sábado, 29 de abril de 2023
COLUNA PRIMEIRO PLANO
CROATÁ CELEBRA SEUS 35 ANOS
EDIÇÃO DE 29 DE ABRIL
Uma ala da Igreja
católica se manifesta contra a participação das mulheres nas decisões e eventos
litúrgicos. Quanta contradição! Acham as mulheres inferiores? Como justificam?
Deve ser aquele grupo que
defende a submissão das mulheres. O Papa acha que as mulheres em cargos de liderança melhoram o Vaticano.
Na próxima quarta-feira,
Croatá, na serra da Ibiapaba e não em São Gonçalo do Amarante, completará 35 anos de emancipação de
Guaraciaba do Norte.
À época, demos prioridade
aos valores artísticos locais. E eram muitos. Se não houver investimento nos pequenos
grupos locais, nunca se tornaram grandes.
Croatá tem cultivado sua
vocação para as artes. Desde menino sabia sobre os músicos de lá, por meio de
meu pai que também era músico.
Por muitos anos tocavam
no Carnaval do Grêmio, em Guaraciaba do Norte. E cadê o Grêmio? Ainda vive parado em tempo de pandemia? É
tempo de acordar.
Havia o seu João Otaviano,
que era muito famoso. No tempo de menino não havia como ir a Croatá. Só mais
tarde, já no Seminário, fui lá substituir o Mons. Antonino.
E conhecia os que iam a
Guaraciaba e eram amigos do meu pai como
Nascimento Melo, Dona Ginoca, os Otavianos, Luís de Pinho e tantos outros.
No meu livro GUARACIABA
DO NORTE – Nossa Ruas, Nossa História dedico algumas páginas a pessoas de
Croatá que conheci quando menino.
Relembro que o conteúdo deste
livro se refere às minhas vivências até o inicio do ano de 1955 quando saí para
estudar no Seminário de Sobral.
Tudo certo para viagem a
São Luís do Maranhão, de 24 a 30 de junho. É o período mais movimentado com as
festas juninas. Espetáculos todas as noites em todos os bairros.
A recepção dos amigos nos
faz estar sempre dispostos a retornar à cidade que nos acolheu por vinte anos. É
uma cidade ótima para um bom passeio.
Dá gosto ver o desempenho
do Ministro maranhense Flávio Dino. Sempre uma demonstração de competência.
Quem lhe tenta fazer armadilha, passa vergonha.
Esta foto é de um dos
nossos encontros em São Luís, no Arraial do IPEM – Instituto de Previdência do
Estado do Maranhão. Ele era o Governador, com muitos êxitos.
A sangria do Araras virou
atração na região norte. A terra adotada pelo amigo Maílson Furtado é sempre
cheia de atrações. Ele também é uma atração. Literária.
No dia 10, passarei por
lá, a caminho de Guaraciaba do Norte que celebrará 232 anos de emancipação política.
Até 1994, ninguém tinha conhecimento da data.
Foi na gestão do Prefeito
Antônio Marques, em 1994, quando fui Secretário de Educação, que fizemos a
primeira celebração do município, em 12 de maio. Eram os 203 anos.
A comemoração da emancipação politica do município é uma boa oportunidade para as Escolas estudarem o significado da data. A emancipação é uma conquista permanente.
O município se emancipa à medida em que a sua população vai conquistando melhorias: Educação, Saúde, Trabalho, Redução das desigualdades sociais. Cada aniversário é momento de avaliação.
Não deverão ser visto apenas os aspectos externos, mas sobretudo a qualidade de vida da população. Os avanços na educação e na saúde vão além da quantidade, da classificação?
É importante observar se, neste ano a situação está melhor do que no ano anterior. Os estudantes estão aprendendo mais? Os Professores estão melhor preparados? Menos pessoas adoeceram? Há desempregos?
Cada celebração deveria ser precedido de Seminários de Avaliação do crescimento do município, com grande participação de todos os segmentos da comunidade. O que vale a pena celebrar?
CNBB: “Sem medo, pois a esperança é a nossa coragem”. 29.04.23
Encerrou-se ontem, a 60ª Conferência Nacional
dos Bispos do Brasil, no Santuário Nacional de Nossa Sra. Aparecida, em São
Paulo, reunindo cerca de 450 Bispos, de 19 a 28 de Abril, como acontece todos
os anos após a Páscoa.
São 10 dias de revisão dos trabalhos empreendidos, de debates sobre temas atualizados da Igreja, da Política ou da Conjuntura Geral do Mundo, com muito espaço para orações, debates de 22 temas, com um dia de Retiro Espiritual, encerrado com a celebração penitencial do perdão dos pecados, como requer a renovação Pascal.
De
modo especial, na Assembleia, foi feito um balanço da gestão de D. Walmor,
desde 2019, e foi eleito D. Jaime, novo Presidente, para dirigir por 04 anos.
Foram também emitidas 03 Mensagens: uma ao Papa Francisco, outra ao
Representante dos Bispos no Vaticano e outra ao Povo de Deus do Brasil, que iremos
divulgar e comentar, oportunamente.
Este
tipo de Assembleia Geral dos Bispos do Brasil acontece desde o final do
Concílio Ecumênico Vaticano II, em Roma, já pela 60ª vez, todos os anos além
dos Sínodos, intercalados para revisão de metas, como está acontecendo agora,
com término previsto para Novembro. É todo um trabalho de avaliação e
interligação, feito pela Igreja em todo o mundo, e que tem o Papa no comando com
todo o suporte e estrutura do Estado Cidade do Vaticano.
A
Análise de Conjuntura da CNBB dentro do Brasil, da nossa realidade política e
do mundo, foi apresentada por um Bispo do Nordeste, D. Francisco Lima, de
Carolina – MA, mostrando a dificuldade em abordá-la “neste momento histórico em que as transformações, possivelmente, estão
mais velozes que a nossa própria percepção, embora queira ser um instrumento
que ajude na vivência dos próximos passos desta Conferência Nacional, com uma
ação concreta, responsável e ética que una a todos em torno de nosso futuro”.
E o Senhor Bispo de Carolina, concluía: “a
maior esperança é esperançar-nos todos os dias e em todas as circunstâncias. Sem medo, pois a esperança é a nossa coragem”.
Como
sou Padre, contemporâneo de Bispos ousados e corajosos (como D. Helder, D.
Francisco, D. Aloísio, D. Fragoso, D. José Maria, D. Casaldáliga) fico
feliz ao ler a análise conjuntural de um D. Francisco atual: esperançoso, coerente,
que, no nordeste do Brasil, levanta sua voz no meio de tantos bispos,
sacerdotes e leigos para dizer que “após
as eleições nacionais de outubro, o ano de 2023 entrou dando esperanças
concretas de resistência ante a mudança no poder executivo que estava agindo
fora da Constituição, o que foi, duramente, combatido pelo poder judiciário,
chegando a um ponto final que a Democracia foi vitoriosa”
Aqui, de longe, na
minha cidadezinha do interior do Ceará, Bela Cruz, vou acompanhando a
caminhada eclesial, nacional e até mundial, via internet, no acesso que me é
permitido ter. Vou me atualizando como posso. No alto dos meus 82 anos, sem
provisão canônica para fazer qualquer trabalho e mesmo sem poder mais realizá-lo,
vou escrevendo, lendo, rezando um pouco e aguardando o reencontro final. Mas
vibro ao ver algum belo exemplo de alguém e alguma mensagem de esperança que me
chega. Como não ficar feliz, vendo a CNBB galgando os pontos que ela sempre
conquistou, mesmo diante das dificuldades para desempenhar sua missão! Como não
a admirar ao enfrentar a Pandemia, como a Igreja em geral, e sair vitoriosa,
como saiu a Democracia, segundo o Senhor Bispo de Carolina, no Maranhão! E ele
concluiu: “Tudo isso repercutiu na realidade latino-americana e mesmo mundial,
que é analisada sob a luz do nosso processo eleitoral brasileiro de 2022, que
impactou no reordenamento geopolítico global e regional”.
No meio desta análise
conjuntural, que me deixou tão satisfeito com o enfoque dado pela minha Igreja,
através de sua Conferência Episcopal, senti um aumento da minha alegria, com a
“volta do Brasil” à Europa, ao mundo político, às negociações econômicas,
cheias de esperança, à busca de investimentos e de uma abertura para uma
situação econômica mais razoável, mais respeitada e de mais felicidade para
todos.
No reencontro do
governo brasileiro com Portugal e Espanha, depois de sua entrada pela Ásia, com
muitas esperanças, fiquei muito feliz vendo o Chico Buarque reconhecido,
homenageado e laureado com o Prêmio Camões de Literatura, a mais importante
distinção da língua portuguesa.
Qualquer brasileiro,
que se preza, sabe quem é Chico Buarque: nasceu aos 19 de Junho de 1944, no Rio
de Janeiro. Filho de Maria Amélia e Sérgio Buarque de Holanda. Cantor,
compositor, dramaturgo, escritor e ator.
Além da sua
notabilidade como músico e com composições, internacionalmente, conhecidas e
cantadas, desenvolveu ao longo dos anos uma fluente carreira literária recheada
de peças teatrais e romances, lançados e relançados dentro e fora do Brasil.
Em 1953 seu pai, Sérgio
Buarque, foi convidado a lecionar na Universidade de Roma, pra onde se transferiu
com a família e Chico falava inglês na Escola e Italiano nas ruas, enquanto se
inspirava, compondo suas primeiras marchinhas de carnaval, até voltar ao Brasil
na década de 1960, cada vez mais comprometido com a sua criatividade musical e literatura
escrita que sempre o caracterizaram.
Suas composições musicais
e suas inspirações literárias são tão cheias de conteúdo social que o
caracterizam em tudo o que faz. Foi este seu caráter marcante no que produz e
chega até seus admiradores, que o fez merecer o Prêmio Camões de Literatura, só dedicado aos mais prestigiados escritores,
artistas e compositores como o é Chico Buarque.
A distinção foi criada
em 1988 pelos Governos português e brasileiro para “consagrar um autor de língua portuguesa que, pelo conjunto da obra,
tenha contribuído para o enriquecimento do patrimônio literário e cultural de
nossa língua comum”. O agraciado é escolhido a cada ano por um júri formado
por representantes do Brasil e de Portugal e de nações africanas de língua
oficial portuguesa, no âmbito da CPLP (Comunidade dos Países de Língua
Portuguesa). Antes de Chico Buarque, outros brasileiros já foram agraciados: 1993:
Rachel de Queiroz; 1994: Jorge Amado; 2008: João Ubaldo Ribeiro e 2010:
Ferreira Gullar.
Chico Buarque foi
votado há 04 anos, mas o governo que começava em 2019 não deu valor algum à
comenda, porque discordava, ideologicamente, do homenageado. Com a mudança do
governo, no início de 2023, mais afinado com o pensamento de Chico e amigos de
longa data, a Cerimônia foi realizada, esta semana, dia 24, em Lisboa, diante
dos governos Português e Brasileiro.
Ao falar, o Presidente Lula, do Brasil disse: “hoje, para mim, é uma satisfação corrigir um dos maiores absurdos cometidos contra a cultura brasileira nos últimos tempos... O ataque à cultura em todas as suas formas. Foi uma dimensão importante do projeto que a extrema direita tentou implantar no Brasil. Estamos aqui pra reparar a celebração da Obra de Chico”.
quarta-feira, 26 de abril de 2023
IDEIAS & NOTÍCIAS
IETOS E GRUPO NOSSA FACULDADE ABREM TURMAS DE GRADUAÇÃO E PÓS-GRADUAÇÃO EM MASSAPÊ – Ceará.
Aconteceu
no dia 25 de março a aula inaugural do Curso de Pedagogia, sob a Coordenação do
IETOS/FAFICE, em Massapê, Ceará. Trata-se de uma parceria com a Secretaria de
Educação do Município que, considerando a importância do curso, ofereceu as
condições necessárias para o seu bom funcionamento.
Os contatos
foram estabelecidos entre a Diretora Acadêmica do IETOS, Professora Mestra e
Doutoranda Muldiane Pedroza e a Secretária Educação
Sandra Mota. Para a Coordenação local do curso de Pedagogia, foi
escolhida de comum acordo a Professora Marly Lopes que já possui experiências
pedagógicas para desempenhar a tarefa de grande relevância.
Na solenidade de abertura, a Professora Muldiane Pedroza abordou a importância
daquele curso e a seriedade com que será conduzido.
Coube ao Professor Márcio Lopes conduzir a primeira disciplina
que despertou muito interesse entre o grupo de acadêmicos. Ao que tudo indica, novos alunos ainda
procurarão inscrever-se graças à repercussão das informações sobre a primeira aula e sobre
as ótimas informações dadas sobre o IETOS.
A primeira experiência de
sucesso do IETOS, com implantação de curso de graduação no interior cearense
foi em Irauçuba. E não foi na sede do município, como tem ocorrido. Foi na zona
rural. No distrito de Campinas.
A decisão dos fundadores do IETOS, Paulo Luz e Muldiane Pedroza,
era, exatamente, de levar oportunidade para os que mais precisavam. E assim o
fez. A turma foi instalada na Escola “Manoel Coelho da Cruz”. Tive o privilégio de ministrar a primeira
disciplina. E tudo foi dando certo. As
dificuldade eram superadas pela boa vontade do grupo. E a festa de Colação de Grau foi um sucesso.
O curso mudou a vida de todos os que nele acreditaram.
Depois foi a turma do distrito de Juá, também em Irauçuba. Outro
sucesso. A credibilidade sempre aumentando pela capacidade de organização e
funcionamento.
Agora, o IETOS está chegando a Massapê. Uma parceria que tem
tudo par dar certo com a Secretaria de Educação do município. É claro que, na
caminhada será fundamental o compromisso de cada aluno. É cada um que aprende.
O trabalho dos Professores nos encontros programados sempre reforçam o
interesse das turmas.
A Diretora Pedagógica
Muldiane Pedroza conduz tudo com muita competência. Mesmo estando fazendo o seu
Doutorado que lhe exige muito estudo e dedicação, tem sabido dar conta do
recado.
É importante destacar que o Grupo Nossa Faculdade é
composto pelo Centro Universitário Rio Madeira – UNIRIO, Centro Universitário Tobias Barreto – UNIFTB, UNIRIO:
Porto Velho – RO. UNIFTB – Sergipe e Faculdade Metropolitana do Crato – FAMEC -
Crato
A presença do Grupo Nossa Faculdade – IETOS, em Massapê se deve ao apoio
da Prefeita Aline Albuquerque, do Vice-prefeito Luiz Carlos Frota, da Secretária de Educação Sandra Mota, da
Diretora Acadêmica do IETOS Muldiane Pedroza, do Diretor Administrativo Edson Duarte, da Coordenadora local Marly Lopes e, especialmente, deste grupo de acadêmicos que aproveita esta oportunidade e terá, com certeza, muito sucesso.
Muldiane e Edson destacam sempre “Gratidão
a Deus e à nossa Secretária Sandra Mota e aos nossos parceiros”.
sábado, 22 de abril de 2023
COLUNA PRIMEIRO PLANO
O COMITÊ "MEMÓRIA, VERDADE E JUSTIÇA" TEM
ENCONTRO COM AS ESCOLAS. Edição de 22 de abril
A ideia, segundo o Deputado
Renato Roseno, era de um contato com a Secretaria de Educação do Estado, na
perspectiva de oportunidades para contato com alunos sobre Memória, Verdade e Justiça.
A Secretaria foi mais longe, conforme o Secretário Helder Nogueira, e promoveu, em parceria com a Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa, um grande evento.
No dia 20, foi realizado o Seminário Memória Verdade e Justiça com a presença de 32 Escolas Estaduais, 01 Municipal e 01 Particular, no auditório Murilo Aguiar.
Foi um evento de grande relevância que entusiasmou a todos os que estava presentes. A Dra. Socorro França, titular da Secretaria de Direitos Humanos e Cidadania foi a primeira a manifestar a sua satisfação.
A abertura foi feita pela Cerimonialista da SEDUC com um texto muito bem elaborado e lido com muita ênfase. Aquela leitura deu o tom de entusiasmo do evento.
O relato da própria experiência como ex preso e torturado pela ditadura, Professor Valter Pinheiro, despertou muita atenção de todos.
De nossa parte, falamos, como Presidente, sobre a existência e objetivos da Comissão Especial Wanda Sidou que indeniza presos e perseguidos políticos no Ceará.
Por certo os resultados daquele Seminário serão surpreendentes. Nossa intenção é estimular que o Comitê MEMÓRIA, VERDADE E JUSTIÇA chegue a todas as escolas cearenses.
Na oportunidade, o Deputado Renato Roseno distribuiu algumas cópias de
seu Projeto que estabelece a Semana da Memória, Verdade e Justiça no Ceará.
As conversas que circulam sobre o Patronato Benjamim Soares, de Guaraciaba do Norte, hoje, Instituto, fizeram-me recordar de sua história.
A nossa situação era muito precária, como está em nosso livro sobre nossa cidade. Não havia prédios escolares. As aulas funcionava na casa das professoras.
O primeiro prédio construído serviu para abrigas as Escolas Reunidas onde o Professor João Barreto organizou o Educandário Guaraciabense.
O prédio foi construído na gestão do Prefeito Vicente Nobre de Sousa. Por falta de alguém que soubesse interpretar uma planta, meu pai assumiu a construção com operários locais.
Que eu saiba, a casa onde funciona hoje o IBS, em Guaraciaba do Norte, pertencia ao casal Aretuza e Leopoldo Gonçalves Rosa.
Lá estive várias vezes quando criança, em companhia de meu pai, amigo do casal e, mais tarde, como Seminarista. Pelo seu estilo, a casa despertava muita curiosidade.
Quando o imóvel foi adquirido pela Paróquia, com recursos doados por Dona Maria Rute Soares, era para ali instalar o Patronato com o nome de seu finado esposo.
O nascimento do Patronato deu uma nova vida à educação local. A primeira gestão coube às Irmãs de Santa Catarina de Sena.
São sempre lembrados os nomes das Irmãs Gracília, Maria de Lourdes, Natividade e a superiora irmã Mendes. Cada uma. A seu modo, marcou sua passagem em nossa terra.
A Secretaria de Direitos Humanos e Cidadania, criada no atual governo, já está funcionando plenamente, sob a direção da dra. Socorro França, na Rua Valdetário Mota, 970.
Os betanistas Davi Vasconcelos, João Ribeiro Paiva Valdeci Vasconcelos e outros estão articulando o lançamento dos livros AD VITAM e AD LABOREM, em Sobral.
Os resultados das vendas serão repassados à direção do Seminário, como, no passado fazia a OVS – Obra das Vocações Sacerdotais.
O jornalista Herculano Costa que teve uma vida muito próxima do Mons. Joaquim Arnóbio de Andrade, aniversariou ontem.
Herculano conhece muitas histórias do nosso futuro santo. Algumas delas irão contribuir muito para a beatificação de um santo que foi nosso contemporâneo.
Mons. Arnóbio foi Diretor Espiritual e Professor de Latim no Seminário de Sobral, onde tive o privilégio de estudar por sete anos.
O COMENTÁRIO DA SEMANA
A Palavra de Deus tem 365 vezes: “NÃO TENHAIS MEDO”
Desde os meus 11 anos -
iniciando os estudos no Seminário de Sobral - comecei a ter um entendimento
mais aprofundado sobre o que era ser Padre ao tomar contato com D. José Tupinambá,
com sua competente equipe de Formadores e com o clima ou ambiente fraternal que
nos era ensinado, não só no conteúdo curricular de disciplinas, como na
abertura da mente para a vida.
Éramos uns cem seminaristas, vindos das mais
variadas paróquias e distancias, das mais diversas origens familiares, que
convivíamos como irmãos e companheiros por mais tempo do que com os próprios
irmãos em casa.
No
seminário, estávamos para estudar, viver em comunidade, rezar e, é claro,
aprender muito: tudo o que fosse de proveito para a nossa missão futura.
Mantínhamos
os princípios familiares e religiosos que trazíamos de casa, embora fôssemos
orientados para os irmos aperfeiçoando e dando um novo enfoque para a prática a
que nos propúnhamos. Estávamos em formação.
Éramos
divididos em dois grupos: a “divisão dos menores”: de 10/11 anos aos 14 e a
“divisão dos maiores”: dos 15 anos em diante. Mais ou menos nesses limites, nos
mantínhamos separados, dentro da mesma casa, embora com alguns momentos juntos:
nas celebrações, no refeitório, no Salão de Atos para comemorações, grêmios
literários, leituras de notas e nas filas – dois a dois – em nossas locomoções
gerais, em silencio.
O
silencio só era cortado, na hora da recreação, das práticas esportivas e, raras
vezes, na hora da refeição, em dia de festa ou de um feriado extra. Nos dias
comuns, ouvia-se uma leitura bíblica no café, outra mais informativa no almoço
e mais uma de espiritualidade referente à vida dos santos, no jantar.
Os
padres, nossos professores, nos diziam que a Bíblia declara em 365 ocasiões,
que a gente não deve ter medo. Ter medo era uma das heranças que trazíamos de
casa: ter medo de injeção, do escuro ou ter medo da morte.
Nosso
Reitor do Seminário, Padre Austregésilo, dizia em alto e bom som, que ‘medo
é uma palavra que não existe em meu dicionário’ que eu pude comprovar
mais tarde, trabalhando por 36 anos em sua Diocese.
A Palavra de Deus tem 365 vezes – dá para ler em 365
ocasiões, uma vez cada dia – “não tenhais medo”. E nós
tínhamos medo, por exemplo, da morte. A mesma Bíblia nos ensinou que Jesus morreu
e ressuscitou. Foi o que mais ouvimos estes dias, em que celebramos a Páscoa,
isto é, a passagem da morte para a vida, do pecado para a graça ou do mal para
o bem.
O “nosso Júnior” - que estamos lembrando hoje -
nos deixou no dia 05/03 - 33 dias antes de completar seus 25 anos - no Sábado
de Aleluia: 08 de abril. Na véspera ou Vigília Pascal. Na noite da Ressurreição.
Nós não o deixamos, nós não o esquecemos, nós sempre o teremos como “nosso
Júnior”.
Seu
carinho, sua bondade, delicadeza e solidariedade, seu jeito único de ser,
jamais serão esquecidos. Por isso, quisemo-nos encontrar na Festa da Páscoa: é
a alegria que não acaba nunca. Vale por toda a eternidade. Saudade, sim! Faz parte da nossa vida. Como Meu Júnior, faz parte do seu avô
Pedro Rocha, do seu pai Zé Francisco e do Paizão-Deus, que o receberam na vida
eterna. Como “Nosso Júnior”,
ele agora ‘faz parte da vida de Deus, que enxugará de seus olhos, todas as
lágrimas. Não haverá mais morte, nem tristeza, nem choro, nem dor. Tais coisas
velhas já passaram... Agora Deus faz novas todas as coisas. Tudo está feito!’
(Apoc.21,4-6).
Quero
dar um exemplo de quem está aqui conosco, acreditando nessas palavras e até
querendo depor pra todos nós: Pedro
Juvêncio.
Primo
legítimo do Meu Júnior, amigos
inseparáveis, solidários nas horas mais difíceis, cúmplices nas aventuras,
enfim uma parceria tão íntima, possível somente, entre irmãos que muito se
amam. Não suportando o sufoco procurou-me aqui em casa para conversar. Queria
entender a partida do primo querido.
Estava
meio temeroso em nos acolher hoje por ser seu aniversário e não poder festejar,
condignamente, devido o sentimento que invade a todos nós, parentes dos dois,
nos mesmos graus de consanguinidade. Eu disse ao Pedro Juvêncio, o que acabei
de dizer a todos vocês, citando o Livro do Apocalipse: o Nosso Júnior, agora, “faz
parte da vida de Deus. O mesmo Deus que enxugará de seus olhos todas as
lágrimas. Não haverá mais morte, nem tristeza, nem choro, nem dor... Agora faço
novas todas as coisas”.
Se
é esta a felicidade de quem está com Deus, o nosso Júnior vai ficar mais
contente com a nossa alegria. Em Deus tudo se renova. Nós, os que ainda estamos
aqui, é que devemos mudar os nossos conceitos, converter-nos e tornar
novas todas as coisas. A hora de mudar é agora. Uma coisa é a vida
terrena em que precisamos de hospital, de remédios, de médico, de nos alimentar,
e sentirmos dores por todo o corpo. Outra coisa é estarmos com Deus, em nosso
modo mais perfeito, sem mancar, sem cegueira, sem precisar de alimentação, de
salário, sem preocupações maiores. Isto é o céu. Acredita?
No
Segundo Domingo Pascal - 16 de Abril - celebramos pelo 23º ano consecutivo, o Domingo
da Divina Misericórdia, recordando a Aparição de Jesus aos seus discípulos
no Cenáculo, após a Ressurreição, dando-lhes o poder de perdoar ou reter os
pecados (Jo 20,19-31). Essa passagem abrange a
aparição de Jesus Ressuscitado ao Apóstolo São Tomé, quando Jesus o convida a
tocar em Suas chagas no 8º dia depois da Ressurreição (Jo 20,6).
Num
1º momento, os discípulos estavam reunidos, a portas fechadas, movidos pelo
medo e pelo lamento. Jesus lhes aparece. O luto se transforma em alegria. Jesus
comunica a sua paz, o que cura a tristeza e o luto e oferece-lhes o dom do
Espírito Santo, como um novo sopro criacional e reconciliador.
Nessa
ocasião, Tomé não estava com eles. Os colegas lhe disseram da alegria de terem
visto o Ressuscitado. Tomé não acreditou. Os discípulos não tiveram argumentos
para convencê-lo e criou-se uma 1ª crise na Missão.
Oito
dias depois, Jesus reaparece. Tomé está presente, mas as portas continuam
fechadas. O medo não havia sido vencido. Tomé não acreditara nos irmãos. O
diálogo entre Jesus e Tomé é profundo e belo. Tomé toca as marcas do
Crucificado, nas mãos e no lado e faz a mais bela profissão de fé: “meu
Senhor e meu Deus”. Esta bem-aventurança final é um compromisso aberto
aos seguidores de Jesus que devem continuar sua missão.
Jesus diz, então, explicitamente: “a paz esteja convosco; como o Pai me enviou
eu também vos envio... Recebei o Espírito Santo. A quem perdoardes os pecados
eles lhe serão perdoados; a quem não os perdoardes, eles lhes serão retidos”.
Estava instituído o sacramento do Perdão, a quem sempre devemos recorrer,
diante das nossas dúvidas ou mesmo dos erros praticados.
Não devemos ter
preconceitos com relação ao poder do sacerdote. É o recurso que nós temos, ainda
nesta vida terrena, se quisermos reatar nossa amizade com Deus. Sigam o exemplo
do P. Juvêncio: “nem é preciso ver para
acreditar... Acreditem sem ver”.
A máxima de Jesus vale
pra todos nós. Não vimos o ressuscitado, mas acreditamos em sua Divina
Misericórdia. Peçamos ao Nosso Júnior que, na Glória de Deus,
interceda por nosso aumento de fé até nos reencontrarmos.
sexta-feira, 21 de abril de 2023
IDEIAS & NOTICIAS
O DIA EM QUE DESAFIEI PATATIVA
Autor: José Hairton Carvalho (*)
I XIII
|
Eu ontem acordando nervoso e afobado Azedo, abusado e metido a poeta Pus ordem na mente, tracei minha meta Vi verso bulindo por tudo que é lado Vi rima perfeita, vi verso quebrado Da minha cabeça querendo saltar Prá onde eu olhava eu via pular Um verso, uma rima, uma quadra e um
tema Por onde eu passava ia caindo poema Nos dez de galope da beira do mar II Liguei o meu Rádio na Educadora E aquela emissora falou de um programa Juntar repentistas, poetas de fama E uma Academia seria promotora Aquela conversa eu achei promissora Do tal desafio quis participar Do jeito que eu tava de tanto versar Pegando poema e jogando prá cima Ninguém me vencia na métrica e na rima
Nos dez de galope da beira do mar III E já resolvido daquela viagem Juntei a bagagem de tudo que eu tinha Poemas, sonetos, cordéis e quadrinhas Meus versos melhores de pura linhagem Eu não poderia manchar minha imagem De bom repentista versado em rimar Talento e coragem eu tinha prá dar Um rio de rimas trazia na memória Do tal desafio eu queria a vitória Nos dez de galope da beira do mar IV Chegado o momento da grande disputa Parti para a luta disposto a vencer E tendo a certeza de nada temer Tomei meu lugar e fiquei na escuta Eu tava tão certo da minha batuta Que quase não via o povo chegar Já tinha plateia por todo lugar Poetas, nem falo, fazia até lama Só cabra danado, só gente de fama Nos dez de galope da beira do mar V Mas mesmo na peia o tal repentista Levantando a vista me disse: - poeta, Agora se aprume prá entrar na reta Que eu já botei o meu carro na pista Sou
advogado, sou radialista, Poeta, escritor, já
fui parlamentar ... Deu muito trabalho
dele se calar E eu fiz tanto
verso prá Pedro Bandeira Deixei o matuto
falando besteira Nos dez de galope
da beira do mar VI Depois que Bandeira acabou toda a fama Armou uma trama prá me dar castigo E trouxe um sujeito prá cantar comigo Um tal de William, Gerente do
IBAMA Chegou já cantando e fazendo um
programa De ecologia pegou a falar Mas se ele pensava que eu ia me calar Quebrou o focinho, pois no meu estudo De mato e de bicho eu entendo é de
tudo Nos dez de galope da beira do mar. VII -Eu sou William Brito e sou
competente Já fui Presidente desta Academia Me guarde respeito, pois na poesia Sou grande e sou forte, sou brabo e
valente – Pois eu sou pequeno, mas parto na
frente Que a sua grandeza não vai me assustar
Eu quando começo não sei terminar Mas quando termino já sei do começo Cantando repente não tenho tropeço Nos dez de galope da beira do mar VIII Venci o poeta da Academia Mas minha euforia foi logo acabando Pois logo outro cabra foi se
aproximando E olhando me disse: - colega, bom dia Eu muito admiro a sua poesia É bom o seu verso, não vou lhe negar Porém eu lhe aviso, não vá se assustar
Me peça licença, não seja teimoso Que eu sou Paulo Veras poeta famoso Nos dez de galope na beira do mar IX O tempo ia passando e nenhum começava E o povo chiava com a incompetência Pedi a plateia pra ter paciência Mas nem meu pedido o povo escutava Ao ver que nem um nem o outro cantava Pus ordem na casa pro povo acalmar Os dois não souberam nem mesmo falar Chegaram sem fala e saíram calados Fiquei foi com pena dos pobres
coitados Nos dez de galope da beira do mar X Chamaram depois Luciano Carneiro,
Alegre e faceiro um tal Zé Joel
Chico Nascimento trazendo um cordel
E uma tal de Bastinha chegou do
Lameiro Atrás Elói Teles e Gilvan
Grangeiro Professor Eugênio, querendo
ajudar Chamou Maranhão prá poder me atacar Com Geraldo Amâncio fizeram uma
trama: Fazer uma junta e zerar minha fama Nos dez de galope da beira do mar XI Que força era aquela nem mesmo eu sabia A minha poesia pintava e bordava E enquanto esta junta seu plano
tramava Aquela plateia meus versos pedia Bastava eu falar e o povo aplaudia Porém eu não tinha com quem disputar E a junta juntava e tornava a juntar E dela eu não via sair uma ideia Ninguém decidia animar a plateia Nos dez de galope da beira do mar XII E aqueles amigos, poetas de fama Caíram da cama com a junta quebrada Pois toda a conversa no fim deu em
nada Não teve sucesso aquele programa Falharam no verso, na rima e na trama Não veio ninguém prá me desafiar Venci um a um sem sair do lugar E todos ficaram com a cara mexendo Chegaram sem nada e saíram perdendo Nos dez de galope na beira do mar
|
Chegou minha vez e não teve demora E eu disse: é agora que eu sento a
correia Me chame o coitado que vai levar peia Até esquecer o lugar onde mora Foi eu me calar e em cima da hora Chegou um sujeito prá me provocar Um tal de Oliveira das bandas
de lá Que foi me dizendo um tanto raivoso: -
Eu sou Oliveira, poeta famoso Nos dez de galope da beira do mar – XIV Pois seu Oliveira, eu não tenho fama Mas hoje de cama você não descansa Cantando comigo você pula e dança E as suas panelas eu encho de lama A tal Paraíba que você proclama No fim da conversa vai lhe renegar E não adianta você implorar Que hoje eu lhe pego, lhe ensebo as
canelas Arrombo a cozinha, lhe amasso as
panelas Nos dez de galope da beira do mar XV - Eu sou Oliveira, poeta que
canta Mas não adianta cantar prá você Um B é um A e um A é um B A janta é o almoço e o almoço é a
janta – Pois cabra Oliveira você não me
espanta Você hoje estuda é no meu beabá Um B é um B e um A é um A A janta é a janta e o almoço é o
almoço Os seus trocadilhos não causam
alvoroço Nos dez de galope da beira do mar XVI Com este repente o tal de Oliveira Disse umas besteiras sem pé nem cabeça
E eu disse cantando: antes que
anoiteça Mande outro poeta de rima ligeira Aí me chegou um tal Pedro Bandeira
Que disse que vinha prá me derrubar Mas quando me ouviu começou gaguejar Fiquei foi com pena que eu não sou
perverso Mas dei-lhe uma surra de rima e de
verso Nos dez de galope da beira do mar XVII - Amigo poeta, não diga besteira Pois desta maneira, você não me
assusta Não peço licença, pois nada me custa Fazer Paulo Veras sair na
carreira Teimoso é você, seu poeta de feira, Não banque o esperto, não queira
enganar Se é tão famoso comece a cantar Não fique enrolando como é seu feitio Que o povo quer mesmo é ouvir desafio Nos dez de galope da beira do mar XVIII Com meu desempenho eu estava
assombrado Porque do meu lado eu não via
concorrente Sentia poemas saindo da mente E o povo aplaudindo meu verso rimado E o tal Paulo Veras todo atrapalhado Tossiu, gaguejou, começou a babar Foi se preparando prá se retirar Pegou sua fama e pôs dentro do saco Saiu tropeçando, catando cavaco Nos dez de galope da beira do mar XIX Lá de Missão Velha um tal Biu
Pereira Sentou na cadeira e me disse: - poeta,
A festa acabou prá você, pegue a reta Quero outro poeta na sua cadeira E eu disse: - se cale, não diga
besteira Melhor que você desocupe o lugar Me peça licença e vá se limpar Estou avisando e não peço segredo Quem canta comigo se caga de medo Nos dez de galope da beira do mar XX Trouxeram Edésio, um bom
repentista, Abraão Batista esboçou valentia Mas mal começou já chamou Zé Maria Um outro poeta que estava na lista E quando me viu tirou onda de artista Bateu, remexeu, sem saber começar Chamou Dede França para lhe ajudar Um funga e outro funga e tempera a
garganta Enquanto a plateia pedia: - Canta,
canta Nos dez de galope da beira do mar XXI E quando eu não tinha mais alternativa
Chegou Patativa e sentou do meu
lado Me disse:- Poeta, tú tá é lascado Tempera a garganta e engole a saliva Teu verso é bem-feito, tua mente é
ativa Porém não tens fama prá desafiar Prá dizer besteira é melhor nem falar Tu ia pro caju eu já vinha da castanha
Tu hoje escorrega, tropeça e apanha Nos dez de galope da beira do mar – XXII Meu mestre poeta lhe guardo respeito Mas sou um sujeito de muita coragem Quando entro no fogo não perco a
viagem E todo serviço eu só faço é bem-feito Capriche na rima e no verso perfeito Senão quem apanha é quem veio açoitar Não tenha receio, comece a rimar Que eu não sou poeta, mas quando me
meto Eu faço repente, cordel e soneto Nos dez de galope da beira do mar XXIII E enquanto a plateia de pé aplaudia A minha alegria não tinha limite Foi quando na mente eu tive um palpite
Vencer Patativa fazendo poesia Mas quando meu plano pensei que
cumpria A minha mulher começou me chamar Acorda que é hora de ir trabalhar Não era real o que eu tava pensando Não tinha desafio, eu tava sonhando Nos dez de galope da beira do mar XXIV Que história mais besta, que sonho
mais chato Fazendo de pato tão grandes poetas Usando disfarce e maneiras secretas Fazendo papel de poeta barato Eu peço desculpas por tal desacato Por esta besteira vou me castigar Ler muito cordel e, além disso, rezar Quarenta Pai Nossos e cem Ave Marias Prá ver se eu aprendo a fazer poesia Nos dez de galope da beira do mar (*) Autor: HAIRTON CARVALHO, de Bela Cruz - Ce. publicitário, cordelista, compositor, poeta, residente em Crato- Ce.
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