O BOM COMBATE DE UMA ACADEMIA DE LETRAS
“Estar decidido, acima de qualquer coisa, é o segredo do êxito” Henry Ford EUDES SOUSA(*)
A Academia Massapeense de Letras
e Artes vem multiplicando raízes e produzindo frutos. Metendo a broca e
começando a quebrar as resistências do ceticismo de alguns, do desânimo de
outros. Além, de vencer uma orquestrada pressão invejosa, inimiga da verdade.
Isso se deu com a persistência da luta. Daí em diante, travou-se consciente e
organizadamente o bom combate. Há dinamismo, intercâmbio entre os acadêmicos,
produtividade, estímulo aos valores intelectuais da comunidade.
Não podemos mais ignorar que a
Academia Massapeense de Letras e Artes supera um velho conceito acadêmico.
Antigamente, tinha-se a impressão de que ao entrar para uma Academia
deveríamos, de tempo em tempo, sacudir do espírito o mofo intelectual. Não é
mais um museu. É uma trincheira da cultura sem fronteira, fazendo intercâmbios,
com outras entidades culturais, a exemplo da
Rede Sem Fronteiras, sediada em Portugal.
Sem descurar a tradição
acadêmica, Academia Massapeense de Letras e Artes espelha o contexto cultural
de quebrar tabus. Segue-se o debate, que se marca por uma conciliação do antigo
com o novo e por um projeto, com a finalidade de promover o desenvolvimento da
cultura massapeense, cearense e brasileira.
ToIstoi aconselha pintar sua
província para ser universal. A Academia Massapeense de Letras e Artes traz
consigo a província nativa, a Massapê para dentro dela colocar o universo
cultural.
Por esse motivo, primeiro, é
preciso reconhecer que somos uma geração em arquipélago. Isto é, vivemos
isolados como pessoas. É como intelectuais que nos isolamos. Somos como as
árvores de casarão, que viveram e morreram de pé. Majestosamente de pé e fantasticamente
isoladas. Não temos vida de geração nem damos testemunho de geração. Uma
geração se encontra para estudar, se reúne para debater, se aglutina para
verificar, se coordena para promover, se defronta para discordar, se une para
contestar, se corporifica para enriquecer. Não existe isso que nós chamamos de
geração. Existem fulano, sicrano, beltrano, que escrevem isolados, que publicam
isolados, que peregrinam isolados. A
geração não passará porque não existe. Ficarão, sim, alguns nomes. Que
permanecerão isolados depois da morte, como estão isolados antes dela.
Precisamos promover encontros,
dias de estudos, mesmo que não fosse para debater, mas ao menos conhecermos a
estrutura ideológica uns dos outros, para tomarmos pé dos outros, para tomarmos
pé dos problemas que nos inquietam, dos anseios que nos empolgam. Daí possa
surgir um planejamento cultural fecundo para cada um de nós como indivíduos e
para todos como grupo, como geração. Apareceríamos com outra imagem aos olhos
de Massapê e aos nossos próprios olhos, já que estaríamos colocando fatos novos
na paisagem cultural do Ceará, fatos veementes, porque fatos grupais, não
solitários. Então a Academia Massapeense de Letras e Artes tem chance de se
universalizar. Faríamos então a experiência disso que nós chamamos de “atual
geração de intelectuais massapeense”.
Enfim, o bom combate, é aquele
sobre o qual o tempo aplica o selo de legítima aspiração social, jamais morre.
Pode sofrer abalos, sim, alguns duros golpes até, pode parecer sepulto, mas
continua vivo, como desses rios subterrâneos que encharcam a terra com sua humildade benfazeja, sem que saibamos que
correm sob nossos pés e nos alimentam.
Mal se pôs um ponto parágrafo nas
aspirações dos primeiros passos da Academia, a força dos propósitos motivou
muitos passos, dando continuidade a esta Academia que podemos chamar de frente
de batalha cultural pelo povo massapeense.
EUDES SOUSA - Jornalista,
historiador, crítico literário, membro do Instituto Histórico e Geográfico do
Maranhão e presidente da Academia Massapeense de Letras e Artes.jpg)
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