quinta-feira, 2 de março de 2023

IDEIAS & NOTICIAS

 

      O BOM COMBATE                       DE UMA  ACADEMIA DE LETRAS 

     “Estar decidido, acima de qualquer coisa, é o segredo do êxito”   Henry Ford                                                                                                                                        EUDES  SOUSA(*)       

A Academia Massapeense de Letras e Artes vem multiplicando raízes e produzindo frutos. Metendo a broca e começando a quebrar as resistências do ceticismo de alguns, do desânimo de outros. Além, de vencer uma orquestrada pressão invejosa, inimiga da verdade. Isso se deu com a persistência da luta. Daí em diante, travou-se consciente e organizadamente o bom combate. Há dinamismo, intercâmbio entre os acadêmicos, produtividade, estímulo aos valores intelectuais da comunidade.

Não podemos mais ignorar que a Academia Massapeense de Letras e Artes supera um velho conceito acadêmico. Antigamente, tinha-se a impressão de que ao entrar para uma Academia deveríamos, de tempo em tempo, sacudir do espírito o mofo intelectual. Não é mais um museu. É uma trincheira da cultura sem fronteira, fazendo intercâmbios, com outras entidades culturais, a exemplo da  Rede Sem Fronteiras, sediada em Portugal.

Sem descurar a tradição acadêmica, Academia Massapeense de Letras e Artes espelha o contexto cultural de quebrar tabus. Segue-se o debate, que se marca por uma conciliação do antigo com o novo e por um projeto, com a finalidade de promover o desenvolvimento da cultura massapeense, cearense e brasileira.

ToIstoi aconselha pintar sua província para ser universal. A Academia Massapeense de Letras e Artes traz consigo a província nativa, a Massapê para dentro dela colocar o universo cultural.

Por esse motivo, primeiro, é preciso reconhecer que somos uma geração em arquipélago. Isto é, vivemos isolados como pessoas. É como intelectuais que nos isolamos. Somos como as árvores de casarão, que viveram e morreram de pé. Majestosamente de pé e fantasticamente isoladas. Não temos vida de geração nem damos testemunho de geração. Uma geração se encontra para estudar, se reúne para debater, se aglutina para verificar, se coordena para promover, se defronta para discordar, se une para contestar, se corporifica para enriquecer. Não existe isso que nós chamamos de geração. Existem fulano, sicrano, beltrano, que escrevem isolados, que publicam isolados, que peregrinam isolados.  A geração não passará porque não existe. Ficarão, sim, alguns nomes. Que permanecerão isolados depois da morte, como estão isolados antes dela.

Precisamos promover encontros, dias de estudos, mesmo que não fosse para debater, mas ao menos conhecermos a estrutura ideológica uns dos outros, para tomarmos pé dos outros, para tomarmos pé dos problemas que nos inquietam, dos anseios que nos empolgam. Daí possa surgir um planejamento cultural fecundo para cada um de nós como indivíduos e para todos como grupo, como geração. Apareceríamos com outra imagem aos olhos de Massapê e aos nossos próprios olhos, já que estaríamos colocando fatos novos na paisagem cultural do Ceará, fatos veementes, porque fatos grupais, não solitários. Então a Academia Massapeense de Letras e Artes tem chance de se universalizar. Faríamos então a experiência disso que nós chamamos de “atual geração de intelectuais massapeense”.

Enfim, o bom combate, é aquele sobre o qual o tempo aplica o selo de legítima aspiração social, jamais morre. Pode sofrer abalos, sim, alguns duros golpes até, pode parecer sepulto, mas continua vivo, como desses rios subterrâneos que encharcam a terra com  sua humildade benfazeja, sem que saibamos que correm sob nossos pés e nos alimentam.

Mal se pôs um ponto parágrafo nas aspirações dos primeiros passos da Academia, a força dos propósitos motivou muitos passos, dando continuidade a esta Academia que podemos chamar de frente de batalha cultural pelo povo massapeense.

 

                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                         EUDES SOUSA - Jornalista, historiador, crítico literário, membro do Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão e presidente da Academia Massapeense de Letras e Artes


                                                                                              






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