sábado, 18 de março de 2023

 Campanha da Fraternidade:  Consciência da realidade que nos    cerca.       EDIÇÃO DE 18.03.23

A estas alturas do Tempo Quaresmal, já superamos mais da sua metade e ainda não tomamos consciência da sua importância, não só como época penitencial, própria de todas as Quaresmas, mas também como oportunidade criada pela CNBB, através de um Movimento Sexagenário de Evangelização, chamado de Campanha da Fraternidade.

               Nestes últimos 60 anos, já era para nos termos acostumado com os temas tratados, com as realidades estudadas e com as mudanças esperadas, já que, a cada ano, abordamos temas, os mais atualizados, de acordo com a nossa realidade humana, política e social.

            Certamente, pelo enfoque dado todos os anos, muitos católicos conservadores, participantes de partidos políticos reacionários e seguidores de chefetes descomprometidos com mudanças fazem finca-pé e atrapalham todo e qualquer trabalho de catequese transformadora.

            Quando começamos a fazer as Campanhas da Fraternidade (eu as faço desde o início) estávamos todos, envolvidos pelo clima do Concílio Ecumênico renovador e abordávamos os Temas e Lemas com todo o ardor missionário.

            Em 1964/1965 fomos convidados e refletir sobre a Renovação da Igreja e da Paróquia.

De 1966/1972 tratamos da Renovação do Cristão: fraternidade, corresponsabilidade, doação, descoberta, participação, reconciliação, serviço e Vocação.

De 1973/1984 ligamos a Fraternidade à Libertação, à Casa, Família, Comunidade, ao Mundo do trabalho, a um mundo mais humano, à Educação, à Saúde, á Violência e à Vida.

De 1985 até hoje nós nos temos preocupado com situações existenciais do povo brasileiro: a Fraternidade e a Terra, o Menor, o Negro, a Comunicação, a Mulher, o mundo do trabalho, a Juventude, Moradia, Família, os excluídos, a Política, os Encarcerados, a Educação, a dignidade humana e a Paz, as Drogas, a água, solidariedade, pessoas com deficiência, a Amazônia, a defesa da vida, segurança pública, economia, vida no planeta, a saúde pública, a Juventude, o tráfico humano, Igreja e Sociedade, biomas brasileiros e defesa da vida, superação da violência, políticas públicas, a vida é dom e compromisso, diálogo-compromisso de amor e por 03 vezes, a Fome.

Há outros temas estudados mais de uma vez. Mas, a fome, continua gritante, e é o Tema da Campanha da Fraternidade atual.

            Por certo, uma Catequese sistemática, sem interrupção, abordando Temas tão cheios de problemas sociais, todos embasados em Lemas, tirados da Palavra de Deus, só poderia mesmo criar um mal-estar, como aconteceu no tempo de Jesus. Lembram-se, lá em Cafarnaum? Ele disse: “o Pai, que tem a vida, foi quem me enviou e, por causa d’Ele, eu tenho a vida. Assim também, quem se alimenta de mim terá vida por minha causa. Quem come deste pão viverá para sempre”. Então, o povo disse: ”essas palavras são muito duras. Isto é muito difícil. Quem pode aceitar este ensinamento”?  

            A dificuldade continua na Missão da Igreja. Como pessoas descompro-metidas com a Catequese Eclesial podem aceitar um trabalho como este, sem reclamar, já por mais de 60 anos, sobretudo nas circunstâncias atuais?

            Como dissemos acima, ‘quando começamos a fazer as Campanhas da Fraternidade estávamos todos envolvidos pelo clima do Concílio Ecumênico renovador e abordávamos os Temas e Lemas com todo o ardor missionário’.

            Muitos Padres Conciliares não existem mais. Sessenta anos depois, o episcopado, em todo o mundo, está renovado. Infelizmente há bispos e padres que não se atualizaram com os “documentos conciliares” e até se colocam em posições contrárias. É uma pena! Às vezes, atrapalham. Ouvimo-los na mídia.

Nem sequer acompanham os periódicos “Sínodos” que vão atualizando as Constituições Dogmáticas, ou as normas conciliares e demais Documentos emanados do Vaticano II.

Ainda bem que o Papa Francisco, acima dos 85 anos, é atualizado e nos vai dando conteúdo, orientação, estímulo e mensagens que nos garantam realizar um trabalho catequético e pastoral, de acordo com nossa realidade. Aliás, nos últimos 60 anos, todos os Papas que o antecederam, pronunciaram-se na abertura das Campanhas da Fraternidade, especialmente para todos os povos.

                  Queridos irmãos e irmãs do Brasil: (Assim se expressou Francisco):

“Todos os anos, no Tempo da Quaresma, somos chamados por Deus a trilhar um caminho de verdadeira e sincera conversão, redirecionando toda a nossa vida para Ele, que ‘amou tanto o mundo, que deu o seu Filho único, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna’ (Jo. 3,16).

Ao preparar-nos para a celebração dessa entrega amorosa na Páscoa, encontramos na oração, na esmola e no jejum, vividos de modo mais intenso durante este tempo, práticas penitenciais que nos ajudam a colaborar com a ação do Espírito Santo, autor da nossa santificação.

Com o intuito de animar o povo fiel nesse itinerário ao encontro do Senhor, a Campanha da Fraternidade deste ano propõe que voltemos o nosso olhar para os nossos irmãos mais necessitados, afetados pelo flagelo da fome. Ainda hoje, milhões de pessoas sofrem e morrem de fome. Por outro lado, descartam-se toneladas de alimentos. Isto constitui um verdadeiro escândalo. A fome é criminosa, a alimentação é um direito inalienável.

A indicação dada por Jesus aos seus apóstolos: ‘dai-lhes vós mesmos de comer’ (Mt.14,16) é dirigida hoje a todos nós, seus discípulos, para que partilhemos – do muito ou do pouco que temos – com os nossos irmãos que nem sequer tem com que saciar a própria fome. Sabemos que indo ao encontro das necessidades daqueles que passam fome, saciaremos o próprio Senhor Jesus que se identifica com os mais pobres e famintos: ‘eu estava com fome e me destes de comer... todas as vezes que fizeste isso a um destes mais pequeno, que são meus irmãos, foi a mim que fizestes’ (Mt 25,35)”.

 

 Na cerimonia de lançamento oficial da Campanha da Fraternidade 2023 no Auditório Dom Helder Câmara, foi apresentada essa Mensagem do Papa Francisco, mantendo a tradição dos Papas. É um símbolo da unidade da Igreja, a despeito de qualquer outra informação em contrário, como alguns insinuam.

O Secretário Geral da CNBB, Dom Joel Portella, que também é bispo auxiliar do Rio de Janeiro, em comunhão com a Igreja, ressaltou na homilia, que “somente o ser humano ganhou do Criador a liberdade e a direção da conversão, a ser vivida de modo mais intenso na Quaresma pelo amor a Deus que nos conduz ao amor ao próximo e a nós mesmos”.

Dom Joel concluiu sua reflexão, dizendo que ‘a quaresma é um tempo litúrgico pedagógico de 40 dias para que os cristãos e católicos sejam pessoas de conversão’.

Queremos reafirmar que a Campanha da Fraternidade não substitui a Quaresma, tanto que, esta já existia, secularmente, antes que a outra aparecesse. No entanto, ela nos vem acrescentar a consciência para a realidade que nos cerca, a fim de que nossos problemas sejam encarados de maneira mais concreta, pois como diz S. Tiago 2,26 “a fé sem ações é morta”.



                        






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