Bem-aventurados os que creram sem
terem visto”.
A Igreja Católica celebra hoje o 2º Domingo da
Páscoa, ou - como dizíamos em nosso último Comentário – no Domingo da Pascoela,
um dia, especialmente dedicado, à Divina Misericórdia.
Quem o incluiu no
Calendário da Igreja foi São João Paulo II, no dia 30 de Abril do ano 2000, ao
canonizar sua conterrânea polonesa, Santa Faustina Kowalska, declarando: ‘é importante que acolhamos inteiramente a
mensagem que
nos vem da palavra de Deus neste 2º Domingo de Páscoa que, de agora em diante,
na Igreja inteira, tomará o nome de Domingo da Divina Misericórdia’.
Tal devoção vem de
revelações privadas a Santa Faustina, religiosa polonesa que recebeu as
mensagens de Jesus sobre sua Divina Misericórdia no povoado de Plock, na
Polônia.
A Divina Misericórdia é
vinculada de modo especial ao Evangelho do 2º Domingo da Páscoa, representada
no momento em que Jesus aparece aos discípulos no Cenáculo, após a Ressurreição
e lhes dá o poder de perdoar ou reter os pecados (Jo 20, 19-31). Essa passagem
abrange a aparição de Jesus Ressuscitado ao apóstolo São Tomé, quando Jesus o
convida a tocar em Suas chagas no oitavo dia depois da Ressureição (Jo 20,26).
Por isso mesmo, é celebrado na liturgia, oito dias depois da Páscoa.
A instituição deste
Domingo da Misericórdia tem sustentação nas palavras de Jesus, inseridas muito
bem neste tempo pascal, que dura por 07 semanas, indo até a Festa do Espírito
Santo, o Pentecostes. Neste
ano, 08/05. Até este dia, o Círio Pascal permanece aceso em todas as
celebrações. De agora em diante, somente nas liturgias do Batismo, em que pais
e padrinhos, segurando as velas acesas nas mãos das criancinhas desejam que
elas sejam “iluminadas por Cristo, firmes
na fé e amem os mandamentos e após uma vida longa e feliz, alcancem o reino dos
céus e o convívio dos santos”.
Como Santa Faustina
entrou nessa história? É a terceira dos 10 filhos de Mariana e Stanislaw,
humildes camponeses, cristãos fervorosos, que lhe transmitiram uma fé profunda
e autêntica. Foi batizada com o nome de Helena e já, aos sete anos, se sentiu
chamada à vida religiosa. O pai não a autorizou.
Quando tinha 20 anos,
sim. Recebeu a autorização, animada por uma visão de Cristo Sofredor, que lhe
disse: “até quando terei que a suportar?
Até quando você vai me enganar”?
Entrou então no
Convento das Irmãs da Bem-aventurada Virgem Maria da Misericórdia, em Varsóvia,
onde recebeu o nome de Irmã Maria Faustina. Durante 13 anos passou por vários
conventos da Congregação, trabalhando na cozinha, no jardim e na portaria,
sempre com muita dedicação, humildade e disponibilidade. E qual é a do Papa
João Paulo II nesse contexto?
Nos anos sessenta – quando
Dom Karol Wojitila era bispo de Cracóvia – promoveu o processo informativo
concernente à vida e às virtudes de Faustina. Ao tornar-se Papa, João Paulo II
presidiu à sua Beatificação, em 18/04/1993 e à Canonização em 30/04/2000,
anunciando também o 1º Domingo depois da Páscoa, dedicado à Divina Misericórdia.
Com pouco tempo, em abril de 2005, ele teve seu encontro definitivo com o Pai.
Sucederam-lhe no
Governo da Igreja o Papa Bento XVI: 2005 a 2013 e o Papa Francisco de 2013 até
nossos dias. Em 2015 o Papa Francisco abriu um Ano Santo da Misericórdia, na
Festa de Nossa Senhora da Conceição e entre os Santos Padroeiros do Jubileu,
invocou Santa Faustina Kowalska, como a grande motivadora da devoção à Divina
Misericórdia.
Tal apelo à Divina Misericórdia
já vinha da catequese tradicional, já que o texto do Evangelho de João
(20,19-31), lido no 2º Domingo da Páscoa, sempre se referia a uma aparição de
Jesus, aos 10 discípulos (faltavam Tomé e Judas) e o Seu reaparecimento, oito
dias depois, com Tomé no meio.
No 1º momento, os
discípulos estavam reunidos, a portas fechadas, movidos pelo medo e pelo
lamento. Jesus lhes aparece. O luto se transforma em alegria. Jesus comunica a
sua paz, o que cura a tristeza e o luto, e oferece-lhes o dom do Espírito Santo,
como um novo sopro criacional e reconciliador.
Eles comunicam a Tomé a
experiência do encontro com Cristo Ressuscitado e gera entre eles a primeira
crise da missão: eles não foram capazes de convencer outrem da presença do
Ressuscitado no seio da comunidade.
Oito dias depois, o
Senhor reaparece. Tomé está presente, mas as portas continuam fechadas. O medo
não foi vencido. Tomé não consegue acolher a mediação da Igreja, não acredita
nos seus irmãos. O diálogo entre Jesus e Tomé é profundo e belo. Tomé toca as marcas
do Crucificado, toca o lado de Cristo de onde brotou o Batismo e a Eucaristia,
e chega à mais bela profissão de fé: “meu Senhor e meu Deus”. Esta
bem-aventurança final é um compromisso aberto aos seguidores de Jesus que
continuam sua missão.
O Evangelho não é uma
biografia, um livro que registra curiosidades sobre a vida de Jesus. O
Evangelho nos compromete com a fé, e a fé é uma adesão existencial e totalizante
a Jesus Cristo, no seio de uma comunidade eclesial que se faz serviço ao mundo.
Isto é que é ser uma nova criatura na força e na luz do Espírito Santo.
Como eu disse acima, o
apelo à Divina Misericórdia, já fazia parte da catequese tradicional. O texto
do evangelho de São João que se lê a cada ano no 2º Domingo da Páscoa – 08 dias
após a Ressurreição - diz explicitamente, saindo da boca de Jesus: “a paz esteja convosco; como o Pai me enviou
eu também vos envio... Recebei o Espírito Santo. A quem perdoardes os pecados,
eles lhes serão perdoados; a quem não os perdoardes eles lhes serão retidos”.
Será que se pode duvidar da Sua Misericórdia? Perdoar sempre é a ordem. Leva à
salvação. É vida eterna garantida. Você acredita nisto? Não estará na hora de
pensar e aprofundar este conhecimento? Nunca é tarde. Aproveite!
Será que precisa ver,
tocar as mãos e o lado de Jesus? Ele dirá como disse a Tomé: “Acreditaste, por que me viste? Bem-aventurados os que creram sem terem visto”.
No final de tudo,
queremos deixar uma mensagem que marque em nós o tempo pascal ou da conversão
total: “a quem perdoardes os pecados,
eles lhes serão perdoados; a quem não os perdoardes, eles lhes serão retidos”.
Jesus é o Deus de
misericórdia e porque nos ama, nos perdoa; nos perdoa porque nos ama. A misericórdia
restabelece, recria nossas relações com Deus e com os irmãos, e nos faz ser
mais solidários e fraternos.
Na liturgia deste 2º
Domingo de Páscoa, recordamos a misericórdia do Senhor, pois ele mesmo vai
dizer como os Apóstolos devem agir. Aprendamos do segredo dessa misericórdia
divina que não se cansa de nos oferecer a reconciliação, a vida em abundância.
O Ressuscitado é a vida em plenitude.
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