UM OLHAR SOBRE AS
PRIMEIRAS ACADEMIAS DE LETRAS
Eudes de Sousa
Saber História é uma forma de fazer uma reflexão sobre nosso presente. O modo como vemos o passado depende muito do que vivemos hoje. Muitas das contradições que permearam o que foi ainda estão no agora. Uma geração de cidadãos que se deseja consciente de seu papel na sociedade não pode ignorar o que aconteceu nem deixar de pensar no que acontece. A exemplo a história das Academias de Letras no mundo.
Pois bem, as primeiras manifestações históricas dos
intelectuais de outros continentes. Sem
a presença das mulheres escritoras, discutiam os preceitos poéticos, fazendo
sua primeira escala na Itália, já na nossa era, por volta de 1540. Ainda sob o
impacto das falácias, o italianos podem glorificar-se disso, porque souberam
também que as letras poderiam se organizar, com a ajudar de uma boa quantidade
de falácias. Se há uma desculpa, no entanto, é que falácia por falácia lá floresceram os Unidos,
os Ociosos. Mas, não podemos esquecer da a Academia de Crusca, a quem devemos o
primeiro vocabulário italiano.
Nas bases evolutivas dessas manifestações, os interesses
pelas academias continuaram a seduzir os europeus, e em especial os franceses,
a Marquesa de Romoulielet inicia abertura de seus salões aos homens de letras.
Com isso, as manifestações floresceram, nas ruas de Paris, a cidade parecia
viver um festival literário que não parava nunca! Em pouco tempo esse
itinerário parisiense, desempatava com as ironias feitas ao Cardeal Richelieu,
1635, fundou Academia de Letras Francesa e, na Espanha foi criada a Academia
dos Noturnos, dos Desconfiados e do Bom Gosto, enquanto Duque de Estalona,
1714, instalou a Real de Madri, com a divisa limpa, fixa do esplendor,
objetivando escoimar da língua Espanhola do estrangeirismo.
Desde modo, também foi criada a Academia na Alemanha, com a mesma
manifestação, Frederico I proporcionou a fundação da Academia Real de Ciências
e Belas Artes, bem como em Portugal, com o mesmo amor as letras, à devoções à
arte proliferem essas manifestações mesmo com o protesto de Almeida Garret, que
diz: “Tudo corrompido pelo mau gosto dos cultos que, arregimentados em uma
infinidade de academias dos nomes mais extravagantes e inclusive conseguem
tirar toda a cor da literatura portuguesa”.
Muito mais forte do que esse protesto, no entanto, foram as
adesões para as entidades literárias portuguesas, lembramos as dos Gêneros e as
das Singulares, deixaram dois volumes de conferências. Mas Portugal teve outras
Academias com a dos Aplicados, Insignes e Solitários; dos Humildes e outras.
Depois vieram Academia Real de História Portuguesa, Arcádia Ulissiponense. E
Academia Real da Ciência, e a Nova Arcádia.
Como se sabe, tais manifestações chegaram, no Brasil,
fazendo seu próprio transporte no período colonial. As entidades literárias
invadiram as letras baianas, criando um clima de fundação cruzada entre as
mentes dos escritores e poetas baianos.
Com isso, a Bahia foi o berço de nossa primeira Academia de Letras, pois
em 1724 foi fundada a Academia dos Esquecidos, sem andar com as graças
oficiais, cerrou por definitivo tempo a porta da Academia.
Ao contrário do que ocorreu na Bahia, em um período áureo
para as letras cearenses, a inquietação de intelectuais motivou a criação da
Padaria Espiritual, sem chefe de grupo nem líder evidente. No aprimoramento de
algumas vontades firmes que orientavam as deliberações do instituto, o Ceará
ocupa, a Academia mais antiga do Brasil,
ainda em funcionamento, é Academia Cearense de Letras, seguida pela Academia
Brasileira de Letras.
Daí se originou, no continente africano, a Academia
Angolana de Letras, teve como ponto de
partida para redação de seu estatuto o estatuto da Academia Brasileira de
Letras, além de Angola, Cabo Verde também criou sua academia pela União dos Escritores
Angolanos, considerada a mais nova Academia de Letras no espaço global de
língua portuguesa.
No Brasil, com a proliferação de entidades literárias,
muitas cidades não reuniam “literatos” em número suficiente para que viessem, a
justificar a fundação de um “Silogeu”. Vieram, assim, as Academias “misto” de
letras e artes (em tese, todo “artista” pode ser membro), de letras e música”
etc.
De outro lado, certas categorias profissionais ou
associativas, reunindo em seu bojo muitos escritores, passaram a criar
Academias específicas: médicos, militares, maçons, passaram a ter “suas”
próprias Academias de Letras, como nominadas como no caso dos formados em
Direito, das chamadas academias “de
Letras Jurídicas”
Afinal, todos estes históricos levam a conclusão de que as
academias de letras ou as academias de letras e artes, seja em qualquer
Continente, têm precedente na história.
EUDES SOUSA - Jornalista, historiador, membro do Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão, Crítico Literário e presidente da Academia Massapeense de Letras e Artes
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