sábado, 14 de fevereiro de 2026

O COMENTÁRIO DA SEMANA

 


HÁ 62 ANOS: 

   A Campanha da Fraternidade  é      momento forte de Evangelização

                                 
Em 04 de agosto deste ano estarei completando 58 anos de Sacerdócio. Fiz meus estudos de Teologia, Sagrada Escritura, Direito Canônico, Mariologia e outras ‘Disciplinas Instrumentais’ no Seminário de Olinda, mais tarde, Instituto de Teologia do Recife; I.T.E.R. Àquela época estava acontecendo o Concílio Ecumênico Vaticano II, entre 1962–1965, oportunidade maravilhosa de diálogo e de Encontros, entre Bispos Brasileiros e de outros países do mundo, para se irem organizando em suas Conferencias Episcopais. Aí nasceu a CNBB.

            Até então, se celebrava em todo o Mundo, o Tempo Quaresmal: 40 dias de penitencia preparatória para a Festa da Páscoa que continua no Calendário.

             Gostaria de chamar a sua atenção para uma criatividade da nova Conferencia Nacional dos Bispos do Brasil, baseada num começo de atividade pastoral, experimentada na província do Rio Grande do Norte - que compreendia Natal, Caicó e Mossoró - nos 02 primeiros anos da década de 1960. O bom exemplo potiguar foi logo imitado, em 1962, por 16 Dioceses do Nordeste. Isto inspirou os Bispos brasileiros, em 1963, reunidos em Roma durante o Concílio Ecumênico, a espalhar a boa ideia pelas demais Dioceses do país. Assim, sob o impulso renovador do Espírito do Concílio Ecumênico, foi criada a Campanha da Fraternidade para se realizar, de 1964 em diante, todos os anos, nos 40 dias da Quaresma, como um momento forte de evangelização e a melhor maneira de vivenciar o Tempo de Conversão, já desvirtuado pelo Carnaval e que se tornou e continua a ser, cada vez mais vulgarizado.

            Nesses últimos 62 anos, estamos envolvidos com este diferenciado Tempo Quaresmal, sem perder a sua origem penitencial, convidando-nos à conversão e abordando um tema voltado para a nossa realidade. Temos dito que é mais difícil a gente abrir a consciência para entender a realidade social, do que fazer pequenos sacrifícios como: deixar de comer carne, ou um pouco de doce, ou refrear a língua para não falar da vida alheia, como penitencia.

            O fato é que, nestes 62 anos oficiais – de 1964 a 2026 – em que o Brasil todo faz a Campanha da Fraternidade, refletimos, cantamos e conscientizamo-nos de temas muito variados, mas todos baseados numa necessidade nacional do povo brasileiro, voltada para a sua realidade. Daí porque, não muito grata a governantes e a setores conservadores da Igreja que também não aceitam.

                    Os objetivos gerais, mais ou menos comuns, em todos os anos:

 - Educar para a vida em fraternidade, com base na justiça e no amor, exigências centrais do Evangelho.

            - Renovar a consciência da responsabilidade de todos pela ação da Igreja Católica na evangelização e na promoção humana, tendo em vista uma sociedade justa e solidária.

            Se, para levar a sério tais objetivos gerais, a Igreja foi, imensamente, incompreendida, imaginem quando se tratava de cada tema em particular; com seus objetivos específicos: Fraternidade e Libertação. Reconstruir a casa. Fraternidade é repartir. Saúde e Fraternidade. Educação e Fraternidade. Fraternidade e Violência. Fraternidade e fome/ e Negro e Mulher e Política e Mundo do Trabalho e Excluídos e Drogas e Idosos e Saúde Pública e Amazônia e Tráfico Humano e MORADIA (de 2026) e outros temas que ainda exigem um compromisso cada vez maior das autoridades para saneá-los.

            A Igreja Católica não quis sozinha, puxar essas reflexões. Fez parceria com outras instituições, já que estas e outras dificuldades não são enfrentadas apenas por católicos. São problemas comuns a todos. Daí o apoio do CONIC. 

Com ele já foram realizadas 05 Campanhas da Fraternidade: a do ano 2000 sobre a Dignidade Humana. De 2005 sobre Solidariedade e Paz. Ano 2010 sobre Economia e Vida. 2016 sobre o Meio Ambiente e a Vida de todos os seres vivos. A de 2021: com o Tema (Fraternidade e Diálogo, compromisso de amor), sob o lema: Cristo é a nossa paz: do que era dividido fez uma unidade. Seguiram-se ainda: de 2022 a 2026, respectivamente: Fraternidade e Educação, Fome, Amizade Social, Ecologia e Moradia. Têm sido uma tristeza.

            Houve um tipo de boicote inexplicável. Não digo inesperado porque na Conjuntura Política, Eclesial e Social em que nos encontramos tudo é possível. Das 64 Campanhas da Fraternidade preparadas e feitas em todos estes anos, só 05 foram realizadas de maneira Ecumênica, isto é, com a parceria de outras Igrejas Cristãs; afinal, Jesus quis que fôssemos “um com Ele”. No Evangelho de João, 17, 12, Jesus entregou seus ‘seguidores’ ao Pai, dizendo: “o meu mandamento é este: amem uns aos outros como eu amo vocês”. E isto é a base do Ecumenismo: a abertura das Igrejas cristãs para o diálogo, o entendimento mútuo. Sob o tema: “Fraternidade e diálogo, compromisso de amor” e o lema: “Cristo é a nossa Paz: do que era dividido fez uma unidade” o CONIC, representando as Igrejas Cristãs do Brasil – Católicos, Ortodoxos e Evangélicos - preparou, como das vezes anteriores, mais uma proposta para a última Campanha da Fraternidade, como uma grande oportunidade de comunhão e participação com gestos concretos de partilha.

            Eu, Padre idoso que sou, tomei conhecimento das aulas conciliares e do início da CNBB e da CF, desde o começo. Aprendi tudo, ainda no Seminário.  

            Terminávamos uma C.F. do ano em curso, já começávamos a nos preparar para a do ano seguinte. Os Temas Educacionais que envolviam relevância conscientizadora e profética tinham como base, o grande educador Paulo Freire que insistia na Educação como prática da liberdade, complementada pela sua Pedagogia do oprimido, vinculando a educação fundamental a um diálogo crítico e transformador com a realidade socioeconômica e cultural. Os Lemas eram tirados da Palavra de Deus, por exemplo, do Livro dos Provérbios 31, 26: “fala com sabedoria, ensina com amor”. Apesar de Tema e Lema fazerem parte de uma das linhas mestras da Declaração Universal dos Direitos Humanos, que tem o Brasil como um dos signatários, aparecem e continuam aparecendo, “negacionistas, terrivelmente evangélicos”, unidos a “católicos, não menos, terrivelmente, conservadores” que aplaudem governantes antidemocratas e antipopulares que reprovam o valor que “pensadores, artistas, compositores, literatos e cristãos sonharam para que tivéssemos um Brasil melhor”. Porque tanto medo em tão curta CF?

Sempre houve discussão e debate calorosos nas campanhas passadas. Pelos temas que, rapidamente, recordamos acima, dá para imaginar. Todavia, apareciam bispos como D. Francisco Austregésilo (in memoriam) que dizia: “medo é uma palavra que não existe em meu dicionário”. E nos ajudava a ver a realidade ou a desigualdade social, o descaso dos governantes da época e o preconceito que tinham para com os mais fracos da sociedade. Será que depois de tanto tempo, isto mudou? É só abrir a mente e o coração pra ver.

Como aquele “bispão sertanejo”, temos que convidar as comunidades de fé, as pessoas de boa vontade, aquelas que não se deixam levar pela mentira ou pelas “fake-news” para refletirem à luz da Palavra de Deus e tomarem medidas, agirem, não olharem as coisas só de um lado. Examinarem o todo: os prós e os contras. Identificarem caminhos para a superação das “polarizações”. 






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