domingo, 8 de janeiro de 2023

IDEIAS & NOTICIAS

 

Inauguração do Oratório de SÃO SEBASTIÃO

São Sebastião, celebrado em 20 de janeiro, nasceu em Narbonne, no sul da França, no final do século terceiro. Quando ainda era criança, seus pais se mudaram para Milão. Ao atingir a idade adulta, alistou-se como militar nas legiões do Imperador Diocleciano, que mantinha uma constante campanha contra os cristãos, ou seja, os seguidores de uma nova “seita” surgida na Palestina e que era considerada absolutamente subversiva.

A figura imponente e a bravura do jovem tanto agradaram ao Imperador, que este o nomeou comandante de sua guarda pessoal, sem saber que Sebastião era cristão. Aliás, o rapaz se prevaleceu de sua destacada posição para beneficiar os cristãos encarcerados em Roma. Visitava com frequência as vítimas do ódio e da repressão e, com sábias palavras, consolava os candidatos ao martírio.

​Um dia, Sebastião foi denunciado. Diocleciano sentiu-se traído e ficou perplexo ao ouvir do próprio militar a confissão de que era cristão. Furioso, o Imperador ordenou que ele fosse morto a flechadas. Imediatamente, Sebastião foi levado para um descampado, os soldados o despiram, o amarraram ao tronco de uma árvore e atiraram nele uma chuva de flechas. Depois o abandonaram para que sangrasse até a morte.

À noite, os cristãos vieram para recolher seu corpo e lhe dar sepultura. Com assombro, descobriram que Sebastião ainda estava vivo. Desamarraram-no e o levaram para cuidar de suas feridas. Passado um tempo, já restabelecido, Sebastião voltou à luta, retomando sua cruzada de evangelização. Num ato de ousadia, apresentou-se ao próprio Imperador e o recriminou pelas injustiças cometidas contra os seguidores de Cristo, acusados de inimigos do Estado.

Novamente, Diocleciano ordenou que ele fosse executado, dessa vez por espancamento. Sebastião não resistiu à tortura. Seu corpo foi jogado no esgoto público de Roma, mas uma piedosa mulher, Santa Luciana, o sepultou nas catacumbas. Isso aconteceu no ano de 287.

Quatrocentos anos mais tarde, suas relíquias foram transportadas para uma basílica construída por Constantino, o primeiro imperador romano a professar o Cristianismo. Ali, os restos mortais se encontram até hoje. Na ocasião, uma terrível peste assolava Roma, vitimando milhares de pessoas. Entretanto, a epidemia simplesmente cessou, a partir do momento da transladação dos restos mortais do mártir, que passou a ser venerado como o protetor contra a peste, a fome e a guerra.

Nada mais atual, em nossos dias, do que essa invocação: peste, fome e guerra. O mundo ainda vive uma terrível epidemia, que já matou cerca de 700 mil pessoas em nosso país, número que coloca o Brasil entre os três primeiros desse perverso ranking mundial. E a Covid continua ceifando vidas entre nós – cerca de 150 todo dia.

O planeta também vive um cenário de fome. Só no Brasil, que voltou ao mapa mundial da fome no governo Bolsonaro, a insegurança alimentar afeta mais de 31 milhões de pessoas. Isso num país que é um dos três maiores exportadores mundiais de alimentos.

E quanto à guerra, também vivemos, hoje em dia, essa aterrorizante realidade. A guerra da Ucrânia é talvez a mais lembrada por nós, até porque acontece num país de raça branca e afeta o nosso dia a dia, a nossa economia, mas também se arrastam conflitos sangrentos no Iêmen, Etiópia, Síria, Mianmar, Haiti e Afeganistão. Além desses, grupos de militantes islâmicos se voltam cada vez mais para os países africanos, onde frequentemente têm ocorrido matanças, como é o caso do Mali, Níger, Burkina Faso, Somália, Congo e Moçambique. Mais do que nunca, pelo visto, estamos necessitando da proteção do Mártir Santo.

São Sebastião é muito venerado em todo o Brasil, onde centenas de cidades o têm como padroeiro. No Ceará, são oito: Itapipoca, Apuiarés, Choró, Ipu, Monsenhor Tabosa, Mulungu, Nova Olinda e Pedra Branca.

Como se viu, São Sebastião foi exemplo de coragem, perseverança, e profunda e verdadeira fé. Como santo guerreiro, é inspiração para os que, atualmente, utilizando-se de outras armas, como o voto e a resiliência democrática, lutam conta o fascismo e resistem à pregação dos falsos messias. O povo brasileiro acaba de colher uma importante vitória nessa cruzada, que frustrou o projeto nazifascista e neutralizou a sanha golpista daqueles que propunham a volta da ditadura. Ditadura que tanta dor e tanto sofrimento espalhou no seio de nossa família e de toda a família brasileira. 

Por isso, o oratório de São Sebastião será, neste sítio, um marco onde se guardará a lembrança das flechadas lançadas contra familiares e amigos nossos, que, sem renunciar aos seus princípios, sofreram no calabouço, nas salas de tortura e nas encruzilhadas do exílio.  

Em nome da família Cavalcante Gurgel, agradeço a presença de todos os que vieram rezar conosco e partilhar esse momento de reencontro, justo na ocasião em que o nosso país experimenta uma vigorosa e maravilhosa sensação de alívio. 

Viva o Mártir Santo! Viva o Brasil! Viva a reconquista da paz e da democracia!

Texto e pesquisa  de ITALO GURGEL, Professor, Jornalista e Orquidófilo













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