segunda-feira, 5 de dezembro de 2022

IDEIAS & NOTICIAS

 

O POVO INDÍGENA NO CENTRO DA HISTÓRIA

Eudes de Sousa

Neste início de século, percebe-se uma ânsia por parte de nossa população indígena, especialmente os indígenas mais jovens no centro da civilização da história do Brasil e da América Latina,  momento que em que se organizam contra a imposição dos capitalistas.

 A exemplo, da  ambientalista Sonia Guajajara que participou nos debates sobre os efeitos da mudança climática na Amazônia, no Cop27, no Egito. São cada vez mais atuantes na defesa do direito à terra e proteção do meio ambiente.

Isso é bom, sem dúvida. Primeiramente, porque  a luta é esta e deve ser sempre motivada e praticada. Saber a sua história é conhecer o nosso presente. O modo como vemos o passado depende muito do que vivemos hoje. Muitas das contradições que permearam o que se foi ainda estão no agora.

É inevitável dizer que, não devemos, simplesmente, apagar da História épocas, ainda que tristes, pois esquecer é estar condenado a repetir os mesmos erros. Um olhar no século XXI a história brasileira nos introduziu em um novo conceito dos fatos. Não mais o conceito linear histórico, que repasse a história oficial e as obras literárias. No estudo, predomina a “força plástica” do historiador, para não agir como coveiro do presente. Ou seja, assimilar o passado, para cicatrizar feridas e construir as formas destruídas num processo histórico de formação de um grande país que é hoje o Brasil.

Suprimem-se as barreiras entre o passado e o presente. O passado adquire caráter especial e o presente, caráter temporal. A história do Brasil, passa com toda liberdade, do passado para o presente, deste para o futuro. Não há continuidade interrupta. Os sentidos históricos dos fatos sobre a história do Brasil, são exemplo disso.

Pois  então, o povo brasileiro já sabe olhar o Brasil? Obviamente é uma pergunta, sem subestimar os verdadeiros sentidos históricos dos fatos. Neste século de grandes pesquisas históricas, imagine-se o furor se um brasileiro fosse a Europa e  questionado sobre a sua capacidade de olhar indígenas no Brasil. É preciso ser da América Latina para poder perguntar. Se o povo brasileiro sabe olhar indígenas no Brasil? Estaremos perdidos, sem eira nem beira? Sim caso busquemos a nossa história em algum ponto de uma cidade, e olhando aquele mínimo indígena na rua, nu e raquítico como o centro da história indígena brasileira.

O estado da história tem profundas razões históricas e sociais, há 600 anos- digamos, em 1400, os europeus estavam à frente de nossa civilização em ciências e tecnologia, medicina e astronomia, amor as letras e artes, a unidade continuidade da cultural. Mas não era a região mais fértil do mundo nem excepcionalmente habitado-critérios importantes numa  época em que o solo era a principal fonte de riqueza e a energia vinha do músculo humano e animal.

E neste contexto histórico, que estão os interesses dos nossos historiadores com o programa de pesquisas sobre uma história cheia de nebulosidade que deixa para o mundo novo as testemunhas inequívocas da capacidade do gênero humano para vencer obstáculos que ainda nos mostram uma forma de pensar para melhor compreender as dificuldades do povo brasileiro, hoje com tantos problemas ambientais.

Como se sabe, a dívida ambiental no Brasil continua. Neste ponto, a história do índio, volta  a ter o que merece uma longa reflexão, ouvindo suas magoas, suas queixas sobre os malefícios que os europeus lhes trouxeram, explorando-os, escravizando-os e outros males.

Como bem afirmou João Camilo de Oliveira Torres, “Para que possamos enfrentar a crise ambiental brasileira é necessário que tenhamos diante dos olhos e caráter profundamente paradoxal da história brasileira. É um perigo aplicarmos correntes nos livro da história, uma vez que as coisas geralmente costumam adotar posições contrárias às maneiras de pensar

Isso representa perguntar: cadê o Brasil, com seus índios? Quem quiser encontrar basta ver a história do índio brasileiro. O que prova  é a linha que separa a realidade da ficção. Tal olhar já presente entre os historiadores é velho como a história da civilização. Tão pouco se conclui que é dito “civilizado” ganhou sempre do “dito” primitivo” na especulação de muitos historiadores brasileiros.

Esta situação já foi vislumbrada pelo Senador Vergueiro, ao assinalar; num discurso famoso, que os nossos males, veem de que a nossa organização política antecedeu a nossa organização social. Tivemos Estado antes de haver povo: lembre-se Tomé de Sousa, desembarcando com toda a organização administrativa um estado completo entre palmeiras e índios.

A realidade social é evidenciada, tornou visível num país, onde ao que se convencionou chamar de “civilização”. Se há uma desculpa, no entanto, o povo brasileiro, não podia imaginar que aqueles seres humanos dos anos 500, tão inocentes, tão ignorantes e tão nus, portadores de desejos tão simples quanto suas necessidades, haviam de, cincos séculos depois, emprestar colaboração tão plausível de denunciar as desigualdade sociais e de alçarem contra os seus agressores.

Em que podemos  descrever uma conversar em que um velho cacique mostra estranheza diante dos desafios. “Não saberá que a terra é para nos alimentar e também os nossos filhos, pergunta o velho, em linguagem que não caberia mal numa frase da literatura sociológica. Pois também temos pais, mães e filhos a quem amamos; mais estamos certos de que depois de nossas mortes, a terra que não nos alimentou  jamais alimentará as nossas futuras gerações, por isso não descansamos em paz.

Há dúvida de que esta circunstância é crucial. Estamos entrando no terceiro século urbano da história indígena, que nos faz pensar numa falsa floresta nos arredores da cidade, ornamentando-se de árvores com falsas frutas tropicais. Espalhando galhos secos. E em meio a esta paisagem com  índios recrutados para o papel representando o que seria a vida na selva. Uns vão pescar no leito seco de um rio, outro a caçar aquilo que não existe. A certa altura os exploradores batem palmas com as mãos ociosas e levando consigo os últimos troncos de madeiras para deleite do capitalismo selvagem.

Sabemos, no entanto, e precisamos acreditar no povo indígena como fundamento social no centro da história  do Brasil, para continuar buscando respeito aos índios. As ditas manifestações  no Congresso Nacional, deixam claro, que a construção de um novo tempo, depende exclusivamente de uma política de conscientização.

Fica claro, se é que o leitor não percebeu ainda, que os tais sentidos de um olhar sobre o povo  indígena,  que move a história do Brasil, o povo ao dar conta que não está morando num país, segurado pelos braços da injustiça da colonização mental. Se podemos fazer uma afirmação contravertida, diremos que a colonização mental não foi erradicada, o povo indígena ainda luta para se libertar fazendo crítica dos fatos históricos em que vive.

                 
                                 EUDES SOUSA - Jornalista, Historiador e crítico literário, em Massapê



Nenhum comentário:

Postar um comentário

COLUNA PRIMEIRO PLANO

  LUIZIANE, A CAMINHO DO SENADO, SAI DO PT, MAS APOIARÁ LULA E ELMANO.                                        EDIÇÃO DE 04.04.26            ...