CNBB: “Aos que ferem e destroem
a paz, que se convertam”!
Meus dois últimos comentários (28/01 e 04/02)
trataram sobre a Teologia de Santo Tomás de Aquino (era sua festa litúrgica) e
a Teologia da Libertação, com seus diferentes modos de abordagem. Comparamo-las
com a “versão” de João do Vale, em Carcará, respectivamente, definindo bem: “glória a Deus, Senhor nas alturas” “e viva
eu de amargura na terra do meu Senhor”. Uma visão teórica e a outra,
prática.
Tentei
mostrar a Teologia da Libertação com base na Palavra de Deus, no Antigo
Testamento e no Novo, embora tenha reconhecido Santo Tomás como “defensor da
verdade” e usando a Palavra de Deus como “raiz da sua fé”.
Apesar
de ter afirmado que este assunto é “controverso”, eu gostaria de voltar a ele,
mais uma vez, para confirmar o que já disse, recorrendo às fontes já citadas,
na esperança de nos entendermos melhor. Afinal, alguns de meus leitores, até
que me compreenderam e se manifestaram como esclarecidos.
Vou
usar a própria Palavra de Deus para fundamentar meus estudos, de outrora e
continuados na prática, sobretudo porque, é na minha prática que tenho
encontrado a incompreensão e a crítica de alguns.
No
Antigo Testamento, em Êxodo 3,7-8, Deus diz a Moisés: “eu ouvi os clamores do meu povo. Eu tenho visto como ele está sendo
maltratado no Egito. Tenho ouvido o seu pedido de socorro por causa de seus
feitores. Sei o que estão sofrendo. Por isso desci para libertá-los do poder
dos egípcios e para levá-los do Egito para uma terra grande e boa”...
Deus
é o mesmo. Ele nos proporciona vida em abundância e alegria plena. Será que
todos os seres humanos estão tendo essa vida plena? Como se pode viver com
guerras, rumores de guerra, estrondos de bombas, invasões de palácios,
quebra-quebra, não aceitação da democracia e da alternância de poderes? Como
aceitar que a fome mate tanta gente num dos países que mais produz alimentos no
mundo? E o desprezo aos Ianomâmis, está certo?
O Papa Francisco, na Fratelli Tutti, fala dos conflitos invisíveis que estão em Moçambique, Iêmen, Etiópia, Haiti, Mianmar e outros que vão assumindo contornos d’uma terceira guerra mundial por pedaços. Isto não nos incomoda?
Não
se pode fechar os olhos e ouvidos diante da loucura da corrida armamentista no
Brasil. Apesar da mudança de Governo, os perdedores não aceitam a derrota. O
número de caçadores, atiradores e colecionadores de armas de fogo (os CACs)
aumentou 325% de 2018 a 2021. “O gasto
com armas é um escândalo: suja o coração, suja a humanidade”, diz o Papa
Francisco, “particularmente, quando
alimentado por discursos fundamentalistas inclusive religiosos, que transformam
adversários em inimigos e comprometem a fraternidade”.
Baseados
nesta palavra do Papa, o Conselho Permanente da CNBB fez um pronunciamento ao povo
brasileiro, afirmando como Francisco, que “a
vida é o maior dom. Cuidar, responsavelmente da vida implica, artesanalmente,
trabalhar pela paz, a justiça social e o bem comum, sempre no respeito pelas
diferenças, valorizando a liberdade religiosa e a verdade, dialogando até a
exaustão, pois tudo isso é condição para a verdadeira paz”.
Os
senhores Bispos encerram “unindo-se em
favor da paz; não se deixando abater ou frustrar. O bom Deus continuará escutando
os clamores do seu povo. Expressamos nossa palavra de esperança: aos
sofredores, que não desistam; aos que têm poder de cuidar, defender e promover
o bem comum, que não se omitam; e aos que ferem e
destroem a paz, que se convertam”.
Dá
para perceber o espaço que ocupa a Teologia da Libertação? Como ser contrário a
ela? Não está fundamentada na Palavra de Deus?
No
4º Domingo do Tempo Comum, celebrado aos 29 de janeiro deste ano, tivemos a
grande oportunidade de conhecer todo o Sermão da Montanha, narrado por Mateus -
em seus capítulos 5, 6 e 7, quando Jesus deixou as multidões, admiradas - pois
lhes ensinara como quem tem autoridade e não como os mestres da lei. Seu
conteúdo é pura Teologia da Libertação.
Logo
no início do capítulo 05, vêm os tópicos principais do ensinamento libertador
de Jesus: “bem-aventurados (felizes/santos) os pobres em espírito... os aflitos ou os
que têm fome e sede de justiça... os misericordiosos... os puros de coração...
os promotores da paz... os perseguidos por causa da justiça... os injuriados
por causa da mentira (as tão
atuais ‘fake news’) todos terão seus
nomes inscritos e a recompensa nos céus, isto é, conviverão com Deus. Pra que prêmio
maior do que este? Não é o que se pleiteia com a Teologia prática?
Será
que o acolhimento que damos aos pobres, aos injustiçados, aos abandonados ou
espoliados não nos torna bem-aventurado, feliz ou santo? Foi a isto que nos
levou a Teologia Tomista, ou foi a da Libertação? Na prática, qual nos trouxe o
conhecimento de Deus: o das alturas ou o Encarnado?
Sem
dúvida, a colocação feita por Jesus resume o itinerário do discípulo-
missionário. Contrapõe-se à lógica do mundo: do poder, do jogo interesseiro, do
dinheiro, da busca do lucro fácil, em lançar mão dos bens que pertencem a todos.
Jesus nos apresenta o caminho mais difícil, verdadeiramente na contramão do que
o mundo ensina.
Jesus
nos mostra o caminho, chamando-nos de bem-aventurados, por aspirarmos a um
Reino que é dom, é gratuidade do amor divino por nós. Se é dom, está do lado
dos mais injustiçados e sofredores no mundo.
Será que não andamos
com os olhos muito abertos para nós mesmos e muito fechados para o Reino? Será
que a importância dada por Mateus aos ensinamentos de Jesus, ressaltando o
caráter, os deveres, os privilégios e até o destino daqueles que O seguissem,
necessariamente, não os conduziriam ao Reino dos Céus?
Quando homens do “poder
político” começaram a ser autoritários, a se apresentarem como salvadores da
pátria, quase como deuses, na defesa do jargão “Deus, Pátria, Família e Liberdade” como já nos aconteceu na
ditadura militar ou no governo Bolsonaro, a Igreja do Brasil teve que entrar no
conflito em defesa da hierarquia ou de pessoas que pedissem ajuda para
restabelecer a ordem institucional, já que o estado populista que se armara,
tinha que restabelecer os princípios democráticos ou “pautar seu governo dentro
das 04 linhas”. Que coisa absurda?!
Clamava-se por uma
libertação das opressões históricas, que grande parte do povo vinha sofrendo.
Tinha-se, de fato, que retornar à Filosofia e à Teologia que liberta e que tem
na Palavra de Deus, o conteúdo e o caminho da verdadeira libertação. Não
podemos basear nossa reflexão em preconceitos, achando que tudo é comunismo,
levando muitas pessoas, até inteligentes e cheias de fé, a se fecharem,
totalmente, ao diálogo. A que serve esta fé?
Segundo a carta aos
hebreus 1:1ss “a fé é a certeza de que
vamos receber as coisas que esperamos e a prova de que existem coisas que não
podemos ver”. É assim que você acredita? Quantos dizem: só vou vendo. É fé?
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Momento literário excelente!! Todos os jovens, deveriam conhecer a história emocionante de Anne frank. Além do livro, o seu filme é uma ótima opção.
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