sábado, 31 de agosto de 2024

 

Que espaço a Bíblia ocupa em sua casa? Só para decoração?

No início do meu Comentário da Semana passada eu anunciava ainda a última reflexão sobre o Mês Vocacional - abordando a Missão dos Catequistas e dos Leigos – mas, já prometendo para iniciar hoje meus Comentários sobre o Mês da Bíblia, que está começando amanhã: primeiro de setembro.

             Há dois/três anos comemoramos as Bodas de Ouro, da instituição de um mês inteiro, dedicado, de um modo especial, à valorização, conhecimento e estudos maiores da Palavra de Deus e de sua prática em nossa vida.

             À época, dissemos que, no início, o esquema era o de Jesus: “ide e pregai; aqueles que acreditarem e receberem os sacramentos serão salvos”. E o Apóstolo Paulo acrescentava: ‘como é que as pessoas podem crer se não ouvir a mensagem? Como podem ouvir a mensagem se não for anunciada? Como é que a mensagem será anunciada, se não forem enviados mensageiros’? E o próprio Paulo completava, citando Isaías 52,7: ‘como é bonito ver os mensageiros trazendo boas notícias’!

            Com tais fundamentos - a criação de um mês inteiro de dedicação ao conhecimento da Bíblia – já chegou um pouco tarde, após o mandato de Jesus e do aconselhamento de Paulo. Como a sabedoria popular diz: “antes tarde do que nunca”, a advertência de Jesus e o conselho de Paulo são, plenamente, válidos, embora Isaías já se houvesse manifestado, mil anos antes. É a melhor prova de que, para Deus, tudo é “presente”. Tudo é hoje. Como Ele mesmo diz no mesmo Isaías 55,8-10: “meus caminhos não são os vossos, nem meus pensamentos são como os vossos pensamentos. Eu não ajo como vocês”.

            Posto isso, retornemos à nossa reflexão sobre o Mês da Bíblia, tendo um “marco histórico” de mudança ou de “aggiornamento” da Igreja, no Concílio Ecumênico Vaticano II. A partir dali, o anúncio da Palavra de Deus, as Celebrações, a frequência aos sacramentos, a participação na Liturgia, o amor maior pela Bíblia, tudo nos foi conduzindo para a reafirmação do compromisso e a efetivação da Missão, em 1º lugar, na vida da Igreja, da família, da comunidade de fé e na vida pessoal de cada um. É muito bonito dizer isso, mas ainda está muito longe da prática.

            Voltamos ao mês da bíblia – 2024 - com uma nova proposta de estudos, sugerida pela Comissão para a Animação Bíblico-Catequética da CNBB. Ela nos está convidando a refletir sobre o Livro de Ezequiel, sob o lema: “porei em vós meu espírito e vivereis”             (Ez 37,14).

            O Profeta Ezequiel surgiu pelo ano 586 antes de Cristo, ao tempo em que a Cidade de Jerusalém fora tomada pelos babilônios. Entre eles, estavam os Israelitas que tinham sido levados como prisioneiros. Era o “povo de Deus”, que continuava fugindo da escravidão do Egito. Ezequiel lhes apareceu, pregando-lhes mensagens de Deus, dirigidas também aos moradores da cidade.

            Tanto os Israelitas, como os nativos e os invasores deveriam ouvir a voz do profeta que ensinava ‘ser cada um, responsável por seus próprios pecados’.

            Aos israelitas, o Profeta acrescentava que “cada um começasse a viver uma vida nova na presença de Deus”. O próprio Profeta, que era também sacerdote, mostrou interesse pelo Templo de Jerusalém e também ensinou que Deus exige que os seus adoradores vivam uma vida dedicada a Ele. É que Deus não quer migalhas de amor. Ele só quer de nós, AMOR TOTAL.

            Foi com estas palavras que Deus chamou Ezequiel para ser Profeta: “Oh! Homem mortal! Eu o estou mandando ao povo de Israel, que se revoltou e se virou contra mim. Eles ainda são rebeldes como os antepassados deles”...

“Se derem atenção a você ou se não derem, eles vão saber que um profeta esteve no meio deles”. E por aí vai o chamado de Deus a Ezequiel, como Ele o faz a cada um de nós. Nós é que temos medo da Palavra de Deus. Nós é que deixamos de lado, a missão profética, achamos que profeta é quem adivinha se vai chover ou não, como dissemos na reflexão passada.

Toda a Leitura do Livro de Ezequiel encoraja qualquer pessoa, que tenha espírito missionário, a ousar e ir em frente. Leia-o em seus 47 capítulos e versículos. Entusiasme-se como eu, à época em que estudei, com o Pe. Luís Sena e agora, relendo o capítulo 37, intitulado: “o vale dos ossos secos” do versículo 09 em diante: “homem mortal, profetize para o vento. Diga que o Senhor Deus está mandando que ele venha de todas as direções para soprar sobre esses corpos mortos a fim de que vivam de novo”. O Profeta assim o fez, conforme a ordem recebida, e “a respiração entrou nos corpos, e eles viveram de novo e ficaram de pé... Era tanta gente que dava para formar um exército”.

Você, que me está lendo agora, procure aquela Bíblia velha que está largada, quem sabe, tão escondida! Bata-lhe a poeira. Abra-a no seu 33º Livro. Deve ser o Livro de Ezequiel. Leia-o. Releia-o. Entenda o que é ser um Profeta e sua importância dentro de uma comunidade. Às vezes, temos em casa uma Bíblia de enfeite, com corte dourado, cheia de imagens decorativas, até num belo móvel ou numa bela estante, novíssima, nunca aberta. Abra-a, no Livro do Profeta Ezequiel e lá encontrará os textos de que estamos falando.

Se, por acaso, não a tiver, peça emprestada a alguém de casa, da família, uma vizinha para lê-la, ao menos o Profeta Ezequiel, para ver se o que estou dizendo tem sentido. Quem sabe, você se tornará um leitor! Experimente!   

            Nestes últimos anos, estivemos envolvidos pelo espírito da sinodalidade, i.é., da renovação constante da Igreja para manter vivo o conteúdo do Concílio Ecumênico Vaticano II e ainda nos estamos preparando para viver mais um Ano Santo, em 2025. Essas duas motivações – como foi o Mês Vocacional, vão ser também, o Mês da Bíblia e o Mês das Missões – preparar-nos-ão melhor para vivenciar 2025, o próximo Jubileu, com suas portas santas e indulgencias.

            Vamos todos procurar responder o convite do Papa Francisco, querendo ser peregrinos de esperança, que nos faça ser como Ezequiel: arautos da fé, em meio àqueles que, por ventura, possam ter-se esquecido de Deus ou perdido o seu caminho.

            Nosso desejo é que, este Mês da Bíblia possa ser mais um marco na campanha evangelizadora e missionária de nossas comunidades, fazendo brilhar, sempre mais, a Palavra de Deus. Não a nós. Somos apenas seus fracos instrumentos na indicação de caminhos, na iluminação de ideias e no desejo de que, acima de tudo, Deus seja louvado.

            Todas as Paróquias e Comunidades Eclesiais estão convidadas a participarem de Encontros, não pra discutirem, intelectualmente, mas para ouvirem e entenderem, profundamente, a Palavra do Senhor e discernirem melhores caminhos que lhes conduzam à conversão.

            Segundo Santo Agostinho, “o ponto central da Bíblia – convergência de todas as profecias – é Jesus Cristo. O Antigo Testamento é preparação para a sua vinda e o Novo, a realização do seu reino. O Novo estava latente no Antigo e o Antigo se esclarece no Novo. Sua unidade se deve ao fato de terem sido, todos eles, inspirados por Deus seu autor principal e garantia de sua inerrância.

Enfim, a Bíblia não é ‘um livro’ de ciências humanas. É uma coleção de 73 livros que tem sua unidade na Unidade da Trindade”.

Contatos: leunamgomes@hotmail.com

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