DEUS
SE FAZ ENTRE NÓS!
EUDES DE SOUSA (*)
A raiz de todas as crises, fé
cristã, antropológicas, políticas, sociais, culturais, geopolíticas, é o
esquecimento da primazia de Deus. Deus se faz entre nós. Ele está aqui! “O
Senhor deu-me como recompensa uma língua E dela me servirei para Louvá-lo”
(Eclesiástico 51, 20).
Não entenda mal, é hora de dizer,
pelo visto, o problema dos aventureiros que andam em busca de Deus, através dos
tempos ou espaços, e não por dentro de si mesmos, é que se modifica, não Deus.
E a chamada era espacial deu uma outra
noção aos que se entregam a esse tipo de aventura.
Desde quando foi dito “glória
a Deus nas alturas” que muitos entes deram de fixar Deus aí. Mas onde é que
se encontram as alturas? Os astronautas pensavam que sabiam. E ninguém deve
estar esquecido daquela frase tristemente famosa, dita por Yuri Gagarin, o
astronauta russo, quando lhe perguntaram se tinha visto Deus, lá em cima:-“Não
O vi; Deus não existe”.
Já Gordon Cooper, outro astronauta, respondendo à mesma
pregunta, disse: “para ver Deus não precisa subir às alturas e, se subo,
levo-o dentro de mim”. Compare-se a diferença de altura, entre os dois, e
note-se como subir fisicamente pode resultar numa descida espiritual.
Se Gagarin não viu Deus, no espaço,
estejamos certos de que Deus viu Gagarin e este não teve com percebê-lo. Até
porque a questão não é sair o homem, aleatoriamente à procura de Deus. A
questão não é vir a sua procura, ou à procura de Deus, mas o homem saber
preparar-se para deixar Deus vir à sua procura, ou despertar em seu coração. O
homem já é um ser achado, embora nem sempre saiba disso, ignorando assim que,
enquanto não se dispuser ir ao encontro de si mesmo, estará, fatalmente, em
desencontro com o Criador.
Não há por que de não se perceber que em Deus se faz entre
nós, cuja essência repousa Cristo, do qual,
fala Paulo, somos como membros do mesmo corpo, do qual Cristo faz parte,
sem ter nenhuma pretensão de ser destaque, pois que ele, como parte, é aquele
que disse: “tive fome e não me deste de comer”, ou seja, ele não é a parte que
virá, que voltará, mas que, permanentemente, está entre nós.
Simplesmente, porque Cristo não
foi embora, apesar de haver ressuscitado, senão de um Cristo que está em nós
como semelhante. O arrebatamento é uma criação elitista dos que desconhecem
Cristo, muito pela contrário de vir para os eleitos, veio desde o princípio
para as ovelhas desgarradas. Essas sim, serão arrebatadas, conforme, ele
arrebatou os que com ele foram crucificados.
O que dói é saber que muitos
filhos desta terra brasileira não estão preparados para intuir, ao menos,
fragmentariamente, o verdadeiro Cristianismo.
O declínio do cristianismo na presença real de Cristo, está no centro
das crises da fé, políticas, sociais e
culturais. Não colocam Deus no centro de suas vidas. Aderindo apenas, à dialética do filósofo
Jean-Paul Sartre, o sentido de que, “o inferno é o outro”. Assim, se sentindo
superior. Isto é um trágico erro.
Aderem a uma rede de filiação
política, de competição, a partir de uma economia autossuficiente. Condenam-se
a entrar na selva pelada da política liberal, onde os interesses individuais se
chocam sem outra lei que não seja a do lucro a todo custo.
Isso é um muro de divisão!
Trata-se de uma grave doença espiritual. Muitos precisam tirar as armadilhas
das manipulações políticas discriminatórias, homofóbicas, aversões
irreprimíveis, repugnâncias, preconceitos. Infelizmente, muitos cristão
continuam a reproduzir ataques de ódio e misoginia.
É fundamental saber que muitos cristãos,
precisam tomar um bom banho de
humildade, recordando-nos de que todos somos frágeis por dentro e necessitados
de cura, todos somos irmãos. Lembremos disto: a fé cristã sempre nos pede para amar
o próximo, sem distinção.
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