SÍNDROME DE DOWN: SEMEANDO AFETO E COLHENDO VITÓRIAS!
Quando li este texto do George, grande amigo que conheço desde seu
nascimento, em São Luís, senti uma emoção extraordinária. Seus pais,
nossos amigos e compadres Lucimar e Osmar. O George, como o pai,
tornou-se médico. Agora é um pai contando a história de Davi Hermes,
seu filho. A vontade que eu tive logo foi de compartilhar com todo mundo.
Literalmente, todo mundo. O mundo todo. É a narração de uma série de
vitórias resultantes de uma vida familiar de cuidados, carinho e afeto.
Quando menino, vi que crianças com Síndrome de Down, cujo
nome eu não sabia, eram tratadas apenas como uma doentinha. Na
contabilidade familiar havia quem dissesse: “São três meninos, duas meninas
e um doentinho”. Havia até quem cuidasse
da criança dentro de um cercadinho para não atrapalhar o
movimento da casa que também era um restaurante.
Este texto do George vai na contramão de muitas histórias. Por isto
senti a vontade de torna-lo conhecido pelo mundo. Leia essa história emocionante! (Leunam Gomes, de Fortaleza)
"Há 19 anos, um bebezinho chegou
para inundar nossos corações de amor; nosso primeiro filho. Tal emoção só foi
comparada com a do nascimento do irmão, 5 anos após. Nosso rapazinho, Davi
Hermes, nosso pequeno guerreiro, de surpresa nos apresentou à trissomia do
21, a qual não tínhamos vivência nenhuma familiar ou de amigos, mas que só nos
preencheu com uma única determinação: criá-lo de forma que ele se sentisse
feliz e pleno, tendo consciência de sua condição genética, porém sem auto
piedade e com coragem de enfrentar os desafios que a vida lhe traria.
Durante os anos da infância,
comemoração de cada etapa: o levantar da cabeça, o girar o corpo, o sentar, o
engatinhar, o levantar-se, o andar... todas regadas por muito amor e lágrimas
minhas e de minha amada Kledma; mãe, sem palavras para descrever o tão
guerreira e determinada pela felicidade dos filhos. O início da escola, a
alfabetização, o convívio fora de casa, seus primeiros aprendizados, suas
apresentações nas datas festivas... Passa um filme na memória, com uma dorzinha
de saudade da fase infantil de nosso menininho...
A chegada do irmão foi marcante da
vida do Davi. Curtiu o crescimento da barriga da mãe, com muito amor e
expectativa. Teria um irmão, o Lucas Hermes! Nunca se sentiu enciumado, teria o
seu parceiro. Cresceram juntos, com muito amor e confusão, enfim, como irmãos
que se complementam.
Desde cedo, Davi foi iniciado na
prática esportiva com a natação para bebês. Esporte da família, também
comemoramos os primeiros mergulhos, as braçadas iniciais, as primeiras voltas
na piscina ainda na largura... os primeiros torneios escolares, nem se fala!
Comecei a me perguntar então; haveria torneios específicos para as pessoas com
Síndrome de Down?
Chegada da adolescência. Davi se
percebendo diferente e não aceitando o afastamento da maioria dos colegas com
quem convivia desde a infância. Cessaram os convites para festas…Doía calado em
mim e na mãe este isolamento. Mesmo tendo a parceria da escola com palestras
sobre inclusão, não conseguíamos avançar nesta integração. Em paralelo, crescia
a complexidade das informações escolares. No ensino médio, finalmente surgiram
poucas, porém puras e sinceras amizades.
Na adolescência, a natação cresceu em
importância e seriedade em sua vida. Comprometimento, dedicação, esforço,
disciplina nas rotinas da vida de atleta: treinos, dieta, sono... Jogos
escolares estaduais e nacionais e as competições regionais e nacionais da
classe especifica. O ápice desta fase de vida foi, incontestavelmente, as
conquistas no Mundial do Canadá, em 2018, com duas medalhas de ouro e uma de
bronze.
Início de 2023. Quarta indicação para o Troféu Mirante, sempre cercada de muita expectativa. Davi está novamente entre atletas de altíssimo nível, já fazendo parte deste seleto grupo de super-heróis do esporte. Ele curte se encontrar nestes eventos com estrelas que se tornaram amigos, como exemplo, Kadu Pakinha, Ribamar Galvão e Bruno Lobo. Ontem, ele se sentiu em êxtase ao subir ao palco do Teatro Arthur Azevedo para receber seu troféu.
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