RUTH
CAVALCANTE – DOUTORA HONORIS CAUSA, DA UFC
Há muitos
anos tenho me manifestado contra a compra anual de livros escolares. Por que
não usar os livros usados por alunos no ano anterior?
Seria uma grande redução de despesas para as famílias. Umas ganhariam vendendo livros usados, Outras comprariam livros bem mais baratos.
Todos teriam mais zelo com os livros e, afinal de contas todos sairiam ganhando. Defendo que os conteúdos não mudam a cada ano.
Se houvesse alguma alteração, os Professores repassariam nos momentos certos que cada conteúdo exigisse.
Como só estudam Português e Matemática, menos razões para a compra de livros. Embora não veja sentido para exclusão das demais matérias.
Sempre que ocupei a função de Secretário de Educação, todas as disciplinas recebiam igual atenção. Todos os Professores participavam de atualizações nas disciplinas eu lecionavam.
Começavam com relatos das experiências positivas no ensino e aprendizagem de cada disciplina. Depois faziam levantamento dos aspectos que ofereciam mais dificuldades.
E, finalmente, debatiam sobre as principais modificações que poderiam ser adotadas no conteúdo e na metodologia. E dava certo. Era troca de saberes.
Não havia palestras, sem fim, para os Professores. Palestras não proporcionam mudanças. Só alguma erudição.
Já vi e ouvi palestras em que o orador faz a plateia rir, chorar, às vezes dançar. Mas nada daquilo chegava à sala de aula, gerando mais participação dos alunos.
Com muita
justiça, a UFC vai conceder o título de Doutora Honoris Causa à Professora Ruth Cavalcante, criadora da Educação Biocêntrica.
O comunicado já foi feito em Ofício do Magnifico Reitor Custódio de Almeida. Antes da Ruth, receberam o título apenas: Rachel de Queiroz, em 81, Ana Maria Miranda, em 2015 e Mary Evelyn Dantas Flowers, em 22.
Ruth é cearense de Pedra Branca. Pedagoga. Presa pela ditadura civil militar quando dava um curso do Método de Alfabetização de Paulo Freire para colegas universitários.
Fugiu da prisão, refugiou-se no Chile e depois conseguiu asilo na Alemanha onde ficou até a redemocratização do Brasil.
RACISMO – Nestas e em todas as eleições a vigilância sobre candidatos racistas deve ser implacável. Racismo é crime. Não merece perdão.
Numa gentil visita que me fez, o amigo dos tempos do Seminário, José Célio Fonteles, trouxe-me uma cópia do seu livro OS FONTELES DAS ÁGUAS LIVRES.
Ele, de São Benedito, era meu vizinho. Nos conhecemos no Seminário de Sobral, onde iniciamos em fevereiro de 1955, há 69 anos. Sempre se destacou pela sua competência.
08 de fevereiro era o dia do inicio do ano letivo no Seminário Menor de Sobral. Um dia marcante para muitos meninos de onze e doze anos que começavam nova história.
A grande maioria vinha de pequenos municípios e se encantavam com tudo. O prédio era uma imensidão. Todas as atividades eram realizadas em conjunto. Todos, ao mesmo tempo, em todos os lugares.
Uma fila imensa de, mais ou menos cem alunos, percorria os corredores, em absoluto silêncio. Para a Capela, para o Refeitório, para o Salão de Atos...
Até, mais ou menos, 14 anos, compunham a Divisão dos Menores. De 15 em diante iam para da Divisão dos Maiores. Os dois grupos não se comunicavam. Só em datas especiais.
Aqueles que estão sendo investigados pela Policia Federal sobre as tentativas de Golpe de Estado no Brasil, dizem que vivemos uma ditadura.
Nada sabem ou fazem que não sabem o que é viver sob regime ditatorial. Era uma vida de desconfiança. Na faculdade, por exemplo, todos viviam sobressaltados. O colega ao lado podia ser um dedo-duro.
Daí a insegurança. Todo mundo desconfiava de todo mundo. Especialmente, nas salas de aula da Universidade. Eu mesmo, só falava sobre os assuntos das aulas.
Trabalhando no Movimento de Educação de Base – MEB, com Alfabetização de Adultos, pelo Rádio, ninguém sabia. E, mesmo assim, vivia sendo intimado à Policia Federal.
Hoje, vivemos um tempo totalmente diferente. Democracia. Quem fala mal dos dias atuais é porque não tem ideia do que era a ditadura.
As reuniões do Ministério do Governo anterior eram com palavrões impublicáveis. Uma do dia 22 de abril de 2020, ficou para a história. Faz vergonha.
Outra de preparação para o golpe também é vergonhosa. Palavrões e termos chulos. Comportamentos inimagináveis das mais altas autoridades do país. Felizmente, não deu certo.
Temos muitos “políticos” oportunistas que só cuidam dos próprios interesses. E aí a culpa é de quem vota por dinheiro. Os eleitos estão lá porque foram votados.
A sala de aula, no meu entendimento e conforme a minha prática, é o local ideal para o exercício da democracia. Estimulando os alunos à participação exercitamos a democracia.
O período de carnaval, para alguns, parece uma época em que todos podem fazer tudo. Há os que abusam dos seus sons em altos volumes. Convivência não é isto.
No Programa Setorial de Saúde, desta semana, em UM MINUTO PELA EDUCAÇÃO, abordamos a importância do Método de Paulo Freire para o trabalho dos Agentes de Saúde.
.jpg)

.jpg)
Nenhum comentário:
Postar um comentário