O diário, batizado de Kitty, se tornou uma
espécie de amiga e confidente de Anne já que a vida no esconderijo era
totalmente diferente da que a menina levava antes dele “O melhor de tudo é que ao menos posso escrever o que penso e sinto,
senão, ficaria completamente sufocada”. Diz um trecho do diário. Anne era
uma menina inteligente, articulada e que promoveu fortes reflexões sobre sua
personalidade e sobre o momento que estava vivendo. Anne Frank cria um laço e
uma intimidade muito forte com a sua amiga Kitty e, ao longo dos relatos
escritos, a garota se mostra mais intensa ao descrever seus segredos, suas
experiências e os seus pensamentos "Espero
poder confiar inteiramente em você, como jamais confiei em alguém até hoje, e
espero que você venha a ser um grande apoio e um grande conforto para
mim." (Anne Frank, 12 de junho de 1942).
Fica evidente que a transparência e a sinceridade
dos seus escritos permitiam lançar a construção de si mesma, uma vez que seu
diário implicava na revelação de uma verdade própria e, portanto, sincera.
Escrever era para Anne uma forma de não se sentir sufocada. Anne queria ser ela mesma, por isso muitas
vezes não era compreendida pelas pessoas que conviviam com ela no esconderijo,
pois a cada página preenchida, ela expõe o turbilhão de sentimentos que a
consomem e que nos mostra como é viver em uma realidade jamais esperada, mas
que se tornou a única forma possível de manter a sobrevivência em meio à
privação da liberdade “A maioria das
pessoas simplesmente não consegue compreender o que os livros significam para
nós, trancados aqui dentro. Ler, aprender e ouvir rádio são os nossos
divertimentos. (Anne, Frank 11 de julho de 1943).
Curiosamente, Anne nunca perdeu a
esperança e a alegria de viver, ela acreditava que tudo iria melhorar e fazia
planos para quando chegasse a liberdade: a menina sonhava em ser escritora. (...) Quero escrever e, mais do que isso,
quero trazer à tona tudo o que está enterrado bem fundo no meu coração.
(Sábado, 20 de junho de 1942.).
Infelizmente, Anne Frank não conseguiu sobreviver ao Holocausto e nem
realizar seu sonho de ser escritora. O pai, amigo, confidente e único sobrevivente
da família, sabendo o quanto a escrita significava para a filha, publicou O
Diário de Anne Frank, um dos livros mais lidos do mundo e que se tornou a
confirmação do humano em meio à guerra.
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