sábado, 4 de novembro de 2023

O COMENTÁARIO DA SEMANA

 

  Missão é assim:           não acaba nunca

Sábado passado, 28 de outubro, encerrávamos o Mês das Missões, apresentando um exemplo concreto de Ação Missionária da Igreja Católica, na região amazônica, através do Barco Hospital Papa Francisco, que circula pelas áreas ribeirinhas, desde 2019. Dissemos que estes 04 anos se encerrarão com 420 mil atendimentos, por sua equipe médica e de enfermagem permanentes, envolvendo cirurgiões, dentistas, oftalmologistas e outros serviços, voluntariamente prestados por profissionais da saúde que se oferecem de todos os estados da federação. Cerca de 900 voluntários já compareceram.

             Recordo ter-lhes falado - pelo mês vocacional, ou da bíblia ou mesmo, no mês missionário - que nestes meus 55 anos de sacerdócio, dediquei uma década em andanças missionárias, por todo o nordeste, integrando uma Associação de Missionários do Nordeste-AMINE: cerca de sessenta missionários e missionárias (padres diocesanos, religiosos/religiosas e vários leigos). Ainda hoje mantenho bons contatos com pessoas de comunidades visitadas, de quem tenho muita saudade e recordo, com alegria, o tempo intenso de contato.

     A propósito, no último fim de semana do mês missionário, entre 27 e 29 de outubro, recebi um grupo de casais Amarajienses (Edná e Paulo, já falecido/ Maurílio e Jaci/Marcelo e Socorrinho/João e Maria) de quem celebrei os matrimônios – entre 1978 e 1983, quando pároco, pela 1ª vez, em Amaraji -, batizei-lhes os filhos, tendo uma afilhada em cada família (a quem também já as abençoei pelo casamento). Tanto estes casais da 1ª Paróquia, como outros Encontristas de Casais com Cristo, espalhados por toda a Diocese onde trabalhei, têm vindo à minha terra natal-Bela Cruz, em datas celebradas em minha vida missionária: Jubileus de Prata e de Ouro Sacerdotais, 50, 60, 70 e 80 anos de nascimento e em outras oportunidades esporádicas, que me deixam muito feliz e agradecido.

Depois de minha ordenação sacerdotal, em 04 de agosto de 1968, e dos meus 05 primeiros anos de ação pastoral e missionária na Paróquia e no Rádio em Afogados da Ingazeira, afastei-me por mais 05 anos para me aprofundar em Sociologia e em Comunicação Social, em Pontifícias Universidades de Roma, retornando e assumindo a direção de uma Escola Polivalente em Paratibe, no grande Recife, seguindo, por mais 05 anos, na Paróquia de S. José em Amaraji, onde adquiri toda a experiência para o paroquiato dali em diante.

            Com os conteúdos armazenados e com as experiências adquiridas, saí de Amaraji pra Roma, para um merecido descanso físico e mental, retornando para integrar a equipe de formação do Seminário Provincial da Paraíba, enquanto cuidava da Paróquia de Mamanguape, onde tive uma experiência maravilhosa. Enquanto cuidava dos seminaristas em seus estudos, marcava presença num Seminário Rural, em Serra Redonda, na Diocese de Guarabira, onde os estudantes trabalhavam no campo, tinham vida de oração e de ação, com o acompanhamento do Bispo Diocesano, D. Marcelo Carvalheira e de orientadores como os Padres José Comblin, Eduardo Hoonaert, Humberto Plumen e os Freis Carlos Mesters, João Batista e Roberto que desenvolviam a “Teologia da Enxada”, como era conhecida e até criticada, e que crescia ao lado da Teologia da Libertação, até hoje, tão mal entendida.

            Em minha Paróquia de Mamanguape, eu contava com tais missionários que colaboravam em comunidades rurais, catequizavam de acordo com a      orientação recebida, abastecendo-se na sua sede, em Serra Redonda e preenchiam os vazios pastorais que eu mesmo, por mais que quisesse, não podia.

            Tudo foi muito bom, enquanto durou; mas a minha Diocese de Afogados da Ingazeira estava me chamando de volta. Obedeci. A obediência é um dos “votos” mais difícil de cumprimento. Voltei e fui seguir o Direito Canônico: 05 anos em cada Paróquia: Serra Talhada, Tabira, Flores... até fazer 60 anos.

Achei que podia dar um restinho do meu tempo, à minha Diocese Mãe. Tinha que ser grato a ela, pelos meus estudos iniciais no seminário de Sobral.

 Entre minhas especializações e tantas idas e vindas pelo mundo e com as experiências adquiridas, recomecei em Sobral, pela Universidade Vale do Acaraú, sendo seu pró-reitor de Articulação e Comunicação, dispondo das Rádios: Universitária, Educadora e Ressurreição, bem como dos Jornais da UVA (Expresso do Norte) e da Diocese (Correio da Semana) que ampliavam meus trabalhos pastorais em Santana do Acaraú e em Aranaú, Paróquia de Cruz, como seu vigário paroquial. Ainda sobrava tempo para acompanhar seminaristas em Sobral e em Fortaleza, atendendo pedido do bispo diocesano.

Estava chegando o tempo de parar. Até o “imprensadinho” que dei, em gratidão à Diocese de Sobral, havia sido cumprido. Com 70 anos, não podia continuar na UVA; com 75 chegara a idade canônica de me aposentar por ser padre. Tinha que recolher-me em algum lugar. Vim para Bela-Cruz. Moro na antiga casa de meus pais. Ainda ajudei um pouquinho na Paróquia, mas parei.

Neste outubro, mês das missões, dia 11, completei 83 anos. Não é uma brincadeira. É pra servir de reflexão, revisão de vida e de preparação próxima para cuidar da “outra vida”. Se você não acredita nela, eu acredito e agradeço, imensamente a Deus pelo privilégio de ter vivido tanto.

Agradeço também por ser “avô”, já por 15 anos, sem ter um filho ou uma filha que me desse um neto, como eu o tenho, pelo amor e pelo coração. Avô e Neto o somos e nos tratamos assim. É assim que convivo com João Murilo.

Um dia, um colega meu, Padre e meu primo, me dizia que “mais tarde” a solidão me levaria a criar um gato ou um cachorro que me fizesse “companhia”. Preferi a companhia de alguém com quem eu possa “dividir o meu pão”, que seja “racional” como eu e que “dialogue comigo” em pé de igualdade. Respeito quem prefere a companhia de um gato ou de um cão. Eu não gostaria de dividir com a mesma colher, o sorvete que eu pusesse em minha boca e na boca do animal. Prefiro as alegrais e complementações que as pessoas me dão.

Além da alegria do “reencontro” com meus ex-paroquianos, de 40 anos atrás, apareceu-me na mesma semana, um missionário leigo que trabalhou comigo na Paróquia de Mamanguape, PB, formado na ‘teologia da enxada’ em Serra Redonda, relembrada acima, que há 16 anos se tornou sacerdote da Congregação dos Servos da Divina Providencia, com estudos de Teologia em Portugal e com mais prática missionária em Moçambique, na África. Tive mais este prazer de falar com este meu “xará”, Pe. Francisco de Assis, bem no final do mês missionário. Este sim, 02 vezes missionário: como leigo e como Padre.

Nessa última 5ª Feira, 02/11, celebramos os fiéis defuntos. Amanhã, 1º Domingo após o Dia de Finados, festejamos todos os santos. Nestes dois momentos, somos chamados à santidade. Deus nos quer a todos, Santos. Nada de dizer, pejorativamente: “tu só quer ser, santo”! A Missão nos conduz à santidade. Não naquele sentido de “gente esquisita” ou que “está vivendo nas nuvens”. É pela alegria eterna de estar com Deus. Só Cristo nos justifica, redime e santifica. Este é o único motivo de nossa alegria que o mês de novembro, o Mês das Almas nos vai fazer viver. Missão é assim: não acaba nunca. Vai para a Vida Eterna. Felizes aqueles que se mantêm fiéis até o fim.

         Estes livros, escritos por Betanistas, contam a História do Seminário de Sobral nos anos 50 e 60. Vale a pena conhecer. Podem ser adquiridos em Sobral no Seminário Propedêutico, com o Padre Bruno - Telefone: 88-998140877. A renda será para apoiar a Obra das Vocações Sacerdotais da Diocese.











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