segunda-feira, 30 de janeiro de 2023

IDEIAS & NOTICIAS

 

SÍNDROME DE DOWN:                                                                               SEMEANDO AFETO E COLHENDO VITÓRIAS!

Quando li este texto do George, grande amigo que conheço desde seu nascimento, em São Luís, senti uma emoção extraordinária. Seus pais, nossos amigos e compadres Lucimar e Osmar. O  George, como o pai, tornou-se médico. Agora é um pai contando a  história de Davi Hermes, seu filho. A vontade que eu tive logo foi de compartilhar com todo mundo. Literalmente, todo mundo. O  mundo todo. É a narração de uma série de vitórias resultantes de uma vida familiar de cuidados, carinho e afeto.

Quando menino, vi que crianças com Síndrome de Down, cujo  nome  eu não sabia, eram tratadas apenas como uma doentinha. Na contabilidade familiar havia quem dissesse: “São três meninos, duas meninas e um doentinho”. Havia até quem cuidasse da criança dentro  de um cercadinho para não atrapalhar o movimento  da casa que também era um restaurante.

Este texto do George vai na contramão de muitas histórias. Por isto senti a vontade de torna-lo conhecido pelo mundo. Leia essa história emocionante!  (Leunam Gomes, de Fortaleza) 

"Há 19 anos, um bebezinho chegou para inundar nossos corações de amor; nosso primeiro filho. Tal emoção só foi comparada com a do nascimento do irmão, 5 anos após. Nosso rapazinho, Davi Hermes, nosso pequeno guerreiro, de surpresa nos apresentou à trissomia do 21, a qual não tínhamos vivência nenhuma familiar ou de amigos, mas que só nos preencheu com uma única determinação: criá-lo de forma que ele se sentisse feliz e pleno, tendo consciência de sua condição genética, porém sem auto piedade e com coragem de enfrentar os desafios que a vida lhe traria.

Durante os anos da infância, comemoração de cada etapa: o levantar da cabeça, o girar o corpo, o sentar, o engatinhar, o levantar-se, o andar... todas regadas por muito amor e lágrimas minhas e de minha amada Kledma; mãe, sem palavras para descrever o tão guerreira e determinada pela felicidade dos filhos. O início da escola, a alfabetização, o convívio fora de casa, seus primeiros aprendizados, suas apresentações nas datas festivas... Passa um filme na memória, com uma dorzinha de saudade da fase infantil de nosso menininho...

A chegada do irmão foi marcante da vida do Davi. Curtiu o crescimento da barriga da mãe, com muito amor e expectativa. Teria um irmão, o Lucas Hermes! Nunca se sentiu enciumado, teria o seu parceiro. Cresceram juntos, com muito amor e confusão, enfim, como irmãos que se complementam.

Desde cedo, Davi foi iniciado na prática esportiva com a natação para bebês. Esporte da família, também comemoramos os primeiros mergulhos, as braçadas iniciais, as primeiras voltas na piscina ainda na largura... os primeiros torneios escolares, nem se fala! Comecei a me perguntar então; haveria torneios específicos para as pessoas com Síndrome de Down?

Chegada da adolescência. Davi se percebendo diferente e não aceitando o afastamento da maioria dos colegas com quem convivia desde a infância. Cessaram os convites para festas…Doía calado em mim e na mãe este isolamento. Mesmo tendo a parceria da escola com palestras sobre inclusão, não conseguíamos avançar nesta integração. Em paralelo, crescia a complexidade das informações escolares. No ensino médio, finalmente surgiram poucas, porém puras e sinceras amizades.

Na adolescência, a natação cresceu em importância e seriedade em sua vida. Comprometimento, dedicação, esforço, disciplina nas rotinas da vida de atleta: treinos, dieta, sono... Jogos escolares estaduais e nacionais e as competições regionais e nacionais da classe especifica. O ápice desta fase de vida foi, incontestavelmente, as conquistas no Mundial do Canadá, em 2018, com duas medalhas de ouro e uma de bronze.

   

Com a maioridade, em 2022, concluiu a fase escolar. Manifestou o desejo de estudar Educação Física. Meu Deus, e agora? Tao poucos no Brasil conseguiram atingir o ensino universitário; aqui apenas um rapaz concluiu seu curso. Como seria tudo? Como ele se relacionaria num ambiente mais aberto que uma escola? Haveria adaptação / inclusão? Apesar de todas essas dúvidas preenchendo nossas mentes e corações, apoiamos sua decisão. 
Davi foi aprovado no vestibular de uma universidade de São Luís (UNICEUMA) e no ENEM para um centro universitário de Minas Gerais. Começo de uma nova fase. Já cursou dois períodos, estando apaixonado pelo curso. Já participou de Jogos universitários estadual e nacional, com vitórias. Também nova disputa de mundial, obtendo melhora de suas marcas e dois quartos lugares na categoria sênior. Ainda neste ano, foi homenageado pela Assembleia Legislativa do Maranhão com a medalha de Honra ao Mérito Legislativo José Ribamar de Oliveira “Canhoteiro”

Início de 2023. Quarta indicação para o Troféu Mirante, sempre cercada de muita expectativa. Davi está novamente entre atletas de altíssimo nível, já fazendo parte deste seleto grupo de super-heróis do esporte. Ele curte se encontrar nestes eventos com estrelas que se tornaram amigos, como exemplo, Kadu Pakinha, Ribamar Galvão e Bruno Lobo. Ontem, ele se sentiu em êxtase ao subir ao palco do Teatro Arthur Azevedo para receber seu troféu.

                                                                                      
Sentado estava eu, à distância, observando meu menininho que peguei em meus braços naquele 15 de maio de 2003, tão frágil e dependente, sendo aclamado como um dos super-heróis do esporte maranhense! Cheio de vigor, saudável, sociável e independente, enfim, um homem feliz e orgulhoso de seus feitos! O que virá pela frente, que seja feita a vontade de Deus. Mas saiba, meu filho, que sua família sempre estará ao seu lado e pronta para novos sorrisos e lágrimas em seus futuros desafios no esporte e na vida". 

George Oliveira (pai)

São Luís, Ma. 26/01/2023
















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