EVENTOS
QUE REJUVENESCERAM MUITOS, JÁ ACIMA DOS 70 ANOS!
Em
dois finais de semana – 11 a 13 e 25 a 27 – de Novembro último, participei de
dois momentos, importantíssimos da minha vida e semelhantes entre si, que
mexeram muito comigo e até me rejuvenesceram. O primeiro, em Fortaleza, com meus
companheiros de infância e adolescência, no Seminário São José de Sobral, há mais de 60 anos. Estavam presentes, basicamente, os que concluíram o Curso
Clássico, em 1962, que correspondia ao Fundamental II e Ensino Médio em nossos
dias, somados a outros companheiros, concludentes, antes ou depois, para que
nossa alegria fosse maior. Éramos, de fato, cerca de 60 contemporâneos.
O
segundo, no Sertão de Pernambuco – Afogados da Ingazeira e adjacências - com
ex-alunas, pelos 50 anos de sua formatura, em 1972, quando eu era vice-diretor
da Escola Normal e Professor delas. Eram também, concluintes do 2º grau, para
serem Professoras e Educadoras por toda a vida: as famosas normalistas, vestidas
de azul e branco, tão bem elogiadas e decantadas por Davi Nasser e Nelson
Gonçalves.
Os que estudamos no Seminário São
José, situado no Bairro da Betânia, em Sobral, somos, eternamente betanistas pelo que aprendemos e
praticamos em nossas vidas, quer como Padres, quer como leigos, no exercício de
várias funções ou profissões. A formação recebida dos vários Sacerdotes,
escolhidos a dedo, por Dom José, era a certeza de uma segurança de caráter, com
base e profundidade em trabalho futuro que nos amadureceria, familiar,
profissional ou ministerialmente para todo o resto de nossas vidas: padres ou não.
Dois padres, estivemos presentes:
Padre José Linhares, acima dos 90 anos e eu, com mais de 80. Ele proferiu uma
“Aula da Saudade” com muita sabedoria, lucidez e profundidade como ele fazia em
nosso tempo de estudante. Esquematizou sua reflexão em 03 erres: Recordar,
Refletir e Reconciliar, levando os mais emotivos, às lágrimas, e a todos à
admiração pelo conteúdo, clareza e convencimento da mensagem que ele nos deu,
deixando-nos encantados. Eu mesmo, oportunamente, externei a minha admiração
pelo que ouvira e disse para todos e diante dele que, a aula do Padre Zé foi um
modelo de tudo o que ouvíamos, anotávamos e aprendíamos no Seminário da Betânia,
à época de nossa formação. Todo o nosso relacionamento fraterno, o desejo de
nos reencontrarmos e o prazer de ficarmos juntos, com a idade que nós temos, as
variadas funções que exercemos, não nos deixaram perder o que aprendemos de
solidariedade, respeito e o muito amor que deveríamos sempre ter entre nós.
Quando deixamos os nossos mais
variados afazeres ou enfrentamos grandes distancias, que implicam custos ou
gastos, para nos reencontrarmos é como se voltássemos das férias, do meio de
nossas famílias de sangue, para um encontro com a “outra família” que aprendemos
a amar para a vida e para o trabalho futuro, que os dois livros,
produzidos por nós, nos levam a divulgar.
Nossos encontros são cheios de surpresas, até descobrirmos debaixo da careca, dos óculos, dos cabelos brancos, quem é o personagem. Quando isso acontece, vamo-nos tornando os mesmos seminaristas, colegas de infância ou adolescência do Seminário de Sobral. Aí vem a algazarra, o ruidoso e ardoroso abraço e o sorriso cheio de felicidade e a certeza de que, aquela amizade tem sua raiz no verdadeiro amor, na responsabilidade partilhada e na franquia de que ninguém se perdeu. Como nós cantávamos no Seminário, rezando em João, 13,34: ubi caritas et amor, Deus ibi est. Lembram-se disto?
O palco de nossas festividades em Afogados da Ingazeira foi fixado no Hotel Brotas para hospedagem, uso de seu Centro de Convenções para comemorar e confraternizar com muita música, muita alegria, sorteios, depoimentos com direito a choro, comida típica do sertão e toda a felicidade do reencontro. Era o velho professor de 82 anos que, antes dos 30, estava diante de uma plateia de adolescentes e jovens, diariamente, ministrando-lhes aulas de sociologia, literatura e língua portuguesa que, ao terminarem seu 2º grau, enfrentavam em qualquer faculdade, um vestibular em que saíam vitoriosas.
Profissionalizadas, fizeram especializações pedagógicas, exerceram o magistério, graduaram-se e atualizaram-se para bem exercerem suas funções.
Mons. Assis Rocha e suas ex-alunos,
em Afogados da Ingazeira, celebrando 50 anos de colação de grau, no Ensino
Médio: Da esquerda para a direita: Fatima Brasileiro, Lourdes Freitas,
Margarida Pereira, Margarida Nunes, Professor Assis Rocha, Professora Zezinha,
Maria da Paz, Neuman Malaquias, Edleide
Freitas e Marinete Queiroz. Acima, também da esquerda para a direita: Salomé,
Consoelo, Maria do Carmo, Diodete, Zilma, Lourdes Gomes e GiseldaFora
do Hotel, ainda tivemos Missa em Ação de Graças na recém-reformada Matriz de
São Francisco e confraternização com almoço festivo na vizinha cidade de
Carnaíba, onde habitava um bom grupo das jubiladas.
Como
todos estávamos com 50 anos a mais do que éramos no começo, tomamos nossas
precauções para não exagerar no que tivemos de direito outrora, mas o contato,
a recordação do passado, o que fizemos de lá pra cá, foi tudo recordado e
comemorado com tudo o que tínhamos de direito. Muitas apresentavam maridos, filhos
e até netos, com quem documentávamos em áudios, fotografias ou vídeos, para
aumentar a saudade. Saudade não se mata.
Em
Carnaíba, no Almoço oferecido por Margarida Pereira (de blusa laranja). De pé: Margarida
Pereira, Fatima Brasileiro e Lourdes Freitas. Sentados: Neuman Malaquias, Mons.
Assis, Giselda e Consoelo.Como
disse o Professor Leunam em sua coluna “Primeiro Plano” da semana
passada, referindo-se à minha viagem a Pernambuco, “meu retorno às Paróquias daquela Diocese, era sempre motivo de grande
alegria. Os laços que ali foram estabelecidos continuam fortes. São
inquebrantáveis”.
Fiz-me
acompanhar de um sobrinho meu – o Pedro Filho – que não só cuidou de meu
bem-estar pessoal, como se entrosou com todo mundo e foi testemunha de todo o
carinho, respeito e alegria manifestados para comigo. Auferiu também, o grau de
conscientização crítica, política, dada a tanto tempo atrás, através das aulas
de sociologia que receberam, como de outros ex-alunos meus que me reencontraram
e falaram do que entenderam e aprenderam em sala de aula, já que tinham sido
meus alunos no noturno Curso Científico que era dado no mesmo colégio, de quem
eu era também professor.
Ao
chegar de volta à minha família, todos perceberam minha felicidade, coroada de
mais alegria, pelo sucesso do meu “neto, João Murilo” que se tornou hexacampeão
nacional de Karatê, na competição de Trindade - Goiás, onde conquistou medalhas
de ouro e de bronze. Dá pra ficar triste?



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