O SEMINÁRIO
DE OLINDA:
NOVA
MANEIRA DE ESTUDAR, PARA ENSINAR, A NOVA MANEIRA DE PENSAR.jpg)
Nasceu no Castelo de seus pais, Landulfo e Teodora, no século XIII, por volta de 1225, no Condado de Aquino, Reino da Sicília, na Itália, hoje Região do Lazio. Seu pai era Cavaleiro das hostes militares, mas sua mãe era do ramo Rossi Caracciolo, de nobre família napolitana.
Sinibaldo, irmão de Landulfo, era abade do mosteiro beneditino de Monte Cassino e inspiração para o sobrinho seguir uma carreira religiosa que tanto honraria a nobre família do sul da Itália. Logo cedo, com apenas 05 anos, Tomás foi encaminhado para lá, mas não durou muito, pois surgiu um conflito entre o Imperador Frederico II e o papa Gregório IX que atropelou o Mosteiro e sua vida monástica, indo Tomás, agora com 14 anos, para a Universidade, em Nápoles, criada pelo próprio Frederico II. Ali ele foi introduzido em estudos sobre Aristóteles, Averróis, Maimônides e outros importantes influenciadores para sua filosofia teológica. Entre estes, recebeu grande influência de João de São Justino, um pregador da ordem de São Domingos, que mexeu com a cabeça do jovem Tomás. Estava com 19 anos e se sentiu atraído para mudar de ordem religiosa: deixou a congregação beneditina e abraçou a ordem dos Padres Dominicanos. Estes o enviaram logo pra Roma e de lá para Paris.
Sua vida foi muito curta para a obra que ele fez. Morreu aos 07 de março de 1274. Em tão pouco tempo deixou obras clássicas na filosofia e na teologia, sobretudo na tradição conhecida como Escolástica, que o fez ser chamado de “Doctor Angelicus”, “Doctor Communis”, e “Doctor Universalis”, tornando-o o mais importante proponente clássico da Teologia Natural. Sua influência no pensamento ocidental é considerável e muito da filosofia moderna foi concebida como desenvolvimento ou oposição de suas ideias, particularmente, na ética, lei natural, metafísica e teoria política.
As obras mais
conhecidas de São Tomás de Aquino, escritas em latim são a “Summa Theologiae” e a “Summa contra gentiles”. Todos os
sacerdotes, anteriormente, estudavam estas obras e as conheciam como ensinamento
oficial da Igreja. Também seus comentários sobre as Sagradas Escrituras e sobre
Aristóteles são parte importante de seu acervo literário que qualquer aluno do
Seminário que estudasse para obter as ordens sagradas, tinha que,
obrigatoriamente, ter conhecimento e prestar exames sobre elas.
Por tantos motivos, a Ordem Dominicana mantém uma Universidade em Roma, denominada ANGELICUM, em honra de São Tomás, o “Doctor Angelicus”, onde eu estudei e me formei em Sociologia e em Comunicação Social e outros colegas fizeram e fazem Filosofia, Teologia, História, Direito Canônico e outras matérias eclesiásticas, prestando um grande serviço à Igreja de todo o mundo. Não me arrependo de ter passado por lá, e de ter, ao estudar Sociologia, refletido e aprofundado com colegas latino-americanos, africanos e asiáticos, outra face da filosofia e da Teologia da Libertação, iniciada em Olinda com base nos profetas e reafirmada e legada por Jesus, o Filho de Deus.
Esta fundamentação da Teologia de São Tomás é a única maneira oficial aceita e ensinada pela Igreja, tanto que justificou a sua canonização para ser cultuado nos altares aos 28/01/1323. Se alguém se destina ao triplo degrau do sacerdócio – diaconato, presbiterato e episcopado - terá que pautar os seus estudos, obrigatoriamente, dentro dos esquemas filosófico e teológico de Santo Tomás. Ele é o modelo de Doutor da Igreja, declarado por Pio V, em 1568 e por Bento XV (1914-1922) como “mestre e patrono das Escolas Católicas”.
No início eu disse que este tema é “controverso”. Tentarei explicar. Até o início da década de 1960, a Teologia ensinada, divulgada e orientadora do pensamento oficial da Igreja em todo o Mundo, era o da Teologia de Santo Tomás de Aquino, a chamada Teologia Tomista ou Escolástica como falamos.
Com a realização do Concílio Ecumênico, a partir dos anos 60, o modo de ensinar Teologia - seus esquemas de estudo e aprendizagem - começou a variar daquele tradicional. Passou-se a enfocar melhor na Palavra de Deus que, desde o Antigo Testamento, abordava o tema da libertação, continuado por Jesus ao assumir nossa condição humana.
Ele mesmo, em Lucas, 4:18, cita Isaias, 6:1-2: “o Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me ungiu para pregar a boa-nova aos pobres. Ele me enviou para proclamar a liberdade aos presos e recuperação da vista aos cegos, para libertar os oprimidos”. E acrescentou Jesus: “hoje mesmo se cumpriu o trecho das Escrituras Sagradas que acabais de ouvir”.
No livro dos Salmos, 34:17, lemos: “os justos clamam, o Senhor os ouve e os livra de todas as suas tribulações”. No mesmo livro, já no Salmo 119:45, diz: “andarei em verdadeira liberdade, pois tenho buscado os teus preceitos”.
Só mais um pouco de Salmos: 18:19, “Ele me deu total libertação, livrou-me porque me quer bem”. Ou no 144:11: “dá-me libertação; salva-me das mãos dos estrangeiros, que têm lábios mentirosos e que, com a mão direita erguida, juram falsamente”. Está pouco ou precisa mais? Há inúmeros ainda. Vamos mais este, tirado de 2º Samuel, 22:20: “deu-me ampla liberdade; livrou-me, pois me quer bem”. E mais um, do 1º livro da Bíblia, Gênesis, 49:18: “ò Sr.! Eu espero a tua libertação”. No Novo Testamento, igualmente, muitas citações.
Durante a realização do Concílio Ecumênico, no Vaticano, eu estudava Filosofia e Teologia no Seminário Regional do Nordeste, em Olinda. Também o Leunam estudava lá. Recebíamos dos seus competentes Professores, a documentação, orientação e reflexão que os Padres Conciliares iam fazendo no Concílio e nos iam enviando, através de nossos bispos e de seus peritos, tudo o que deveria ser repassado aos alunos do Seminário de Olinda, como ensinamento, “quentinho”, chegado de Roma. Todas as disciplinas tinham por base, a nova maneira de estudar, para ensinar, a nova maneira de pensar.
Por toda a América Latina surgiam pensadores, peritos do Concílio e Teólogos que começaram a honrar o grupo dos teólogos com a maneira nova de pensar Teologia, à luz do Concílio Ecumênico e a alimentar os esquemas homiléticos de muitos pregadores. Aqui é que surgiram as “controvérsias” a que me referi, por todo o mundo, entre os que se mantinham pregando à moda tradicional, de um Deus distante, como a Teologia Escolástica, e os voltados para a Libertação, tão propagada pela Bíblia, no Antigo e Novo Testamentos, que o enfoque teológico libertador assumiu, com coragem, sua divulgação.
Disto, todos nós somos testemunhas. Políticos conservadores, católicos tradicionalistas, defensores da liturgia celebrada em latim e toda manobra para desfazer “o novo” e sobressair “o passado” tem tomado vulto na sociedade.

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