Expoentes da Teologia da Libertação, fundamentados
no Antigo e Novo Testamento
No meu comentário de 14.01, pedi licença ao diretor deste site,
aos meus permanentes leitores e aos leitores que me leriam naquele dia, para a
abordagem particular ou especial que eu iria fazer. Meu “neto” faria 15
anos.
No meu último comentário, o do dia 28, arrisquei-me a dar um palpite sobre São Tomás de Aquino, pela celebração de seu dia litúrgico, fazendo um paralelo entre a sua visão teológica escolástica tradicional e a visão atual da Teologia da Libertação e suas controvérsias. Ensaiei um primeiro contato.
Dada
a aceitação e até o diálogo com alguns leitores, animei-me em completar a
reflexão iniciada, acrescentando às citações do Antigo Testamento outras do
Novo Testamento, a partir do próprio Jesus, o libertador maior.
Mas
o que vem a ser a Teologia da Libertação?
É
uma abordagem teológica cristã que enfatiza a libertação política dos
oprimidos, envolvendo análises socioeconômicas, sob a preocupação social com os
pobres.
O pontapé inicial, aqui
entre nós, foi dado pelo Teólogo Presbiteriano, Rubem Alves, com a obra, “Uma
Teologia da Esperança Humana” (1933-2014) – Tese de Doutorado, em Princeton, EEUU
- com grande influência no Brasil.
Seguiram-se-lhe
o Padre José Comblin, com a publicação da “Teologia da Revolução” ou a “Teologia
da prática Revolucionária” ao tempo em que lecionava no Instituto Teológico
de Recife – ITER – e na Bélgica, sua terra.
O
peruano, Padre Gustavo Gutierrez, da Congregação dos Padres Dominicanos,
a mesma de São Tomás de Aquino, com seu tratado de Teologia da Libertação. Ele é um dos fundadores da Teologia
na América Latina.
O
germânico-brasileiro Leonardo Boff, nascido em Santa Catarina aos
(14/12/1938) com a publicação de “Jesus
Cristo Libertador”. Foi de grande importância a sua forte colaboração no
campo dessa nascente Teologia, já que seu maior expoente, à época, era Rubem
Alves que estava exilado nos EEUU.
Poderíamos
acrescentar outros expoentes da Teologia da Libertação com
suas obras, mas o faremos em outras oportunidades, se interessar aos nossos
leitores. De relance, só para despertar a curiosidade, poderíamos falar sobre: Antônio
Batista Fragoso, Camilo Torres, Carlos Mesters, Clodovis Boff, Ernesto
Cardenal, Frei Betto (também dominicano), Hugo Assmann, Ivone Gebara, João
Batista Libânio, Jon Sobrino, Juan Luís Segundo, Marcelo Barros, Pedro
Casaldáliga, Paulo Evaristo Arns, Santo Dias, Tito de Alencar Lima (outro
dominicano) e tantos outros.
Têm-se
sucedido, em diferentes partes do Mundo - incluindo Américas, África e Ásia -
alguns Fóruns Mundiais de Teologia da Libertação, algumas vezes, juntamente com
Fóruns Sociais Mundiais, reunindo 100, 120 Teólogos de diversas tradições
religiosas, com o objetivo de promover o diálogo entre as religiões e as
práticas sociais.
O
método de tais encontros, com visões teológicas diferenciadas, não parte da
Revelação ou da Tradição Eclesial da Teologia Tomista ou escolástica mas parte
da interpretação da realidade da pobreza e exclusão, e do compromisso com a
libertação para fazer a reflexão teológica e convidar à ação desta mesma
realidade.
Quando
a revelação teológica libertadora apareceu, foram aparecendo também
interpretações artísticas, teatrais, musicais e culturais, sobretudo pela MPB,
de protesto, no Brasil, que chegava ao Mundo todo. Como esquecer “Carcará”
do maranhense João do Vale, que unia a teoria à prática teológica?!
Você
duvida? Lembra-se da introdução à música “Carcará”, por Nara Leão ou Bethânia?
“Glória a Deus, Senhor nas alturas”! (Pura
teologia tomista). “E viva eu de amargura
na terra do meu Senhor”! (Pura teologia da libertação).
No
meu comentário do último sábado, eu me referia a Jesus, citando Isaías, 6:1-2,
em Lucas, 4:18 e dizendo: “o Espírito do
Senhor... me enviou para proclamar a liberdade aos presos... para libertar os
oprimidos” , e ainda acrescentava: “hoje
mesmo se cumpriu o trecho das Escrituras Sagradas que acabais de ouvir”.
Além de citar outros textos do Antigo Testamento, prometi para hoje, trazer
mais alguns do Novo Testamento para mostrar que o desejo de libertação era
bíblico e deveria ser divulgado e ensinado. Nada a temer.
No
Evangelho de Mateus 11:28 lê-se: “venham
a mim, todos os que estão cansados e sobrecarregados e eu darei descanso a
vocês”.
Já
o evangelista João 8:32 e 36, respectivamente diz: “conhecereis a verdade, e ela vos libertará” e ”se o Filho vos libertar, sereis de fato, livres”.
São Paulo, escrevendo em 2ª Coríntios
3:17, ensina: “o Senhor é o Espírito e
onde está o Espírito do Senhor, ali há liberdade”.
Ainda
São Paulo, agora aos Gálatas 5:13: “Irmãos,
vocês foram chamados para a liberdade; mas não usem a liberdade para dar
ocasião à vontade da carne; ao contrário, sirvam uns aos outros mediante o
amor”.
Por
fim, mais uma vez, São Paulo, brada aos Colossenses 1:13-14: “Deus nos resgatou do domínio das trevas e
nos transportou para o Reino de seu Filho amado, em quem temos a redenção, a
saber, a libertação dos pecados”. E para encerrar, mais um texto de São
Paulo, agora aos Romanos 10:9-10: “o
primeiro passo para ser liberto é crer em Jesus e o aceitar como seu salvador”.
Tantos
textos, citados no Comentário passado e no de hoje, nos levam a reconhecer que
Deus nos liberta do pecado e das amarras que nos escravizam e que só seu Filho
Jesus nos liberta e salva.
Pela
Teologia da Libertação podemos entender melhor e lutar para:
a)
Reconhecer
o problema: (Confira Tiago 4:8-10)
b)
Pedir
e oferecer perdão: (Mateus 6:14-15).
c)
Submeter-se
a Jesus: (Tiago 4:7).
d)
Renunciar
ao pecado e à influência do diabo: (João 8:31-32).
e) Lutar contra a tentação: (1ª Coríntios 10:13)
Por esta infinidade de argumentos bíblicos e por muitos outros usados por nosso Teólogos da Libertação, podemos afirmar que Libertação não é uma brincadeira. Também não é Ciência Social. Há estudiosos e pesquisadores estudando-a e aprofundando conhecimentos que nos levam a garantir que a Teologia que vê a realidade, julga-a à luz da Palavra de Deus e age de acordo com a sua consciência cristã, tem muito mais sentido do que a visão intelectual ou baseada na fé teórica, sem contato com as circunstâncias.
Com essa visão
teológica realista, pé no chão, “na terra
do meu Senhor”, não queremos negar a outra visão do Deus glorificado nas alturas tão bem cantada e decantada
por João do Vale em “Carcará”.
Queremos que estes
modos de pensar e aprofundar a Teologia, sejam muito mais uma síntese do que
uma antítese, em contradição a uma tese proposta. Que Deus é este que nos
proíbe fazer análises socioeconômicas ou
de ter preocupação social com os pobres e a libertação política dos oprimidos?
Como se pode constatar,
tal luta vai-se estender ainda
por muito tempo.
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