OS SETE PILARES DA ADVOCACIA CRIMINAL
Quando iniciei na advocacia criminal, compreendi que para
exercer com dignidade e competência a profissão seria preciso adotar alguns
princípios que hoje andam esquecidos, mas que no fim das contas mostram o tipo
de profissional que você irá se tornar. Talvez isso tenha alguma utilidade para
os jovens que sonham enveredar por esse caminho difícil e desafiador. Os
princípios a que me refiro são os seguintes:
AMOR À
PROFISSÃO: Sem amor o advogado não poderá jamais enfrentar as dificuldades
de toda sorte que encontrará pelo caminho e que começam com as dificuldades
para montar um escritório, fazer seu nome, defender as primeiras causas. É o
amor e não o dinheiro que fará com que ele não desista do sonho de ser advogado
criminal.
CONHECIMENTO:
O advogado não deve deixar de aprender sempre e os livros são instrumentos
importantes para se adquirir conhecimento. Hoje existe a internet, mas é
importante não confundir informação com verdadeiro conhecimento. Por isso,
estude sempre. O advogado uruguaio Eduardo Couture, no seu livro Os Mandamentos
do Advogado, deu o seguinte conselho: “O direito está em constante
transformação. Se não o acompanhas serás cada dia menos advogado”.
EFICIÊNCIA:
Nessa atividade profissional, não basta conhecimento ou títulos acadêmicos. É
preciso ter disposição e ser eficiente na defesa do seu constituinte. Só assim
será possível assegurar-lhe uma defesa efetiva e não meramente formal em um
processo criminal. Segundo o Dicionário Houaiss, eficiência significa a
“capacidade de atingir o efeito esperado, da forma desejada”. E o efeito
esperado pelo advogado é sempre o melhor resultado para o acusado, seja a
absolvição, seja uma pena menor do que aquela postulada pela acusação.
COMPAIXÃO:
Sentir o sofrimento do próximo, sobretudo do homem que lhe confiou a defesa da
sua honra, da sua liberdade e da sua própria vida, é fundamental. O advogado
não deve sentir-se superior ao ser humano que pede seu auxílio profissional nem
julgá-lo pelo crime que cometeu, pois se assim fizer já não será digno do nome
de criminalista. O italiano Francesco Carnelutti, num pequeno livro intitulado
As Misérias do Processo Penal, deixou estas palavras comoventes: “O homem
delinquente nada mais é que o ser humano como eu, com o seu mal e o seu bem,
com as suas sombras e as suas luzes, com a sua incomparável riqueza e a sua
miséria espantosa”.
CORAGEM:
Nessa profissão, você irá encontrar policiais e funcionários truculentos,
juízes autoritários, promotores de justiça que, às vezes, atuam como fanáticos
da repressão penal (felizmente são a minoria). É preciso coragem para enfrentar
o sistema, fazer valer os direitos fundamentais da pessoa humana e defender as
prerrogativas profissionais. Por isso que Sobral Pinto disse, do alto da sua
sabedoria e competência, que “a advocacia não é profissão para covardes”.
ENTUSIASMO:
Essa palavra, cujo significado etimológico é estar cheio de Deus, é essencial
para a atuação de qualquer advogado criminal, sobretudo dos mais jovens que
devem atuar de maneira incansável na defesa do seu constituinte, usando todos
os recursos e argumentos para obter a vitória ou, caso não seja possível, o
melhor resultado num processo criminal. O profissional que está cheio de Deus
não esmorece na sua missão de defender aquele que também é filho de Deus.
ÉTICA: Um
advogado deve agir com ética esteja ou não no exercício profissional. Disso
depende o seu bom nome e aquilo que chamam de sucesso. Sem ética ele não irá
muito longe na profissão e logo cairá no esquecimento ou na língua dos
detratores de plantão que jamais esquecem. Ele deve, portanto, conjugar uma boa
atuação técnica com uma imprescindível atuação ética a fim de ganhar o respeito
como profissional competente e probo.
Talvez esses
princípios possam servir de orientação para aqueles que estão iniciando na
advocacia criminal e vez por outra se questionam sobre como podem ter sucesso
na profissão. Na minha opinião, sucesso nada mais é que o resultado de uma boa
atuação profissional, o que envolve estudo, dedicação, competência e princípios
que não podem ser deixados de lado em momento algum.
Confesso que,
após vinte e um anos de ininterrupto exercício profissional, durante os quais
procurei sempre seguir esses princípios, sinto hoje o mesmo amor e entusiasmo
que senti ao vestir a beca pela primeira vez. E posso assegurar que o advogado
francês Henri Robert, na sua obra célebre O Advogado, tinha razão ao dizer que
“não existe profissão mais bela nem mais apaixonante”.
*Alan Paiva
é advogado criminal, em São Luís/MA e escritor. Filho do Radialista sobralense
ALOISIO PAIVA e neto do Mestre João Paiva, construtor das grandes obras de Sobral, idealizadas por
Dom José.

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