Campanha
da Fraternidade:
VER, JULGAR E AGIR
Apesar de tantas críticas feitas por maus católicos e conservadores, às vezes, até por Padres - contrários à orientação da Igreja, após o Vaticano II - essa nova modalidade de viver a Quaresma tem continuado firme e corajosa.
Eu, que era seminarista no tempo do Concílio, que me preparei para a Pastoral durante sua realização, nunca duvidei que estivesse no caminho certo e nele permaneço, no alto dos meus 85 anos. Nos Comentários semanais, feitos nesta Quaresma, como nas anteriores e na realização das respectivas C.F. não deixei passar nenhuma, sem que aplicasse o esquema da Ação Católica do Ver, Julgar e Agir, aprendido e treinado no Seminário de Olinda. Toda vida lamentei e continuo lamentando agora, pela desatualização ‘cristã’.
Este
ano, não foi diferente. Apesar de emérito, graças à compreensão e amizade de
infância, com Leunam, sinto-me
encorajado a manter neste comentário semanal tudo aquilo que entendi, aprendi,
divulguei pelos meios de comunicação e realizei até agora. Nesta C. F. sobre Moradia, não foi diferente.
Depois
de uma visão geral sobre o Tema, de
um julgamento à luz da Palavra de Deus ou do Magistério da Igreja, chegou a hora de
agir: sugerir encaminhamentos de
soluções ou de ações que resolvam
tais dificuldades. Não se trata só de uma ação.
É hora de uma transformação. Como
fazer?
Apesar
de estarmos buscando caminhos concretos e até ações práticas, vamos encontrá-los na própria Palavra
de Deus, através de Isaías 65,17ss:
“Vou criar novos céus e nova terra! Não haverá ali crianças que só vivam alguns dias, nem adultos que não completem a sua idade; pois será ainda um adolescente quem morrer centenário, e quem não chegar aos cem anos será considerado maldito. Construirão casas, e nelas habitarão; plantarão vinhas e comerão seus frutos”
Essa previsão de Isaías se consolidou no Lema da C.F. deste ano. Está em João 1,14, referindo-se a Jesus: “Ele veio morar entre nós”. Ao assumir nossa humanidade e morar entre nós, Jesus entra nessa morada, símbolo da fragilidade humana, que se revela também na precariedade das habitações. É o próprio Deus que nos está convocando à conversão, à ação solidária e ao compromisso cristão com a fraternidade e a moradia digna em nosso país.
Inspirados
no agir de Jesus pensemos em algumas
pistas para que se concretizem nossos anseios de fraternidade através de
1) Ações Comunitárias;
2) Ações Eclesiais;
3) Ações Educativas;
4) Ações Sociopolíticas, entre outras.
Apontamos essas 04 Ações, só como exemplo, para um chute inicial ou para abrir a criatividade de cada grupo, comunidade ou mesmo individual, contanto que ninguém se omita ou deixe de criar. Fique sem pensar. Por fora. É talvez, o maior pecado: “a lei do menor esforço”. É melhor criticar, ficar como está. Talvez este seja o maior motivo da falta de compromisso com as C.F.
Quem sabe! Pensar que essas ações são contrárias ao governo; são
invenções de “esquerdista”, de gente inconformada! Quem embarcar “nessa” vai
ser perseguido, malvisto, etc. Pois eu garanto: estude a Lei 11.888/2008 sobre
a Assistência Técnica à Habitação de Interesse Social, que “assegura à população de baixa renda,
assistência técnica pública e gratuita para o projeto e a construção de habitação
de interesse social”. Você sabia?
É
claro que não. Entra C.F. sai fora, entra outra, cada vez mais voltada para a
nossa realidade e preocupada com o nosso bem estar, e você não se mexe, não
participa, engrossa as fileiras dos reacionários, fica ouvindo seu chefe
político, que lhe quer cada vez mais desinformado e a Igreja é que está errada,
desmiolando a cabeça do povo. Está certo isso?
O
mesmo se diga da Constituição Federal, inciso XIII, Art. 5º, referente ao
exercício do direito à moradia, quando há tantos
imóveis ociosos que poderiam ser ocupados em políticas habitacionais de
interesse social. Estão em ruínas, fechados, abandonados em todas as cidades e
fica por isso. Você já pensou nisso ou nunca lhe passou pela mente que isso é
um pecado social?
Se
ninguém pensou nisso ainda, durante esse tempo apropriado e está dando graças a
Deus porque a Quaresma está terminando e eu
até me confessei, mas não me converti, converta-se enquanto é tempo. Não
espere a Quaresma do próximo ano (2027) e sua C.F. que você vai criticar e que
já tem Tema e Lema escolhidos, respectivamente: Fraternidade e cuidado das
crianças e Quem recebe uma criança em meu nome a mim
recebe (Mt18,5)
Ouça
mais este apelo do velho padre, que doou todo o tempo útil de sua vida àquilo
que a Mãe Igreja lhe deu, preparou, cobrou e enviou e que a própria
aposentadoria a que tem direito, ainda está usando para evangelizar.
Ao
lembrar Tema e Lema da C.F. de 2007 é para ainda dizer que quem tem fé não pára
o compromisso de ‘combater’ e ‘correr’, mesmo limitadamente. Somente a fé é
ilimitada. Tem que ser “forte” até o fim. Não é assim, S. Paulo?
Por isso, arrisco-me a propor ainda algumas ações - como lembrei ali acima - que espero lhes sejam úteis, para não pecarem por omissão e não deixarem “passar em branco” alguma Quaresma e C.F. daqui pra frente. Falta de aviso, não é. É melhor comprometer-se com um pouquinho, do que nada.
Como Ação comunitária: começar a conhecer a realidade do problema da Moradia nos bairros e os desafios para garantir este direito para todos, identificando as organizações populares existentes que lutam pela moradia digna, sendo ela a “porta de entrada de todos os outros direitos”.
Como Ação eclesial:
fortalecer a presença eclesial de escuta e empatia transformadora nas
periferias por meio de uma espiritualidade do encontro, da solidariedade e com
a valorização do “rosto periférico”, superando uma “teologia da prosperidade”,
“do domínio” ou individualista.
Como Ação educativa: realizar encontros, seminários, grupos de estudo e debates sobre a realidade da moradia, promovendo este entendimento, ou a conscientização dessa realidade, como direito e não como uma mercadoria.
Como Ação sociopolítica: realizar a incidência política nas 03 esferas de governo (municipal, estadual e federal) para efetivação de políticas públicas de habitação, garantindo recursos públicos compatíveis com a escala do problema, a serem destinados, prioritariamente, para a população de mais baixa renda. Para isso, tem-se que exigir que as ações governamentais tenham controle social, acompanhamento e participação da população.
Vejam que são apenas 04 Ações, dentre as inúmeras que podem ser sugeridas; daí a dificuldade maior de se levar a sério uma C.F. Talvez por isso é que elas estejam tão banalizadas. Porque eu me comprometi tanto com isso?
Agora
entendo porque fui tão criticado e incompreendido na missão. Não me arrependo de tê-la encarado assim e de certo modo,
compreendo a omissão de muitos:
padres e leigos. Tenho feito, todo dia, minhas avaliações.
Sou muito grato ao Seminário de Olinda pela
formação vital que me deu.


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