Prezados companheiros e camaradas de luta por um mundo
melhor, fraterno e solidário, anseio da imensa maioria da população mundial e
especificamente daqui do nosso Brasil.
Segunda-feira, 04 de
julho, a Assembleia Legislativa do Ceará fez uma homenagem a diversas personalidades da Luta
Pela Anistia e Direitos Humanos residentes
no Ceará. Estiveram ali presentes
dezenas de companheiros de luta, alguns
in memoriam, ato organizado pelo
deputado estadual Dr. Carlos Felipe. A solenidade foi coroada de pleno
êxito, entusiasmo e emoção. Significou um
valoroso passo a mais no aprendizado e troca de impressões para as jornadas de
lutas por mudanças políticas e sociais no Ceará e no Brasil. Aí estavam presentes centenas de companheiros
de lutas, a maioria calejados desde os tempos da ditadura militar, junto com
boa parte de seus jovens descendentes
familiares, e que se sentiram muito mais
fortes e confiantes em suas atuações, pois foi oportunidade para absorver a segurança
e a fortaleza das ideias e das ações de
cada um em suas áreas. O dia de ontem
foi um verdadeiro reencontro e congraçamento
político.
Os diretamente homenageados o foram com toda a justiça e
reconhecimento por seu papel. Trata-se de companheiros e camaradas de destaque
contínuo em suas esferas de atuação, assim como o fizeram os que já não estão
mais conosco mas que foram exemplos de dignidade em suas atuações. Entre
estes/as destacou-se, por exemplo, com justeza,
o papel de uma inesquecível Wanda Sidou, advogada de militantes na
ditadura, o conhecido militante comunista
Tarcísio Leitão, a Cacau (que nos idos dos anos 60) incorporou-se com
seu companheiro Machado à luta estudantil quando ainda era quase menina, o
inesquecível Sérgio Miranda, Papito, nossa guerreira Rosa da Fonseca, que nos
deixou recentemente, e muitos e muitas mais
de uma bela galeria de lutadoras/es pela
sociedade socialista.
A solenidade correspondeu, portanto, a um grande ato, uma
grande manifestação, pois sentou um pilar sólido neste momento,
que tem por resumo a mobilização
por todos os meios legais contra o atual governo Bolsonaro, representante do que há de mais
atrasado na história brasileira dos últimos 50 anos. Ou seja, contra seus atos
diários, e propósitos futuros de implantação do fascismo no Brasil, como parte
da estratégia da extrema direita em escala mundial. Mas não poderá fazê-lo em
sua completude, apesar de todos os estragos e destruições que ele vem cometendo
no país. Lula estará logo mais governando. E abrindo as portas para a passagem
da ciência, da cultura, da educação, da Amazônia restaurada, das pessoas com as
refeições garantidas e seu direito a todos os bens sociais; direito ao emprego,
ao salário compatível e à dignidade que lhe foi roubada nestes últimos 3 anos e
meio. Não foi sem razão que na solenidade os homenageados destacassem a função
e o papel de Lula neste processo. E com razão.
Pois é o caminho justo e necessário para avançarmos neste atual momento.
Houve muitas outras manifestações: de conversas a reencontros após anos, tudo dentro de um ar
de espontaneidade, alegria e boas
surpresas, o que não se chocou em
nada com a formalidade normal e
necessária da composição da mesa e dos atos solenes de entregas de placas aos
justíssimos homenageados.
Descrever tudo e todo o conteúdo deverá ficar a cargo de um
bom analista e captador de momentos, tarefa esta que seguramente será feita.
Aqui são apenas algumas poucas
impressões de um entusiasta que teve o privilégio de estar lá presente e
ser sacudido pela grandeza do acontecimento.
Muitos dos que aqui estão não me conhecem. No entanto, na
mesma época, embora em trincheiras diferentes, estávamos lutando pela mesma
causa: a conquista da Democracia e o combate às desigualdades sociais. Nos anos
60, eu estava estudando Filosofia e Teologia no Seminário Regional do Nordeste,
em Olinda, onde era Arcebispo o nosso
conterrâneo Dom Helder Câmara. No dia do golpe, em 64, eu estava na
cidade de Afogados da Ingazeira, para onde tinha ido ajudar nos atos litúrgicos da Semana Santa.
Ao concluir a Teologia e desistir do Sacerdócio, fui
trabalhar no Movimento de Educação de Base – MEB, onde fazíamos Alfabetização de Adultos, por meio do Rádio. Na
diocese de Sobral, pela Rádio Educadora
e, posteriormente, na Rádio Assunção Cearense, em Fortaleza, com A ESCOLA EM SUA CASA. Estávamos sendo
constantemente vigiados pela Policia Federal que nos exigia, diariamente,
censurar os scripts dos programas. Éramos ouvidos, em grupos organizados, em
mais de 300 comunidades rurais. E foi o interesse, cada vez maior, das
comunidades rurais que despertou a curiosidade da Policia Federal para onde estávamos
sempre sendo intimados. Pela importância do trabalho que realizávamos, adotando a metodologia de
Paulo Freire, sabíamos do caráter explosivo das nossas atividades radiofônicas
e do acompanhamento pedagógico que fazíamos junto às comunidades. A ditadura
nos acompanhava na zona rural. Durante reuniões, pequenos batalhões de
policiais nos intimavam a comparecer à delegacia para explicar nossa ações. E
por isto, fazíamos questão de nos manter
quase numa clandestinidade voluntária. Na FAFICE, praticamente, nenhum colega
sabia de nosso trabalho.
E foi por causa de um dos nossos Programas de Rádio, num
curso de Cooperativismo, que aconteceu a nossa demissão, em setembro de 1971. Sem
espaço no Ceará, fomos acolhidos no Maranhão, trabalhando na TV Educativa, onde
acontecia a primeira experiência do Ensino Fundamental pela TV. Um ano depois,
tivemos que sair e criar outras formas de sobrevivência, por perseguição do
SNI. E ficamos no Maranhão por 20 anos.
Agora, depois de mais de 50 anos dedicados à Educação, no
MEB, na TVE do Maranhão, Professor, Secretário de Educação de 4 municípios,
na SEDUC, no Conselho de Educação e na UVA, como Pró-Reitor de Extensão, cabe-nos,
por indicação da Associação dos Presos e Perseguidos Políticos, presidir a Comissão
Especial Wanda Sidou. Lá se encontram representantes de 13 instituições que
levam muito a sério a tarefa de indenizar presos políticos perseguidos no
Ceará.
Este evento,
em parceria com a Assembleia Legislativa e sua Comissão de Direitos Humanos tem
um caráter pedagógico de chamar atenção para as histórias de cada um dos
homenageados. Entendemos que é preciso relembrar para que jamais os terríveis
atos da ditadura voltem a acontecer. Vivemos momentos de insegurança e
incerteza e a valentia destes bravos homenageados deve
servir de luz que ilumine os caminhos que devemos seguir. Obrigado
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