|
PAPA FRANCISCO – 10 ANOS
DEPOIS: AS PREVISÕES ACONTECERAM |
Mons. Assis RochaPerguntam-me o que celebrar nestes Dez
Anos de Pontificado do Papa Francisco. Deu tempo para fazer alguma coisa?
Insinuam alguns. Ou ainda: ‘cê parece tão otimista!
Sou otimista, sim, desde sua eleição. Logo após sua escolha pelo Grupo dos Cardeais ou pelo Colégio Cardinalício no dia 13 de Março de 2013, expus-me em ‘Duas Rodas de Conversa’ para dialogar e debater com Universitários e Religiosos em Fortaleza e com leigos-cristãos, catequistas e universitários em Sobral, para prever um pouco ou qual seria a nossa perspectiva diante de um Papa, não europeu, latino americano, além de ser argentino e a gente nem os tolera tanto, sobretudo devido ao futebol... E por aí iam os preconceitos.
Dez
anos depois, os preconceitos se transformam em testemunhos, nos mais diversos
lugares do Mundo. Francisco mostrou a que veio, logo na “noitinha” do dia da
eleição: vestiu-se de branco. Nada de cores berrantes ou quaresmais, como os
paramentos da época litúrgica exigiam. O branco é sinal de alegria, de paz, de
luzes. Começou saudando, respeitosamente, o Papa, seu antecessor, Bento XVI,
que renunciara. Colocou às claras alguns traços de seu pontificado. Seria o
Bispo de Roma que preside, na caridade, todas as Igrejas e que faria sobressair
a centralidade do povo de Deus, a quem pediria logo, de chegada, que o
abençoasse, antes mesmo de abençoar a todos. E foi logo se inclinando diante de
seus diocesanos e de todos os representantes do mundo, que se encontravam na
Praça de São Pedro, para receber a bênção.
Que
gesto fantástico, este do Papa, ao mostrar que “sonhava com uma Igreja pobre e para os pobres“. E disse a todos o
porquê do nome Francisco. Porque Francisco de Assis “é o homem da pobreza, da paz, o homem que ama e protege a criação”.
E em novembro do mesmo ano, Francisco publicou a Exortação “Evangelii gaudium”, verdadeiro roteiro
do pontificado, pedindo aos cristãos que testemunhem com a própria vida a
Alegria do Evangelho, para levar a toda parte e, em particular, aos que mais
sofrem, a proximidade e a ternura de um Deus que perdoa, acolhe e abraça.
Espalhou
pelo Mundo a Fraternidade Humana, a Atenção à Família, a Ecologia Integral, o
combate aos abusos na Igreja, a Presença na Sociedade e uma Nova perspectiva
para os Cristãos Leigos, todos temas de gestos e ações, marcados com a sua
presença frente aos desafios no interior da Igreja e às mudanças que se
manifestariam mundo afora.
Um
“marco significativo” do seu pontificado foi a Encíclica Fratelli Tutti: um
convite do Papa para que “possamos todos
reviver a aspiração mundial à fraternidade” e para que “saibamos sempre recomeçar, reconstruindo a
fraternidade a partir dos pobres para que ninguém fique de lado”.
Outro
“marco prioritário” do trabalho de Francisco foi a Família com dois Sínodos,
uma Exortação Apostólica, um ano temático, dezenas de catequeses, sob os mais variados
aspectos: de corresponsabilidade, cuidado, amor, ternura e gratuidade.
O
cuidado com a “Casa Comum” marcou a Encíclica “Laudato Si” sobre a Ecologia
Integral, tão bem aproveitada na Campanha da Fraternidade 2017 sobre Biomas
Brasileiros. Mais tarde – 2021-2022- ligamo-nos à Economia de Francisco e Clara
(+ de 100 países) em Assis – Itália com o Papa Francisco, divulgação pelas
Mídias Vaticanas e Mundiais, apesar da Pandemia.
Suas
Exortações Apostólicas ou Normas de Governo a seu critério - em forma de “motu próprio” - nortearam o seu
pontificado, no que ele ia chamando
de “Igreja
encarnada, tocando a carne de Cristo na carne dos que sofrem”.
Foi
motivo de grande sofrimento para Francisco a existência na Igreja de “abusos sexuais” por parte de Religiosos.
O cuidado com esta “piaga sociale” –
mal traduzida pela imprensa, por “praga
social”, em vez de “chaga social”-
causou imensa dor no coração do Papa que instalou um escritório de assesso-ria
às Dioceses e entidades religiosas em serviços de prevenção e proteção.
Foi
imensamente corajoso, dentro de sua Diocese em Roma e no Mundo pelas 427
audiencias, 552 orações do Ângelus, 790 homilias na Casa Santa Marta, 76 Cartas
Apostólicas, 39 Constituições, 40 viagens internacionais e 28 dentro da Itália.
É bom lembrar que sua 1ª Viagem Apostólica Internacional se deu ao Rio de
Janeiro para a J.M.J., de 22 a 29/07/2013 e a próxima, de nº 41 será na Hungria
de 28 a 30 de Abril, sob o lema: “Cristo
é nosso futuro”.
Em
tão pouco tempo Francisco proclamou mais de 900 Santos e Santas. Do Brasil, que
nos interessa mais de perto, canonizou São José de Anchieta, os 30 Santos Mártires
de Cunhaú e Uruaçu, no Rio Grande do Norte, e Santa Dulce dos Pobres, além de
ter recebido vários processos de encaminhamento de outros candidatos à
veneração dos altares.
Enfim,
pra destacar mesmo uma prioridade que caracteriza o pontificado de Francisco
ele fala, desde a sua posse e já destacamos acima, no seu ‘sonho com uma Igreja pobre e
para os pobres’. Instituiu o Dia Mundial dos Pobres a ser
celebrado, todos os anos, no 33º Domingo do Tempo Comum – neste ano, pela 7ª vez,
aos 19 de Novembro – para comemorar o fim do jubileu extraordinário da
misericórdia, em 2016. Isto está documentado em uma de suas Cartas Apostólicas,
intitulada: Misericordia et Misera
em que ele ‘enfatiza forte teor social e
critica a concentração de riqueza’.
Diz,
textualmente: “o grito dos pobres é o
grito estrangulado de bebês que não podem vir à luz, de crianças que passam
fome, de adolescentes acostumados ao estrondo das bombas ao invés da algazarra
alegre e das brincadeiras. É o grito de idosos descartados e deixados sozinhos.
É o grito de quem se encontra a enfrentar as tempestades da vida sem uma
presença amiga. É o grito daqueles que tem de fugir, deixando a casa e a terra
sem a certeza dum refugio. É o grito de populações inteiras, privadas inclusive
de enormes recursos naturais de que dispõem. É o grito dos inúmeros Lázaros que
choram, enquanto poucos epulões se banqueteiam com aquilo que, por justiça, é
para todos”. Enfim, diz o Papa: “a
injustiça é a raiz perversa da pobreza. O grito dos pobres torna-se mais forte
a cada dia, e a cada dia é menos ouvido, porque abafado pelo barulho de poucos
ricos que são sempre menos e sempre mais ricos”.
Espero
que os leitores destes meus dois textos tenham percebido bem a expectativa da
chegada de Francisco com um curriculum já tão recheado da vontade de reevangelizar Buenos Aires e agora, nesta avaliação
de após dez anos, chegar a uma Igreja
em saída, de volta às fontes: Escrituras e Concílio, plena de
atividades, marcada pela experiência e cheia de bons frutos pastorais que
tantos benefícios trouxeram.
O
próprio Jesus dissera: “que o vosso sim,
seja sim. Que o vosso não seja não” (Mt.5,37). Mais adiante acrescenta em
Mt.6,24: “ninguém pode servir a dois
senhores”. O Papa Francisco segue isto ao pé da letra. Concordo com Jesus,
concordo com o Papa. Não há como ficar com negacionista, traidor da Palavra ou
com maus cristãos reacionários.

.jpg)
Nenhum comentário:
Postar um comentário