sábado, 6 de maio de 2023

 

        TEOLOGIA DA LIBERTAÇÃO É                    A LUTA PARA QUE             TODOS   TENHAM VIDA

No último sábado, 29 de Abril, comentei aqui sobre a realização da 60ª Assembleia Geral da CNBB, que acontecera durante 10 dias - entre 19 e 28 - em Aparecida, São Paulo.

     Reuniram-se 450 bispos, além de assessores, padres, religiosos e leigos, com o cumprimento de uma vasta agenda de celebrações, debates, retiro espiritual e eleição da nova diretoria daquela Conferência, por mais 04 anos. Não esqueci de observar que, a CNBB, em 60 anos, desempenhou muito bem a sua Missão, dando um exemplo de compromisso, de união, de fraternidade e compreensão, entre si, independente de haverem bispos mais jovens ou mais velhos, ativos ou eméritos, dando-nos seu testemunho de unidade e solidariedade cristãs.

            Lembrei que, em todas as Assembleias Gerais de Bispos, alguém faz uma Análise de Conjuntura, abordando a realidade eclesial, política e social; e a deste ano, foi apresentada por D. Francisco Lima, bispo de Carolina – MA, que afirmou: “tudo isso repercutiu na realidade latino-americana e mesmo mundial que, sob a luz do nosso processo eleitoral brasileiro de 2022, impactou no reordenamento geopolítico global e regional”. E para fechar sua análise, eu citei o pensamento do bispo da diocese maranhense, que a Mensagem da CNBB ao povo brasileiro também citou: “a maior esperança é esperançar-nos... Sem medo, pois a esperança é a nossa coragem”.

            Naquela ocasião, a Mensagem da CNBB ainda não tinha sido divulgada, mas eu já a esperava por causa das experiências anteriores; por isto eu dizia que iria divulgá-la e comentá-la, oportunamente. Aqui estou.

             Li e ouvi comentários maliciosos, negacionistas de ‘maus cristãos’ ou de ‘católicos saudosistas’ que desconhecem a Doutrina Social da Igreja, anterior ao Concílio, que falam mal da Teologia da Libertação, sem nem entenderem seu significado, como não compreenderam o trabalho da Ação Católica, das Comunidades Eclesiais de Base, do Movimento de Educação de Base e ficam querendo a Missa em Latim, quando em todos os países do mundo se reza na língua do próprio país, até mesmo no dialeto; ficam evocando nomes, pessoas, autoridades conservadoras que veem “comunismo” em tudo. Meu Deus!

         Vejam a CNBB. Sempre se notou a diferença de idade, entre os bispos. De mentalidade, de pronunciamentos individuais, de pontos de vista, etc. Mas na hora de orientar, pastoralmente, de falar, coletivamente, ao povo de Deus, de se unir a Pedro, ao Papa, à sua Conferência Episcopal, aí a voz é uníssona, a Mensagem conta com o aval de todos, daí a coragem, o destemor, a união.

             Unidade. Não uniformidade. Leiam-releiam o 1º parágrafo da Mensagem dos Bispos: “animados pelo amor do Pai, pela luz do Senhor ressuscitado e com a força do Espírito Santo, nós os bispos católicos, nos reunimos em Aparecida para a 60ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil-CNBB. Fizemos isso como pastores em comunhão com os presbíteros, diáconos, religiosos e religiosas, consagrados e consagradas, cristãos leigos e leigas. Sentimo-nos acompanhados pela oração de nosso povo, representado visivelmente, pela multidão de peregrinos de todo o Brasil, que rezaram conosco nas celebrações eucarísticas. Maria, Mãe de Jesus, a Senhora Aparecida, esteve perto de nós, acolhendo-nos, cuidando de nossos trabalhos e intercedendo por nós”.

             Os senhores bispos reconhecem que os 10 dias na casa da Mãe Aparecida, ‘foram uma oportunidade de experimentarem a comunhão a partir da riqueza de suas diversidades, já que, quem os une é Cristo’. E acrescentam:

“por Ele somos esperançosos e comprometidos, renovamos nossa opção radical e incondicional com a defesa integral da vida que se manifesta em cada ser humano e em toda a criação”.

            Infelizmente há muitos católicos de fachada, que acreditam mais em líderes políticos conservadores, que veem comunismo em tudo e não seguem as normas dadas pela Igreja, sua renovação sempre presente em sua catequese, no Concílio Ecumênico, na vida comunitária, na solidariedade e na busca constante da verdade que levam todos ao alcance do Reino de Deus.

      Nossos bispos ainda dizem: “nossas comunidades estão respondendo, com solidariedade fraterna, às consequências das tragédias socioambientais; com compromisso cidadão na defesa da democracia e, com responsabilidade social, ao drama da fome que nos assola. Com alegria, reconhecemos que esse é o autêntico e eficaz testemunho de que o mundo necessita, à luz da Palavra de Deus, pois não temos ouro nem prata, mas trazemos o que de mais precioso nos foi dado: Jesus Cristo ressuscitado” (At.3,6).

            Eu, pessoalmente, não me admiro da incompreensão daqueles que estão por fora desse tipo de reflexão. Toda vida a fiz e fui mal-entendido. Quem não se atualizou, não renovou seus conceitos, preferiu ficar no ‘outro polo’: do fechamento da mente, do obscurantismo, do negacionismo tão em voga hoje, é uma pena que você vá sofrer tanto ainda, enquanto nós que já abrimos o coração, vamos continuar com nossa Igreja do Papa Francisco, da CNBB, do Concílio Ecumênico, da Doutrina Social, da Teologia da Libertação para ver, cada vez melhor, os sofrimentos presentes na sociedade.

            Não é possível que uma Conferencia Episcopal de homens que estudaram tanto e se prepararam para uma missão tão elevada, que têm um respaldo gigantesco, comandado por um Estado Pontifício, cujo soberano é o Papa, estejam tão errados e tenham tanto medo, que desconfiem da Palavra de Deus, que diz em 365 vezes: não tenham medo. Não é a este mesmo Deus que estes homens servem? O que disse o Analista da Conjuntura e já fizemos menção acima: sem medo, pois a esperança é nossa coragem”?

            Citando o Papa Francisco - “estamos vivendo uma terceira guerra mundial em pedaços” – os senhores bispos falam em sua Mensagem em tantas situações que os preocupam: “os autoritarismos, as polarizações, as desinformações, as desigualdades estruturais, o racismo, os preconceitos, a corrupção, a banalização do mal e das vidas, as doenças, a drogadição, o tráfico de drogas e pessoas, o analfabetismo, as migrações forçadas, as juventudes com poucas oportunidades, as violências em todas as suas dimensões, o feminicídio, a precarização do trabalho e da renda, as agressões desmedidas à ‘casa comum’, aos povos originários e comunidades tradicionais, a mineração predatória, entre tantas outras, que fragilizam o tecido social e tencionam as relações humanas”.

            É uma pena que os críticos da Igreja não a conhecem, não sabem sua história de mártires, não participam de nada dela, não conhecem seus santos e se são informados de alguma coisa, o sabem através de fake News, de fofocas e abrem o bocão para falar mal de uma instituição que tem Fundador Divino e que se está, pouco ligando, para conhecê-Lo em profundidade. A Igreja tem ainda muito o que fazer para converter este povo, a quem Jesus se referiu, dizendo: Pai, perdoai-lhes; eles não sabem o que fazem. Voltarei ao Tema.









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