A IGREJA QUE SONHA COM
UMA SOCIEDADE HUMANA
EUDES DE SOUSA (*)
O afastamento que as sociedades modernas vinham impondo à
Igreja, na solução do problema educacional, provocou uma pobreza intelectual
sem precedentes na história do conhecimento. É verdade que experiências novas
vieram enriquecer o conteúdo cultural da humanidade, mas é verdade também que a
quebra da unidade cultural, da síntese
que a Igreja mantinha na Idade Média nos arrastou a uma dissolvente
multiplicidade de modo de vida.
Como se sabe, na
construção de uma sociedade humana e solidária, as grandes e mais famosas
universidades da História nasceram no seio da Igreja e se nutriram da seiva
fertilizante do Cristianismo, Cristo foi o fermento do momentoso progresso da
cultura da Europa e do Mundo, a liberdade e a humanidade cristãs dinamizaram a
inteligência nas suas realizações mais lídimas, que razões justas se podem
alegar para afastar agora a Igreja da posição de participante maior, mais
autorizada na solução do problema sociocultural? Que argumento podem ter a
força de desviar a Igreja das suas mais puras, mais legítimas funções, com uma
visão de mundo e promover o desenvolvimento cultural.
Da República, vejo a
Igreja alta e digna, lutar pela liberdade de Cristo na inteligência e no
coração do povo brasileiro. Vejo nos nossos dias, o trabalho gigantesco que a
Igreja realiza para estar presente nos grandes problemas da Nação. Vejo nas
terras Sobralenses, a Igreja na pessoa de Sua Excelência Reverendíssima Bispo Diocesano de Sobral, Dom José Luiz Gomes de Vasconcelos, com a inteligência e o
dinamismo de sua enorme capacidade de trabalho, fertilizando todas as
atividades culturais e morais desde povo que lhe devota amor filial.
Colocando as terras
massapeenses nesta linha ideológica dos Evangelhos, agradecemos a Deus e o
Reverendíssimo Bispo Dom José Luiz Gomes de Vasconcelos, a magnifica realidade
deste alto momento na vida do Ceará, e a generosidade com que atendeu ao pedido em nome de todos os filhos desta amada terra, para instalar a
sua Academia Massapeense de Letras e Artes e dar posse a primeira Diretoria.
Em 25 de novembro de
2021, conforme planejado, foi realizado
o longo e acalentado sonho de oficializar uma Academia de Letras e Artes em
terras massapeenses. Por isso mesmo, Dom José Luiz Gomes de Vasconcelos, com a
simplicidade que o caracteriza, neste histórico dia, declarou: “Muito
honrado, pela deferência do Excelentíssimo Senhor Presidente eleito desta
Academia, emposso a primeira Diretoria da Academia Massapeense e Artes”.
Logo após. a
instalação e a posse da Diretoria da
Academia Massapeense de Letras e Artes. Num auditório lotado, com escritores,
poetas, artistas, professores, pesquisadores, estudantes secundaristas,
universitários, crianças e a comunidade em geral, Dom José Luiz Gomes de
Vasconcelos falou de improviso sobre sua infância e a admiração pela cultura.
Disse ele: “ A cultura precisa ter forte ligação com o público”. Que acabou
se transformando num animado bate-papo sobre o seu trabalho religioso, marcado
por uma grande inquietação religiosa e social.
O massapeense encontrará nas páginas da história de
Massapê, este momento histórico, em que o Bispo Dom José Luiz Gomes de Vasconcelos, com o seu Clérigo e a dedicação pelo significativo momento
dessa interminável jornada em prol do desenvolvimento da cultura massapeense.
Portanto, vejo o
Cristianismo no alvorecer da Pátria, primeiro instante de sua existência
política, o espetáculo grandioso da cruz plantada em terra e se projetando na
arquitetura infinita do firmamento, na luminosidade daquele outro Cruzeiro do
Sul, com os braços abertos para o mundo, ditando o que deveria ser no futuro as
coordenadas fundamentais da ação política, cultural e ética do povo que as seus
pés, naquele instante recebia grande mensagem de fé, o divino fluxo de amor e
de vida eterna, na primeira missa celebrada em terras tapuias.
Vejo a Igreja presente atuando no esforço de formação da nacionalidade de que ela deveria ser pelas suas características históricas, culturais e morais. Vejo a batina dos seus filhos, os discípulos de Loyola, na obra imensa da catequese, palmilhando as praias, varrendo os rios, galgando as serras, penetrando as matas, aprendendo a língua, estudando os costumes, curando os enfermos, ensinando os nativos, explorando a vida, derramando o sangue, pregando o Evangelho.
Por fim, não podemos abrir mão de preservar a cultura o maior patrimônio de um povo. O intelecto é o específico do homem, aquilo a que tudo no homem é ordenado, e tem como princípio da mais alta perfeição a operação de ver a Deus. Esta operação supõe o homem integral, na construção de uma sociedade humana e solidária.
(*) Jornalista,
historiador, crítico literário, membro do Instituto Histórico e Geográfico do
Maranhão e Presidente da Academia Massapeense de Letras e Artes

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