sábado, 24 de dezembro de 2022

O COMENTÁRIO DA SEMANA

 

Feliz natal e próspero Ano Novo!” Só isto?

Sempre me impressionei com a minimização que se faz da Festa do Aniversário de Jesus. Quando muito, se reduz a um tradicional desejo de “feliz natal”, ou a uma brincadeira de “amigo secreto”, ou ainda à “ceia de um peru” ou à encenação de um “papai Noel” que nós nem sabemos sua origem, já que aparece em neve falsa e em carruagem puxada a rena, deixando presentinhos debaixo de camas ou redes de “inocentes crianças”.

A exploração feita pelo comércio é enorme. Natal é pra dar lucro. Aí os Meios de Comunicação entram em cena, também para vender comerciais e lucrarem, de tal modo que a Festa do Natal é tão maravilhosa, a cada ano, se supera em percentuais, o lucro do ano anterior.

Sempre vi assim o Natal, vivido pelo mundo e estendo a minha visão à Páscoa, ao Dia das Mães, dos Pais, da Criança e a outras datas que se prestam mais à exploração comercial do que a uma celebração afetiva, amorosa e respeitosa como a data merece.

O nascimento de Jesus, para mim, é o único aniversário de alguém que é Deus. Isto já faz a diferença. Não é um natal qualquer. O natal de Jesus foi anunciado desde o início do Velho Testamento. Todos os seres vivos, humanos ou não, estamos na mente de Deus, desde toda a eternidade. Todos reconhecemos isto como verdade. Mas a vinda de Jesus ao mundo, não foi a vinda de um ser vivo qualquer. Cada Palavra dita por Deus na criação seria transformada em gente, em carne, em pessoa humana. Seria consagrada, ungida, materializada num ser crismado, marcado, carimbado com um selo que nunca se apagaria: o selo do Espírito de Deus. Era Cristo, o Senhor: o ungido, o crismado, aquele que tinha um caráter: um selo de qualidade.

Se o 1º Homem e a 1ª Mulher não tivessem pecado, isto é, desobedecido a Deus, toda a humanidade viria de Deus ao mundo, ficava aqui uma temporada e voltava, diretamente, do mundo pra Deus. O seu pecado fez Deus mudar de Plano. O homem e a mulher não perderiam o retorno pra Deus, mas teriam que morrer primeiro. A morte foi uma consequência do pecado. Para que se desse o resgate, Deus enviaria o seu Filho, a 2ª pessoa da SS Trindade, para tornar-se Homem, vir ao mundo e dar sua vida pela salvação de todos. Isso aconteceu faz pouco tempo: há apenas 2.022 anos. É uma partícula de tempo, se comparado à Criação do Universo: cerca de 15 bilhões de anos. E esta é uma longa história. Cerca de mil anos antes de Jesus nascer, o profeta Isaías (61, 1ss) já predissera: “o espírito repousa sobre mim, porque o Senhor me ungiu; enviou-me para dar a boa nova aos humildes, curar as feridas da alma, pregar a redenção para os cativos e a liberdade para os que estão presos, para proclamar o tempo da graça do Senhor”. Como Isaías, outros profetas também falaram, até que “apareceu um homem enviado por Deus, chamado João para falar da LUZ”.

Era João Batista. Último profeta do Antigo Testamento e o 1º do Novo. Ele anunciou que a Palavra – o Verbum Dei – já estava no mundo. Havia-se tornado um ser humano. ‘Já está entre nós – não para batizar só com a água, como eu faço – mas para batizar com o Espírito Santo. Eu quero que ele cresça e que eu diminua’. João fez a sua parte. Foi o precursor. Veio primeiro. Só então Jesus vem dizer a que veio. Começou sua vida pública.

Maria e José já estavam prevenidos sobre o Filho que estavam cuidando desde a infância. Segundo os profetas Simeão e Ana “ele fora escolhido por Deus para a destruição/, como para a salvação de muita gente em Israel”. E para completar, acrescentaram: “apesar de ser ele, um sinal de Deus, muitas pessoas falarão contra ele e uma espada afiada cortará o seu coração, Maria”. Daí em diante: matança das criancinhas pela ordem do Rei Herodes, fuga para o Egito, perda do menino, por 03 dias, em Jerusalém e o crescimento do adolescente com muita sabedoria e com a plenitude da graça de Deus, como narram os Evangelistas. Estas e outras “dores” dilaceraram o Coração de Maria até o fim.

Ele começara sua Vida Pública, em Nazaré, onde havia crescido. Todos os sábados – como bom judeu - participava da reunião na Sinagoga, até que um dia pediram-lhe para ler as “Escrituras Sagradas”. Ele abriu o livro, exatamente, no texto do Profeta Isaías, que lemos anteriormente. Quando terminou a leitura “Jesus fechou o livro, entregou-o para o ajudante da Sinagoga e sentou-se. Todas as pessoas ali presentes olhavam para Jesus sem desviar os olhos. Então ele disse: hoje se cumpriu o trecho das Escrituras Sagradas que vocês acabam de ouvir”. Imediatamente surgiram os “contra” e os “a favor”, levaram-no para fora e para o alto de um monte para jogá-lo dali abaixo. Era só o início das “dores”, da “espada afiada” que transpassaria o coração de Maria como afirmaram Simeão e Ana no Templo.

Será que já dá pra perceber que este Natal ou este aniversário que vamos celebrar de hoje para amanhã, não pode ser, simplesmente, reduzido a um chavão tradicional e vazio de “feliz natal” e “próspero ano novo” como, normalmente, se faz? Estamos festejando um momento tão importante de nossa vida, que não podemos reduzi-lo a um ‘jargão’ tão vazio. Dá até pra pensar que o Natal é só isso. Como na minha cabeça, o nascimento de Jesus representa muito mais, tem uma continuidade, vou aprofundar esta reflexão, tendo em vista a data natalícia de Jesus que já é amanhã. Vou falar sobre a Vida Pública de Jesus, isto é, mostrar sua prática. É muito mais do que tudo o que dissemos até agora. Foi isto que incomodou tanto no tempo dele e continua a incomodar hoje a quem quiser repassar seus ensinamentos como ele mesmo o fez. Há certos espertalhões, ensinando mentiras como se fossem verdades, usando o nome de Deus em vão. Geram filhos em várias mulheres e enganam a muitos. Que família cristã é esta?               Conforme prometi no sábado passado, eu voltaria hoje a continuar a Reflexão iniciada sobre o Natal de Jesus, em que eu dizia não ser um aniversário qualquer, mas é o único nascimento do Verbo de Deus que se fez Homem. Toda a Palavra dita por Deus no A.T. era eficaz. Ele dizia e acontecia: “faça-se a luz”; “apareça a água”; “que esta se separe e apareça a terra seca”; “que a terra produza vegetais”; “que o dia e a noite se separem no céu”; “que surjam o homem e a mulher como minha imagem e semelhança para dominar o universo”. E assim se fez. É nisto que está a eficácia da Palavra de Deus: até se tornar gente e habitar entre nós: Jesus Cristo.

         João Batista O anunciou e Ele, que já era conhecido e frequentava a Sinagoga de Nazaré, leu o texto de Isaías, 61, 1ss, dizendo que naquele dia, aquela profecia estava se realizando. A partir dali, ele iniciava sua Missão. Houve incompreensão, quiseram colocá-lo em um precipício de ladeira abaixo e ele mostrou firme a que veio.

         Seu tempo era limitado. Tinha que aproveitá-lo bem. Começou logo, formando sua equipe de trabalho: os 12 apóstolos, os 72 discípulos, as santas mulheres (algumas convertidas) e a todos ia dando funções e os enviava em missão. Muitos milagres iam acontecendo, muitas parábolas eram contadas e os que eram curados – cegos, aleijados, surdos, endemoniados, leprosos, ressuscitados – mesmo proibidos de divulgarem, espalhavam a notícia por toda parte, pelo prazer de se sentirem livres de seus males.

         Enquanto Jesus fazia os milagres, beneficiava o povo, multiplicava-lhe o pão, fazia pescas milagrosas/, tudo parecia ir muito bem. Mas quando ele começou a denunciar injustiças, a falar na defesa dos mais pobres, a pedir aos ricos a partilha dos seus bens com os mais necessitados, a dizer-lhes ser mais fácil um camelo passar pelo fundo de uma agulha do que eles se salvarem, a pagarem o justo salário a quem trabalhasse e a desafiar as autoridades pelo seu mau comportamento, aí a coisa piorou e o levante contra Ele se espalhou por toda parte, até proporem a sua troca por Barrabás - um conhecido bandido que estava preso - e a crucificá-lo.

         Em apenas 03 anos ele deu o seu recado, formou uma Assembleia de fiéis, deixou um chefe para comandá-la, mandou que os seus seguidores – apóstolos ou discípulos – organizassem Comunidades, dessem a elas as graças e os Sacramentos instituídos por Ele e disse, pelo menos, em 18 ocasiões: não tenhais medo: “procurem as ovelhas perdidas da casa de Israel. Vão e anunciem isto; ‘o Reino do Céu está perto’. Cuidem dos leprosos e de outros doentes, expulsem os demônios, dêem assistência aos mortos, não levem nem ouro, nem prata. Vocês receberam sem pagar, portanto dêem sem cobrar”. Crucificado, morto, sepultado e ressuscitado, subiu ao céu, enviou o Espírito Santo para fixar bem a Igreja e deixou-nos com a Missão.

         Mateus encerra seu livro, dizendo a última recomendação de Jesus; “Deus me deu todo o poder no céu e na terra. Portanto, vão a todos os povos do mundo e façam com que sejam meus seguidores, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo e ensinando-os a obedecer a tudo o que ordenei a vocês. Eu estou com vocês todos os dias, até o fim dos tempos”.

         A Igreja começou sua missão. Tinha que seguir a ordem do fundador. O livro dos Atos dos Apóstolos dá continuidade à história iniciada por Jesus em Jerusalém, na Judéia e na Samaria, chegando aos lugares mais distantes, como Roma, a Capital do Império Romano. Dois apóstolos chegam primeiro: o Papa, Pedro e um cidadão romano, judeu convertido ao cristianismo: Paulo. Duas pilastras da Igreja iniciante. Pedro começou visitando Jerusalém, Samaria, Lida, Jope e Cesaréia. Paulo, com suas muitas viagens pelo Império Romano. Ambos, enfrentando distancias, mares e travessias, sofrendo até naufrágios. A eles se foram associando outros líderes, como: Estêvão, Filipe, Barnabé, Timóteo e Silas. Foi um trabalho muito difícil, sobretudo por causa do paganismo reinante, oficial, do Império e as perseguições desferidas contra os simpatizantes dos que iam aceitando o cristianismo.

         O papel mais importante, acreditado por todos, era do Espírito Santo que guiava, sugeria, sustentava, encorajava e fortalecia os seguidores de Jesus nos trabalhos das Igrejas e no serviço de anunciar o Evangelho pelo mundo inteiro. Esta base sólida, inicial tem que comandar a Igreja até o fim.

         Para chegar até nossos dias, muitas dificuldades foram enfrentadas, mas muitas vitórias foram conquistadas. Nunca se deveria perder o foco, a iluminação inicial de Jesus e o calor ou o fogo dado pelo Espírito de Deus. É que nós, às vezes, esquecemos disto. Os Concílios, os Sínodos, as Encíclicas e Cartas Apostólicas nos incentivam à Ação Missionária. Qualquer oposição ao nosso trabalho, desistimos, temos medo, recordamos nomes de Bispos e Padres do passado, mas não nos espelhamos neles. Se uma autoridade política nos critica, a gente esquece aqueles sacerdotes e bispos que lutaram e venceram com a verdade. E a Palavra de Deus nos diz que “a verdade nos libertará”. Nós temos medo e nossos inimigos ficam respaldando suas mentiras, usando a Palavra de Deus ou usando o nome de Deus em vão. Será que dá pra esquecer a coragem e influencia de D. Francisco, D. Helder, D. Fragoso, D. José Maria Pires, D. Paulo Evaristo, D. Pedro Casaldáliga, D. Aloísio Lorsheider, D. Angélico Sândalo, D. Adriano Hipólito, D. Tomás Balduíno, D. Valdir Calheiros, D. Luciano Mendes, D. Ivo Lorsheiter, D. Marcelo Carvalheira, D. Paulo Ponte, D. Leonardo Steiner, D. Erwin Krautler, D. Edmilson da Cruz e o Padre Julio Lancelotti pelo muito que fizeram e alguns ainda fazem para que os bons desejos de Jesus e as bases lançadas por ele de sustentação de sua Igreja permaneçam até o fim?

Quem tem um ‘aniversariante assim’, não pode ter sentimentos superficiais. 











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