sábado, 4 de fevereiro de 2023

O COMENTÁRIO DA SEMANA

 

Expoentes da Teologia da Libertação, fundamentados no Antigo e Novo Testamento

No meu comentário de 14.01, pedi licença ao diretor deste site, aos meus permanentes leitores e aos leitores que me leriam naquele dia, para a abordagem particular ou especial que eu iria fazer. Meu “neto” faria 15 anos.

             No meu último comentário, o do dia 28, arrisquei-me a dar um palpite sobre São Tomás de Aquino, pela celebração de seu dia litúrgico, fazendo um paralelo entre a sua visão teológica escolástica tradicional e a visão atual da Teologia da Libertação e suas controvérsias. Ensaiei um primeiro contato.

            Dada a aceitação e até o diálogo com alguns leitores, animei-me em completar a reflexão iniciada, acrescentando às citações do Antigo Testamento outras do Novo Testamento, a partir do próprio Jesus, o libertador maior.

                Mas o que vem a ser a Teologia da Libertação?

            É uma abordagem teológica cristã que enfatiza a libertação política dos oprimidos, envolvendo análises socioeconômicas, sob a preocupação social com os pobres.

            O pontapé inicial, aqui entre nós, foi dado pelo Teólogo Presbiteriano, Rubem Alves, com a obra, “Uma Teologia da Esperança Humana” (1933-2014) – Tese de Doutorado, em Princeton, EEUU - com grande influência no Brasil.

            Seguiram-se-lhe o Padre José Comblin, com a publicação da “Teologia da Revolução” ou a “Teologia da prática Revolucionária” ao tempo em que lecionava no Instituto Teológico de Recife – ITER – e na Bélgica, sua terra.

            O peruano, Padre Gustavo Gutierrez, da Congregação dos Padres Dominicanos, a mesma de São Tomás de Aquino, com seu tratado de Teologia da Libertação. Ele é um dos fundadores da Teologia na América Latina.

            O germânico-brasileiro Leonardo Boff, nascido em Santa Catarina aos (14/12/1938) com a publicação de “Jesus Cristo Libertador”. Foi de grande importância a sua forte colaboração no campo dessa nascente Teologia, já que seu maior expoente, à época, era Rubem Alves que estava exilado nos EEUU.

            Poderíamos acrescentar outros expoentes da Teologia da Libertação com suas obras, mas o faremos em outras oportunidades, se interessar aos nossos leitores. De relance, só para despertar a curiosidade, poderíamos falar sobre: Antônio Batista Fragoso, Camilo Torres, Carlos Mesters, Clodovis Boff, Ernesto Cardenal, Frei Betto (também dominicano), Hugo Assmann, Ivone Gebara, João Batista Libânio, Jon Sobrino, Juan Luís Segundo, Marcelo Barros, Pedro Casaldáliga, Paulo Evaristo Arns, Santo Dias, Tito de Alencar Lima (outro dominicano) e tantos outros.

            Têm-se sucedido, em diferentes partes do Mundo - incluindo Américas, África e Ásia - alguns Fóruns Mundiais de Teologia da Libertação, algumas vezes, juntamente com Fóruns Sociais Mundiais, reunindo 100, 120 Teólogos de diversas tradições religiosas, com o objetivo de promover o diálogo entre as religiões e as práticas sociais.

            O método de tais encontros, com visões teológicas diferenciadas, não parte da Revelação ou da Tradição Eclesial da Teologia Tomista ou escolástica mas parte da interpretação da realidade da pobreza e exclusão, e do compromisso com a libertação para fazer a reflexão teológica e convidar à ação desta mesma realidade.

            Quando a revelação teológica libertadora apareceu, foram aparecendo também interpretações artísticas, teatrais, musicais e culturais, sobretudo pela MPB, de protesto, no Brasil, que chegava ao Mundo todo. Como esquecer “Carcará” do maranhense João do Vale, que unia a teoria à prática teológica?!

            Você duvida? Lembra-se da introdução à música “Carcará”, por Nara Leão ou Bethânia? “Glória a Deus, Senhor nas alturas”! (Pura teologia tomista). “E viva eu de amargura na terra do meu Senhor”! (Pura teologia da libertação).

            No meu comentário do último sábado, eu me referia a Jesus, citando Isaías, 6:1-2, em Lucas, 4:18 e dizendo: “o Espírito do Senhor... me enviou para proclamar a liberdade aos presos... para libertar os oprimidos” , e ainda acrescentava: “hoje mesmo se cumpriu o trecho das Escrituras Sagradas que acabais de ouvir”. Além de citar outros textos do Antigo Testamento, prometi para hoje, trazer mais alguns do Novo Testamento para mostrar que o desejo de libertação era bíblico e deveria ser divulgado e ensinado. Nada a temer.

            No Evangelho de Mateus 11:28 lê-se: “venham a mim, todos os que estão cansados e sobrecarregados e eu darei descanso a vocês”.

          Já o evangelista João 8:32 e 36, respectivamente diz: “conhecereis a verdade, e ela vos libertará” e ”se o Filho vos libertar, sereis de fato, livres”.

            São Paulo, escrevendo em 2ª Coríntios 3:17, ensina: “o Senhor é o Espírito e onde está o Espírito do Senhor, ali há liberdade”.

            Ainda São Paulo, agora aos Gálatas 5:13: “Irmãos, vocês foram chamados para a liberdade; mas não usem a liberdade para dar ocasião à vontade da carne; ao contrário, sirvam uns aos outros mediante o amor”.

            Por fim, mais uma vez, São Paulo, brada aos Colossenses 1:13-14: “Deus nos resgatou do domínio das trevas e nos transportou para o Reino de seu Filho amado, em quem temos a redenção, a saber, a libertação dos pecados”. E para encerrar, mais um texto de São Paulo, agora aos Romanos 10:9-10: “o primeiro passo para ser liberto é crer em Jesus e o aceitar como seu salvador”.

            Tantos textos, citados no Comentário passado e no de hoje, nos levam a reconhecer que Deus nos liberta do pecado e das amarras que nos escravizam e que só seu Filho Jesus nos liberta e salva.

            Pela Teologia da Libertação podemos entender melhor e lutar para:

a)    Reconhecer o problema: (Confira Tiago 4:8-10)

b)    Pedir e oferecer perdão: (Mateus 6:14-15).

c)    Submeter-se a Jesus: (Tiago 4:7).

d)    Renunciar ao pecado e à influência do diabo: (João 8:31-32).

e)    Lutar contra a tentação: (1ª Coríntios 10:13)

    Por esta infinidade de argumentos bíblicos e por muitos outros usados por nosso  Teólogos da Libertação, podemos afirmar que Libertação não é uma brincadeira. Também não é Ciência Social. Há estudiosos e pesquisadores estudando-a e aprofundando conhecimentos que nos levam a garantir que a Teologia que a realidade, julga-a à luz da Palavra de Deus e age de acordo com a sua consciência cristã, tem muito mais sentido do que a visão intelectual ou baseada na fé teórica, sem contato com as circunstâncias.

Com essa visão teológica realista, pé no chão, “na terra do meu Senhor”, não queremos negar a outra visão do Deus glorificado nas alturas tão bem cantada e decantada por João do Vale em “Carcará”.

Queremos que estes modos de pensar e aprofundar a Teologia, sejam muito mais uma síntese do que uma antítese, em contradição a uma tese proposta. Que Deus é este que nos proíbe fazer análises socioeconômicas ou de ter preocupação social com os pobres e a libertação política dos oprimidos?

Como se pode constatar, tal luta vai-se estender ainda por muito tempo. 









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