sábado, 21 de janeiro de 2023

O COMENTÁRIO DA SEMANA

 

 

LEMBRANÇAS DO PASSADO E COMEMORAÇÕES NO PRESENTE

Sempre que tenho motivos de mais alegria por celebrar acontecimentos ou festividades mais intensos em minha vida, eu os comento aqui, para que mais gente se una a mim e se solidarize comigo em ocasiões tão especiais.

 Foi o que se deu nos dois últimos finais de semana: no dia 07, comentando o que iria realizar-se no aprazível e acolhedor Centro de Vivencias Raio de Sol na praia de Quixaba, Município de Aracati, entre Canoa Quebrada e Majorlândia; e no dia 14, véspera da comemoração dos 15 anos de “meu neto” João Murilo, na Fazenda Santa Maria, no Município de Bela Cruz.

Quanto ao Encontro da semana anterior, a Coluna Primeiro Plano, que tem a assinatura do Professor Leunam Gomes, o intitula como “um reencontro histórico que, cerca de 50 anos depois, reuniu amigos que se conheceram no exílio, na Europa, foragidos pela ditadura militar, embora acolhidos pela Anistia Internacional ou por voluntários que se dispuseram em atendê-los”.

À época, eu estava lá, com eles, sempre acompanhado de um colega e irmão no sacerdócio, Padre José Maria, que já está com Deus. No Encontro de Quixaba, eu estive presente, fisicamente, embora o Padre Zemaria tivesse sido lembrado, o tempo todo, pela saudade, pelo seu testemunho e pelas inúmeras cartas que ele dirigia aos exilados, de qualquer país onde estivesse.  Todas essas correspondências foram entregues ao Professor Leunam para que ele possa sistematizá-las, organizar seus conteúdos e dar-lhes uma forma literária para uma possível divulgação que historie o exílio de cada um e o alento que tinham através de pessoas ou de instituições solidárias.

Entre estas, estava o casal alemão, Fred e Bárbara que, dentre outros voluntários alemães, moraram no Nordeste Brasileiro ao tempo em que a ditadura acontecia, fazendo-os não só conhecer os horrores do regime militar, como também, ao voltarem, se solidarizarem com os brasileiros que, lá fora, sofriam a solidão e os horrores do exílio e muito fizeram por eles.

Além de lhes prestarem assistência oficial, pela Anistia Internacional, ainda lhes ajudavam, pessoalmente, providenciando soluções práticas para problemas de adaptação, interpretação da língua, diálogo entre órgãos oficiais, enfim, Fred e Bárbara, Gabriela e outros alemães que sabiam bem as duas línguas, ajudaram, fraternalmente, a brasileiros que tinham dificuldades de comunicação ou de adaptação em terras estrangeiras.

Outro assunto que muito nos tocou no Reencontro de Quixaba” foi a recordação do Frei Tito de Alencar e sua morte. Já havíamos feito sua memória, em abril do ano passado, numa “live”, que reuniu o Dr. João de Paula, o Prof. Leunam e Eu, em Diálogos pela Democracia, numa promoção da Comissão Especial pela Anistia: Wanda Sidou. Como eu estava em Roma - à época: 10 de Agosto de 1974 – falei sobre algum detalhe daquele óbito que não fora ainda divulgado. Neste encontro - agora, presencial - falei de novo sobre a morte de Frei Tito, dizendo que ele não “se suicidou” como foi divulgado. Ele “foi suicidado”. Ele foi “levado ao suicídio”.

Será que as torturas, os choques elétricos: na língua (dizendo ser a comunhão), no ânus ou no pênis, ou os ‘telefonemas’ i.é, as palmadas com as duas mãos nos dois ouvidos, até estourarem, ou os tratamentos grosseiros dos “Fleuris”, da Oban, do DOPS ou dos demais torturadores ou formas de torturas não o levaram ao desespero e a sentir que era melhor morrer? Foi consciente o seu “suicídio” ou ele “foi suicidado” ou “levado ao suicídio”?

Darei mais um argumento, com certa tristeza; mas, o farei.

Quando o Frei Tito foi banido do Brasil, em dezembro de 1970, incluído na lista de presos políticos, trocados pelo embaixador suíço Giovanni Bucher, pelo ditador Médici, seguiu para o Chile e depois pra Itália. Em Roma, procurou o Colégio Pio Brasileiro, onde só habitavam brasileiros. Todos falavam português e italiano, onde ele não teria muita dificuldade de comunicação. Mas os padres jesuítas se recusaram em recebê-lo, alegando ser ele, comunista. Dá pra entender? Foi então para um Convento dos Padres Dominicanos, em Lyon, na França. Não sabia francês, não ouvia bem, pelos ouvidos estourados. Como aprender outra língua? Haja sofrimento! Escondia-se de tudo e de todos. Subia nas árvores mais altas e por lá se refugiava.

Submeteu-se a um tratamento psiquiátrico e foi piorando, até o gesto fatal, aos 10 de agosto de 1974. Foi isto um “suicídio” ou desespero? Foi ele o causador de sua morte ou há muitos atores em seu lugar?

E mais ainda: quando chegou a notícia de sua morte em Roma, os mesmos Padres Jesuítas - que dirigiam o Colégio Brasileiro - discordaram da concelebração que os colegas fizemos, alegando ser ele um suicida. Coitado! Outrora, ‘comunista’. Agora, ‘suicida’. Os ‘ditadores’ ficaram isentos. Anistiados.

O que sobrou para o meu neto? O João Murilo teve um fim de semana cheio de alegrias e de comemorações pelos seus 15 anos, com familiares, amigos e caratecas que participaram de uma Santa Missa em Ação de Graças, presidida pelo seu vovô Padre, com mensagens, as mais carinhosas, emoções, lágrimas, muita música e farta alimentação. Uns 90 convidados encheram os alpendres, corredores e áreas de lazer da Casa da Fazenda Santa Maria, herança de seu trisavô, Doca Rocha, sob a coordenação de seus tios bisavós Fábio e Patrícia e o primo Rafael, Pio e Marlene e a prima Maria Eduarda, Zuzuis, Gracinha e Celina, sua madrinha e mãe do coração, Maria Goretti, coordenadora de todo o evento, Professor Rivelino e Jéssica com o primo João Airton, Itamar Júnior e Mayane, Kátia Ratts, mãe do Delano e sogra da Milani (pais de Sofia e Miguel), Zé Estênio e Hedi, os Pais do aniversariante: José Gerardo Júnior e Sâmia Mara, com seus respectivos familiares (pais e irmãos), o Professor Renato Innecco, sócio do tio Fábio, na Fazenda, ambos, engenheiros agrônomos, onde fazem excelente trabalho de pesquisas com plantas medicinais na produção de óleos, perfumes, sabonetes, pomadas, inseticidas e estão transformando o solo e sua produção agrícola.

Alguns proprietários vizinhos, amigos de longa data, também foram convidados e marcaram presença: Vicente Tomé e Dona Maria, Compadre Xico e Comadre Cleonice, Professores Alexandre Bessa e Sandra Cordeiro, Radialista Edilson Sampaio e Rafael/colo de mãe, José Miguel - Dona Graças e Ana Maria Santos, coirmã de Goretti e muitos outros amigos e amigas que seria impossível enumerá-los. A todos, indistintamente, nosso Muito Obrigado!

Depois do almoço, quando o sol estava mais frio, os “faixa preta/1º Dan” João Murilo (15) e seu colega Karateca, Cauã Cézar (16), fizeram algumas demonstrações de Katá, no Terreiro da Fazenda, sob os olhares e os aplausos de todos. Muitos dos convidados se foram retirando, sobretudo os que iam para Fortaleza, seguidos por outros de lugares mais próximos, antes do anoitecer.

Permanecemos os de casa, até a manhã da 2ª feira, quando também nos fomos, já com uma promessa de reencontro no Carnaval e Semana Santa.

De minha parte, foi só alegria pelas homenagens feitas ao meu neto e filho do coração de Goretti. Da parte dele, foi só gratidão a todos, falando de improviso, com mensagem de princípio, meio e fim que a todos encantou.



 


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