PERNAMBUCANOS DE
AMARAJI, TROUXERAM ALEGRIA E DECLARAÇÕES DE AFETO
Sábado passado, por causa de exemplos
concretos de vida missionária, ao longo da minha existência, falei sobre o Mês
das Almas, celebrado todos os anos, em novembro, como caminho para a santidade.
Dei exemplos concretos de minha vida missionária e pastoral, citando ações
pastorais nas Paróquias de Amaraji, Afogados da Ingazeira, Serra Talhada,
Tabira e Flores - Pernambuco e nos Seminários: regional do Nordeste,
em Recife, Provincial da Paraíba, em João Pessoa, Seminário Rural, na Diocese
de Guarabira, interior da Paraíba e outras atividades, para mim, inesquecíveis.
Cheguei
a dar exemplos concretos de grupos beneficiados pela ação de nosso trabalho,
partindo de casais que estavam comigo, vindos de Amaraji, de quem eu abençoara
pelo Sacramento do Matrimônio, batismo de suas filhas, sendo eu Padrinho de
algumas delas. Também falei da minha alegria por ter entrado em contato com um
“xará”, Pe. Francisco de Assis que, àquela época, era estudante
no Seminário Rural, em Serra Redonda – PB, e já praticava sua ação missionária.
Apareceu-me agora, já com 16 anos de Padre, formado em Portugal, com prática
missionária em Moçambique na África, sobre quem eu me referi no sábado passado,
chamando-o ‘2 vezes missionário: como
leigo e como padre’. Ilustrei com algumas fotografias estes “reencontros”.
Mas o pessoal que veio, não queria
reencontrar-se, apenas visualmente. Queria falar, transmitir recados, falar dos
filhos, da comunidade paroquial, a fim de que “as emoções fossem maiores”. Na noite de sábado, 28, após o jantar,
as alegrias foram reforçadas, desdobradas, mais emocionantes. Queriam fazer-me
algumas surpresas, mexer com os meus sentimentos, quem sabe: fazer-me chorar.
E, literalmente, abriram “uma caixa de surpresas”.
Primeiro,
pessoas adultas, muito amadas, que marcavam presença viva e constante, em todos
os momentos. Você, Janice e Nivaldo (in
memoriam), presentes a todo instante, para servir e na inteireza da
amizade. Ao dizer que “não está escrevendo
tão bem” está externando todo o carinho e o amor que sempre lhes foram tão
peculiar. Suas filhas e netos (a estes, nem conheço) continuam meus sobrinhos muito
queridos.
Sua
mensagem, Aline Gomes, é um Raio X do seu caráter, da sua alma. Uma das
recordações aludidas por você, mexe com o velho Pároco que passou por aí, há
mais de 40 anos. Deixando de lado, certos exageros, você diz em suas memórias,
o que ficou em você, que deveria ter ficado de todos os padres que cuidaram
dessa sua paróquia:
“Aproveitava os sermões e datas específicas para bater na tecla tão importante que era de defender o povo mais humilde e a injusta divisão de renda entre a população. Isto incomodou a muita gente, mas, por outro lado, serviu de ricas aulas com assuntos que até hoje a turma relembra e até discute com sabedoria”.
Não me vou deter mais em sua página, mas bem que ela poderia, integralmente, fazer parte do Comentário da Semana que este “site” me permite.
Dentro desta “Caixa de surpresas”, uma dupla surpresa: uma sertaneja do Pajeú das Flores, aliada às vivencias sofridas na ex-Zona da Mata, que passou a ser Zona da Cana e do flagelo da fome. “Fome de que?” perguntam-me 28 escritores e pensadores do mais alto nível, inclusive Maria de Fátima Brasileiro, regionalizada no Sertão e na Mata Sul de Pernambuco, que não deixa de ser uma escritora nacional, a partir do próprio nome. Na dedicação feita a mim, em delicadas palavras, Fátima me chama de “querido amigo e eterno professor, com um abraço carinhoso” no dia dos meus 83 anos.
Todos
os escritores da coletânea, a fizeram para documentar a XIV Bienal Internacional
do Livro de Pernambuco, sobre o sempre inquietante tema da Fome, largamente
tratado por Josué de Castro em suas “Geografia
da Fome” e “Geopolítica da Fome”.
Tomei conhecimento dessas suas obras monumentais no Seminário de Olinda e
depois as conferi em Amaraji, onde ouvi de um camponês: “vou morrer como nasci: nu e com fome”.
Depois
de tão amadurecidas mensagens, ‘primeiramente
enumeradas’, a “Caixa de surpresas” começou
a externar sentimentos da 2ª geração: a das minhas afilhadas: respeitosas,
amáveis, sonhadoras de quem não tem o que lembrar, mas tem muito o que sonhar.
Aí, o velho padrinho e avô se derreteu.
A
Kamila, filha de Marcelo e Socorrinho disse que,
“quando criança, na hora das refeições, meus pais
falavam dos aprendizados com você, em palavras e ações. Referiam-se a você,
como ‘o seu padrinho’: alguém que oportunizou encontros, ajudou a fortalecer
amizades, conscientizou, politicamente, jovens que viviam em um país, cuja
necessidade de democracia pulsava, incansavelmente, levava os ensinamentos de
Jesus, de uma ponta à outra da cidade, sem distinção de classe social... As
homilias do Padre Assis não tinha igual. Disseram-me que o senhor sempre pregou
o evangelho de forma contextualizada com a realidade social. Jesus foi um homem
político e quem não pensa assim, não entendeu nada. Acredite, meu padrinho, que
pregações só me prendem a atenção se forem assim. Não acho que seja
coincidência. Obrigada, padrinho! Seus ensinamentos, através de meus pais,
ajudaram a formar nosso alicerce familiar; do que eu sou. Um forte abraço!”

A
Paula Andrade, filha de Paulo e Ednar ‘pede-me
a bênção, em primeiro lugar’ e acrescenta:
“o desejo do meu coração para o Senhor é de muita saúde e sempre cheio de bênção e paz. Muito orgulho tenho em ser sua afilhada: homem íntegro, de fé inabalável e dono de um sorriso que transmite paz e que eu recordo e guardo com muito carinho. Como é bom poder comemorar o 83º ano de vida de uma pessoa tão especial e que torna a vida de muitas pessoas, muito mais felizes.
Um grande abraço, padrinho. Até breve!
A Thaís, filha de Maurílio e Jaci, “saúda o Padrinho Assis, enfatizando o prazer de tê-lo como padrinho e o orgulho e satisfação em ser sua afilhada”. E afirma, sem arrodeios:
“confesso que fico super-entusiasmada ao saber das suas
histórias, enquanto pároco de nossa cidade, mas, principalmente ao saber de sua
ligação com as correntes progressistas da nossa Igreja, da sua visão de sociedade
igualitária, que busca o exemplo do seu fundador e dos primeiros cristãos. Fico
feliz em saber que você ensinava aqui que todos deveriam unir oração e ação, fé
e obra, teoria e prática para alcançarem como objetivo final, uma sociedade sem
classes, fraterna, igualitária, praticante da justiça, partilha, em que o poder
de decisão seja de todos.
A despeito do que muitos reacionários chamam de
“comunismo”, nós cristãos conscientes chamamos de “cristianismo” e o senhor, no
tempo em que passou por aqui, já colocava, claramente, estas distinções na
mente do povo. Soube até que havia discussões acaloradas prós e contras e o
senhor ia explicando tudo. Mãinha me fala que o senhor nunca foi de baixar a
cabeça. Ao contrário, lutava por seus ideais e isto me inspirou de uma forma
gigantesca”.
Thaís encerra seu belo
depoimento com “um beijo; um abraço dessa
afilhada que lhe quer muito bem”.
Obrigado a ela e a todos os depoimentos, tão carinhosamente, a mim dirigidos. Será que há troféus mais significativos que estes? Só mesmo daqueles que fizeram mais de 2.000 km. pra virem aqui.
BORDADOS DE NAZARÉ ANTERO - Fortaleza - Ce.
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