domingo, 16 de abril de 2023

O COMENTÁRIO DA SEMANA

 

 

Bem-aventurados os que creram sem terem visto”.

A Igreja Católica celebra hoje o 2º Domingo da Páscoa, ou - como dizíamos em nosso último Comentário – no Domingo da Pascoela, um dia, especialmente dedicado, à Divina Misericórdia.  

Quem o incluiu no Calendário da Igreja foi São João Paulo II, no dia 30 de Abril do ano 2000, ao canonizar sua conterrânea polonesa, Santa Faustina Kowalska, declarando: ‘é importante que acolhamos inteiramente a mensagem                                                                              que nos vem da palavra de Deus neste 2º Domingo de Páscoa que, de agora em diante, na Igreja inteira, tomará o nome de Domingo da Divina Misericórdia’.

Tal devoção vem de revelações privadas a Santa Faustina, religiosa polonesa que recebeu as mensagens de Jesus sobre sua Divina Misericórdia no povoado de Plock, na Polônia.

A Divina Misericórdia é vinculada de modo especial ao Evangelho do 2º Domingo da Páscoa, representada no momento em que Jesus aparece aos discípulos no Cenáculo, após a Ressurreição e lhes dá o poder de perdoar ou reter os pecados (Jo 20, 19-31). Essa passagem abrange a aparição de Jesus Ressuscitado ao apóstolo São Tomé, quando Jesus o convida a tocar em Suas chagas no oitavo dia depois da Ressureição (Jo 20,26). Por isso mesmo, é celebrado na liturgia, oito dias depois da Páscoa.

A instituição deste Domingo da Misericórdia tem sustentação nas palavras de Jesus, inseridas muito bem neste tempo pascal, que dura por 07 semanas, indo até a Festa do Espírito Santo, o Pentecostes. Neste ano, 08/05. Até este dia, o Círio Pascal permanece aceso em todas as celebrações. De agora em diante, somente nas liturgias do Batismo, em que pais e padrinhos, segurando as velas acesas nas mãos das criancinhas desejam que elas sejam “iluminadas por Cristo, firmes na fé e amem os mandamentos e após uma vida longa e feliz, alcancem o reino dos céus e o convívio dos santos”.

Como Santa Faustina entrou nessa história? É a terceira dos 10 filhos de Mariana e Stanislaw, humildes camponeses, cristãos fervorosos, que lhe transmitiram uma fé profunda e autêntica. Foi batizada com o nome de Helena e já, aos sete anos, se sentiu chamada à vida religiosa. O pai não a autorizou.

Quando tinha 20 anos, sim. Recebeu a autorização, animada por uma visão de Cristo Sofredor, que lhe disse: “até quando terei que a suportar? Até quando você vai me enganar”?

Entrou então no Convento das Irmãs da Bem-aventurada Virgem Maria da Misericórdia, em Varsóvia, onde recebeu o nome de Irmã Maria Faustina. Durante 13 anos passou por vários conventos da Congregação, trabalhando na cozinha, no jardim e na portaria, sempre com muita dedicação, humildade e disponibilidade. E qual é a do Papa João Paulo II nesse contexto?

Nos anos sessenta – quando Dom Karol Wojitila era bispo de Cracóvia – promoveu o processo informativo concernente à vida e às virtudes de Faustina. Ao tornar-se Papa, João Paulo II presidiu à sua Beatificação, em 18/04/1993 e à Canonização em 30/04/2000, anunciando também o 1º Domingo depois da Páscoa, dedicado à Divina Misericórdia. Com pouco tempo, em abril de 2005, ele teve seu encontro definitivo com o Pai.

Sucederam-lhe no Governo da Igreja o Papa Bento XVI: 2005 a 2013 e o Papa Francisco de 2013 até nossos dias. Em 2015 o Papa Francisco abriu um Ano Santo da Misericórdia, na Festa de Nossa Senhora da Conceição e entre os Santos Padroeiros do Jubileu, invocou Santa Faustina Kowalska, como a grande motivadora da devoção à Divina Misericórdia.

Tal apelo à Divina Misericórdia já vinha da catequese tradicional, já que o texto do Evangelho de João (20,19-31), lido no 2º Domingo da Páscoa, sempre se referia a uma aparição de Jesus, aos 10 discípulos (faltavam Tomé e Judas) e o Seu reaparecimento, oito dias depois, com Tomé no meio.

No 1º momento, os discípulos estavam reunidos, a portas fechadas, movidos pelo medo e pelo lamento. Jesus lhes aparece. O luto se transforma em alegria. Jesus comunica a sua paz, o que cura a tristeza e o luto, e oferece-lhes o dom do Espírito Santo, como um novo sopro criacional e reconciliador.

Eles comunicam a Tomé a experiência do encontro com Cristo Ressuscitado e gera entre eles a primeira crise da missão: eles não foram capazes de convencer outrem da presença do Ressuscitado no seio da comunidade.

Oito dias depois, o Senhor reaparece. Tomé está presente, mas as portas continuam fechadas. O medo não foi vencido. Tomé não consegue acolher a mediação da Igreja, não acredita nos seus irmãos. O diálogo entre Jesus e Tomé é profundo e belo. Tomé toca as marcas do Crucificado, toca o lado de Cristo de onde brotou o Batismo e a Eucaristia, e chega à mais bela profissão de fé: meu Senhor e meu Deus”. Esta bem-aventurança final é um compromisso aberto aos seguidores de Jesus que continuam sua missão.

O Evangelho não é uma biografia, um livro que registra curiosidades sobre a vida de Jesus. O Evangelho nos compromete com a fé, e a fé é uma adesão existencial e totalizante a Jesus Cristo, no seio de uma comunidade eclesial que se faz serviço ao mundo. Isto é que é ser uma nova criatura na força e na luz do Espírito Santo.

Como eu disse acima, o apelo à Divina Misericórdia, já fazia parte da catequese tradicional. O texto do evangelho de São João que se lê a cada ano no 2º Domingo da Páscoa – 08 dias após a Ressurreição - diz explicitamente, saindo da boca de Jesus: “a paz esteja convosco; como o Pai me enviou eu também vos envio... Recebei o Espírito Santo. A quem perdoardes os pecados, eles lhes serão perdoados; a quem não os perdoardes eles lhes serão retidos”. Será que se pode duvidar da Sua Misericórdia? Perdoar sempre é a ordem. Leva à salvação. É vida eterna garantida. Você acredita nisto? Não estará na hora de pensar e aprofundar este conhecimento? Nunca é tarde. Aproveite!

Será que precisa ver, tocar as mãos e o lado de Jesus? Ele dirá como disse a Tomé: “Acreditaste, por que me viste? Bem-aventurados os que creram sem terem visto”.

No final de tudo, queremos deixar uma mensagem que marque em nós o tempo pascal ou da conversão total: “a quem perdoardes os pecados, eles lhes serão perdoados; a quem não os perdoardes, eles lhes serão retidos”.

Jesus é o Deus de misericórdia e porque nos ama, nos perdoa; nos perdoa porque nos ama. A misericórdia restabelece, recria nossas relações com Deus e com os irmãos, e nos faz ser mais solidários e fraternos.

Na liturgia deste 2º Domingo de Páscoa, recordamos a misericórdia do Senhor, pois ele mesmo vai dizer como os Apóstolos devem agir. Aprendamos do segredo dessa misericórdia divina que não se cansa de nos oferecer a reconciliação, a vida em abundância. O Ressuscitado é a vida em plenitude.











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