O POVO INDÍGENA NO
CENTRO DA HISTÓRIA
Eudes de Sousa
Neste início de século,
percebe-se uma ânsia por parte de nossa população indígena, especialmente os
indígenas mais jovens no centro da civilização da história do Brasil e da
América Latina, momento que em que se
organizam contra a imposição dos capitalistas.
A exemplo, da
ambientalista Sonia Guajajara que participou nos debates sobre os
efeitos da mudança climática na Amazônia, no Cop27, no Egito. São cada vez mais
atuantes na defesa do direito à terra e proteção do meio ambiente.
Isso é bom, sem dúvida.
Primeiramente, porque a luta é esta e
deve ser sempre motivada e praticada. Saber a sua história é conhecer o nosso
presente. O modo como vemos o passado depende muito do que vivemos hoje. Muitas
das contradições que permearam o que se foi ainda estão no agora.
É inevitável dizer que,
não devemos, simplesmente, apagar da História épocas, ainda que tristes, pois
esquecer é estar condenado a repetir os mesmos erros. Um olhar no século XXI a
história brasileira nos introduziu em um novo conceito dos fatos. Não mais o
conceito linear histórico, que repasse a história oficial e as obras
literárias. No estudo, predomina a “força plástica” do historiador, para não
agir como coveiro do presente. Ou seja, assimilar o passado, para cicatrizar
feridas e construir as formas destruídas num processo histórico de formação de
um grande país que é hoje o Brasil.
Suprimem-se as
barreiras entre o passado e o presente. O passado adquire caráter especial e o
presente, caráter temporal. A história do Brasil, passa com toda liberdade, do
passado para o presente, deste para o futuro. Não há continuidade interrupta.
Os sentidos históricos dos fatos sobre a história do Brasil, são exemplo disso.
Pois então, o povo brasileiro já sabe olhar o
Brasil? Obviamente é uma pergunta, sem subestimar os verdadeiros sentidos
históricos dos fatos. Neste século de grandes pesquisas históricas, imagine-se
o furor se um brasileiro fosse a Europa e
questionado sobre a sua capacidade de olhar indígenas no Brasil. É
preciso ser da América Latina para poder perguntar. Se o povo brasileiro sabe
olhar indígenas no Brasil? Estaremos perdidos, sem eira nem beira? Sim caso
busquemos a nossa história em algum ponto de uma cidade, e olhando aquele mínimo
indígena na rua, nu e raquítico como o centro da história indígena brasileira.
O estado da história
tem profundas razões históricas e sociais, há 600 anos- digamos, em 1400, os
europeus estavam à frente de nossa civilização em ciências e tecnologia,
medicina e astronomia, amor as letras e artes, a unidade continuidade da
cultural. Mas não era a região mais fértil do mundo nem excepcionalmente
habitado-critérios importantes numa
época em que o solo era a principal fonte de riqueza e a energia vinha
do músculo humano e animal.
E neste contexto histórico, que estão os interesses
dos nossos historiadores com o programa de pesquisas sobre uma história cheia
de nebulosidade que deixa para o mundo novo as testemunhas inequívocas da
capacidade do gênero humano para vencer obstáculos que ainda nos mostram uma
forma de pensar para melhor compreender as dificuldades do povo brasileiro,
hoje com tantos problemas ambientais.
Como se sabe, a dívida
ambiental no Brasil continua. Neste ponto, a história do índio, volta a ter o que merece uma longa reflexão,
ouvindo suas magoas, suas queixas sobre os malefícios que os europeus lhes
trouxeram, explorando-os, escravizando-os e outros males.
Como bem afirmou João Camilo
de Oliveira Torres, “Para que possamos enfrentar a crise ambiental
brasileira é necessário que tenhamos diante dos olhos e caráter profundamente
paradoxal da história brasileira. É um perigo aplicarmos correntes nos livro da
história, uma vez que as coisas geralmente costumam adotar posições contrárias às
maneiras de pensar”
Isso representa
perguntar: cadê o Brasil, com seus índios? Quem quiser encontrar basta ver a
história do índio brasileiro. O que prova
é a linha que separa a realidade da ficção. Tal olhar já presente entre
os historiadores é velho como a história da civilização. Tão pouco se conclui que
é dito “civilizado” ganhou sempre do “dito” primitivo” na especulação de muitos
historiadores brasileiros.
Esta situação já foi
vislumbrada pelo Senador Vergueiro, ao assinalar; num discurso famoso, que os
nossos males, veem de que a nossa organização política antecedeu a nossa
organização social. Tivemos Estado antes de haver povo: lembre-se Tomé de
Sousa, desembarcando com toda a organização administrativa um estado completo
entre palmeiras e índios.
A realidade social é
evidenciada, tornou visível num país, onde ao que se convencionou chamar de
“civilização”. Se há uma desculpa, no entanto, o povo brasileiro, não podia
imaginar que aqueles seres humanos dos anos 500, tão inocentes, tão ignorantes
e tão nus, portadores de desejos tão simples quanto suas necessidades, haviam
de, cincos séculos depois, emprestar colaboração tão plausível de denunciar as
desigualdade sociais e de alçarem contra os seus agressores.
Em que podemos descrever uma conversar em que um velho
cacique mostra estranheza diante dos desafios. “Não saberá que a terra é para
nos alimentar e também os nossos filhos, pergunta o velho, em linguagem que não
caberia mal numa frase da literatura sociológica. Pois também temos pais, mães
e filhos a quem amamos; mais estamos certos de que depois de nossas mortes, a
terra que não nos alimentou jamais
alimentará as nossas futuras gerações, por isso não descansamos em paz.
Há dúvida de que esta
circunstância é crucial. Estamos entrando no terceiro século urbano da história
indígena, que nos faz pensar numa falsa floresta nos arredores da cidade,
ornamentando-se de árvores com falsas frutas tropicais. Espalhando galhos
secos. E em meio a esta paisagem com
índios recrutados para o papel representando o que seria a vida na
selva. Uns vão pescar no leito seco de um rio, outro a caçar aquilo que não
existe. A certa altura os exploradores batem palmas com as mãos ociosas e
levando consigo os últimos troncos de madeiras para deleite do capitalismo
selvagem.
Sabemos, no entanto, e
precisamos acreditar no povo indígena como fundamento social no centro da
história do Brasil, para continuar
buscando respeito aos índios. As ditas manifestações no Congresso Nacional, deixam claro, que a
construção de um novo tempo, depende exclusivamente de uma política de conscientização.
Fica claro, se é que o
leitor não percebeu ainda, que os tais sentidos de um olhar sobre o povo indígena,
que move a história do Brasil, o povo ao dar conta que não está morando
num país, segurado pelos braços da injustiça da colonização mental. Se podemos
fazer uma afirmação contravertida, diremos que a colonização mental não foi
erradicada, o povo indígena ainda luta para se libertar fazendo crítica dos
fatos históricos em que vive.

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