Aprendi com João Murilo: “a
criança é o melhor professor”.
Quero pedir licença ao diretor deste site, aos meus permanentes
leitores e aos que, por acaso, me vão ler hoje, para a abordagem que vou fazer
neste meu Comentário, todo particular e especial. É que, amanhã, meu “neto”, João
Murilo, completa 15 anos.
Como
os coleguinhas dele, no Infantil III, o ouviam, chamando-me “vovô” e se admiravam, certamente
alguém poderá assustar-se agora, igualmente às crianças da Escola: “como ele é teu avô, se Padre não tem filho”?
Eu explico.
A
distância entre nossas idades (82 e 15 anos) nos permite o tratamento de “avô e
neto” como nos comportamos.
Ao
retornar ao Ceará, depois de 40 anos em Pernambuco, procurei readaptar-me à
minha família, à Diocese e ao clero de Sobral e à minha terra, Bela Cruz. Aqui,
tomei contato com a Escolinha KK, que pertencia a uma de minhas irmãs, D. Tetê,
mãe de uma filha, portadora de necessidades especiais.
Estimulada
pela mãe, que se especializou na Psicologia Infantil, de Jean Piaget, para
educar a filha, o mais corretamente possível, a KK se sentia e agia como se
fosse a Diretora: recreava com as crianças e mantinha certa autoridade sobre elas,
porque era grande, porte de adulta e se sobressaia com todo o respeito da
garotada, até os 50 anos, quando faleceu.
Numa
das formaturas do ABC, ouvi a minha irmã, diretora da Escolinha, falar algumas
frases interessantes, que começavam assim: “o melhor alimento do mundo”... “o
melhor meio de transporte”... “a melhor diversão do mundo”... e outras “melhores
coisas” completavam o elenco da falante diretora. Mas uma frase que permaneceu
em mim, foi ela dizer: “o melhor professor do mundo é a criança”. Estávamos no final de 2002/2003 quando
escutei a frase lapidar.
Em
15 de janeiro de 2008, nasceu o João Murilo. Eu havia apoiado e acompanhado a
gravidez da mãe solteira, minha sobrinha neta, e me propus a criá-lo, logo que
passasse o tempo da amamentação. E assim o fiz.
Na
convivência com ele, comecei a aprender muito, por exemplo: a não dizer, nem
deixar que outros dissessem, palavras inconvenientes diante dele. Ele chamava a
sua Madrinha - que cuida dele, desde pequenino - de “mamá”, levando os
familiares a tratarem-na do mesmo modo. Ele me chama de “vovô” e os de casa
também o imitam. Tudo o que tenho de organizado, metódico, seguidor de horário
ou alguma outra virtude que eu tenha, ele se espelha e vai praticando também.
Graças a Deus ele não me imita em meus erros.
Com
apenas 15 anos, já entende de computação, de pesquisas na Internet, de enviar correspondências
pelo Google e tem-me ajudado muito no uso do computador que é o instrumento de
comunicação mais usado, que o pobre ‘avô’ não foi preparado para isso. Vamo-nos
completando mutuamente
Eu
lhe digo não ter sido criado ou orientado para usar tais recursos, mas é esta a
linguagem do momento: para estudar, aprender, comprar, vender, negociar, comprar
passagem, rastrear o produto, a pessoa que viaja, traduzir das várias línguas,
depositar e sacar dinheiro em banco, pagar conta ou doar sem pegar em dinheiro,
enfim, quem não souber fazer essas transações, estará perdido. Esta é a
linguagem de hoje em dia e a gente tem que estar bem-informado e muito
preparado para caminhar daqui pra frente.
Desde seus 04/05 anos de idade faz Karatê. Tem
já umas 60 medalhas de ouro, prata e bronze e alguns troféus e diplomas. Nos
dias 10 e 11 de Dezembro do ano passado, foi graduado com a faixa preta – 1º
Dan, depois de um dia de instrução teórica e um dia de prática e competição, em
Fortaleza.
O fato é que, sua presença
em minha casa e em minha vida está me dando uma quantidade a mais de anos e uma
qualidade maior na minha convivência com as pessoas. Até atingir os meus 40
anos de Padre, sem a presença dele, fui um tanto intolerante para com as
crianças e reclamava de sua presença com choros na Igreja, por exemplo, pedindo
aos pais para ajudar na disciplina deles e no controle de seus “ruídos”. No meu
contato com o João Murilo, com a sua presença nas minhas celebrações, com a sua
chegada ao altar, chamando-me “vovô”, às vezes, até gritando lá do meio da
Igreja, aprendi a ser tolerante, dar-lhe a devida atenção e a compreender
melhor as outras crianças, sem pôr vexame em seus pais. Comprovo, todo dia, a
máxima que ouvi de minha irmã: “a criança é o melhor professor”.
Com seus 03 anos de
idade, fomos com duas freiras amigas e a “mamá” ao aeroporto de Fortaleza para
ele ver aviões decolando ou aterrissando. O avião que chegava ia chamando-lhe a
atenção ao manobrar sobre o campo de pouso. Todos olhávamos para cima, seguindo
seus olhares para o “passarinho metálico”. Quando o avião desceu no início da
pista e caminhou no chão, ele, como que decepcionado com o que estava vendo,
apenas disse: “um carro! Um carro!”... e quis logo descer do braço da freira e
ir embora. O seu comportamento ou a sua naturalidade nos impressionaram.
Àquela época viajamos
de avião para Pernambuco. Parecia-lhe uma coisa normal. Lidou bem com os sinais
luminosos, com os fones de ouvido, as mudanças de canais, o uso da mesinha para
alimentação e quis entrar na cabine dos pilotos e entrou com sua madrinha, até
fazendo fotografias. Os passageiros se admiravam da versatilidade da criança,
até mesmo antes de entrar no avião, ao brincar abrindo e fechando as portas
automáticas do Aeroporto. Paravam para vê-lo se divertindo no abre e fecha das
portas.
Mas, o João Murilo não
foi somente este menino genial. Ele cresceu: no tamanho (1,80m), na sabedoria
(concluiu o fundamental II), na idade (15 anos), no esporte (é faixa preta, 1º
Dan de Karatê), participando e conquistando medalhas (ouro, prata e bronze) em
competições internacionais, nacionais, estaduais e regionais, sempre com divulgação
na imprensa falada e escrita e recebido com foguetes, faixas e refrigerantes na
casa de seu Vovô Padre onde
seus familiares, amigos, admiradores e colegas o acolhem com muita alegria.
No dia 04 de Agosto de
2018, eu completei 50 anos de Padre. Ele me saudou no banquete de
confraternização, que reuniu cerca de 400 convidados, com palavras a que já me
referi neste Comentário e com elas encerro por hoje:
Boa noite a todos! Eu
me chamo João Murilo. Sou campeão de Karatê. Moro com essa pessoa tão boa que
estamos homenageando hoje. Muitos dos
meus colegas de sala perguntam: “como ele pode ser seu avô se Padre não pode
ter filho”? Aí eu respondo que ele não é meu avô, e sim, meu tio bisavô. Eu me
acostumei a chamá-lo de vovô porque ele brinca comigo desde os meus primeiros
aninhos e só um vovô muito bom faz isso. E ainda faz mais: quando eu ou minha
madrinha Goretti – a quem chamo de Mamá – precisamos ir à Escola, à academia de
Karatê, ao médico ou a qualquer outro lugar, mesmo para viajar ou nos
divertirmos, ele nos leva sem reclamar. Eu o amo muito e ele me ama; e é por
tudo o que ele faz por mim que eu agradeço a ele e peço a Deus que lhe dê muita
saúde e muitos dias de vida. Parabéns, Vovô pelos seus 50 anos de Missão
Sacerdotal. Um forte abraço de seu “neto”. João Murilo.
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