quinta-feira, 16 de março de 2023

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PAPA FRANCISCO – 10 ANOS DEPOIS:              AS PREVISÕES ACONTECERAM

                                                                                                                                                                                                 Mons. Assis Rocha

Perguntam-me o que celebrar nestes Dez Anos de Pontificado do Papa Francisco. Deu tempo para fazer alguma coisa? Insinuam alguns. Ou ainda: ‘cê parece tão otimista!

           Sou otimista, sim, desde sua eleição. Logo após sua escolha pelo Grupo dos Cardeais ou pelo Colégio Cardinalício no dia 13 de Março de 2013, expus-me em ‘Duas Rodas de Conversa’ para dialogar e debater com Universitários e Religiosos em Fortaleza e com leigos-cristãos, catequistas e universitários em Sobral, para prever um pouco ou qual seria a nossa perspectiva diante de um Papa, não europeu, latino americano, além de ser argentino e a gente nem os tolera tanto, sobretudo devido ao futebol... E por aí iam os preconceitos.

            Dez anos depois, os preconceitos se transformam em testemunhos, nos mais diversos lugares do Mundo. Francisco mostrou a que veio, logo na “noitinha” do dia da eleição: vestiu-se de branco. Nada de cores berrantes ou quaresmais, como os paramentos da época litúrgica exigiam. O branco é sinal de alegria, de paz, de luzes. Começou saudando, respeitosamente, o Papa, seu antecessor, Bento XVI, que renunciara. Colocou às claras alguns traços de seu pontificado. Seria o Bispo de Roma que preside, na caridade, todas as Igrejas e que faria sobressair a centralidade do povo de Deus, a quem pediria logo, de chegada, que o abençoasse, antes mesmo de abençoar a todos. E foi logo se inclinando diante de seus diocesanos e de todos os representantes do mundo, que se encontravam na Praça de São Pedro, para receber a bênção.

            Que gesto fantástico, este do Papa, ao mostrar que “sonhava com uma Igreja pobre e para os pobres“. E disse a todos o porquê do nome Francisco. Porque Francisco de Assis “é o homem da pobreza, da paz, o homem que ama e protege a criação”. E em novembro do mesmo ano, Francisco publicou a Exortação “Evangelii gaudium”, verdadeiro roteiro do pontificado, pedindo aos cristãos que testemunhem com a própria vida a Alegria do Evangelho, para levar a toda parte e, em particular, aos que mais sofrem, a proximidade e a ternura de um Deus que perdoa, acolhe e abraça.

            Espalhou pelo Mundo a Fraternidade Humana, a Atenção à Família, a Ecologia Integral, o combate aos abusos na Igreja, a Presença na Sociedade e uma Nova perspectiva para os Cristãos Leigos, todos temas de gestos e ações, marcados com a sua presença frente aos desafios no interior da Igreja e às mudanças que se manifestariam mundo afora.

            Um “marco significativo” do seu pontificado foi a Encíclica Fratelli Tutti: um convite do Papa para que “possamos todos reviver a aspiração mundial à fraternidade” e para que “saibamos sempre recomeçar, reconstruindo a fraternidade a partir dos pobres para que ninguém fique de lado”.

            Outro “marco prioritário” do trabalho de Francisco foi a Família com dois Sínodos, uma Exortação Apostólica, um ano temático, dezenas de catequeses, sob os mais variados aspectos: de corresponsabilidade, cuidado, amor, ternura e gratuidade.

            O cuidado com a “Casa Comum” marcou a Encíclica “Laudato Si” sobre a Ecologia Integral, tão bem aproveitada na Campanha da Fraternidade 2017 sobre Biomas Brasileiros. Mais tarde – 2021-2022- ligamo-nos à Economia de Francisco e Clara (+ de 100 países) em Assis – Itália com o Papa Francisco, divulgação pelas Mídias Vaticanas e Mundiais, apesar da Pandemia.

            Suas Exortações Apostólicas ou Normas de Governo a seu critério - em forma de “motu próprio” - nortearam o seu pontificado, no que ele ia chamando

de “Igreja encarnada, tocando a carne de Cristo na carne dos que sofrem”.

            Foi motivo de grande sofrimento para Francisco a existência na Igreja de “abusos sexuais” por parte de Religiosos. O cuidado com esta “piaga sociale” – mal traduzida pela imprensa, por “praga social”, em vez de “chaga social”- causou imensa dor no coração do Papa que instalou um escritório de assesso-ria às Dioceses e entidades religiosas em serviços de prevenção e proteção.

            Foi imensamente corajoso, dentro de sua Diocese em Roma e no Mundo pelas 427 audiencias, 552 orações do Ângelus, 790 homilias na Casa Santa Marta, 76 Cartas Apostólicas, 39 Constituições, 40 viagens internacionais e 28 dentro da Itália. É bom lembrar que sua 1ª Viagem Apostólica Internacional se deu ao Rio de Janeiro para a J.M.J., de 22 a 29/07/2013 e a próxima, de nº 41 será na Hungria de 28 a 30 de Abril, sob o lema: “Cristo é nosso futuro”.

            Em tão pouco tempo Francisco proclamou mais de 900 Santos e Santas. Do Brasil, que nos interessa mais de perto, canonizou São José de Anchieta, os 30 Santos Mártires de Cunhaú e Uruaçu, no Rio Grande do Norte, e Santa Dulce dos Pobres, além de ter recebido vários processos de encaminhamento de outros candidatos à veneração dos altares.

            Enfim, pra destacar mesmo uma prioridade que caracteriza o pontificado de Francisco ele fala, desde a sua posse e já destacamos acima, no seu sonho com uma Igreja pobre e para os pobres’. Instituiu o Dia Mundial dos Pobres a ser celebrado, todos os anos, no 33º Domingo do Tempo Comum – neste ano, pela 7ª vez, aos 19 de Novembro – para comemorar o fim do jubileu extraordinário da misericórdia, em 2016. Isto está documentado em uma de suas Cartas Apostólicas, intitulada: Misericordia et Misera em que ele ‘enfatiza forte teor social e critica a concentração de riqueza’.

            Diz, textualmente: “o grito dos pobres é o grito estrangulado de bebês que não podem vir à luz, de crianças que passam fome, de adolescentes acostumados ao estrondo das bombas ao invés da algazarra alegre e das brincadeiras. É o grito de idosos descartados e deixados sozinhos. É o grito de quem se encontra a enfrentar as tempestades da vida sem uma presença amiga. É o grito daqueles que tem de fugir, deixando a casa e a terra sem a certeza dum refugio. É o grito de populações inteiras, privadas inclusive de enormes recursos naturais de que dispõem. É o grito dos inúmeros Lázaros que choram, enquanto poucos epulões se banqueteiam com aquilo que, por justiça, é para todos”. Enfim, diz o Papa: “a injustiça é a raiz perversa da pobreza. O grito dos pobres torna-se mais forte a cada dia, e a cada dia é menos ouvido, porque abafado pelo barulho de poucos ricos que são sempre menos e sempre mais ricos”.

            Espero que os leitores destes meus dois textos tenham percebido bem a expectativa da chegada de Francisco com um curriculum já tão recheado da vontade de reevangelizar Buenos Aires e agora, nesta avaliação de após dez anos, chegar a uma Igreja em saída, de volta às fontes: Escrituras e Concílio, plena de atividades, marcada pela experiência e cheia de bons frutos pastorais que tantos benefícios trouxeram.

            O próprio Jesus dissera: “que o vosso sim, seja sim. Que o vosso não seja não” (Mt.5,37). Mais adiante acrescenta em Mt.6,24: “ninguém pode servir a dois senhores”. O Papa Francisco segue isto ao pé da letra. Concordo com Jesus, concordo com o Papa. Não há como ficar com negacionista, traidor da Palavra ou com maus cristãos reacionários.

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