quarta-feira, 6 de julho de 2022

EVENTO

Prezados companheiros e camaradas de luta por um mundo melhor, fraterno e solidário, anseio da imensa maioria da população mundial e especificamente daqui do nosso Brasil.

Segunda-feira,  04 de julho, a Assembleia Legislativa do Ceará fez uma  homenagem a diversas personalidades da Luta Pela Anistia e Direitos Humanos residentes  no Ceará. Estiveram  ali presentes dezenas de companheiros de luta,   alguns in memoriam,  ato organizado pelo deputado estadual Dr. Carlos Felipe. A solenidade foi coroada de pleno êxito, entusiasmo e emoção.  Significou um valoroso passo a mais no aprendizado e troca de impressões para as jornadas de lutas por mudanças políticas e sociais no Ceará e no Brasil.  Aí estavam presentes centenas de companheiros de lutas, a maioria calejados desde os tempos da ditadura militar, junto com boa  parte de seus jovens descendentes familiares,  e que se sentiram muito mais fortes e confiantes em suas atuações, pois foi oportunidade para absorver a segurança e  a fortaleza das ideias e das ações de cada um em suas áreas.  O dia de ontem foi um verdadeiro reencontro e congraçamento  político.


Os diretamente homenageados o foram com toda a justiça e reconhecimento por seu papel. Trata-se de companheiros e camaradas de destaque contínuo em suas esferas de atuação, assim como o fizeram os que já não estão mais conosco mas que foram exemplos de dignidade em suas atuações. Entre estes/as destacou-se, por exemplo, com justeza,  o papel de uma inesquecível Wanda Sidou, advogada de militantes na ditadura, o conhecido militante comunista  Tarcísio Leitão, a Cacau (que nos idos dos anos 60) incorporou-se com seu companheiro Machado à luta estudantil quando ainda era quase menina, o inesquecível Sérgio Miranda, Papito, nossa guerreira Rosa da Fonseca, que nos deixou recentemente,  e muitos e muitas mais de uma  bela galeria de lutadoras/es pela sociedade socialista.

 A sensação foi primorosa de se encontrar  na homenagem a presença da grandíssima lutadora Maria Luísa Fontenele, ainda firme e forte,  nossa eterna e aguerrida prefeita lá dos anos 80, que discursou ontem com uma precisão política, visão histórica de sua larga trajetória e entusiasmo que fez o público a aplaudir demoradamente de pé, tal a emoção  da fala e o vigor de suas condições e expressões, normalmente nada comum a uma pessoa que este ano completa 80 anos de existência. Maria Luísa Fontenele nos levou ontem com  suavidade e leveza aos seus 30 anos, tal a jovialidade dos  pensamentos, de sua garra e clareza. Também de ótimo destaque foi a fala de Inácio Arruda. Começou querendo apenas contar alguns lances de suas primeiras experiências e  trajetória de vida   e   de militância. Não se conteve,   foi tragado pelo entusiasmo do ambiente, do valor da luta, das ideias transformadoras,  dos objetivos humanos elevados e pelo fato de ver ali, tão de perto, em tantos companheiros, a segurança de que para a tarefa que temos à frente nossas forças são imensas e que seremos vitoriosos. Inácio foi um tribuno de encher de confiança e alegria a todos os ouvintes.    A solenidade correspondeu, portanto, a um grande ato, uma grande manifestação, pois sentou um pilar sólido neste  momento,  que  tem por resumo a mobilização por todos os meios legais contra o atual governo  Bolsonaro, representante do que há de mais atrasado na história brasileira dos últimos 50 anos. Ou seja, contra seus atos diários, e propósitos futuros de implantação do fascismo no Brasil, como parte da estratégia da extrema direita em escala mundial. Mas não poderá fazê-lo em sua completude, apesar de todos os estragos e destruições que ele vem cometendo no país. Lula estará logo mais governando. E abrindo as portas para a passagem da ciência, da cultura, da educação, da Amazônia restaurada, das pessoas com as refeições garantidas e seu direito a todos os bens sociais; direito ao emprego, ao salário compatível e à dignidade que lhe foi roubada nestes últimos 3 anos e meio. Não foi sem razão que na solenidade os homenageados destacassem a função e o papel de Lula neste processo. E com razão.  Pois é o caminho justo e necessário para avançarmos neste atual momento.

Houve muitas outras manifestações:  de conversas a  reencontros após anos, tudo dentro de um ar de espontaneidade,  alegria e boas surpresas,  o que não se chocou em nada  com a formalidade normal e necessária da composição da mesa e dos atos solenes de entregas de placas aos justíssimos homenageados.

Descrever tudo e todo o conteúdo deverá ficar a cargo de um bom analista e captador de momentos, tarefa esta que seguramente será feita. Aqui são apenas algumas poucas  impressões de um entusiasta que teve o privilégio de estar lá presente e ser sacudido pela grandeza do acontecimento.


Muitos dos que aqui estão não me conhecem. No entanto, na mesma época, embora em trincheiras diferentes, estávamos lutando pela mesma causa: a conquista da Democracia e o combate às desigualdades sociais. Nos anos 60, eu estava estudando Filosofia e Teologia no Seminário Regional do Nordeste, em Olinda, onde era  Arcebispo o nosso conterrâneo Dom Helder Câmara. No dia do golpe, em 64, eu estava na cidade de Afogados da Ingazeira, para onde tinha ido  ajudar nos atos litúrgicos da Semana Santa.

Ao concluir a Teologia e desistir do Sacerdócio, fui trabalhar no Movimento de Educação de Base – MEB, onde fazíamos  Alfabetização de Adultos, por meio do Rádio. Na diocese de  Sobral, pela Rádio Educadora e, posteriormente, na Rádio Assunção Cearense, em Fortaleza, com  A ESCOLA EM SUA CASA. Estávamos sendo constantemente vigiados pela Policia Federal que nos exigia, diariamente, censurar os scripts dos programas. Éramos ouvidos, em grupos organizados, em mais de 300 comunidades rurais. E foi o interesse, cada vez maior, das comunidades rurais que despertou a curiosidade da Policia Federal para onde estávamos sempre sendo intimados. Pela importância do trabalho  que realizávamos, adotando a metodologia de Paulo Freire, sabíamos do caráter explosivo das nossas atividades radiofônicas e do acompanhamento pedagógico que fazíamos junto às comunidades. A ditadura nos acompanhava na zona rural. Durante reuniões, pequenos batalhões de policiais nos intimavam a comparecer à delegacia para explicar nossa ações. E por isto,  fazíamos questão de nos manter quase numa clandestinidade voluntária. Na FAFICE, praticamente, nenhum colega sabia de nosso trabalho.

E foi por causa de um dos nossos Programas de Rádio, num curso de Cooperativismo, que aconteceu a nossa demissão, em setembro de 1971. Sem espaço no Ceará, fomos acolhidos no Maranhão, trabalhando na TV Educativa, onde acontecia a primeira experiência do Ensino Fundamental pela TV. Um ano depois, tivemos que sair e criar outras formas de sobrevivência, por perseguição do SNI.  E ficamos no Maranhão por 20 anos.

Agora, depois de mais de 50 anos dedicados à Educação, no MEB, na TVE do Maranhão, Professor, Secretário de Educação de 4 municípios, na SEDUC, no Conselho de Educação e na UVA, como Pró-Reitor de Extensão, cabe-nos, por indicação da Associação dos Presos e Perseguidos Políticos, presidir a Comissão Especial Wanda Sidou. Lá se encontram representantes de 13 instituições que levam muito a sério a tarefa de indenizar presos políticos perseguidos no Ceará.

Este evento, em parceria com a Assembleia Legislativa e sua Comissão de Direitos Humanos tem um caráter pedagógico de chamar atenção para as histórias de cada um dos homenageados. Entendemos que é preciso relembrar para que jamais os terríveis atos da ditadura voltem a acontecer. Vivemos momentos de insegurança e incerteza e a valentia destes bravos homenageados deve servir de luz que ilumine os caminhos que devemos seguir. Obrigado





Nenhum comentário:

Postar um comentário

COLUNA PRIMEIRO PLANO

  LUIZIANE, A CAMINHO DO SENADO, SAI DO PT, MAS APOIARÁ LULA E ELMANO.                                        EDIÇÃO DE 04.04.26            ...