraternidade e torcem para que nada dê
certo.
Como eu disse no início
do meu Comentário da Semana passada, desde nossos estudos no Seminário Maior,
em Olinda, nós já nos preparávamos ao conhecer os Documentos Conciliares, as
novas orientações da CNBB e C.F. nascentes, para um melhor desempenho de nossa
Missão futura. Pena é que, muitos “missionários”, condutores do trabalho
pioneiro, estão desanimando, esquecendo o compromisso e até engrossando as
fileiras “negacionistas”.
Não é pessimismo ou
descrédito de minha parte, mas é uma observação que tenho feito e uma vontade
enorme de que os objetivos iniciais se acertem.
A Igreja oficial tem
mantido a orientação, tem preparado seus conteúdos e tem lembrado seus esquemas
de Evangelização. Desde o Papa Francisco e agora, com o Papa Leão, a gente tem
sentido uma retomada dos objetivos e uma presença mais tecnológica, até com uso
de logaritmos, mais aceitos por uns e bem mais criticados por outros, sobretudo
por aqueles que se assustam com as “modernidades”, com a visão mais voltada
para o social, como é a crítica feita às Campanhas da Fraternidade.
Até 10 anos atrás eu me
ligava em Paróquias, Pastoral da Comunicação e dava algumas opiniões sobre o
trabalho de Evangelização. Ao me aposentar, não perdi o conhecimento que tinha,
mas perdi o meu raio de influencia e ação.
Todos nós, os
interessados nos Temas e Lemas propostos à reflexão nas Campanhas da
Fraternidade e os desinteressados, acompanhávamos o que os Governos Municipal,
Estadual ou Federal, respectivamente iam criando ou inventando para maquiarem o
problema da ‘Moradia’ ou da ‘Casa Própria’: as COHABs para os Municípios, as
CDHUs para os Estados e as M.C.M. Vs para
o Governo Federal. Como tais “brindes” não atingiam a todos, mas eram “sorteados”
entre “afilhados políticos”, as Campanhas da Fraternidade que se dirigiam à
coletividade, sem “apadrinhamentos” eram criticadas e malvistas. Daí as
constantes disparidades entre o que a Igreja ensinava e a prática das
estruturas e das políticas públicas, em confronto com o ensinamento da Igreja.
Quem, dos mais velhos,
não se lembra do Conjunto musical, “Demônios da Garoa”, interpretando “Saudosa
Maloca” de Adoniram Barbosa que, há tanto tempo já ‘mostrava a realidade da Moradia no Brasil’? É o tema da atual
CF!...
Dir-me-ão: mas ainda
estão falando disso? Oh! Igreja teimosa! E eu pergunto: “por acaso, melhorou”?
Leiam a composição de Adoniram. Ouçam-na, se puderem. Vão sentir que não é a
Igreja que é teimosa. Há muita gente que nem quer ouvir. Prefere acreditar na
desinformação dos “negacionistas”.
Jesus Cristo dizia: “tenho pena desse povo” .... Mt.15,32 e
Mc.8,2. Eu também tenho. O nosso querido e saudoso Papa Francisco em sua
Exortação Apostólica, “Christus Vivit”, dirigida
aos Jovens em 2019, ensinava: “não
fiqueis na varanda olhando a vida; mergulhem nela. Jesus não ficou na varanda;
mergulhou”. Todos somos convidados a mergulhar na realidade da moradia precária
no Brasil.
Faz 64 anos que,
oficialmente, fazemos a Campanha da Fraternidade, em todo o Brasil. Faz 64 anos
que seguimos o mesmo esquema de visão
da realidade, iluminação ou julgamento à luz da Palavra de Deus e
ação ou prática na Missão. Isto é uma herança da Ação Católica, estudada, aprofundada e
vivenciada, antes mesmo da existência da CNBB, da C.F. e do próprio
Concílio acontecer. Deve-se ao Belga Padre
Joseph-Léon Cardijn, em 1925, bem antes do Concílio, ao fundar a Juventude Operária Católica/JOC e sua equipe de Padres Operários
que trabalhava em Fábricas Europeias.
Este esquema de
trabalho completou um século, neste
ano passado, chegou ao Brasil, como eu disse, faz 64 anos. Para nós nos
desfazermos dele porque os empresários, os partidos políticos conservadores, os
negacionistas e falsos cristãos ou
católicos de mente fechada não o aceitam, para ficarem na contramão da Igreja
Oficial é, realmente, de não se entender.
Neste tempo em que me
sinto desligado de atividades pastorais - até porque me tornei emérito - tenho
sentido certo descompromisso por parte de “eclesiásticos” quanto ao
investimento da Igreja Oficial, no sentido de terem deixado de cobrar de suas
“comunidades eclesiais de base” aqueles passos, aquele compromisso maior com as
reformas advindas do Concílio e mantidas em vigor através de Exortações
Pastorais em todos os níveis. Dedicar-se à atual C.F. sobre MORADIA, com uma fundamentação bíblica,
tirada de João 1,14, referindo-se a Cristo – Ele veio morar entre nós – é assegurar-nos que a Morada é sagrada. Nada a temer.
Vamos todos nos unir ao
esquema centenário da Ação Católica, na sexagenária presença da Campanha da Fraternidade, comprometida com uma
Quaresma Renovada e diferenciada das Quaresmas tradicionais e vamos festejar a
Páscoa – de 04 para 05 de abril – totalmente,
renovados, com Jesus morando conosco
e ressuscitado entre nós.

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