Ninguém se deve orgulhar por não tirar férias.
Estamos
superando 1/3 do mês de julho, sempre tido e vivido como o mês de férias. Todos
os anos, por esta ocasião ou no final do ano, fizemos uma reflexão sobre
“férias” como queremos fazer hoje, apesar de termos um empecilho que, desde o
ano atrasado, nos está incomodando bastante: a pandemia. Com estas, já são 04
férias atrapalhadas por ela, pois a falta de aulas presenciais, a incerteza do
aproveitamento das aulas virtuais e a própria desorganização da família, das
escolas, da participação na Igreja, da vida econômica, tudo vai dando a ideia
de que se está de férias: sem compromisso.
Aquela
ansiedade que se tinha, aquela expectativa pela chegada das férias, as
programações do que se iria fazer: viagens, lazer, brincadeiras, tudo ficou de
lado porque “o ficar sem fazer nada” ou “muito pouco” já dava a impressão de
que se estava de férias.
Para
piorar este caos, o esquema de educação do Governo, sugerido pelo seu
Ministério de Educação, comprovadamente imoral, está querendo votar, em
sucessivos Projetos de Lei, a fim de que tenhamos uma “educação familiar”, tipo
a homeschooling ou um “ensino doméstico” como têm os ricos
norte-americanos. É claro que isto não dará certo no Brasil. Como é que um pai
ou uma mãe que são obrigados a trabalhar o dia inteiro para sustentar a família
vão garantir o ensino doméstico de seus filhos e filhas?
Em
recente pesquisa feita pelo Datafolha ficou revelado que oito em cada dez
pessoas são contrárias a que pais tenham o direito de tirar seus filhos da
escola para ensiná-los em casa. E não me venham com a conversinha fiada de que
“ficando as crianças de 04 a 17 anos em casa, o governo economiza”. A que serve
tal economia? Para comprar os votos do centrão ou de políticos sem compromisso?
É claro que, com isto, a educação domiciliar não pode ser encarada como
economia aos cofres públicos. Basta o que já estão fazendo com os cartões
corporativos, com grandes viagens internacionais e nacionais, com o
conhecimento de tais dívidas, só pra daqui a cem anos e tantas outras “expertises”
com o dinheiro que é de todos. Não é possível que a inconsciência de muitos,
faça a todos obscurecer estas verdades.
Quando
a Pandemia não existia, o mês de junho já ia criando o clima. As Festas
Folclóricas de Santo Antônio, São João e São Pedro, as Quadrilhas, as
Fogueiras, as promoções escolares, voltadas para o Folclore, tudo já preparava
o ambiente para entrar nas Férias. Muitas atividades já povoavam a mente da
estudantada: passeios, recreações de todo tipo, viagens aéreas ou de ônibus,
competições esportivas, contanto que tornassem esse período, o mais agradável
possível. Todo mundo queria férias, mesmo sem saber seu significado.
"Férias" é uma palavra de origem latina (feria - feriae), que
significa "dia festivo". Para os antigos cristãos, todos os dias da
semana eram "festivos", pois em cada um deles se renovavam os
louvores a Deus; sendo que o 1o dia, o Domingo, era o mais alegre ou o mais
"festivo", por se tratar do Dia do Senhor - o "dominus" em
latim - a partir da Ressurreição de Cristo.
Depois
do 1º grande dia da semana, vinham os outros dias: a "Segunda féria"
a "terceira féria", a "Quarta féria" e assim por diante,
como "dias festivos", subsequentes ao "Dia do Senhor". A
palavra férias, portanto, além de ter origem latina, é também de origem cristã,
sempre significando "dia festivo" para a gente comunicar as glórias
de Deus e viver a alegria de filhos do Senhor.
Somente
a língua portuguesa conservou, para nominar os dias da semana, a origem da
língua mãe e do cristianismo: 2a feira, 3a feira, 4a feira... etc. As demais
línguas, mesmo as filhas do latim, como o espanhol, o francês, o italiano, não
seguiram essa nomenclatura. Preferiram a linguagem pagã, ou homenagear aos
deuses pagãos, do Olimpo Grego, como a Lua, na 2a feira; Júpiter, na 5a; ou
Vênus, na 6a, só para lembrar alguns. Até mesmo o Domingo é chamado Dia do Sol,
como em inglês - Sunday - fugindo assim, àquela origem cristã de que falávamos,
e que a língua portuguesa conservou.
O fato
é que todo mundo é doido por férias: operários, funcionários públicos e
domésticos, professores e alunos, todos tiram férias. Têm seu merecido descanso
ou seus "dias festivos" para repousarem e se refazerem do cansaço,
adquirido no trabalho físico, mental, espiritual ou intelectual, vivido em
qualquer atividade profissional. Hoje em dia, as férias, além de serem uma
necessidade, são um direito. Quem tira férias tem obrigação de render mais e
produzir muito mais, quando de seu retorno à atividade funcional. É uma chance
especial de nos comunicarmos mais, com os de casa, com os de fora, com os
amigos e até mesmo, com o próprio Deus. Ninguém se deve
orgulhar por não tirar férias. Quem nunca sai de férias, vai cansando,
desanimando, diminuindo a produtividade; apanha uma estafa e pode até morrer.
Quem
toma férias, usa de um meio legítimo e necessário para recuperar-se, física e
mentalmente, a fim de prosseguir com muito mais força, estímulo e coragem na
vida. Quantas férias perdidas, meu Deus! Quanta gente está entrando de férias
agora, sem nem as merecer, pois o que fizeram, ou o que produziram ou o que
estudaram nesse 1º semestre, não lhe cansou o suficiente para repousar, nem
sequer, a duração de um minuto. Quanta incompreensão para o significado de
lazer! Quanto mau uso se faz desse tempo, em diversões arriscadas, em
recreações perigosas, que levam ao afogamento, à coma alcoólica, ao acidente
automobilístico, ao insucesso causado por arma de fogo ou a qualquer outro tipo
de tragédia!? Quantos pegam o vírus letal do Corona Vírus, passam pra outras
pessoas, para os mais velhos, em casa, ou terminam morrendo!
Quantos
professores e alunos voltarão às aulas - quer para ensinar, quer para aprender
- com a mesma indisposição com que terminaram o 1º período letivo! É claro que
a rotina vai continuar. Aproveitem o tempo que lhes resta; aliás, bastante
longo ainda. Temos o restante das férias e o 2º semestre pela frente. Esse
tempo é muito precioso. Aproveitemo-lo.
Já
estamos com cerca de 02 anos de Pandemia. Não tiramos umas longas férias. Temos
que adequar o nosso tempo, que parece livre, para tirarmos dele algum proveito.
Adaptemo-nos ao “novo normal” como tanto se fala. Não vamos perder nosso tempo.
Vamos aproveitá-lo melhor, aí sim, a Pandemia que nos faz tanto mal, poderá ser
útil de algum modo. É como diz a sabedoria popular: “faça do limão, uma
limonada”, ou aquela outra expressão tão conhecida: “não há mal que não traga
um bem”. Pense nisto e dê um novo rumo em sua vida.
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