quinta-feira, 6 de abril de 2023

MOMENTO CULTURAL

       A CRUZ É NOSSA                                     EUDES DE SOUSA

À Páscoa

A cruz que se fez entre nós. Talvez não seja possível escolher a cruz que, necessariamente, temos que carregar. Talvez nem mesmo nos seja possível fugir dessa cruz escolhida e feita para nós desde os desígnios da eternidade.

Sabemos, no entanto, que a cruz é nossa, e está em nós, a partir do instante em que abrimos os olhos para a visualização consentida da nossa consciência vertical; e que esta cruz se estende, ao tamanho reduzido dos nossos ombros humanos.

O que pretende ensinar Cristo é  o reencontro do homem  consigo mesmo. É apenas a metade do caminho. A outra metade está na decolada, no caminho para Deus, não aventurando Deus.

Mas existe muitos aventureiros que andam  em busca de Deus, através dos tempos ou do espaço, e  não por dentro de si mesmos. Ninguém deve estar esquecido daquela frase tristemente famosa, dita por Yuri Gagarin, o astronauta russo, quando lhe perguntara se tinha visto Deus, lá em cima: “não o vi; Deus não existe”. Já Gordon Cooper, outro astronauta, respondendo à mesma pergunta, disse: Para ver Deus não preciso subir às alturas e, se subo levo o dentro de mim”. Compare se a diferença de altura entre os dois, e nota se como subir fisicamente pode resultar numa descida espiritual. Pois o caso é que, se Gagarin não viu Deus, no espaço, estejamos certos de que Deus viu Gagarin e este não viu teve com percebê-Lo.

Até porque a questão não é sair o homem aleatoriamente à procura de Deus, mas o homem saber  se preparar para deixar Deus vir a sua procura, ou despertar em seu coração, pois, o homem já é um ser achado, embora nem sempre saiba disso, ignorando assim que, enquanto não se dispuser ir ao encontro de si mesmo, estará fatalmente em desencontro com o Criador.

Em Deus, a essência repousa Cristo, do qual fala Paulo, somos  como membros do mesmos corpos, do qual Cristo faz parte, sem nenhuma pretensão de ser destaque, pois que ele, como parte, é aquele que disse: “tive fome e não me deste de comer”, ou seja, ele não a parte que virá que voltará, mas que permanentemente está. Cristo não foi embora, apesar de haver ressuscitado, senão de um Cristo que está em nós como semelhante. O arrebatamento é uma criação elitista dos que desconhecem que Cristo, muito pelo contrário de vir para os eleitos, veio desde o princípio para as ovelhas desgarradas. Essas sim serão rebatadas, conforme ele arrebatado os dois ladrões que, como ele foram crucificados; que há de nos ajudar a também subir até o topo vislumbrado nesse Gólgota, que é o verdadeiro lar do cristão.

Jesus é íntimo: ele quis, ele aceitou o sofrimento, mas ele sofreu. No coração do mais rebelde dos humanos está a verdade do sofrimento que leva a eficácia que não saberia ser contestada: o Cristo é aquele que gritou; “Meu Pai, tem piedade de mim, afasta de mim este cálice”. E que não foi escutado.

 Sim, talvez essa cruz nos seja erguida e eternamente ainda e sempre a fase se, como fruto da carne que é mortal, mas que possui também a possibilidade da redenção de seus pecados, já que o pecado inicial conhecerá seu término, no encontro possível com Deus..

Portanto, Talvez essa cruz nos seja ofertada como o fundamento da escolha de escolher a liberdade dessa cruz como razão única e possível de nossa existência, pelas mãos inescrutáveis que um dia nos criaram., porque essa cruz é nossa, e está em nós, todos os dias.

                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                  Jornalista, historiador, crítico literário, membro do Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão  e Presidente da Academia Massapeense de Letras e Artes.









 

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