HÁ
DEZ ANOS:
IMPORTÂNCIA DO PONTIFICADO DO PAPA FRANCISCO PARA A IGREJA E PARA O BRASIL
Texto do Mons. Assis Rocha (*)
- Como não ter importância? – Dos 266 Papas,
que se sucederam, no Governo da Igreja, até ele, é o 1º nascido no Novo Mundo,
o 1º Latino-americano, o 1º do hemisfério Sul, o 1º a ter o nome de Francisco, o 1º não europeu de 1.200
anos pra cá, o 1º Papa da Ordem dos Jesuítas, em toda a História. Nasceu na
Capital da Argentina (Buenos Aires, 17/12/1936) e recebeu o nome de Jorge Mario Bergoglio. Filho de
imigrantes italianos, provenientes do Piemonte: Senhor Mario Bergoglio
(ferroviário) e Sra. Regina Sivori (dona de casa) com a responsabilidade maior
na educação dos 05 filhos: Jorge, o mais velho, seguindo-se: Oscar, Marta,
Alberto e Maria Elena. Estão vivos: o primeiro (Jorge, o Papa) e a última
(Maria Elena).
Até os 19 anos, Jorge tinha uma vida comum, como os demais irmãos. Estudou Farmácia, fez graduação e mestrado em Química, na Universidade de Buenos Aires e, mais tarde, com 17 anos de Padre, em 1986, fez Doutorado na Alemanha. Devido a problemas respiratórios, na infância, foi operado e perdeu um pulmão, mas nada o impediu de estudar, levar uma vida normal e até namorar. Amália, que ainda está viva, contou que a Vocação Sacerdotal venceu, acabando-se o namoro, mas nada impediu que continuassem amigos.
Com quase 20 anos, entrou no Seminário, em Villa Devoto, da Ordem dos Padres Jesuítas. Completou seus estudos humanísticos no Chile e voltou à Argentina em 1963, obtendo a licenciatura em filosofia e logo em seguida, também em Teologia, no Seminário de São José. Tais estudos se deram, enquanto acontecia o Concílio Ecumênico Vaticano II, em Roma, quando todos os seminaristas no mundo recebíamos a mesma formação e preparação para o Sacerdócio (pela “Ratio Fundamentalis Institutionis Sacerdotalis”). Éramos atualizados com todos os Decretos, Constituições e Documentos Conciliares, preparando-nos para a Missão, quando voltássemos às nossas Dioceses.
Eu me ordenei Sacerdote em 1968 e ele aos 13 de dezembro de 1969. Daí em diante, assumiu várias funções: Mestre de Noviços, professor na Faculdade de Teologia, Consultor da Província da Companhia de Jesus, Reitor do Colégio São José, onde estudara; Provincial dos Jesuítas da Argentina, quando partiu para o Doutorado em Química, na Alemanha. Ao retornar, seus superiores o enviaram para o Colégio do Salvador em Buenos Aires, depois para a Igreja da Companhia de Jesus, em Córdoba, onde foi Diretor Espiritual e Confessor.
Em rápidas pinceladas, aí está o homem Jorge Mario Bergoglio. Cheio de títulos Universitários, Acadêmicos e Pastorais; Poliglota - falando, fluentemente, vários idiomas, inclusive Português - e com as demais funções que lhe foram dadas: Bispo Auxiliar de Buenos Aires, Vigário Episcopal e Vigário Geral da Arquidiocese, Arcebispo, Presidente da Conferencia Episcopal da Argentina, Cardeal, participante (até sendo votado) do Conclave que elegeu o seu antecessor, Papa Bento XVI, estava a um passo para assumir a função de Bispo de Roma, Soberano do Estado do Vaticano e chefe de toda a Igreja Católica. Isso se deu no dia 13 de Março de 2013, com entronização no dia 19 de Março, Festa de São José, do mesmo ano.
O
Ministério do Cidadão Jorge Mario Bergoglio: Professor, Padre, Bispo, Arcebispo
e Cardeal, na Argentina, foi todo pensado, centrado e realizado dentro de um
Projeto Missionário enfocado na comunhão e na evangelização, com 04 finalidades
principais: comunidades abertas e fraternas, protagonismo de um laicato
consciente, evangelização destinada a cada habitante da cidade e assistência
aos pobres e aos enfermos. Seu objetivo era muito ousado: reevangelizar Buenos Aires. E agora, Bergoglio, qual é a tua
como Francisco?
A resposta ele deu logo depois da eleição,
ainda na Capela Sistina: “eu sou um
grande pecador; confiando na misericórdia e paciência de Deus, no sofrimento; aceito”.
E ao aparecer e se apresentar ao povo na sacada central da Basílica de São
Pedro, antes de lhe dar a bênção Urbi
et Orbi, pediu que o abençoasse primeiro, e, abaixando a cabeça em
sinal de oração, toda a Praça de São Pedro silenciou por um momento. Era a
oração do povo pedindo a Bênção para o seu Bispo. Depois de abençoar a todos “da cidade e do mundo” desejou-lhes
“uma boa noite e um bom descanso”.
Estava reiniciado um Novo Governo na Igreja. Trazia de São Francisco, o
sentimento “restaurador”, dando um testemunho de simplicidade e de pobreza,
querendo pôr em prática, todas as orientações do Concílio Ecumênico Vaticano
II, 50 anos depois de sua instalação pelo seu predecessor, o Papa João XXIII.
O Papa e o Brasil
Seus
pronunciamentos e homilias foram logo chamando a atenção do mundo: “o dinheiro deve servir e não, governar”. “Os
alimentos jogados no lixo são alimentos roubados da mesa do pobre, de quem tem
fome”. ”A pessoa humana está hoje em perigo” e tantos e tantos outros
ensinamentos que foram sendo repassados pela imprensa e pelas redes sociais em
toda parte.
Uma
Encíclica havia sido iniciada pelo Papa Bento XVI – Lumen Fidei – a última do seu pontificado, a que o Papa Francisco
deu continuidade e lançou, como a 1ª do seu, sobre a Luz da Fé. (Por isso mesmo se diz ter sido escrita a 04
mãos). Publicou-a em 24.11.2013.
Sua
2ª Encíclica foi a Laudato Si de
18 de junho de 2015, apelando à ação contra o aquecimento global, a degradação
do meio ambiente e a feliz convivência “em
nossa casa comum”. Tem como fundamento o hino cantado por São Francisco: “Louvado
sejas, meu Senhor, pela nossa
irmã, a mãe terra, que nos sustenta e governa e produz variados frutos com
flores coloridas e verduras”.
Depois
vieram as Exortações Apostólicas: a Evangelii
Gaudium (Alegria do Evangelho) sobre o anuncio da “boa nova” no mundo atual.
A
Amoris laetitia sobre a Alegria do
Amor na Família e a mais recente: Gaudete
et exsultate (Alegrai-vos e exultai), um verdadeiro manual de
espiritualidade: uma atenção maior aos mais necessitados e à justiça social na
vida dos católicos, que “desafia a
reconhecer Jesus nos pobres e atribulados”.
Além
dessas maneiras, assim oficiais, solenes, Francisco - como os demais Papas -
também se tem valido de algumas Cartas Apostólicas, dando “normas
administrativas, internas, litúrgicas, econômicas, canônicas ou de governo”,
chamadas de “motu proprio”, que são matérias ou normas a seu critério,
pessoalmente, decididas por ele. Em resumo é este o Papa Francisco,
propondo-nos Grandes Temas para o seu
Pontificado: 1) Uma Igreja em saída. 2) Voltada às Fontes (Escrituras e
Vaticano II). 3) Tem como postura a Misericórdia. 4) E o pobre como
interlocutor principal. É a isso que se chama uma Igreja encarnada, tocando a carne
de Cristo na carne dos que sofrem.
A
presença do Papa Francisco na Igreja e, é claro, no Brasil, não poderia ser
menos polêmica do que tem sido. São suas atitudes, semelhantes às de Jesus, que
estão chamando a atenção do mundo para seu pontificado.
Mons. Assis Rocha
(*) TEMA/DEBATE DE UMA “RODA DE CONVERSA” PROMOVIDA PELA UVA E DIOCESE DE SOBRAL – 25/04/2013 – 19hs - Pe. Assis Rocha.


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