COMO MORAM AS PESSOAS POBRES DA COMUNIDADE?
Chegamos à metade do Tempo Quaresmal –
instituído na Igreja Católica desde o ano 325, pelo Concílio de Nicéia – e à
metade da C. F., criada também por ela, no Concílio Vaticano II, em 1962.
Em nossos Comentários feitos até agora, já
demos tais informações e anunciamos todos os Temas dos 62 anos passados,
aprofundando de modo especial o Tema e Lema deste ano: “Moradia” e “Ele veio
morar entre nós”.
Dissemos também que, apesar de algumas Políticas Públicas oficiais, de construções de Vilas de Casas Habitacionais em COHABs (Companhias de Habitação Popular), CDHUs (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano), ou M.C.M.V. (Minha Casa Minha Vida), há um déficit enorme de infraestrutura, de necessidades básicas, de galerias para escoamento de águas e implantação de outros serviços essenciais, a começar das encostas onde as casas são situadas, as ladeiras e altos em que são construídas, que basta chegar um inverno mais pesado e vai tudo de água a baixo. Temos visto agora e comprovado tudo isto, quando o inverno chega. É uma tristeza.
No meu “Comentário da
Semana” passada, por ocasião do 51º ano, do Dia Internacional da Mulher, deixei
para dar continuidade à reflexão sugerida pela C.F. para esta 2ª metade da
Quaresma, a fim de aprofundar esses dois momentos, oferecidos pela Igreja, de
nos prepararmos para a Páscoa. Todavia, lembrei as disparidades de tratamento,
entre homem e mulher, referindo-me à Lei Maria da Penha, sancionada pelo
Presidente Lula aos 07/08/2006, em seu primeiro mandato.
Lembrei também que não
se tratava de nenhuma novidade falar de algumas exclusões, como moradia, já que em Campanhas
anteriores, falamos sobre Família, Mulher, Homem e perguntávamos: “se homem e mulher são imagem de Deus, como
admitir tensão entre eles, se Deus é UNO”?
É nesse contexto, da
dimensão social da fé e da missão evangelizadora, que se entende a preocupação
da Igreja com o problema da moradia.
Daí, uma Campanha da Fraternidade sobre este Tema, com um respaldo na Palavra
de Deus: Jesus veio “para que todos
tenham vida e a tenham em abundancia” (Jo 10,10) e sob este Lema: “ele veio morar entre nós” (Jo 1,14).
Sem dúvida, é papel da
Igreja, comprometer-se com a defesa da vida em todas as suas dimensões. Não
basta um discurso genérico e abstrato.
Lutar por moradia
digna, é lutar para que todas as pessoas possam viver com dignidade. Isso faz
parte da Igreja. Talvez muitos se escandalizem com tal afirmação, no entanto,
isso não é apenas uma questão social e politica, mas é também, mais
radicalmente, uma questão de fé. É portanto, uma dimensão fundamental da missão
evangelizadora da Igreja.
São João XXIII, O Papa
do Concílio Vaticano II, no número onze de sua Encíclica Pacem in Terris afirmava: “a pessoa humana tem direito a recursos correspondentes a um digno
padrão de vida, tais como: o alimento, o vestuário, a moradia, repouso, assistência sanitária e os serviços sociais
indispensáveis”.
Não foi Francisco ou já
Leão XIV quem acrescentou. Foi o Papa João na mesma Encíclica, Nº 64: “é necessário que os poderes públicos se
empenhem, eficazmente, para que ao desenvolvimento econômico corresponda o
progresso social e que, em proporção de eficiência ao sistema produtivo, se
desenvolvam os serviços sociais, como: construção de estradas, transportes,
comunicações, água potável, moradia,
assistência sanitária, condições idôneas para a vida religiosa e ambiente para
o lazer”.
Pelo
dito e pelo visto, até agora, pode-se concluir como condição fundamental para
uma vida digna, que a moradia é direito
de todos, e que é dever do Estado
criar condições para sua efetivação, promoção e proteção.
Falar
de moradia é falar de Homem e
Mulher, de Filhos, é falar de Família, falar da Casa ou do Lar que reúne a
Família, não apenas como espaço físico, mas também lugar onde se tecem e se
cultivam relações. Tem que ser um
ambiente digno e saudável, tanto do ponto de vista físico (moradia), como
humano (relações/convivência). É fundamental para o desenvolvimento de pessoas
e famílias saudáveis. A casa deve ser o
lugar da confiabilidade.
Quem
nos ajuda a pensar assim é o Papa João Paulo II, através de sua Encíclica Familiaris Consortio, nº 46, que
afirma: “a Igreja defende aberta e
fortemente, os direitos da Família contra as intoleráveis usurpações do Estado
e da Sociedade, sobretudo o direito de ter uma habitação digna”.
Para
completar o ensinamento da Igreja, Francisco, na Laudato Si, 152, declara: “a propriedade da Casa tem muita importância
para a dignidade das pessoas e o desenvolvimento das Famílias”. Isso está ligado à defesa e à promoção
da família como garantia e proteção de direito
a uma morada digna.
No
nosso Comentário do dia 21 de fevereiro - 03 dias depois do início da C.F. –
falamos do histórico esquema – Ver,
Julgar e Agir - adotado pela Igreja, usado pela J.O.C. (Juventude Operária
Católica), instituído pelo
Padre Belga José Cardijn e sua equipe de “Padres Operários”, em 1925, bem antes
de haver o Concílio Vaticano II, a CNBB e a C.F. Quando tal modo revolucionário
de evangelizar apareceu, ainda não existia a mudança causada pelo Concílio,
pela CNBB e pela C.F. Estes puseram em prática a Ação Católica: vendo a realidade, julgando-a à
luz da Palavra de Deus e agindo
para mudar. Isso causou e ainda causa um medo enorme na cabeça de
muitos conservadores.
Tanto
que nós dissemos no “Comentário da Semana” seguinte, “que tais pessoas morrem de medo do comunismo sem saberem nem o
que é”... e ficam atrapalhando nossos trabalhos comunitários, de
busca do bem comum e até, querendo-nos impedir de comungar,
todas, palavras de origem greco-cristãs.
Não
tenho mais os meios de comunicação nas mãos, não tenho púlpito, não tenho mais
CEBs, tenho ainda este espaço que meu irmão e colega dos Seminários de outrora,
Leunam, pela sua generosidade, me
concede ocupar.
Até
aqui, vi um pouco da
realidade das nossas moradias, coloquei um pouco de luz, com base na
Palavra de Deus e no magistério da Igreja e ainda vou sugerir alguma ação que me faça pôr em prática,
ou levar outros a agirem
enquanto há tempo, motivado por esta C.F.
O
que não se pode é cruzar os braços, ou dizer que nada pode fazer e continuar a
desfazer de um trabalho tão sério feito pela nossa Igreja que está a exigir de
nós, não pecar por omissão.
Quero
encerrar com uma palavra do Papa Leão XIV, reforçando o que disseram seus
antecessores: “meu desejo é que, a
reflexão sobre a dura realidade da falta de moradia digna, que afeta
tantos irmãos nossos, leve não somente a ações isoladas que venham de modo
emergencial em seu auxílio... mas também que as iniciativas nascidas a partir dessa
C.F. possam inspirar as autoridades governamentais a promover políticas
públicas, a fim de que, trabalhando todos em conjunto, seja possível oferecer à
população mais carente, melhorias significativas nas condições de habitação.
Que a Virgem Aparecida vos abençoe com abundantes graças, especialmente,
concedendo-lhes uma digna moradia e a minha Bênção Apostólica”. (Leão PP.XIV).
UMA SUGESTÃO ÀS ESCOLAS:
Seria
uma grande contribuição.
Para
os alunos e Professores seria um aprendizado extraordinário, conhecendo melhor
a realidade da comunidade.
BORDADOS PEDAGÓGICOS DA PROFESSORA
NAZARÉ ANTERO

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