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Disse São Paulo: “Se Cristo não ressuscitou, nossa fé é uma ilusão”. |
Em meu primeiro comentário neste Mês da
Bíblia, dia 02/09, eu citava o Papa Francisco, instituindo o Dia da Bíblia,
através da Carta Apostólica “Aperuit
illis”, convidando-nos ‘a nos tornar
familiares e íntimos da Sagrada Escritura e do Ressuscitado’...
No segundo comentário, dia 09/09, além de me referir ao Tema e Lema, sugeridos pela Carta de Paulo aos Efésios, ainda prometia para o comentário seguinte – o de hoje, portanto – discorrer sobre a parte final da mesma Carta, que trata ‘da vida após a morte e a ressurreição’. Pena que poucos aceitam e entendem esta vida ou se preparam para ela. Querem a “vida eterna”, mas não se esforçam para alcançá-la. Tal preparação se dá agora, na vida terrena. Até brincam, afirmando: “eu não vou morrer agora”... “vou gozar a vida”... “quando estiver perto da morte, vou cuidar”... e outras afirmativas semelhantes. Como “cuidar”? Não será tarde demais?
Na
Carta aos Efésios que o Brasil inteiro está lendo em oração, Paulo já rezava
pela comunidade, dizendo: “eu me ajoelho
diante do Pai, de quem todas as famílias, no céu e na terra, recebem o seu
verdadeiro nome. Peço a Deus que, da riqueza da sua glória, ele, por meio do
seu Espírito, dê a vocês poder para que sejam, espiritualmente fortes. Peço
também que, por meio da fé, Cristo viva no coração de vocês. E oro para que
vocês tenham raízes e alicerces no amor”. Será que Paulo estava brincando
ou enganando o povo?
Um
de seus maiores ensinamentos, sempre lembrado, por ocasião da Páscoa é aquele
que está em I Cor.15, 12 em diante: “se a
nossa mensagem é que Cristo foi ressuscitado, como é que alguns de vocês dizem
que os mortos não vão ressuscitar? Se não existe a ressurreição de mortos,
então quer dizer que Cristo não foi ressuscitado. E se Cristo não foi
ressuscitado, nós não temos nada para anunciar e vocês não tem nada para crer e
a fé que vocês têm é uma ilusão”. Foi isso que o Papa Francisco ressaltou
em sua Carta Apostólica, aludida acima e que a Igreja tem que continuar
lembrando.
O
Mês da Bíblia será sempre uma oportunidade de se aprofundar tais verdades da
nossa fé, que devem nortear toda a Pastoral da Igreja. Temos que repetir,
exaustivamente, esta catequese. Nunca deixar de fazê-la em Missas Fúnebres, em
Dia de Finados ou em qualquer Celebração de Exéquias. Até são chamadas de
Comemoração de todos os Fiéis Defuntos. Se não valerem mais para os que
morreram, servirão, ao menos, para a conversão dos vivos que ainda terão um
tempinho para se tocarem e mudarem de vida.
Em
“celebrações” litúrgicas, também chamadas “da esperança”, temos lido, repetidos
textos, tanto do Antigo, como do Novo Testamento que ajudam na conscientização
das pessoas de boa vontade com relação à outra vida.
O
Livro da Sabedoria, no A.T., por exemplo, em seu capítulo 3º, vers.1 e ss, diz:
“a vida dos justos está nas mãos de Deus
e nenhum tormento os atingirá. Aos olhos dos insensatos parecem ter morrido;
sua saída do mundo foi considerada uma desgraça, e sua partida do meio de nós,
uma destruição; mas eles estão em paz. Aos olhos dos homens parecem ter sido
castigados, mas sua esperança é cheia de imortalidade, porque Deus os pôs à
prova e os achou dignos de Si”.
Já
o Livro do Apocalipse, o último do N.T., São João diz “ter visto um novo céu e uma nova terra” e que “Deus faria sua morada entre os homens... enxugaria toda lágrima de
seus olhos... não existiria mais a morte... não haveria mais luto, nem choro,
nem dor porque passou o que havia antes”.
Estes
ensinamentos não devem ser dados somente na hora da morte, das exéquias ou nos
momentos de saudade. Devem fazer parte do dia a dia da catequese da Igreja,
afinal, temos que lembrar como São Paulo: ‘se Cristo não ressuscitou, nossa fé é uma
ilusão’.
Na
segunda metade da Carta aos Efésios, que estamos refletindo neste Mês da
Bíblia, São Paulo aprofunda o ensinamento da doutrina que conduz à vida eterna:
“peço a vocês que vivam de uma maneira
que esteja de acordo com o que Deus quis quando chamou vocês. Sejam sempre
humildes, bem-educados e pacientes, suportando uns aos outros com amor. Façam
tudo para conservar, por meio da paz que une vocês, a união que o Espírito dá.
Há um só corpo, e um só Espírito, e uma só esperança para a qual Deus chamou
vocês”. E por aí vão todo o capítulo 4º e os 02 seguintes, até a bênção
final, em que Paulo se expressa assim:
“Que Deus, o Pai, e o Senhor Jesus Cristo, dêem a todos os irmãos, paz e amor,
com Fé. E que a graça de Deus esteja com todos os que amam o nosso Senhor Jesus
Cristo com um amor que não tem fim”.
Não
é possível que estas pequenas reflexões que estou fazendo, justificadas com os
poucos textos bíblicos que tenho citado como fundamento, sejam suficientes para
catequizar a muitos com uma simples e rápida leitura. Isso aqui vale como
sugestão, como convite à releitura da Palavra de Deus, se possível, “orante”, com tempo para meditá-la e
entendê-la melhor.
Já
lhes disse que não sou biblista, exegeta ou analista da Palavra, mas, mesmo
assim, arrisco-me a dar um palpite, já por mais de 55 anos. Ainda não me sinto,
“palpitando” bem. Ao exercer esta
missão, nem sempre sou aceito ou entendido nas minhas intenções. Paciência!
Estou fazendo como aprendi e me esforço para ser coerente. Nem a mensagem
original, ensinada por Jesus e repassada por muitos de seus coerentes
seguidores, foi bem entendida. Afinal, por que O mataram? Por que perseguiram a
muitos de seus discípulos e até os assassinaram? Quando não somos entendidos
hoje em dia, apenas se está realizando conosco o que sempre aconteceu com os
profetas, ou com aqueles que levam a sério a Palavra de Deus e a põem em
prática: o martírio.
Apesar
dos três anos de pregação de Jesus e dos 1990 anos de catequese da Igreja,
ainda não conseguimos passar o recado, transmitir a mensagem, convencer o mundo
da salvação de Jesus e da nossa. Somos uma minoria entre os que acreditamos.
Temos muito o que fazer. Usar de todos os espaços e oportunidades para ‘ir e pregar. Tornar a todos, discípulos de
Jesus’.
Em toda a Bíblia está escrito, pelo menos, em
366 ocasiões – 18 vezes da boca de Jesus –
“não tenhais medo”... “tem confiança”... “a
tua fé te salvou”.
Por que duvidamos
tanto? Mesmo lendo nos quatro evangelistas (mais ou menos com essas palavras)
quando Jesus aparece e diz aos discípulos, desejando-lhes a paz e eles se
assustam, pensando que era “um fantasma”: “por
que estão assustados? Por que há tantas dúvidas na cabeça de vocês? Olhem para
as minhas mãos e para os meus pés e vejam que sou eu mesmo. Toquem em mim e
vocês vão crer, pois um fantasma não tem carne nem osso como vocês estão vendo
que eu tenho” (Mt28,16/Mc16,14/Lc24,36/Jo20,19).
Mesmo,
superficialmente, espero ter colaborado com a compreensão de meus possíveis
leitores, neste Mês da Bíblia e ainda no Dia da Bíblia e na Liturgia de São
Jerônimo. Encerraremos tudo com uma vontade enorme de ter sido um instrumento
de Deus na transmissão de algumas verdades ou de tantos subsídios que lhes
possam ter aberto o desejo de começar a entender a Palavra que salva e a fé que
nos faz vivê-la. Que ninguém diga tê-la perdido.
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