50 ANOS DEPOIS, REENCONTRO COM EXILADOS CEARENSES
No final de abril do ano passado, participei de
um Encontro Virtual – ou de uma “live”
– com o Dr. João de Paula e o Prof. Leunam Gomes, sob o título de
“Diálogos
pela Democracia” - com a participação “ao vivo” de vários internautas -
sobre nossas andanças pela Europa, visitando exilados políticos da ditadura
militar. Recordamos nomes de brasileiros refugiados, à época, e de estrangeiros,
através de Instituições a que pertenciam ou em particular, que tanto
contribuíram para que nossos patrícios se sentissem melhores, longe da terra
amada.
Nesta Semana – entre 10
e 14 – vamos participar de um novo Encontro, agora, presencial, contando com
amigos, de fora ou de dentro, para darmos continuidade, nestes novos tempos, aos
nossos diálogos pela democracia.
Naquele Encontro
Virtual de Abril referimo-nos a Amigos da Anistia Internacional (leigos e
religiosos) e à Comissão Cearense
Wanda Sidou, Especial pela Anistia, que tem o Prof. Leunam como
Presidente, e outros componentes de sua equipe, pretendendo manter-nos em
contato e sonhando já com a possibilidade de nos reencontramos, pessoalmente. É
o que faremos agora, de terça a sábado da semana que entra.
Estes nossos Encontros
fazem parte do mínimo que se pode realizar, desde 2021, pelos 60 anos da
instituição da Anistia Internacional.
O que vem a ser
“anistia” em todos os seus “degraus”: internacional, nacional ou estadual como
aduzi acima?
Vem da palavra latina “amnestia”
que significa “esquecimento” ou mesmo
‘amnésia’ ou, ao longo do tempo, “o perdão coletivo concedido pelo soberano”. Em
1961, um advogado britânico – Peter Benenson – se indignou com a sentença de
sete anos de prisão para dois estudantes portugueses que gritaram, publicamente,
“viva
a liberdade”, em logradouro de Lisboa, ao tempo em que o Ditador,
Oliveira Salazar era o chefe político de Portugal.
Escreveu logo um artigo
intitulado ‘os prisioneiros esquecidos’,
convocou o povo para um Ato Público, em divulgação massiva, sugerindo o nome de
Anistia Internacional para a nascente Organização que seria baseada na defesa
da liberdade de pensamento e de expressão.
O famoso jurista inglês
estendeu o seu apelo a todos os governantes que, em qualquer país, tivessem
pessoas detidas por motivos de consciência, incluindo convicções políticas e
religiosas, preconceitos raciais ou linguísticos.
Do dia 28/05/1961, para
cá, começou a existir a Organização da Anistia Internacional, composta de
advogados, escritores e editores de Londres que compartilhavam da forma de
pensamento do filósofo iluminista Voltaire: “eu detesto seus pontos de vista, mas estou preparado para morrer por
seu direito de expressá-los”.
Nestes mais de 60 anos,
a Anistia, em todos os níveis, escolheu alguns pilares para sua organização,
avaliando sempre a sua condução e objetivos:
01. Trabalhar com
imparcialidade pela libertação dos presos, para que tenham suas opiniões
garantidas.
02. Buscar julgamentos justos e públicos.
03. Aumentar o direito de asilo e ajudar refugiados.
04. Criar mecanismos internacionais suficientes
para garantir a liberdade de expressão.
Três anos depois da
fundação da Anistia Internacional, foi dado um golpe militar aqui no Brasil e o
regime se tornou ditatorial como o de Salazar. Nossa democracia foi-se pelo ar
de 1964 a 1985, sendo proibido mencionar a Anistia Internacional pela imprensa.
Tornei-me padre em 1968 e cinco anos depois, fui agraciado com uma bolsa de
estudos na Itália. Foi quando tomei conhecimento e me aprofundei no contato com
a Anistia Internacional e com refugiados brasileiros pelos vários países
europeus, como falei naquela “live”.
Neste próximo contato
presencial, por três/quatro dias, vou rever um casal de amigos alemães que, de
longa data conhece o Brasil por trabalho voluntário, aqui realizado, e pelo
apoio dado a refugiados brasileiros, quando foram expulsos pela ditadura e
precisavam de ajuda da Anistia Internacional para quem o nosso casal amigo
trabalhava. Além de falar português, ainda serviam de intérpretes nos contatos
com os serviços burocráticos alemães.
Em qualquer estágio da
Anistia – internacional, nacional ou estadual - é sempre uma organização não
governamental que defende os direitos humanos. Ela conta hoje com mais de sete
milhões de apoiadores em todo o mundo, realizando pesquisas e gerando ações
para prevenir e acabar com graves abusos contra os direitos humanos e exigir
justiça para aqueles cujos direitos foram violados.
É este o lema que
resume a ação da Anistia ou o seu propósito de defender os direitos humanos: “é
melhor acender uma vela do que maldizer a escuridão”.
O nosso Ceará faz parte
dessa história da Anistia, ao ter entre seus filhos, uma guerreira, advogada e defensora
de presos políticos cearenses, que dá nome à Comissão Especial pela Anistia:
Wanda Sidou.
Representantes dessa
Comissão, sobretudo na pessoa do seu Presidente, Professor Leunam Gomes,
estarão presentes em nosso Encontro. Lembramos que ela nasceu em 1921. Atuou
como advogada e militante política até o seu falecimento, em decorrência de
câncer, em 1993, com 72 anos.
Defendeu,
gratuitamente, muitos presos políticos, enfrentando tribunais. Seu nome, dado à
Comissão Especial pela Anistia, no Ceará, é muito merecido e a torna mais
inesquecível ainda. Tanto quanto outras mulheres, que se destacaram por toda
parte, como: Maria da Penha, Celeste Vidal, Nísia Floresta, Anita Garibaldi,
Maria da Conceição Tavares, Rosa Fonseca, Maria Luíza Fontenele e tantas
outras que se comprometeram com a fé e o social, sempre na defesa dos Direitos
Humanos.
Devo colocar também
neste meio, homens como Miguel Arrais, Brizola, Francisco Julião, Paulo
Freire, D. Helder, o Presidente Lula e tantos outros que não se cansaram em
dar voz e vez ao povo na defesa dos seus direitos.
Estamos saindo de uma
situação política desastrosa, negacionista, que nunca devíamos tê-la enfrentado.
Devemos ter aprendido a lição. A posse do presidente Lula foi uma prova de que
o povo é capaz de promover alegria, bem-estar, beleza e arte, de maneira limpa,
decente, respeitosa, sem agressões, truculência, palavrões, mas com muita
mensagem, felicidade, confraternização e
união entre todos.
Quantas vezes ouvimos D. Helder dizer: “quando dou comida aos pobres, me chamam de santo. Quando pergunto por que eles são pobres, chamam-me de comunista”. Não foi assim que sempre trataram os que lutaram na defesa dos Direitos Humanos? É assim que pensam sobre Anistia.
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