LEMBRANÇAS DO PASSADO E COMEMORAÇÕES NO PRESENTE
Sempre que tenho motivos de mais alegria por celebrar
acontecimentos ou festividades mais intensos em minha vida, eu os comento aqui,
para que mais gente se una a mim e se solidarize comigo em ocasiões tão
especiais.
Foi o que se deu nos dois últimos finais de semana: no dia 07, comentando o que iria realizar-se no aprazível e acolhedor Centro de Vivencias Raio de Sol na praia de Quixaba, Município de Aracati, entre Canoa Quebrada e Majorlândia; e no dia 14, véspera da comemoração dos 15 anos de “meu neto” João Murilo, na Fazenda Santa Maria, no Município de Bela Cruz.
Quanto ao Encontro da
semana anterior, a Coluna Primeiro
Plano, que tem a assinatura do Professor Leunam Gomes, o intitula como
“um reencontro histórico que,
cerca de 50 anos depois, reuniu amigos que se conheceram no exílio, na Europa,
foragidos pela ditadura militar, embora acolhidos pela Anistia Internacional ou
por voluntários que se dispuseram em atendê-los”.
À época, eu estava lá,
com eles, sempre acompanhado de um colega e irmão no sacerdócio, Padre José
Maria, que já está com Deus. No Encontro de Quixaba, eu estive presente,
fisicamente, embora o Padre Zemaria tivesse sido lembrado, o tempo todo,
pela saudade, pelo seu testemunho e pelas inúmeras cartas que ele dirigia aos
exilados, de qualquer país onde estivesse. Todas essas correspondências foram entregues
ao Professor Leunam para que ele possa sistematizá-las, organizar seus
conteúdos e dar-lhes uma forma literária para uma possível divulgação que
historie o exílio de cada um e o alento que tinham através de pessoas ou de
instituições solidárias.
Entre estas, estava o
casal alemão, Fred e Bárbara que, dentre outros voluntários alemães,
moraram no Nordeste Brasileiro ao tempo em que a ditadura acontecia, fazendo-os
não só conhecer os horrores do regime militar, como também, ao voltarem, se
solidarizarem com os brasileiros que, lá fora, sofriam a solidão e os horrores
do exílio e muito fizeram por eles.
Além de lhes prestarem
assistência oficial, pela Anistia Internacional, ainda lhes ajudavam, pessoalmente,
providenciando soluções práticas para problemas de adaptação, interpretação da
língua, diálogo entre órgãos oficiais, enfim, Fred e Bárbara, Gabriela e outros
alemães que sabiam bem as duas línguas, ajudaram, fraternalmente, a brasileiros
que tinham dificuldades de comunicação ou de adaptação em terras estrangeiras.
Outro assunto que muito
nos tocou no “Reencontro de Quixaba”
foi a recordação do Frei Tito de Alencar e sua morte. Já havíamos feito sua
memória, em abril do ano passado, numa “live”,
que reuniu o Dr. João de Paula, o Prof. Leunam e Eu, em Diálogos pela Democracia, numa promoção da Comissão Especial pela Anistia: Wanda Sidou.
Como eu estava em Roma - à época: 10 de Agosto de 1974 – falei sobre algum
detalhe daquele óbito que não fora ainda divulgado. Neste encontro - agora,
presencial - falei de novo sobre a morte de Frei Tito, dizendo que ele não “se
suicidou” como foi divulgado. Ele “foi suicidado”. Ele foi “levado ao suicídio”.
Será que as torturas,
os choques elétricos: na língua (dizendo ser a comunhão), no ânus ou no pênis,
ou os ‘telefonemas’ i.é, as
palmadas com as duas mãos nos dois ouvidos, até estourarem, ou os tratamentos
grosseiros dos “Fleuris”, da Oban, do DOPS ou dos demais torturadores ou formas
de torturas não o levaram ao desespero e a sentir que era melhor morrer? Foi
consciente o seu “suicídio” ou ele “foi suicidado” ou “levado ao suicídio”?
Darei mais um argumento,
com certa tristeza; mas, o farei.
Quando o Frei Tito foi
banido do Brasil, em dezembro de 1970, incluído na lista de presos políticos,
trocados pelo embaixador suíço Giovanni Bucher, pelo ditador Médici, seguiu
para o Chile e depois pra Itália. Em Roma, procurou o Colégio Pio Brasileiro,
onde só habitavam brasileiros. Todos falavam português e italiano, onde ele não
teria muita dificuldade de comunicação. Mas os padres jesuítas se recusaram em
recebê-lo, alegando ser ele, comunista. Dá pra entender? Foi então para um
Convento dos Padres Dominicanos, em Lyon, na França. Não sabia francês, não
ouvia bem, pelos ouvidos estourados. Como aprender outra língua? Haja
sofrimento! Escondia-se de tudo e de todos. Subia nas árvores mais altas e por
lá se refugiava.
Submeteu-se a um
tratamento psiquiátrico e foi piorando, até o gesto fatal, aos 10 de agosto de
1974. Foi isto um “suicídio” ou desespero? Foi ele o causador de sua morte ou
há muitos atores em seu lugar?
E mais ainda: quando
chegou a notícia de sua morte em Roma, os mesmos Padres Jesuítas - que dirigiam
o Colégio Brasileiro - discordaram da concelebração que os colegas fizemos,
alegando ser ele um suicida. Coitado! Outrora, ‘comunista’. Agora, ‘suicida’.
Os ‘ditadores’ ficaram
isentos. Anistiados.
O que sobrou para o meu
neto? O João Murilo teve um fim de semana cheio de alegrias e de comemorações
pelos seus 15 anos, com familiares, amigos e caratecas que participaram de uma
Santa Missa em Ação de Graças, presidida pelo seu vovô Padre, com mensagens, as
mais carinhosas, emoções, lágrimas, muita música e farta alimentação. Uns 90
convidados encheram os alpendres, corredores e áreas de lazer da Casa da
Fazenda Santa Maria, herança de seu trisavô, Doca Rocha, sob a
coordenação de seus tios bisavós Fábio e Patrícia e o primo Rafael,
Pio e Marlene e a prima Maria Eduarda, Zuzuis, Gracinha e Celina,
sua madrinha e mãe do coração, Maria Goretti, coordenadora de todo o
evento, Professor Rivelino e Jéssica com o primo João Airton, Itamar
Júnior e Mayane, Kátia Ratts, mãe do Delano e sogra da Milani (pais
de Sofia e Miguel), Zé Estênio e Hedi, os Pais do aniversariante: José
Gerardo Júnior e Sâmia Mara, com seus respectivos familiares (pais e
irmãos), o Professor Renato Innecco, sócio do tio Fábio, na Fazenda, ambos,
engenheiros agrônomos, onde fazem excelente trabalho de pesquisas com plantas
medicinais na produção de óleos, perfumes, sabonetes, pomadas, inseticidas e
estão transformando o solo e sua produção agrícola.
Alguns proprietários
vizinhos, amigos de longa data, também foram convidados e marcaram presença: Vicente
Tomé e Dona Maria, Compadre Xico e Comadre Cleonice, Professores Alexandre
Bessa e Sandra Cordeiro, Radialista Edilson Sampaio e Rafael/colo de mãe, José
Miguel - Dona Graças e Ana Maria Santos, coirmã de Goretti e muitos outros
amigos e amigas que seria impossível enumerá-los. A todos, indistintamente, nosso
Muito Obrigado!
Depois do almoço,
quando o sol estava mais frio, os “faixa
preta/1º Dan” João Murilo (15) e seu colega Karateca, Cauã Cézar (16),
fizeram algumas demonstrações de Katá, no Terreiro da Fazenda, sob os olhares e
os aplausos de todos. Muitos dos convidados se foram retirando, sobretudo os
que iam para Fortaleza, seguidos por outros de lugares mais próximos, antes do
anoitecer.
Permanecemos os de
casa, até a manhã da 2ª feira, quando também nos fomos, já com uma promessa de
reencontro no Carnaval e Semana Santa.
De minha parte, foi só alegria pelas homenagens feitas ao meu neto e filho do coração de Goretti. Da parte dele, foi só gratidão a todos, falando de improviso, com mensagem de princípio, meio e fim que a todos encantou.
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