sábado, 10 de fevereiro de 2024

O COMENTÁRIO DA SEMANA

 

Fraternidade e Amizade Social!  Pense nisto.

Faz, exatamente, uma semana que me estou refazendo d’uma cirurgia da vesícula biliar, popularmente conhecida por retirada de pedras da vesícula. E estou passando bem. Segui com meus 03 últimos comentários semanais, mas estou feliz por não os ter dispensado. Seria até, uma boa desculpa.

Todos os anos, sempre usei este dia, chamado “Sábado Gordo” para falar em qualquer órgão de imprensa que estivesse ao meu alcance, sobre o Carnaval, já que, de hoje (10.02) até a Quarta-Feira de Cinzas (dia 14), impera o Rei Momo. No momento - graças à cortesia do Leunam, em seu site: vemserprofessorcomprazer.blogspot.com. Pelo acesso, agradeço.

 Faz muito tempo que estes quatro dias – com direito a prévias e a postergações – invadem, intensamente, o país inteiro, a ponto de se esquecer os problemas, as dificuldades, o alto custo de vida, o mensalão do passado a lava jato do presente, os governantes de há pouco, desemprego de sempre, as delações premiadas, ou que a educação, a saúde, a economia, a segurança e demais deveres governamentais estão falhos, para só prestar Homenagem a Rei Momo.

            É o grande momento brasileiro da alienação geral, da fuga de nossa realidade, da ingestão do ópio que contamina a todos: É CARNAVAL.

            Feriado prolongado, vigilância maior nas estradas, grande afluência de foliões em determinadas cidades e praias, presença, mais ostensiva, de policiamento por toda parte, até o uso das forças armadas, enfim, a vida nacional mudava de forma, de jeito, de atitude e de compromissos.

            O Brasil parava como engrenagem política, como burocracia, para viver a coisa mais desburocrática do mundo: o CARNAVAL.

            Chegara o momento da fantasia: aquela que se usava para brincar, e aquela que estava na cabeça de muita gente para fugir ou fingir a realidade.

            O importante mesmo, nesses dias, era ter “risos e alegrias”, como cantava Zé Keti, em sua famosa e sempre lembrada máscara negra, para dar expansão ao gênio, embora aparecessem lágrimas e tristezas, depois, para curtir o arrependimento.

            Antigamente, esse tempo anterior à quarta-feira de Cinzas, era aproveitado pela própria Igreja, para estimular os seus fiéis a se alimentarem mais de carne, uma vez que da Quarta-feira de Cinzas em diante, vivia-se o Tempo Litúrgico da Quaresma, durante o qual, era proibido comer carne.

            A Quaresma ou Quadragésima, desde o início, é um tempo de 40 dias de penitência, de jejum, de conversão dos pecados, enfim, de purificação da alma, preparatório para a Festa da Páscoa ou da Ressurreição do Senhor, que se celebra este ano, no dia 31 de Março.

            Em tempos remotos, a Igreja estimulava o povo a se despedir da alimentação da carne, exatamente agora: 03 dias antes de iniciar a Quaresma, ocasião em que todos comiam bastante carne - para enjoar mesmo - até a quarta feira de cinzas, a fim de suportarem os 40 dias que se seguiam, sem provarem tal alimento, como uma penitência.

            Era um verdadeiro festival de carne, ou um verdadeiro Carnaval, realizado por motivos religiosos e por respeito à Fé e ao momento litúrgico celebrado e vivido pela própria Igreja. Claro que se ela adivinhasse que o seu mais bem intencionado Carnaval, ia dar no que deu, jamais teria ela estimulado tal forma de despedida da carne, divulgando tão grande penitência corporal e física, durante a Quaresma.  

            Aos poucos o povo foi desviando-se da justificativa ou das motivações apresentadas pela Igreja, foi introduzindo a bebida, para ajudar na ingestão da carne, e o Carnaval chegou ao estágio em que nos encontrávamos: uma festa, pagã, profana, com muita carne, sim, mas carne humana às vistas.

            É uma festa de muita sensualidade, de muita apelação visual, para corpos nus, ou seminus, de muita permissividade e de um exagero sem limites: na bebida, nas fantasias, nas corridas de automóveis pelas ruas e pelas estradas, nos abusos de ordem sexual, até com o incentivo do Governo, distribuindo camisinhas ou outros preservativos, enfim, era uma alienação enorme, uma loucura desmedida, um aproveitamento da oportunidade, como se fosse a última na vida. Não havia uma educação especial ou uma orientação para se viver corretamente. Havia uma libertinagem geral e não, uma liberdade, retamente ou conscientemente, usada.

            E o pior é que, em cada ano que passava se queria superar a alegria e o exagero do ano anterior. A criatividade das grandes Escolas de Samba, no enredo de suas homenagens, na história que queriam recontar ou na crítica que se queria repassar era um segredo, escondido a sete chaves, e, ao realizarem uma apresentação ou um desfile, já se tinha na mente, o tema para o ano seguinte.

            Nas classificações finais do CARNAVAL-SHOW, apresentado nas grandes cidades, sobretudo nos eixos Rio/São Paulo, Salvador/Recife, os que perdiam, iam fazer todo esforço para vencer no ano seguinte, e os que ganhavam, iam se esforçar mais ainda, para manterem o sucesso obtido.

            E assim, o tempo ia passando. Entrava ano e saía ano, e a ilusão continuava. O povo brasileiro ia vivendo de suas utopias, de seus sonhos e até de suas alienações. Feliz porque muitos estrangeiros vinham divertir-se, gastar seus dólares, injetar rios de dinheiro em nossa economia. O Carnaval era esperado como o momento mais alto do Calendário Nacional e tomava proporções ilimitadas. Acabaram-se aqueles limites impostos, inicialmente, pela Igreja, o exagero tomou conta de todos os espaços, as motivações dadas para a vivência do Carnaval estavam cada vez mais paganizadas e ao se referirem a “santos” ou a pessoas de Igreja ou à sua própria instituição era com muito deboche. Estava na hora de se imporem novos limites.

            E chegaram: sem leis, sem imposição de autoridades, sem decretos, mas chegaram. Um pequeno vírus, invisível, chegou e se instalou em mais de 200 países, ricos e pobres, inicialmente sem nenhuma proteção, sem vacina, sem estruturas preparadas pelos Ministérios de saúde. Mas chegou para matar: mais de Seis Milhões no Mundo. Mais de 700 mil no Brasil. Acabou?

            Não! Além do Corona Vírus inicial, apareceram várias vertentes ou cepas (usando a ordem alfabética grega), cada qual a mais letal e num crescente vertiginoso. Nossas autoridades sanitárias e governamentais da época procederam, de maneira incapaz e irresponsável sem compromisso algum com o povo. Só pensavam no voto e na propaganda política para terem proveito eleitoral. Elas mesmas promoviam aglomerados, reuniam multidões sem máscara/favoreciam carreatas, inaugurações com grande amontoado de pessoas, desqualificavam as vacinas, indicavam remédios sem aprovação científica, enfim não tinham o menor respeito pelas orientações que o Mundo todo tentava levar a sério. Aos trancos e barrancos foi-se a pandemia. Foi-se?

            É o que vamos aprofundar na 1ª semana da Quaresma, falando da C.F. : história e tema em 2024: Fraternidade e Amizade Social. Até lá!

            

BORDADOS PEDAGÓGICOS DA PROFESSORA NAZARÉ ANTERO









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