sábado, 3 de dezembro de 2022

O COMENTÁRIO DA SEMANA

 

EVENTOS QUE REJUVENESCERAM MUITOS, JÁ ACIMA DOS 70 ANOS!

 Em dois finais de semana – 11 a 13 e 25 a 27 – de Novembro último, participei de dois momentos, importantíssimos da minha vida e semelhantes entre si, que mexeram muito comigo e até me rejuvenesceram.  

            O primeiro, em Fortaleza, com meus companheiros de infância e adolescência, no Seminário São José de Sobral, há mais de 60 anos. Estavam presentes, basicamente, os que concluíram o Curso Clássico, em 1962, que correspondia ao Fundamental II e Ensino Médio em nossos dias, somados a outros companheiros, concludentes, antes ou depois, para que nossa alegria fosse maior. Éramos, de fato, cerca de 60 contemporâneos.

O segundo, no Sertão de Pernambuco – Afogados da Ingazeira e adjacências - com ex-alunas, pelos 50 anos de sua formatura, em 1972, quando eu era vice-diretor da Escola Normal e Professor delas. Eram também, concluintes do 2º grau, para serem Professoras e Educadoras por toda a vida: as famosas normalistas, vestidas de azul e branco, tão bem elogiadas e decantadas por Davi Nasser e Nelson Gonçalves.

            Os que estudamos no Seminário São José, situado no Bairro da Betânia, em Sobral, somos, eternamente betanistas pelo que aprendemos e praticamos em nossas vidas, quer como Padres, quer como leigos, no exercício de várias funções ou profissões. A formação recebida dos vários Sacerdotes, escolhidos a dedo, por Dom José, era a certeza de uma segurança de caráter, com base e profundidade em trabalho futuro que nos amadureceria, familiar, profissional ou ministerialmente para todo o resto de nossas vidas: padres ou não.

            Dois padres, estivemos presentes: Padre José Linhares, acima dos 90 anos e eu, com mais de 80. Ele proferiu uma “Aula da Saudade” com muita sabedoria, lucidez e profundidade como ele fazia em nosso tempo de estudante. Esquematizou sua reflexão em 03 erres: Recordar, Refletir e Reconciliar, levando os mais emotivos, às lágrimas, e a todos à admiração pelo conteúdo, clareza e convencimento da mensagem que ele nos deu, deixando-nos encantados. Eu mesmo, oportunamente, externei a minha admiração pelo que ouvira e disse para todos e diante dele que, a aula do Padre Zé foi um modelo de tudo o que ouvíamos, anotávamos e aprendíamos no Seminário da Betânia, à época de nossa formação. Todo o nosso relacionamento fraterno, o desejo de nos reencontrarmos e o prazer de ficarmos juntos, com a idade que nós temos, as variadas funções que exercemos, não nos deixaram perder o que aprendemos de solidariedade, respeito e o muito amor que deveríamos sempre ter entre nós.

            Quando deixamos os nossos mais variados afazeres ou enfrentamos grandes distancias, que implicam custos ou gastos, para nos reencontrarmos é como se voltássemos das férias, do meio de nossas famílias de sangue, para um encontro com a “outra família” que aprendemos a amar para a vida e para o trabalho futuro, que os dois livros, produzidos por nós, nos levam a divulgar.

            Nossos encontros são cheios de surpresas, até descobrirmos debaixo da careca, dos óculos, dos cabelos brancos, quem é o personagem. Quando isso acontece, vamo-nos tornando os mesmos seminaristas, colegas de infância ou adolescência do Seminário de Sobral. Aí vem a algazarra, o ruidoso e ardoroso abraço e o sorriso cheio de felicidade e a certeza de que, aquela amizade tem sua raiz no verdadeiro amor, na responsabilidade partilhada e na franquia de que ninguém se perdeu. Como nós cantávamos no Seminário, rezando em João, 13,34: ubi caritas et amor, Deus ibi est. Lembram-se disto?

                                             Da esquerda para direita: ASSIS ROCHA, celebrante, Neném, esposa do Abner, Zé Henrique,
 Zé Gentil, Leopoldo, Abner,  eu, Zé Armando, Brisamor,  Elisiário, Teoberto e Aguiar Moura.

Para comemorar tudo isso, com oração, refeição, revisão de nossas vidas e partilha de nossas alegrias, armamos nosso Circo nas super agradáveis instalações do Hotel Amuarama, com tempo integral de atividades e com a acolhida fora de série e a presença em todos os momentos, do nosso colega de Seminário, José Armando Ponte Dias, engenheiro civil e proprietário do empreendimento, que nos fez a todos sentir-nos em casa. Obrigado, amigo!

 O palco de nossas festividades em Afogados da Ingazeira foi fixado no Hotel Brotas para hospedagem, uso de seu Centro de Convenções para comemorar e confraternizar com muita música, muita alegria, sorteios, depoimentos com direito a choro, comida típica do sertão e toda a felicidade do reencontro. Era o velho professor de 82 anos que, antes dos 30, estava diante de uma plateia de adolescentes e jovens, diariamente, ministrando-lhes aulas de sociologia, literatura e língua portuguesa que, ao terminarem seu 2º grau, enfrentavam em qualquer faculdade, um vestibular em que saíam vitoriosas.

Profissionalizadas, fizeram especializações pedagógicas, exerceram o magistério, graduaram-se e atualizaram-se para bem exercerem suas funções. 

 Mons. Assis Rocha e suas ex-alunos, em Afogados da Ingazeira, celebrando 50 anos de colação de grau, no Ensino Médio: Da esquerda para a direita: Fatima Brasileiro, Lourdes Freitas, Margarida Pereira, Margarida Nunes, Professor Assis Rocha, Professora Zezinha, Maria da Paz,  Neuman Malaquias, Edleide Freitas e Marinete Queiroz. Acima, também da esquerda para a direita: Salomé, Consoelo, Maria do Carmo, Diodete, Zilma, Lourdes Gomes e Giselda

Fora do Hotel, ainda tivemos Missa em Ação de Graças na recém-reformada Matriz de São Francisco e confraternização com almoço festivo na vizinha cidade de Carnaíba, onde habitava um bom grupo das jubiladas.

Como todos estávamos com 50 anos a mais do que éramos no começo, tomamos nossas precauções para não exagerar no que tivemos de direito outrora, mas o contato, a recordação do passado, o que fizemos de lá pra cá, foi tudo recordado e comemorado com tudo o que tínhamos de direito. Muitas apresentavam maridos, filhos e até netos, com quem documentávamos em áudios, fotografias ou vídeos, para aumentar a saudade. Saudade não se mata.

                             Em Carnaíba, no Almoço oferecido por Margarida Pereira (de blusa laranja). De pé: Margarida Pereira,                               Fatima Brasileiro e Lourdes Freitas. Sentados: Neuman Malaquias, Mons. Assis, Giselda e Consoelo.

Como disse o Professor Leunam em sua coluna “Primeiro Plano” da semana passada, referindo-se à minha viagem a Pernambuco, “meu retorno às Paróquias daquela Diocese, era sempre motivo de grande alegria. Os laços que ali foram estabelecidos continuam fortes. São inquebrantáveis”.

Fiz-me acompanhar de um sobrinho meu – o Pedro Filho – que não só cuidou de meu bem-estar pessoal, como se entrosou com todo mundo e foi testemunha de todo o carinho, respeito e alegria manifestados para comigo. Auferiu também, o grau de conscientização crítica, política, dada a tanto tempo atrás, através das aulas de sociologia que receberam, como de outros ex-alunos meus que me reencontraram e falaram do que entenderam e aprenderam em sala de aula, já que tinham sido meus alunos no noturno Curso Científico que era dado no mesmo colégio, de quem eu era também professor.

                         O Professor e as alunas Giselda Morais e Adalva Tenório

Quando eu disse acima que estes dois momentos, vividos por mim em dois finais de semana, “me rejuvenesceram” é porque é a mais pura verdade. Não reclamei de cansaço, de dormidas fora de hora, de comidas impróprias para o “meu regime alimentar”, enfim, a felicidade dos reencontros com colegas do Seminário e com ex-alunos do Sertão pernambucano, mesmo com as viagens empreendidas de carro, daqui pra Fortaleza e de Recife para o Sertão do Pajeú, inclusive o percurso de ida e volta de avião Fortaleza-Recife, nada me cansou que me fizesse reclamar de qualquer fadiga por causa da viagem.

Ao chegar de volta à minha família, todos perceberam minha felicidade, coroada de mais alegria, pelo sucesso do meu “neto, João Murilo” que se tornou hexacampeão nacional de Karatê, na competição de Trindade - Goiás, onde conquistou medalhas de ouro e de bronze. Dá pra ficar triste?

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