A CRUZ É NOSSA EUDES DE SOUSA
À Páscoa
A cruz que se fez
entre nós. Talvez não seja possível escolher a cruz que, necessariamente, temos
que carregar. Talvez nem mesmo nos seja possível fugir dessa cruz escolhida e
feita para nós desde os desígnios da eternidade.
Sabemos, no
entanto, que a cruz é nossa, e está em nós, a partir do instante em que abrimos
os olhos para a visualização consentida da nossa consciência vertical; e que esta
cruz se estende, ao tamanho reduzido dos nossos ombros humanos.
O que pretende
ensinar Cristo é o reencontro do
homem consigo mesmo. É apenas a metade
do caminho. A outra metade está na decolada, no caminho para Deus, não
aventurando Deus.
Mas existe muitos
aventureiros que andam em busca de Deus,
através dos tempos ou do espaço, e não
por dentro de si mesmos. Ninguém deve estar esquecido daquela frase tristemente
famosa, dita por Yuri Gagarin, o astronauta russo, quando lhe perguntara se
tinha visto Deus, lá em cima: “não o vi; Deus não existe”. Já Gordon
Cooper, outro astronauta, respondendo à mesma pergunta, disse: Para ver Deus
não preciso subir às alturas e, se subo levo o dentro de mim”. Compare se a
diferença de altura entre os dois, e nota se como subir fisicamente pode
resultar numa descida espiritual. Pois o caso é que, se Gagarin não viu Deus,
no espaço, estejamos certos de que Deus viu Gagarin e este não viu teve com
percebê-Lo.
Até porque a
questão não é sair o homem aleatoriamente à procura de Deus, mas o homem
saber se preparar para deixar Deus vir a
sua procura, ou despertar em seu coração, pois, o homem já é um ser achado,
embora nem sempre saiba disso, ignorando assim que, enquanto não se dispuser ir
ao encontro de si mesmo, estará fatalmente em desencontro com o Criador.
Em Deus, a
essência repousa Cristo, do qual fala Paulo, somos como membros do mesmos corpos, do qual Cristo
faz parte, sem nenhuma pretensão de ser destaque, pois que ele, como parte, é
aquele que disse: “tive fome e não me deste de comer”, ou seja, ele não a parte
que virá que voltará, mas que permanentemente está. Cristo não foi embora,
apesar de haver ressuscitado, senão de um Cristo que está em nós como
semelhante. O arrebatamento é uma criação elitista dos que desconhecem que
Cristo, muito pelo contrário de vir para os eleitos, veio desde o princípio
para as ovelhas desgarradas. Essas sim serão rebatadas, conforme ele arrebatado
os dois ladrões que, como ele foram crucificados; que há de nos ajudar a também
subir até o topo vislumbrado nesse Gólgota, que é o verdadeiro lar do cristão.
Jesus é íntimo:
ele quis, ele aceitou o sofrimento, mas ele sofreu. No coração do mais rebelde
dos humanos está a verdade do sofrimento que leva a eficácia que não saberia
ser contestada: o Cristo é aquele que gritou; “Meu Pai, tem piedade de mim,
afasta de mim este cálice”. E que não foi escutado.
Sim, talvez essa cruz nos seja erguida e eternamente ainda e sempre a fase se, como fruto da carne que é mortal, mas que possui também a possibilidade da redenção de seus pecados, já que o pecado inicial conhecerá seu término, no encontro possível com Deus..
Portanto, Talvez
essa cruz nos seja ofertada como o fundamento da escolha de escolher a
liberdade dessa cruz como razão única e possível de nossa existência, pelas
mãos inescrutáveis que um dia nos criaram., porque essa cruz é nossa, e está em
nós, todos os dias.
Jornalista,
historiador, crítico literário, membro do Instituto Histórico e Geográfico do
Maranhão e Presidente da Academia Massapeense de Letras e Artes.
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