TEOLOGIA DA LIBERTAÇÃO É A LUTA PARA QUE TODOS TENHAM VIDA
No último sábado, 29 de
Abril, comentei aqui sobre a realização da 60ª Assembleia Geral da CNBB, que
acontecera durante 10 dias - entre 19 e 28 - em Aparecida, São Paulo.
Reuniram-se 450 bispos, além de assessores, padres, religiosos e leigos, com o cumprimento de uma vasta agenda de celebrações, debates, retiro espiritual e eleição da nova diretoria daquela Conferência, por mais 04 anos. Não esqueci de observar que, a CNBB, em 60 anos, desempenhou muito bem a sua Missão, dando um exemplo de compromisso, de união, de fraternidade e compreensão, entre si, independente de haverem bispos mais jovens ou mais velhos, ativos ou eméritos, dando-nos seu testemunho de unidade e solidariedade cristãs.
Lembrei
que, em todas as Assembleias Gerais de Bispos, alguém faz uma Análise de
Conjuntura, abordando a realidade eclesial, política e social; e a deste ano,
foi apresentada por D. Francisco Lima, bispo de Carolina – MA, que afirmou: “tudo isso repercutiu na realidade latino-americana
e mesmo mundial que, sob a luz do nosso processo eleitoral brasileiro de 2022,
impactou no reordenamento geopolítico global e regional”. E para fechar sua
análise, eu citei o pensamento do bispo da diocese maranhense, que a Mensagem
da CNBB ao povo brasileiro também citou: “a maior esperança é esperançar-nos... Sem medo, pois a esperança é a
nossa coragem”.
Naquela
ocasião, a Mensagem da CNBB ainda não tinha sido divulgada, mas eu já a
esperava por causa das experiências anteriores; por isto eu dizia que iria divulgá-la e comentá-la, oportunamente.
Aqui estou.
Li e ouvi comentários maliciosos, negacionistas de ‘maus cristãos’ ou de ‘católicos saudosistas’ que desconhecem a Doutrina Social da Igreja, anterior ao Concílio, que falam mal da Teologia da Libertação, sem nem entenderem seu significado, como não compreenderam o trabalho da Ação Católica, das Comunidades Eclesiais de Base, do Movimento de Educação de Base e ficam querendo a Missa em Latim, quando em todos os países do mundo se reza na língua do próprio país, até mesmo no dialeto; ficam evocando nomes, pessoas, autoridades conservadoras que veem “comunismo” em tudo. Meu Deus!
Vejam a CNBB. Sempre se notou a diferença de idade, entre os bispos. De mentalidade, de pronunciamentos individuais, de pontos de vista, etc. Mas na hora de orientar, pastoralmente, de falar, coletivamente, ao povo de Deus, de se unir a Pedro, ao Papa, à sua Conferência Episcopal, aí a voz é uníssona, a Mensagem conta com o aval de todos, daí a coragem, o destemor, a união.
Unidade. Não uniformidade. Leiam-releiam o 1º parágrafo da Mensagem dos Bispos: “animados pelo amor do Pai, pela luz do Senhor ressuscitado e com a força do Espírito Santo, nós os bispos católicos, nos reunimos em Aparecida para a 60ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil-CNBB. Fizemos isso como pastores em comunhão com os presbíteros, diáconos, religiosos e religiosas, consagrados e consagradas, cristãos leigos e leigas. Sentimo-nos acompanhados pela oração de nosso povo, representado visivelmente, pela multidão de peregrinos de todo o Brasil, que rezaram conosco nas celebrações eucarísticas. Maria, Mãe de Jesus, a Senhora Aparecida, esteve perto de nós, acolhendo-nos, cuidando de nossos trabalhos e intercedendo por nós”.
Os senhores bispos reconhecem que os 10 dias na casa da Mãe Aparecida, ‘foram uma oportunidade de experimentarem a comunhão a partir da riqueza de suas diversidades, já que, quem os une é Cristo’. E acrescentam:
“por Ele
somos esperançosos e comprometidos, renovamos nossa opção radical e
incondicional com a defesa integral da vida que se manifesta em cada ser humano
e em toda a criação”.
Infelizmente
há muitos católicos de fachada, que acreditam mais em líderes políticos
conservadores, que veem comunismo em tudo e não seguem as normas dadas pela
Igreja, sua renovação sempre presente em sua catequese, no Concílio Ecumênico,
na vida comunitária, na solidariedade e na busca constante da verdade que levam
todos ao alcance do Reino de Deus.
Nossos
bispos ainda dizem: “nossas comunidades
estão respondendo, com solidariedade fraterna, às consequências das tragédias
socioambientais; com compromisso cidadão na defesa da democracia e, com
responsabilidade social, ao drama da fome que nos assola. Com alegria, reconhecemos
que esse é o autêntico e eficaz testemunho de que o mundo necessita, à luz da
Palavra de Deus, pois não temos ouro nem prata, mas trazemos o que de mais
precioso nos foi dado: Jesus Cristo ressuscitado” (At.3,6).
Eu,
pessoalmente, não me admiro da incompreensão daqueles que estão por fora desse
tipo de reflexão. Toda vida a fiz e fui mal-entendido. Quem não se atualizou,
não renovou seus conceitos, preferiu ficar no ‘outro polo’: do fechamento da mente, do obscurantismo, do
negacionismo tão em voga hoje, é uma pena que você vá sofrer tanto ainda,
enquanto nós que já abrimos o coração, vamos continuar com nossa Igreja do Papa
Francisco, da CNBB, do Concílio Ecumênico, da Doutrina Social, da Teologia da
Libertação para ver, cada vez melhor, os sofrimentos presentes na sociedade.
Não
é possível que uma Conferencia
Episcopal de homens que estudaram tanto e se prepararam para uma missão
tão elevada, que têm um respaldo gigantesco, comandado por um Estado
Pontifício, cujo soberano é o Papa, estejam tão errados e tenham tanto medo,
que desconfiem da Palavra de Deus, que diz em 365 vezes: não tenham medo. Não é a
este mesmo Deus que estes homens servem? O que disse o Analista da Conjuntura e
já fizemos menção acima: “sem medo, pois a esperança é nossa coragem”?
Citando
o Papa Francisco - “estamos vivendo uma
terceira guerra mundial em pedaços” – os senhores bispos falam em sua
Mensagem em tantas situações que os preocupam: “os autoritarismos, as polarizações, as desinformações, as
desigualdades estruturais, o racismo, os preconceitos, a corrupção, a
banalização do mal e das vidas, as doenças, a drogadição, o tráfico de drogas e
pessoas, o analfabetismo, as migrações forçadas, as juventudes com poucas
oportunidades, as violências em todas as suas dimensões, o feminicídio, a
precarização do trabalho e da renda, as agressões desmedidas à ‘casa comum’,
aos povos originários e comunidades tradicionais, a mineração predatória, entre
tantas outras, que fragilizam o tecido social e tencionam as relações humanas”.
É
uma pena que os críticos da Igreja não a conhecem, não sabem sua história de
mártires, não participam de nada dela, não conhecem seus santos e se são
informados de alguma coisa, o sabem através de fake News, de fofocas e abrem o bocão para falar mal de uma instituição
que tem Fundador Divino e que se está, pouco ligando, para conhecê-Lo em
profundidade. A Igreja tem ainda muito o que fazer para converter este povo, a
quem Jesus se referiu, dizendo: Pai, perdoai-lhes; eles não sabem o que
fazem. Voltarei ao Tema.
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