quinta-feira, 1 de setembro de 2022

IDEIAS & NOTÍCIAS

 

 A MEDIOCRIDADE  DA ELITE   DE UM GOVERNO

EUDES DE SOUSA (*)

Em todos os países, em todas as cidades, há uma camada social a que poderíamos chamar as elites dirigentes. Exercem, muitas vezes, sem o perceber, uma influência decisiva nos acontecimentos. Tais elites, displicentes e omissas, às vezes atuantes e eficazes, outras nunca se eximem das responsabilidades maiores nos momentos de crises. E quando o fazem a Nação, ou a cidade, ou a província já apodreceram nos seus fundamentos morais e sociais.  É o caso do Brasil, derrotado, muito mais pela crise educacional.

Não conhecemos, no nosso País, momentos mais difíceis e de crise mais profunda, do que este que atravessamos. Crise moral, com o governo, atirado às negociatas no Ministério da Educação. A inversão dos valores, ao malbaratamento da educação, os dirigentes prostituídos, aviltados, desmoralizados, sem o menor resquício de confiança na opinião pública.

As classes econômicas, fechadas atrás dos seus negócios, imbuídas de um senso de lucro, de imediatismo privatista tão impressionante que até parece que não pertencem e não vivem a vida da nosso país. E a classe estudantil, asfixiada pela situação, revoltada com o descrédito do poder público, lutando para manter aparências que não podem mais prevalecer. No caminho aberto e perigoso da exclusão social, o proletariado abandonado, desesperado, sem um indício sequer da presença do governo.

Ora, diante das urnas eleitorais, não haverá hora mais apropriada para uma reação recuperadora do que esta.  É um momento de salvação  que se inspire no bem do país e na preservação do seu futuro, que é o desenvolvimento educacional. Será possível permitir que um governo inspirado por homens odientos e messiânicos, além de medíocres e antidemocráticos, continue sendo um fator de evasão escolar e desesperança, de abandono e desespero do povo brasileiro?

Este é o problema que entregamos ao exame das chamadas elites brasileiras. As elites que fazem banquetes nos hotéis de luxos, que dirigem a economia  do Estado Brasileiro, que lideram a política, até mesmo aquela outra que, de alguns setores das igrejas evangélicas, vela pela percepção de valores que a situação atual aniquila e deturpa.

Posso dizer, sem falsear a verdade, que sou um jornalista e crítico literário em contato  com a cultura de um povo. Esse contato, sobretudo nos últimos anos, me tem dado a consciência de que ou agem as camadas dirigentes da sociedade brasileira ou agirá o povo nesta eleição. Já transbordou o seu cálice de desespero.

As declarações graves  e corajosas de jovens estudantes, contra a mediocridade das elites, são adequadas ao nosso momento.  Seria melhor  a união do povo e das suas elites, numa frente única, consciente e firme, de todas as camadas do país e dissessem à  mediocridade atual, que o Brasil está decidido a não permitir mais o  sistema ideológico e implacável do aniquilamento da educação brasileira.



                              








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