8 de março:
DIA INTERNACIONAL DA MULHER
Porque, nessa data, no ano de 1857, na cidade americana
de Nova Iorque, um grupo de operárias em Indústrias Têxteis, reagindo às
péssimas condições de trabalho, resolveu entrar em greve, reivindicando
igualdade salarial e redução da jornada de trabalho de 14 para 10 horas
diárias.
O movimento se espalhou, organizadamente, pelas várias
fábricas, de tal maneira que, a repressão policial chegou e, sob os olhos dos
patrões, foram assassinadas e queimadas vivas, 129 operárias, dentro das
próprias fábricas em que trabalhavam.
Isso aconteceu no dia 08 de março de 1857 e, por isso
mesmo, o dia 08 de março ficou reconhecido como o dia internacional da mulher.
Faz 169 anos que o massacre aconteceu. Faz 51 anos que
esse dia internacional foi criado, e
a luta da mulher, por seus direitos, não parou mais.
Com a Revolução Industrial, iniciada também no século
XIX, começou um Movimento, chamado, Feminista, que levou a Mulher a tomar
consciência da exploração de que é vítima, e a exigir mais respeito e mudanças
no tratamento. A própria expressão: Movimento
Feminista é bastante criticada.
Em 1869, cria-se nos EEUU, a Associação Feminina Nacional
pelo direito ao voto. Dezenove anos depois, em 1888, é fundado o Conselho
Internacional de Mulheres, com o mesmo objetivo.
No século passado, o século XX, a Mulher começou a ter
direito ao voto, por ex., nos EEUU, em 1920. No Brasil, em 1931. Somente em
1946 as Mulheres da França e do Japão tiveram direito ao voto.
E o que querem essas Mulheres com tais Movimentos
Feministas?
Antes de tudo, a
sua emancipação, exigindo direitos civis, admissão à Cultura, acesso ao
trabalho e outros direitos no âmbito sexual e familiar.
Não fosse o grito delas, as Nações Unidas não as havia
contemplado, em 1948, na Declaração Universal dos Direitos Humanos, completando
com a Declaração de 1967, denunciando a discriminação contra a Mulher.
As Mulheres não se contentaram com essas pequenas concessões feitas pelos homens. Eram,
como que, migalhas do que lhes sobravam.
Continuaram sua luta até que, a Organização das Nações
Unidas declarou o ano de 1975, como o Ano Internacional da Mulher, e de 1976 a
1985, como a Década da Mulher.
O Feminismo tomou novo impulso, em todo o mundo,
fortalecido por organizações governamentais e não governamentais, dedicadas à
pesquisa e ao estudo da Condição da Mulher na Sociedade. Houve um verdadeiro
incentivo, um reconhecimento e uma legitimação das reivindicações do Movimento
Feminista.
Se em todo o mundo, isso acontecia, porque não no
Brasil? Em 1985 foi criado, pelo Presidente Sarney (vice de Tancredo, que havia
falecido), o Conselho Nacional dos Direitos da Mulher, com a aprovação do
Congresso Nacional. Estruturava-se em Comissões de Trabalho nas áreas de saúde,
educação, violência, creches, legislação, etc.
Se a mulher branca se sente tão discriminada e
entra nessa luta pelo reconhecimento dos seus direitos, o que dirão as mulheres
negras e indígenas? São, duplamente,
discriminadas: por serem mulheres e por serem negras ou indígenas. Normalmente,
estas, são também pobres; e aí, sofrem uma terceira discriminação. Daí,
participarem, mais ativamente, dos Movimentos Feministas, lutando contra as 03
discriminações.
Em dezembro de 1988, as Mulheres Negras realizaram em
Valença, no Estado do Rio, um Encontro Nacional, e ali fundaram a Comissão
Nacional de Mulheres Negras. Estas sentem, ao pé da letra, o problema na pele,
pois sofrem o poder discriminador do homem, sob as mais variadas formas: da
miséria, do analfabetismo, da prostituição, do tráfico, da desigualdade
salarial e tantas outras formas de despotismo e de machismo.
É o domínio da sociedade androcêntrica, isto é,
construída a partir da dominação masculina ou a partir dos interesses do homem.
O Movimento Feminista está lutando contra isso. Quer
construir uma sociedade onde mulher e homem tenham os mesmos direitos, onde não
haja discriminação e opressão, baseadas no sexo, mas onde ambos possam dar sua
própria contribuição.
A Igreja, independentemente do Movimento Feminista e bem
antes dele, já ensinava a igualdade entre homem e mulher, ambos de criação
divina, e tem tido suas portas abertas para o debate e para o diálogo sobre o
assunto.
Não é sem razão que a Mulher tem encontrado bastante
espaço nos seus trabalhos Comunitários, Catequéticos e Pastorais, sobretudo,
mais recentemente nos Encontros de Casais, levando o homem também a participar.
Tanto é verdade que, nessas últimas décadas, através da
Campanha da Fraternidade, a Igreja nos tem levado a refletir sobre os mais
variados temas, envolvendo a Família, a Mulher, o Homem, a Ambos, como
Imagem de Deus, enfim, às suas exclusões, como a falta de moradia, o tema da C.F. deste ano.
E a Igreja pergunta: se homem e mulher são imagem de
Deus, como admitir tensão entre eles?
Em Deus não há tensão, apesar de serem 03 pessoas. Elas
são, absolutamente, iguais. Porque não aprendermos a igualdade divina que a
Trindade nos ensina? Nós não somos Sua imagem e semelhança?
O Papa Francisco, desde o início do seu pontificado em
2013, já falava sobre o papel das mulheres na Igreja e na sociedade. Na sua 2ª
audiência pública como ocupante da Cátedra de Pedro disse: “as primeiras
testemunhas da ressurreição foram as mulheres. E isso é bonito. Faz parte da
sua missão”. E no vôo de volta do Brasil a Roma, falando aos jornalistas,
depois da JMJ, em Julho de 2013, afirmou: “uma Igreja sem mulheres é como o
Colégio Apostólico sem Maria”... E acrescentou: “a Igreja é feminina, é esposa,
é mãe”.
Em 2015, ao participar de um Congresso sobre “As Culturas
femininas – igualdade e diferença”, Francisco afirmou: “já é tempo das mulheres
se sentirem não hóspedes, mas plenamente partícipes das várias esferas da vida
social e eclesial. Esse é um desafio que não pode mais ser adiado”.
Entre os vários pronunciamentos, ao longo do seu
Pontificado, por ex., no dia 11/01/2021 ele autorizou, oficialmente, a inclusão
no CIC, de Mulheres que sirvam ao Altar, como ‘leitoras’ ou ‘acólitas’,
funções, só permitidas a homens que se destinassem ao presbiterado. É claro que
tal autorização não lhes dá o direito ao sacerdócio, a não ser àquele que já
lhe vem pelo batismo.
Seu sucessor, o Papa Leão XIV já tem aberto espaços para
Religiosas e mesmo leigas competentes e cristãs para ocuparem funções no
Vaticano. Todos reconhecemos o zelo, o capricho e a responsabilidade que elas
têm.
O nosso querido D. Helder, de saudosa memória,
referindo-se a esse assunto, nos ajuda a refletir, dizendo: “não é o homem superior à mulher, nem a
mulher superior ao homem. Mas também não é certo dizer que ambos são iguais em
tudo. A realidade é maior e mais bonita: a mulher possui qualidades,
especificamente, femininas que, quando se unem às qualidades, especificamente
masculinas, permitem conseguir resultados maiores, mais expressivos e mais
ricos, que os que se poderiam alcançar, quando cada um dos sexos trabalha,
separadamente”.
Aqui está a nossa homenagem e a nossa gratidão, à Mulher,
nesse seu Dia Internacional, que comemoramos neste Domingo, dia 08, pela 51ª vez.
Não a criticamos pela sua luta feminista. Nossa crítica vai mais para homens
machistas, discriminadores, mandões que se acham superiores a elas e com
direito de dominá-las. Junto a eles, formam casais. Dois deles ou duas delas
formam pares ou duplas, que a Igreja respeita e até nos pede para abençoá-los.
Dar-lhes o sacramento do Matrimônio, não. Deus os fez Macho e Fêmea: um casal que
possa procriar e um par não procria. Dá pra entender? Diz-se: um par de meias.
Um par de óculos. Um par de brincos... Nunca um casal.
É a incompreensão de tudo isso que está tornando a
família, o mundo e a sociedade, um caos, quase ingovernável. Sem diálogo, sem
entendimento, sem negociação, sem democracia; gritando para suplantar o outro,
não se vive.
O Brasil, pela Lei Maria da Penha do dia 07 de Agosto de
2006, tem uma das melhores legislações do mundo, no combate à violência de
gênero. Em apenas 46 artigos, a Lei Maria da Penha é o principal mecanismo
legal que há para prevenir e coibir a violência doméstica contra a mulher. Ela
homenageia a farmacêutica Maria da Penha Maia Fernandes, que ficou paraplégica
após tentativas de feminicídio pelo então marido, Marco Antônio Heredia que, em
1983, tentou matá-la com um tiro nas costas enquanto dormia e depois
eletrocutá-la durante um banho.
Em todos os noticiários – nas redes locais, estaduais ou
nacionais de comunicação – aparecem os números de feminicídios, de agressões
físicas ou morais, sempre pela prepotência do homem sobre a mulher, levando-a,
muitas vezes, à morte. É sempre a Fêmea, tida como a parte fraca, quem perde, e
o Macho, que se sente a parte forte, é o herói. Sai vencedor. E esta
desigualdade vai até quando, meu Deus? O Macho vai-se tornando cada vez mais
autoritário. Vai comandando as guerras, é o dono das armas. Não quer a paz, nem
ser democrata; não dialoga. Tem a tecnologia. Impõe. Onde vamos parar? Até
àquela que ele chama de cara metade,
ele também escraviza. Estamos vendo e assistindo, até aplaudindo, repetir-se o
motivo que nos trouxe o feminismo.
Era
melhor não ter acontecido, mas foi preciso haver o grande massacre do dia 08 de
março de 1857, em que 129 Mulheres perderam suas vidas, para que as atenções
fossem voltadas para a Mulher e para o seu valor. Bem diz a sabedoria popular:
“não há mal que não traga um bem”, que o Ator Sérgio Guizé, interpretando
Candinho, na novela “êta mundo melhor” repete, de vez em quando, com muita
graça: “tudo que acontece de ruim na vida da gente, é pra melhorar"... De
meu pai, ouvíamos em casa, frequentemente e recordamos, em conversa entre
irmãos: “nem todo mal é mau”, que se pode, perfeitamente, comparar com aquele
dístico popular: “dos males, o menor”.
Parabéns mulheres, pelo dia de vocês. Obrigado por formarem a outra metade que falta em nós. O que seríamos sem vocês?
Bordados pedagógicos da Profª Nazaré Antero

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