Como é que nós pregamos uma mesma mensagem e não nos entendemos?
Sempre que nos referimos às grandes mudanças
realizadas na Igreja Católica, no Mundo e no Brasil, temos dado como referência
a celebração do Concílio Ecumênico Vaticano II, no início da década de 1960.
Hoje quero falar sobre a Semana da Unidade dos Cristãos que tem acontecido nos últimos 60 anos, entre o Domingo da Solenidade da Ascensão de Jesus ao Céu, no último dia 29 de Maio, à Solenidade que celebramos domingo, Dia de Pentecostes, 05 de Junho. Exatamente nesta semana que está terminando, refletimos sobre o texto de Mt.2,2: vimos o seu astro no oriente e viemos prestar-lhe homenagem.
No dia da Ascensão, Jesus prometeu voltar para o Pai, senão o Espírito Santo não viria a nós. Era uma consequência: “se eu não for, não virá a vós o Espírito Consolador”. A esse intervalo – entre o Domingo da ida de Jesus e o Domingo da vinda do Espírito Santo – chamamos de Semana da Unidade. Foi a semana do dom da Comunicação, que a Igreja tem por excelência, devido a presença do Divino Espírito Santo nela. Daí, a justificativa maior para a instituição do Dia Mundial das Comunicações Sociais, celebrado Domingo passado, fundamentado no Decreto – Inter Mirifica - do Concílio Ecumênico Vaticano II, que manda “promover a comunhão entre homens e mulheres e o progresso de toda a sociedade, através do reto uso dos Meios de Comunicação, tendo em vista servir ao bem comum”.
A Igreja do Brasil está tentando fazer o reto uso dos Meios de Comunicação que ela tem nas mãos, através de suas redes de rádio e televisão, como também de seus meios escritos, sobretudo nos últimos 56 anos, instruindo, evangelizando, educando e conscientizando suas comunidades eclesiais, chegando a lugares, antes nunca visitados, transmitindo sua mensagem libertadora e salvadora.
A Igreja
busca uma unidade, cada vez maior, com todas as pessoas de boa vontade,
levando-as a refletir sobre a sua realidade social, religiosa, econômica,
cultural, política, que é a realidade de todas as pessoas, independentemente,
de sua cor partidária, da pele, religiosa ou financeira. Não se trata, portanto, de uma realidade
somente dos católicos. É uma realidade humana e, por isso mesmo, interessa à
Igreja. Também por isso, ela estudou, em profundidade, o possível bom
relacionamento entre todas as pessoas, tendo em vista uma unidade. Como é que
nós somos cristãos e somos desunidos? Como é que nós
pregamos uma mesma mensagem e não nos entendemos? Como é que Jesus pede “para
que sejamos um, como Ele e o Pai o são” e nós nos posicionamos em lados
opostos?
Foi a partir dessas interrogações e da constatação de que somos tão fragmentados – em cristãos católicos, ortodoxos e evangélicos - que o Concílio estudou o Ecumenismo, buscando unir-nos mais e nos respeitarmos uns aos outros, como se habitássemos debaixo do mesmo teto, ou numa mesma casa.
Esse desejo está colocado na própria etimologia da palavra, de raiz grega: ecumenismo. Vem de oikos, que significa casa, num desejo expresso de que vivamos unidos, como se estivéssemos dentro de um mesmo prédio, numa mesma casa, numa mesma família, sem intrigas, sem separações, sem agressões, sem nos atirarmos pedras, mutuamente.
Será isso impossível? É o que deseja a Semana da Unidade que temos celebrado, sobretudo após o Concílio Ecumênico Vaticano II. É o que propõe a Pastoral da Comunicação, de que estamos falando há anos e que vamos continuar abordando, por muito tempo, visando unir todos os eventos, dentro e fora da comunidade, tendo em vista a Unidade na única Igreja de Jesus. É o desejo das Campanhas da Fraternidade Ecumênicas que o Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (o CONIC) estuda, coordena, realiza e avalia como um exemplo concreto de que o Ecumenismo é possível. Faz 505 anos, vivemos separados dos Irmãos Protestantes. Foi em 1517 a nossa separação. Faz 968 que nos separamos dos Irmãos Ortodoxos. Foi em 1.054. Até quando vamos continuar assim, divididos? A Festa da vinda do E. Santo exige de nós a União.
Domingo, dia 05 de Junho, celebramos a solenidade do Pentecostes, isto é, 50 dias após a Festa da Páscoa. Desde o Antigo Testamento, tais datas já eram comemoradas pelos judeus, o que significa dizer que Páscoa e Pentecostes não são invenções ou criações do Cristianismo.
Todos os anos os judeus tinham por costume – sete semanas depois da Páscoa – celebrar a Festa da Messe ou a Festa da Colheita, exatamente, no pentecostes: quinquagésimo dia depois da páscoa.
Após 40 dias da Ressurreição de Jesus Ele voltou para junto do Pai. Foi a Festa da Ascensão que celebramos Domingo passado. No entanto, condicionou essa sua ida, ao envio do Espírito Santo. Não poderia haver ocasião melhor. Aproveitou o grande momento da Festa Judaica do Pentecostes com a afluência de gente que vinha de todos os recantos, a Jerusalém, para fundar a sua Igreja, enviando nesse dia, o Comunicador: o Espírito Santo.
E por que aparecia tanta gente naquele dia? Porque era o dia da grande feira, ou da grande troca de produtos, de mercadorias, de artesanatos, de frutos da terra, enfim, era um dia de juntar pessoas de toda parte: feirantes de toda espécie, agricultores, comerciantes, vendedores e compradores. Portanto, era um dia muito apropriado para a vinda do Espírito Santo, para que muita gente entendesse que, a partir daquele dia, alguma coisa nova, diferente, iria mexer com a cabeça, com a mente e a maneira de pensar e agir no mundo. Era a instalação da Igreja Católica com cerca de 1989 anos de fundada.
E como isso aconteceu? Conta-nos o Livro dos Atos dos Apóstolos, capítulo 2, versículos de 1 a 12 que, naquele dia se achavam todos em Jerusalém... Quando, de repente, veio do céu, um ruído, como se soprasse um vento impetuoso e apareceram-lhes uma espécie de línguas de fogo, que se repartiram e repousaram sobre cada um deles. Ficaram todos cheios do Espírito Santo e começaram a falar em outras línguas, conforme o espírito lhes concedia que falassem... Ouvindo aquele ruído, reuniu-se muita gente e maravilhava-se de que cada um os ouvia falar em sua própria língua proclamando as maravilhas de Deus. Será que dá para esquecer um acontecimento fantástico como esse? O mundo teria que mudar a partir da vinda do Espírito Santo que, como consequência, trouxe a Igreja pra todos nós. Pena é que houve 02 rachas de lá pra cá, como já dissemos: 1054 e 1517.
Aqui no Brasil, além de recebermos a
orientação, o esquema de trabalho e o compromisso de realizá-lo, buscando união
com todos, ainda temos várias dessas Semanas, vividas, ecumenicamente, isto é,
com a participação de irmãos judeus, católicos, ortodoxos, evangélicos, e até,
indiferentes, que se solidarizam na busca da unidade, tão desejada por Jesus.
Ser unido, não é uma propriedade só de cristãos; deve ser um desejo de toda a
sociedade: civil, cultural, humana, política ou religiosa. Qualquer que seja
nossa aspiração deve ser uma exigência de todos.
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