Porque há tantos que se posicionam,
abertamente, contra a Ciência?
Depois de pequeno
desencontro na temática semanal – a quem sempre dou uma sequência – retomo hoje
a lógica do meu pensamento, falando sobre os temas, seguidos nos últimos 58
anos pelos Papas (de Paulo VI a Francisco) em suas 58 Mensagens para o Dia
Mundial das Comunicações, transmitidas, todos os anos, entre as Solenidades da
Ascenção de Jesus ao Céu e o Envio do Divino Espírito Santo, no Pentecostes,
respectivamente, 12 e 19 de Maio.
Para este domingo, 26 de Maio, o Comentário
mais apropriado, seria o que já foi desenvolvido no sábado passado, dia 17,
Véspera da Festa à SS. Trindade. A pequena mudança que vou fazer é para que
ninguém perda a sequencia das Mensagens dos últimos Papas, culminada com a de
Francisco, bem atualizada, sobre “Inteligência
Artificial e sabedoria do coração – por uma Comunicação, plenamente humana”.
Já
advertimos sobre o Tema que seria abordado pelo Papa, mas vamos voltar a ele,
para aprofundarmos melhor e entender a sua recorrência para termos melhores
informações e idéias pra trocar e dialogar com mais pessoas.
Revendo
os temas tratados nestes últimos anos (você pode conferir no meu Comentário do
dia 11/05) acompanhamos a evolução do pensamento da Igreja. Partiu de temas
normativos da Comunicação em busca da verdade e do reto uso dos Meios,
enveredando pela paz, a justiça, a família, a opinião pública, sempre querendo
repartir o bem, a verdade, a fraternidade entre outros assuntos que iam
encontrando fundamento na Palavra de Deus, nos Santos Padres e se ia
caminhando, sem muita dificuldade para atingir a verdade cristã.
No
entanto, o mundo mudou. Outras ideologias invadiram nossa área. A Ciência, a
tecnologia, o computador, a Internet, as escolas virtuais, as homeschooling, as fake News, o celular... tudo se foi transformando e o Mundo também.
Chegar à Inteligência Artificial, como nos está agora, falando o Papa, é
uma consequência natural e recorrente. Muitos de nós não estamos preparados
para isso e nos metemos a criticar sem base.
O
Papa Francisco iniciou sua mensagem, mostrando a evolução a que chegamos: a da Inteligência Artificial que está modificando, de forma radical, a
informação, a comunicação e as bases da convivência civil. Está mexendo com
todo mundo. A rápida difusão de maravilhosas invenções... suscita um espanto
que oscila entre o entusiasmo e desorientação e põe-nos, inevitavelmente,
diante de questões fundamentais: o que é o homem, qual a sua especificidade,
qual será o futuro desta nossa espécie, chamada ‘homo
sapiens’ na era das Inteligências Artificiais? Como podemos permanecer,
plenamente, humanos e orientar para o bem, a mudança cultural em curso”?
Depois
desta introdução e de perguntas tão provocativas, Francisco acrescentou à
proposta geral do Tema: Inteligência
Artificial, o complemento: e a
sabedoria do coração, incitando-nos a interiorizar, meditar, limpar o terreno das leituras catastróficas,
dos seus efeitos negativos ou aterradores.
Muitos
recebem a mensagem ou começam a lê-la ou escutá-la, já com preconceito: “é uma novidade! Não me interessa! Logo
desse Papa?! Isso é ensinamento da Igreja?”
Quantos
reagem assim e se colocam contra “o novo”,
só pelo fato de “ser novo”. De
antemão, já não aceitam. Nem imaginam que qualquer mudança técnica, política,
científica ou de qualquer natureza tem que passar pelo homem. Quando eu me fecho
ao novo, ou não me interesso em ouvir, facilitar ou entender a compreensão de
outrem eu estou desvalorizando o humano.
Esqueço
que todos os nossos problemas e soluções só serão resolvidos se passarem pelo ser humano, pela sua
inteligência, pelo diálogo, pelo entendimento humano. Aliás, nem isso é
novidade. Na criação Divina do ser humano, Deus os fez Homem e Mulher.
Mandou-os crescerem e se multiplicarem, dominando a Natureza, explorando o
Universo.
Porque há tantos que se posicionam, abertamente, contra
a Ciência? Lembram-se, à época mais intensa da Pandemia, como os
negacionistas se comportavam? Rejeitavam, totalmente, se vacinarem e passavam
sua rejeição a quem deles dependiam. Coitados! Eram ameaçados com o diabo, o
inferno, o comunismo, a transformação em Jacaré e com outras ignorâncias.
Antes
de agir assim, diz o Papa, “ajamos a partir do coração”. E mais:
“neste tempo que corre o risco de ser
rico em técnica e pobre em humanidade, a nossa reflexão só pode partir do
coração humano. O coração entendido, biblimente, como sede da liberdade e das
decisões mais importantes da vida é símbolo de integridade e de unidade, mas
evoca também os afetos, os desejos, os sonhos e, sobretudo é o lugar interior
do encontro com Deus. Por isso, a sabedoria do coração é a virtude que nos
permite combinar o todo com as partes, as decisões com as suas consequências,
as grandezas com as fragilidades, o passado com o futuro e o Eu com o Nós”
Depois de falar do
coração, do sentimento, da inteligência humana, o Papa fala da Sabedoria das Máquinas, que não
existiria sem a sabedoria humana, que, de há muito, vem sendo comprovada pelos
estudos e pesquisas científicas. Faz tempo que se fala em “machine learning” (aprendizagem auto-mática). É certo que as
máquinas têm uma capacidade, imensamente, maior que os seres humanos, de
memorizar os dados e relacioná-los entre si, mas compete ao homem e só a ele,
decodificar o seu sentido. Não se trata pois, de exigir das máquinas que
pareçam humanas, mas de despertar o homem da hipnose em que cai, devido ao seu
delírio de onipotência, crendo-se sujeito, totalmente, autônomo e auto
referencial, separado de toda a ligação social e esquecido de sua condição de
criatura.
Segundo Francisco, o
homem sempre teve experiência de não se bastar a si mesmo, e procura superar a
sua vulnerabilidade, valendo-se de todos os meios. Já desde os primeiros momentos
pré-históricos, ele procura alongar seus braços, valendo-se do cabo da enxada,
do machado, da corda de laçar, da montaria do cavalo, da bicicleta, enfim, o
homem não satisfeito com os seus limites, ia inventando ou descobrindo
“prolongamentos” de si, da voz, do som, da palavra, da mais rápida comunicação,
até mesmo da tentação de ser Deus, sem
Deus, como fala o Gênesis. Era a tentação de conquistar com as próprias
forças aquilo que se alcançaria como “dom de Deus”. Ninguém consegue nada,
sozinho. Tem que ser conseguido no bom relacionamento com os outros, isto é, em humanidade. Enfim, somos
chamados a crescer juntos: em humanidade e como humanidade. O
desafio que temos diante de nós é realizar um salto de qualidade para estarmos
à altura duma sociedade complexa, multiétnica, pluralista, multirreligiosa e
multicultural. O Papa reconhece que não há uma resposta técnica, escrita,
visualizada sobre tema tão complexo e ainda em estudos. É o caminho. Não
podemos ignorá-lo ou criticá-lo como se não tivesse a menor importância. Ele
nos convida a fazer uma aliança entre gerações, entre quem tem memória do
passado e quem tem visão de futuro. Sintamo-nos todos, motivados, abertos de
mente e de coração para nos ajudarmos mutuamente, por uma I.A. que nos leve a
uma Comunicação, plenamente humana.
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