quarta-feira, 15 de março de 2023

IDEIAS & NOTICIAS

 

A  IGREJA QUE SONHA COM UMA SOCIEDADE HUMANA

EUDES DE SOUSA (*)

O afastamento  que as sociedades modernas vinham impondo à Igreja, na solução do problema educacional, provocou uma pobreza intelectual sem precedentes na história do conhecimento. É verdade que experiências novas vieram enriquecer o conteúdo cultural da humanidade, mas é verdade também que a quebra da unidade cultural,  da síntese que a Igreja mantinha na Idade Média nos arrastou a uma dissolvente multiplicidade de modo de vida.

Como se sabe, na construção de uma sociedade humana e solidária, as grandes e mais famosas universidades da História nasceram no seio da Igreja e se nutriram da seiva fertilizante do Cristianismo, Cristo foi o fermento do momentoso progresso da cultura da Europa e do Mundo, a liberdade e a humanidade cristãs dinamizaram a inteligência nas suas realizações mais lídimas, que razões justas se podem alegar para afastar agora a Igreja da posição de participante maior, mais autorizada na solução do problema sociocultural? Que argumento podem ter a força de desviar a Igreja das suas mais puras, mais legítimas funções, com uma visão de  mundo e promover o  desenvolvimento cultural.

Da República, vejo a Igreja alta e digna, lutar pela liberdade de Cristo na inteligência e no coração do povo brasileiro. Vejo nos nossos dias, o trabalho gigantesco que a Igreja realiza para estar presente nos grandes problemas da Nação. Vejo nas terras Sobralenses, a Igreja na pessoa de Sua Excelência Reverendíssima  Bispo Diocesano de Sobral, Dom José Luiz  Gomes de Vasconcelos, com a inteligência e o dinamismo de sua enorme capacidade de trabalho, fertilizando todas as atividades culturais e morais desde povo que lhe devota amor filial.

Colocando as terras massapeenses nesta linha ideológica dos Evangelhos, agradecemos a Deus e o Reverendíssimo Bispo Dom José Luiz Gomes de Vasconcelos, a magnifica realidade deste alto momento na vida do Ceará, e a generosidade com que  atendeu ao pedido em nome de todos  os filhos desta amada terra, para instalar a sua Academia Massapeense de Letras e Artes e dar posse a primeira Diretoria.

Em 25 de novembro de 2021,  conforme planejado, foi realizado o longo e acalentado sonho de oficializar uma Academia de Letras e Artes em terras massapeenses. Por isso mesmo, Dom José Luiz Gomes de Vasconcelos, com a simplicidade que o caracteriza, neste histórico dia, declarou: “Muito honrado, pela deferência do Excelentíssimo Senhor Presidente eleito desta Academia, emposso a primeira Diretoria da Academia Massapeense e Artes”.

Logo após. a instalação  e a posse da Diretoria da Academia Massapeense de Letras e Artes. Num auditório lotado, com escritores, poetas, artistas, professores, pesquisadores, estudantes secundaristas, universitários, crianças e a comunidade em geral, Dom José Luiz Gomes de Vasconcelos falou de improviso sobre sua infância e a admiração pela cultura. Disse ele: “ A cultura precisa ter forte ligação com o público”. Que acabou se transformando num animado bate-papo sobre o seu trabalho religioso, marcado por uma grande inquietação religiosa e social.

O massapeense  encontrará nas páginas da história de Massapê, este momento histórico, em que o Bispo Dom José  Luiz Gomes de Vasconcelos, com o seu Clérigo  e a dedicação pelo significativo momento dessa interminável jornada em prol do desenvolvimento da cultura massapeense.

Portanto, vejo o Cristianismo no alvorecer da Pátria, primeiro instante de sua existência política, o espetáculo grandioso da cruz plantada em terra e se projetando na arquitetura infinita do firmamento, na luminosidade daquele outro Cruzeiro do Sul, com os braços abertos para o mundo, ditando o que deveria ser no futuro as coordenadas fundamentais da ação política, cultural e ética do povo que as seus pés, naquele instante recebia grande mensagem de fé, o divino fluxo de amor e de vida eterna, na primeira missa celebrada em terras tapuias.

 Vejo a Igreja presente atuando no esforço de formação da nacionalidade de que ela deveria ser pelas suas características históricas, culturais e morais. Vejo a batina dos seus filhos, os discípulos de Loyola, na obra imensa da catequese, palmilhando as praias, varrendo os rios, galgando as serras, penetrando as matas, aprendendo a língua, estudando os costumes, curando os enfermos, ensinando os nativos, explorando a vida, derramando o sangue, pregando o  Evangelho. 

Por fim, não podemos abrir mão de preservar a cultura o maior patrimônio de um povo. O intelecto é o específico do homem, aquilo a que tudo no homem é ordenado, e tem como princípio da mais alta perfeição a operação de ver a Deus. Esta operação supõe o homem integral, na construção de uma sociedade humana e solidária.

(*) Jornalista, historiador, crítico literário, membro do Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão e Presidente da Academia Massapeense de Letras e Artes









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