Missão é assim: não acaba nunca
Sábado passado, 28 de outubro,
encerrávamos o Mês das Missões, apresentando um exemplo concreto de Ação
Missionária da Igreja Católica, na região amazônica, através do Barco Hospital
Papa Francisco, que circula pelas áreas ribeirinhas, desde 2019. Dissemos que estes
04 anos se encerrarão com 420 mil atendimentos, por sua equipe médica e de
enfermagem permanentes, envolvendo cirurgiões, dentistas, oftalmologistas e
outros serviços, voluntariamente prestados por profissionais da saúde que se
oferecem de todos os estados da federação. Cerca de 900 voluntários já
compareceram.
Recordo ter-lhes falado - pelo mês vocacional, ou da bíblia ou mesmo, no mês missionário - que nestes meus 55 anos de sacerdócio, dediquei uma década em andanças missionárias, por todo o nordeste, integrando uma Associação de Missionários do Nordeste-AMINE: cerca de sessenta missionários e missionárias (padres diocesanos, religiosos/religiosas e vários leigos). Ainda hoje mantenho bons contatos com pessoas de comunidades visitadas, de quem tenho muita saudade e recordo, com alegria, o tempo intenso de contato.
A propósito, no último fim de semana do mês missionário, entre 27 e 29 de outubro, recebi um grupo de casais Amarajienses (Edná e Paulo, já falecido/ Maurílio e Jaci/Marcelo e Socorrinho/João e Maria) de quem celebrei os matrimônios – entre 1978 e 1983, quando pároco, pela 1ª vez, em Amaraji -, batizei-lhes os filhos, tendo uma afilhada em cada família (a quem também já as abençoei pelo casamento). Tanto estes casais da 1ª Paróquia, como outros Encontristas de Casais com Cristo, espalhados por toda a Diocese onde trabalhei, têm vindo à minha terra natal-Bela Cruz, em datas celebradas em minha vida missionária: Jubileus de Prata e de Ouro Sacerdotais, 50, 60, 70 e 80 anos de nascimento e em outras oportunidades esporádicas, que me deixam muito feliz e agradecido.
Depois de minha ordenação sacerdotal, em
Com
os conteúdos armazenados e com as experiências adquiridas, saí de Amaraji pra
Roma, para um merecido descanso físico e mental, retornando para integrar a
equipe de formação do Seminário Provincial da Paraíba, enquanto cuidava da
Paróquia de Mamanguape, onde tive uma experiência maravilhosa. Enquanto cuidava
dos seminaristas em seus estudos, marcava presença num Seminário Rural, em
Serra Redonda, na Diocese de Guarabira, onde os estudantes trabalhavam no
campo, tinham vida de oração e de ação, com o acompanhamento do Bispo
Diocesano, D. Marcelo Carvalheira e de orientadores como os Padres José
Comblin, Eduardo Hoonaert, Humberto Plumen e os Freis Carlos Mesters, João
Batista e Roberto que desenvolviam a “Teologia da Enxada”, como era conhecida
e até criticada, e que crescia ao lado da Teologia da Libertação, até hoje, tão
mal entendida.
Em
minha Paróquia de Mamanguape, eu contava com tais missionários que colaboravam
em comunidades rurais, catequizavam de acordo com a orientação recebida, abastecendo-se na sua
sede, em Serra Redonda e preenchiam os vazios pastorais que eu mesmo, por mais
que quisesse, não podia.
Tudo
foi muito bom, enquanto durou; mas a minha Diocese de Afogados da Ingazeira
estava me chamando de volta. Obedeci. A obediência é um dos “votos” mais
difícil de cumprimento. Voltei e fui seguir o Direito Canônico: 05 anos em cada
Paróquia: Serra Talhada, Tabira, Flores... até fazer 60 anos.
Achei que podia dar um
restinho do meu tempo, à minha Diocese Mãe. Tinha que ser grato a ela, pelos
meus estudos iniciais no seminário de Sobral.
Entre minhas especializações e tantas idas e
vindas pelo mundo e com as experiências adquiridas, recomecei em Sobral, pela
Universidade Vale do Acaraú, sendo seu pró-reitor de Articulação e Comunicação,
dispondo das Rádios: Universitária, Educadora e Ressurreição, bem como dos
Jornais da UVA (Expresso do Norte) e da Diocese (Correio da Semana) que
ampliavam meus trabalhos pastorais em Santana do Acaraú e em Aranaú, Paróquia
de Cruz, como seu vigário paroquial. Ainda sobrava tempo para acompanhar
seminaristas em Sobral e em Fortaleza, atendendo pedido do bispo diocesano.
Estava chegando o tempo
de parar. Até o “imprensadinho” que dei, em gratidão à Diocese de Sobral, havia
sido cumprido. Com 70 anos, não podia continuar na UVA; com 75 chegara a idade
canônica de me aposentar por ser padre. Tinha que recolher-me em algum lugar. Vim
para Bela-Cruz. Moro na antiga casa de meus pais. Ainda ajudei um pouquinho na
Paróquia, mas parei.
Neste outubro, mês das
missões, dia 11, completei 83 anos. Não é uma brincadeira. É pra servir de
reflexão, revisão de vida e de preparação próxima para cuidar da “outra vida”.
Se você não acredita nela, eu acredito e agradeço, imensamente a Deus pelo
privilégio de ter vivido tanto.
Agradeço também por ser
“avô”, já por 15 anos, sem ter um filho ou uma filha que me desse um neto, como
eu o tenho, pelo amor e pelo coração. Avô e Neto o somos e nos tratamos assim.
É assim que convivo com João Murilo.
Um dia, um colega meu,
Padre e meu primo, me dizia que “mais tarde” a solidão me levaria a criar um
gato ou um cachorro que me fizesse “companhia”. Preferi a companhia de
alguém com quem eu possa “dividir o meu
pão”, que seja “racional” como eu
e que “dialogue comigo” em pé de
igualdade. Respeito quem prefere a companhia de um gato ou de um cão. Eu não
gostaria de dividir com a mesma colher, o sorvete que eu pusesse em minha boca
e na boca do animal. Prefiro as alegrais e complementações que as pessoas me
dão.
Além da alegria do
“reencontro” com meus ex-paroquianos, de 40 anos atrás, apareceu-me na mesma
semana, um missionário leigo que trabalhou comigo na Paróquia de Mamanguape,
PB, formado na ‘teologia da enxada’ em Serra Redonda, relembrada acima,
que há 16 anos se tornou sacerdote da Congregação dos Servos da Divina
Providencia, com estudos de Teologia em Portugal e com mais prática missionária
em Moçambique, na África. Tive mais este prazer de falar com este meu “xará”,
Pe. Francisco de Assis, bem no final do mês missionário. Este sim, 02 vezes
missionário: como leigo e como Padre.
Nessa última 5ª Feira,
02/11, celebramos os fiéis defuntos. Amanhã, 1º Domingo após o Dia de
Finados, festejamos todos os santos. Nestes dois momentos, somos chamados à
santidade. Deus nos quer a todos, Santos. Nada de dizer, pejorativamente:
“tu só quer ser, santo”! A Missão nos
conduz à santidade. Não naquele sentido de “gente
esquisita” ou que “está vivendo nas
nuvens”. É pela alegria eterna de estar com Deus. Só Cristo nos justifica,
redime e santifica. Este é o único motivo de nossa alegria que o mês de
novembro, o Mês das Almas nos vai fazer viver. Missão é
assim: não acaba nunca. Vai para a Vida Eterna. Felizes aqueles que se
mantêm fiéis até o fim.
Estes livros, escritos por Betanistas, contam a História do Seminário de Sobral nos anos 50 e 60. Vale a pena conhecer. Podem ser adquiridos em Sobral no Seminário Propedêutico, com o Padre Bruno - Telefone: 88-998140877. A renda será para apoiar a Obra das Vocações Sacerdotais da Diocese.
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