Que
espaço a Bíblia ocupa em sua casa? Só para decoração?
No início do meu
Comentário da Semana passada eu anunciava ainda a última reflexão sobre o Mês
Vocacional - abordando a Missão dos Catequistas e dos Leigos – mas, já
prometendo para iniciar hoje meus Comentários sobre o Mês da Bíblia, que está começando amanhã: primeiro de
setembro.
Há dois/três anos comemoramos as Bodas de Ouro, da instituição de um mês inteiro, dedicado, de um modo especial, à valorização, conhecimento e estudos maiores da Palavra de Deus e de sua prática em nossa vida.
À época, dissemos que, no início, o esquema era o de Jesus: “ide e pregai; aqueles que acreditarem e receberem os sacramentos serão salvos”. E o Apóstolo Paulo acrescentava: ‘como é que as pessoas podem crer se não ouvir a mensagem? Como podem ouvir a mensagem se não for anunciada? Como é que a mensagem será anunciada, se não forem enviados mensageiros’? E o próprio Paulo completava, citando Isaías 52,7: ‘como é bonito ver os mensageiros trazendo boas notícias’!
Com
tais fundamentos - a criação de um mês inteiro de dedicação ao conhecimento da
Bíblia – já chegou um pouco tarde, após o mandato de Jesus e do aconselhamento
de Paulo. Como a sabedoria popular diz: “antes
tarde do que nunca”, a advertência de Jesus e o conselho de Paulo são,
plenamente, válidos, embora Isaías já se houvesse manifestado, mil anos antes.
É a melhor prova de que, para Deus, tudo é “presente”.
Tudo é hoje. Como Ele mesmo diz no mesmo Isaías 55,8-10: “meus caminhos não são os vossos, nem meus pensamentos são como os
vossos pensamentos. Eu não ajo como vocês”.
Posto
isso, retornemos à nossa reflexão sobre o Mês da Bíblia, tendo um “marco
histórico” de mudança ou de “aggiornamento”
da Igreja, no Concílio Ecumênico Vaticano II. A partir dali, o anúncio da
Palavra de Deus, as Celebrações, a frequência aos sacramentos, a participação
na Liturgia, o amor maior pela Bíblia, tudo nos foi conduzindo para a
reafirmação do compromisso e a efetivação da Missão, em 1º lugar, na vida da
Igreja, da família, da comunidade de fé e na vida pessoal de cada um. É muito
bonito dizer isso, mas ainda está muito longe da prática.
Voltamos
ao mês da bíblia – 2024 - com
uma nova proposta de estudos, sugerida pela Comissão para a Animação Bíblico-Catequética
da CNBB. Ela nos está convidando a refletir sobre o Livro de Ezequiel, sob o
lema: “porei em vós meu espírito e
vivereis” (Ez 37,14).
O
Profeta Ezequiel surgiu pelo ano 586 antes de Cristo, ao tempo em que a Cidade
de Jerusalém fora tomada pelos babilônios. Entre eles, estavam os Israelitas
que tinham sido levados como prisioneiros. Era o “povo de Deus”, que continuava
fugindo da escravidão do Egito. Ezequiel lhes apareceu, pregando-lhes
mensagens de Deus, dirigidas também aos moradores da cidade.
Tanto
os Israelitas, como os nativos e os invasores deveriam ouvir a voz do profeta
que ensinava ‘ser cada um, responsável por
seus próprios pecados’.
Aos
israelitas, o Profeta acrescentava que “cada
um começasse a viver uma vida nova na presença de Deus”. O próprio Profeta,
que era também sacerdote, mostrou interesse pelo Templo de Jerusalém e também
ensinou que Deus exige que os seus adoradores vivam uma vida dedicada a Ele. É
que Deus não quer migalhas de amor. Ele só quer de nós, AMOR TOTAL.
Foi
com estas palavras que Deus chamou Ezequiel para ser Profeta: “Oh! Homem mortal! Eu o estou mandando ao
povo de Israel, que se revoltou e se virou contra mim. Eles ainda são rebeldes
como os antepassados deles”...
“Se derem atenção a você ou se não derem, eles vão saber
que um profeta esteve no meio deles”. E por aí vai o chamado de Deus a
Ezequiel, como Ele o faz a cada um de nós. Nós é que temos medo da Palavra de
Deus. Nós é que deixamos de lado, a missão profética, achamos que profeta é
quem adivinha se vai chover ou não, como dissemos na reflexão passada.
Toda a Leitura do Livro
de Ezequiel encoraja qualquer pessoa, que tenha espírito missionário, a ousar e
ir em frente. Leia-o em seus 47 capítulos e versículos. Entusiasme-se como eu,
à época em que estudei, com o Pe. Luís Sena e agora, relendo o capítulo 37,
intitulado: “o vale dos ossos secos” do versículo 09 em diante: “homem mortal, profetize para o vento. Diga
que o Senhor Deus está mandando que ele venha de todas as direções para soprar
sobre esses corpos mortos a fim de que vivam de novo”. O Profeta assim o
fez, conforme a ordem recebida, e “a
respiração entrou nos corpos, e eles viveram de novo e ficaram de pé... Era
tanta gente que dava para formar um exército”.
Você, que me está lendo
agora, procure aquela Bíblia velha que está largada, quem sabe, tão escondida! Bata-lhe
a poeira. Abra-a no seu 33º Livro. Deve ser o Livro de Ezequiel. Leia-o.
Releia-o. Entenda o que é ser um Profeta e sua importância dentro de uma
comunidade. Às vezes, temos em casa uma Bíblia de enfeite, com corte dourado,
cheia de imagens decorativas, até num belo móvel ou numa bela estante,
novíssima, nunca aberta. Abra-a, no Livro do Profeta Ezequiel e lá encontrará
os textos de que estamos falando.
Se, por acaso, não a
tiver, peça emprestada a alguém de casa, da família, uma vizinha para lê-la,
ao menos o Profeta Ezequiel, para ver se o que estou dizendo tem sentido. Quem
sabe, você se tornará um leitor! Experimente!
Nestes
últimos anos, estivemos envolvidos pelo espírito da sinodalidade, i.é., da
renovação constante da Igreja para manter vivo o conteúdo do Concílio Ecumênico
Vaticano II e ainda nos estamos preparando para viver mais um Ano Santo, em
2025. Essas duas motivações – como foi o Mês Vocacional, vão ser também, o Mês
da Bíblia e o Mês das Missões – preparar-nos-ão melhor para vivenciar 2025, o
próximo Jubileu, com suas portas
santas e indulgencias.
Vamos
todos procurar responder o convite do Papa Francisco, querendo ser peregrinos
de esperança, que nos faça ser como Ezequiel: arautos da fé, em meio àqueles
que, por ventura, possam ter-se esquecido de Deus ou perdido o seu caminho.
Nosso
desejo é que, este Mês da Bíblia possa ser mais um marco na campanha
evangelizadora e missionária de nossas comunidades, fazendo brilhar, sempre
mais, a Palavra de Deus. Não a nós. Somos apenas seus fracos instrumentos na
indicação de caminhos, na iluminação de ideias e no desejo de que, acima de
tudo, Deus seja louvado.
Todas
as Paróquias e Comunidades Eclesiais estão convidadas a participarem de
Encontros, não pra discutirem, intelectualmente, mas para ouvirem e entenderem,
profundamente, a Palavra do Senhor e discernirem melhores caminhos que lhes
conduzam à conversão.
Segundo
Santo Agostinho, “o ponto central da
Bíblia – convergência de todas as profecias – é Jesus Cristo. O Antigo
Testamento é preparação para a sua vinda e o Novo, a realização do seu reino. O
Novo estava latente no Antigo e o Antigo se esclarece no Novo. Sua unidade se
deve ao fato de terem sido, todos eles, inspirados por Deus seu autor principal
e garantia de sua inerrância.
Enfim, a
Bíblia não é ‘um livro’ de ciências humanas. É uma coleção de 73 livros que tem
sua unidade na Unidade da Trindade”.
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