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LEIA OS SEIS CAPÍTULOS DA CARTA AOS
EFÉSIOS |
Terminei o meu Comentário da Semana
passada, dizendo ‘até sábado’ porque
eu havia garantido em parágrafo anterior que ‘a comissão bíblico-catequética da CNBB havia divulgado roteiros e
estudos baseados na Carta aos Efésios que iríamos refletir até o fim deste mês’;
e promessa é dívida...
Aqui estamos para pagar. A Carta aos Efésios tem apenas 06 capítulos, divididos em dois blocos: os três primeiros capítulos têm um conteúdo Teológico, referindo-se a Cristo e à Igreja. E os três últimos, cheios de exortações à comunidade, de origens diversificadas, mas, pelo batismo tinham que se manter na unidade de Cristo como norma. É a confusão de sempre: uns acham que é ‘assim’, outros acham que é ‘assado’. O ‘achismo’ sempre esteve atrapalhando o diálogo no mundo.
A
mensagem paulina, dada aos efésios, não tem meio termo. Destaca-se pela sua
densidade teológica, relevando o Cristo-Deus na Igreja de Cristo. A fé é vivida num conjunto abrangente de
verdades concêntricas, teologais. Deus é o centro: Aquele que cria. Aquele que
redime e salva. Aquele que santifica na Comunidade, que é a Igreja. Entendendo
esta trindade unida numa comunidade ou assembleia reunida, entender-se-á a
mensagem da Carta aos Efésios. Está na lógica de São Paulo, proposta aos
efésios, o sentido da catequese a ser feita neste Mês da Bíblia de 2023. É
difícil de entender?
Menos
mal que teremos ainda tempo para ler, reler, ir descobrindo os caminhos,
repassando estes seis capítulos e procurando entender o porquê de se ter criado
um Mês da Bíblia, e destes já 52 anos de estudos. Depois de tanto tempo que
temos, em mãos, a Palavra de Deus, estamos descobrindo luzes de compreensão e
entendimento da salvação que esta Palavra nos garante. É o caso de se dizer:
antes tarde do que nunca.
O
próprio texto sobre o que nos estamos debruçando em seu 1º capítulo, 22-23, nos
diz: “Deus colocou tudo sob seus pés, e
Cristo enche o cosmo com sua plenitude de vida”. E, mais adiante, em 2, 13,
completa: “a cruz é compreendida como um
ato de reconciliação entre judeus e gentios, constituindo um só corpo, a
Igreja”. Todas as “nações do mundo”, na variedade das línguas, das culturas,
da geografia, são unidas num único Cristo e na mesma Igreja. São Paulo, falando
sobre isso em Efésios 5,32, diz que é um “grande
mistério, em Cristo e na Igreja”. Por isso mesmo deve ser desvelado a toda
a humanidade que forma o “corpo da Igreja por meio de Jesus Cristo”.
A Carta aos Efésios é, fundamentalmente, eclesiológico-comunitária, tendo Cristo como centro. Somente Ele nos une num só povo, uma só Igreja, fundamentada nos profetas e nos apóstolos, tendo Cristo como ‘pedra angular’.
Meu caro leitor: aproveite a sugestão dada pelo
Mês da Bíblia deste ano e leia os seis capítulos da Carta aos Efésios. Releia, grife, assinale pontos e faça a leitura
orante. Faça dela, uma oração. Medite sobre ela com esta orientação do Mês da
Bíblia e enverede suas leituras bíblicas, daqui pra frente, seguindo este mesmo
tipo de esquema: sem pressa.
Não é a quantidade de textos que você lê que é mais importante; é a qualidade de sua leitura. É o enfoque que você vai dando ao que lê. Ler a Bíblia não é ler um romance. Este pode ser atraente pelo interesse que o enredo desperta. A gente quer acabar logo, para ler um outro mais interessante.
Ler
um Livro da Bíblia – longo como os Salmos, ou curto como II e III de João – não
depende da quantidade ou do volume da leitura; depende da maior qualidade da
oração que se faz ou da reflexão empreendida. Vamos começar?
Disse
ali acima que não depende da quantidade ou do volume da leitura ao nos ligarmos
à Palavra de Deus. Depende da qualidade de nossa oração e reflexão a respeito
do que lemos. Daí, deixar para o próximo Comentário, o final da Carta aos
Efésios que aborda o tema da “Ressurreição e vida eterna”, que tantas vezes nos
amedronta. A mim, nem tanto. Aguarde!
No
entanto, vou retornar a uma reflexão feita nas Comemorações das Bodas de Ouro
do Mês da Bíblia, em 2021, sobre a Carta Paulina, aos Gálatas.
Está
colocada, imediatamente depois, das 1ª e 2ª Cartas aos Coríntios. Como a Carta aos
Efésios, tem apenas seis capítulos, mas, em nada é menos importante ou menos
eloquente do que qualquer outra Carta de São Paulo. O apelo ao tema da
“comunidade” é afirmado nos versículos 1 e 2: “eu e todos os irmãos que estão comigo somos os autores desta Carta”.
E para mostrar sempre a centralidade de Jesus ele afirma em Gal.1,4: “Ele não nos quis tirar, simplesmente, do
mundo, mas do mundo mau”, isto é, de um mundo com relações sociais
escravocratas e alienadores.
No
mesmo capítulo 1º, 6-7, ele abomina a ideia de “vários evangelhos” como se fosse possível moldar o Evangelho de
Cristo, segundo interesses de classe e domesticá-lo para justificar posturas
hipócritas e cúmplices de relações sociais de opressão. Sobretudo no versículo
sete ele confirma o que ensina: “maldito
quem anunciar a vocês um evangelho diferente”. E acrescenta algumas
perguntas: “eu busco aprovação dos homens
ou de Deus? Procuro agradar aos homens?”
É claro que ele não se
está referindo a todo e qualquer homem. Estão fora os homens do poder, dos que
sustentam e reproduzem relações políticas, sociais, escravagistas. Estes são
dirigidos para uma vida fundamentalista, voltada mais para o ritualismo, o
moralismo ou para uma espiritualidade fora do real. Paulo nos conclama a um
compromisso radical com o Evangelho, com Jesus, com uma vida simples,
batalhando do lado dos mais empobrecidos, na luta pela conquista dos seus
direitos à terra, ao teto, ao trabalho com salário justo, num meio ambiente
sustentável, superando todos os preconceitos e discriminações. Quando tais
dissenções aconteciam, Paulo as rechaçava, dizendo serem promovidas por “falsos
irmãos”, judeus não convertidos, que ainda não tinham entendido a mensagem
cristã.
Paulo entendeu tudo.
Assim como Jesus não nasceu “Cristo”, mas se tornou “Cristo”, o “ungido de Deus”,
o Apóstolo Paulo não nasceu “discípulo de Jesus”. Como Judeu se chamava “Saulo”,
perseguidor de cristãos, antes de se converter ao Evangelho. Convertido, batizou-se,
chamou-se “Paulo”, o maior de todos os Apóstolos. Enfrentou “noites escuras” e
“deserto”. Foi pra Arábia (Gal.1-17). Sofreu perseguição, incompreensão e
martírio. Identificou-se, radicalmente, com Jesus, ao ponto de dizer: “não sou eu que vivo, mas Cristo que vive em
mim” (Gal.2,20).
Será que “falsos
cristãos de hoje” que não querem ouvir a Palavra de Deus, interpretada assim,
não se assemelham àqueles “falsos irmãos” do tempo de Paulo que não haviam
entendido sua mensagem cristã? Não seria Paulo, tachado de “comunista” por se
preocupar tanto com “comunidades”, “bem-comum”, “comunhão”, palavras da mesma
origem grega: “koinonia”?
Por favor, deem-se ao
trabalho de ler no Livro dos Atos dos Apóstolos, capítulo 2, versículos 43 e
seguintes; capítulo 4, versículos 32 e seguintes. Releiam, mais uma vez,
repitam e entendam a antiguidade do ensinamento, para não criticarem tanto
aqueles que são fiéis à Palavra de Deus.
PARA PROFESSORES QUE QUEREM AULAS DINÂMICAS E PARTICIPATIVAS, ÊSTE LIVRO MOSTRA O CAMINHO.
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